Recentemente o perfil oficial da Embaixada da Alemanha no Brasil publicou no Twitter um vídeo curto informando que, apesar do horror do holocausto, as crianças em seu país são desde cedo ensinadas sobre os sofridos detalhes de sua história.  Em uma parte do vídeo, a informação é que a ideia central desta educação precoce – na faixa de 13 a 15 anos – é “conhecer e preservar a história para não repeti-la”, evitando que em algum momento do futuro o renascimento do discurso nazista possa encontrar acolhida no pensamento de pessoas despreparadas para lidar com ele. Ainda conforme o vídeo, na Alemanha constitui crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas e fazer a saudação “Heil Hitler”.  (confira a íntegra aqui). Aos representantes de uma nação, certamente não deve ser uma tarefa fácil assumir, publicamente e sem qualquer maquiagem, o pior momento de seu passado, que inevitavelmente será para sempre lembrado pelo resto da humanidade como uma das maiores mazelas da história universal. Assumir uma posição franca e aberta com relação a um assunto certamente tão dolorido somente indica mais um dos motivos pelos quais, assimilando as lições daquele passado, a Alemanha se tornou a nação que é hoje.

Transcrevendo falas do Ministro das Relações Externas alemão, Heiko Mass, o vídeo nos informa que há preocupação e incentivo a que se combata o extremismo de direita na Alemanha, inclusive com a referência de que “quem protesta contra os nazistas não é de esquerda, mas normal”. E aí ocorreu o grande erro da Embaixada: tentar semear pensamentos em um solo tão pouco propício a gestá-los, o povo brasileiro. Em reação à lógica associação do movimento nazista e dos atuais neonazistas com a extrema direita – ponto que sequer se questiona entre historiadores alemães, segundo reportagem da agência DW Brasil -, uma verdadeira malta de iletrados brasileiros foi, dolorosamente para o resto de nós, manifestar orgulhosamente sua ignorância nas redes sociais, teimando, esperneando e “arjumentando” que o nazismo, na verdade, é uma ideologia derivada da esquerda.

Seria um movimento até mesmo engraçado e pitoresco se não fosse extremamente trágico e doloroso. Habitantes de um país que, há menos de três semanas, viu arder grande parte de sua história e, mais desgraçadamente ainda, fatia importante da história do resto do mundo, em um incêndio decorrente do mais absoluto descaso e desleixo com o próprio passado, com o conhecimento humano nas mais variadas áreas da ciência e da história, tentaram realmente ensinar história da Alemanha aos alemães. Patético. A origem de tal disparate, no Brasil, pode ser traçada diretamente ao suspeito habitual, o auto-intitulado “filósofo” Olavo de Carvalho (pérolas de sua sabedoria aqui), tendo sido repetida no lamentável livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, do jornalista Leandro Narloch, e, atualmente, sendo pregada por acéfalos do calibre do YouTuber Nando Moura. A manobra visa, primária e evidentemente, a associar todas as atrocidades da humanidade com os ditos movimentos de esquerda, fazendo parecer que no que se convenciona chamar de direita não há espaço para discursos extremistas, preconceituosos e discriminatórios, nem a eclosão de catástrofes da magnitude da vivenciada na Alemanha da segunda guerra. Não à toa, o discurso ganhou espaço nas redes sociais do deputado Eduardo Bolsonaro, em texto publicado ainda em abril/2015.

E é exatamente este o maior motivo de serem completamente alarmantes as manifestações ensandecidas dos brasileiros: ao que parece, não estamos mais dispostos a raciocinar, assumimos que devemos, com quaisquer meios, tirar de seus cargos os “comunistas” e “socialistas” que tomaram conta do país, não importando para isso que tenhamos que abdicar de qualquer coerência e bom senso. Não admitimos meios-termos. Não nos importamos com manifestações odiosas contra outros seres humanos, apenas estabelecemos que o “diferente” deve ser destruído, calar-se e viver uma vida sem direitos, de preferência sem incomodar o resto da sociedade. Não temos dívidas com os negros, afinal os próprios africanos se auto-escravizaram e os portugueses somente fizeram o transporte, sequer tendo pisado na África. Não devemos respeito a homossexuais, que devem ser espancados para “se ajeitarem” e sumirem da nossas vistas. Às mulheres, reservamos o papel de subalternas, com remuneração inferior pelo inconveniente de se ausentarem do trabalho para gerar e nutrir novas vidas, assinando carta branca para que os patrões resolvam estas questões como melhor lhes aprouver. Nossa justiça é a do mais forte, damos autorização para que a polícia mate indiscriminadamente, porque precisamos preservar nosso patrimônio e não somos obrigados a dar nenhum tipo de oportunidade a quem quer que seja. Errou, tem que pagar, de preferência com a vida. Um incômodo a menos. Devemos escorraçar os venezuelanos que, em desespero, vieram bater nas nossas portas, implorando por suas próprias vidas, visto que é sua culpa terem adotado linhas socialistas em seu governo. Que morram à míngua, eles e o resto da escória da humanidade. Não devemos ter empatia com ninguém e o egoísmo nos norteará para o caminho do bem.

A única esperança que me resta é que, daqui a talvez cem anos, alguém irá postar no equivalente às nossas redes sociais um material audiovisual informando que, apesar do triste momento que passamos nas primeiras três décadas do século XXI, aprendemos com a nossa história, revimos nossos abissais erros e estamos nos esforçando bravamente para não esquecê-los ou repeti-los. E isso sem que ninguém comente que, na verdade, Jair Bolsonaro foi um injustiçado e todas as falas odiosas a ele atribuídas foram criadas e manipuladas pela imprensa tendenciosa da época.

 

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Pet Friendly?

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Não há o que não haja!, Um muito sobre nada...

Semana passada, depois de três meses e meio, fui obrigado a ir a um shopping. Sim, eu conto o tempo entre cada ida a shoppings. Meu recorde em todos os tempos é de oito meses e tenho muito orgulho disso. De qualquer forma, fui obrigado a ir em um destes estabelecimentos contra a minha vontade, porque me ameaçaram abertamente. Alguma coisa sobre comprar calças novas ou ficar solteiro de novo. Levei a sério…

Chegando naquele templo de futilidade e consumismo, reparei que havia pessoas andando com cachorros no colo e em coleiras, como se estivéssemos em algum parque ao ar livre. Achei bem estranho, nunca havia visto uma coisa destas. Perguntei sobre o assunto para uma vendedora na primeira loja em que entrei – o mais rápido possível, para poder ir embora – e ela me explicou que tinha ocorrido grande demanda popular para que as pessoas pudessem trazer seus “filhinhos” para o shopping, e assim foi feito.

Agora pesquisei um pouco mais e descobri que adotar essa atitude, para uma empresa, é ser “Pet Friendly”, ou seja, amiguinha dos animais. Aparentemente, a onda de tratar cachorros como pessoas, até mesmo filhos ou outros membros da família, ao invés de ser tratada como a grande epidemia de doença mental que é, virou motivo para atrair mais pessoas ao shopping. Se alguém está tão doente a ponto de não conseguir sair de casa por causa de um cachorro, o shopping resolve o problema e recebe de braços abertos aquele filho tão amado e tudo fica bem.

Menos para os desgraçados que, como eu, são obrigados a ir naquela merda e, agora, ainda têm que aguentar mijo e bosta de cachorro…

Ainda bem!

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Isto é Brasil..., Não há o que não haja!, Populítica

Hoje li um bando de comunistinha reclamando no Foicebook do incêndio em algum destes museus brasileiros, antro de comunismo, marxismo cultural e ideologia de gênero. O que se perdeu neste incêndio? Múmias egípcias? Estão de brincadeira! Os egípcios foram um povo herege que idolatrava imagens distorcidas de seres bizarros, meio homens, meio animais, e que mantiveram o povo escolhido em escravidão por séculos, impedindo a divulgação da palavra do Deus verdadeiro. Tem mais é que queimar todas estas relíquias religiosas demoníacas. E digo mais, enquanto não derrubarem aquelas pirâmides e todos os templos pagãos em homenagem a seres demoníacos a pobreza, a miséria e a ignorância não abandonarão aquele povo amaldiçoado!

O que mais queimou? Exemplares de animais, insetos, fósseis de dinossauros e de seres humanos? Tudo falsificação científica para convencer as pessoas da tal de teoria da evolução, quando todo mundo sabe qual a origem do mundo e como foi criado. Está tudo na Bíblia, mas estes cientistas comunistas insistem em contestar a palavra do Divino com essas teorias. Ainda bem que queimaram aquelas bizarrices que só podem ser artefatos forjados por pessoas com as piores das intenções, que querem conduzir nosso país a uma ditadura de esquerda e não estão lutando por nada além disso. Envenenam as mentes das crianças com ideias estapafúrdias que não se sustentam contra os claros e precisos ensinamentos do Bom Livro. Que queimem estes disparates!

Se duvidar, agora que o Brasil está prestes a se dedicar ao que realmente importa – agredir gays para os endireitar, liberar o porte de arma para que o cidadão de bem se proteja contra quem lhe agride e dar salvo conduto para policial fazer faxina em favela e outros bolsões de pobreza – criaram este incêndio para desviar as atenções. Não dá para duvidar de nada quando se está lidando como comunista! Mas é melhor JAIR se acostumando. BOLSOMITO 2018!

gentiliVocê provavelmente conhece Danilo Gentili, aquele “comediante” (?) “de direita” (???) que resolveu alavancar sua audiência ofendendo pessoas “de esquerda”, como ele mesmo qualifica, defendendo com unhas e dentes sua visão doentia de mundo. No entender do camarada, o mundo ainda se compartimenta em duas – e apenas duas – possibilidades, ou seja, ou se é conservador, defensor do livre mercado e católico ou se é comunista, pé-sujo e ateu. Uma simplificação idiota, evidentemente, na medida em que tais extremos há muito foram superados, e uma saudável mistura destas visões, pendendo ora para um lado, ora para outro, tem permeado a vida política e econômica de nações bem mais desenvolvidas que a nossa. Não bastasse tudo isto, recentemente este sujeito deplorável adotou uma atitude que me fez dar razão a uma clara representante do outro extremo deste espectro de imbecilidade dualista: a lamentável deputada federal Maria do Rosário, do PT/RS.

maria-do-rosario-nunes-diputada-brasilenaSim, Maria do Rosário é mais uma destas figuras com discursos embolorados e tendências à ampliação indevida de conceitos de direitos sociais e coisas do tipo. Não sei exatamente, e nem me interessa saber, qual o conteúdo da intimação/notificação/bilhete enviada ao humorista, e acho que qualquer um que tome partido incondicionalmente nesta briga tende a errar para um ou outro extremo. Mas uma coisa é certa: rasgar o documento, esfregá-lo “nas partes” e mandar de volta à remetente é uma atitude, para dizer o mínimo, infantil e desprovida de qualquer civilidade e urbanidade (video, para quem tem estômago, aqui). Há inúmeros instrumentos para Danilo contestar as imputações, inclusive nos meios de comunicação aos quais possui acesso. Uma conduta madura poderia, inclusive, apontar eventuais excessos e abusos da parlamentar, o que eventualmente iria colaborar para que, na próxima legislatura, menos gente daquele calibre consiga assentos no legislativo.

Ao invés disso, seguindo o exemplo de outro baluarte desta “nova direita” brasileira, o deputado Jair Bolsonaro – que, para quem não lembra, foi capaz de dizer que Maria do Rosário não “mereceria” ser estuprada por ser “muito feita” – preferiu adotar uma postura de moleque irresponsável, angariando simpatia automática das pessoas que ainda tem algum norte de educação e civilidade a uma parlamentar de atuação, no mínimo, inócua e equivocada. Verdadeiro tiro no pé.

Provavelmente nos últimos tempos você leu/ouviu frases muito similares a estas:

– O paciente João dos Anzóis tomou a fostoetanolamina por seis meses e ficou curado do câncer de próstata!

– O irmão do cunhado da minha tia pegou um táxi e foi ludibriado no troco, além do motorista não ter ligado o taxímetro, ter sido extremamente grosseiro e, para piorar, pego o caminho mais longo para aumentar o valor da corrida!

A estas afirmações se atribui o nome de evidências anedóticas, ou seja, evidências verificadas em um número baixíssimo de eventos – muitas vezes apenas um -, de maneira informal e normalmente por pessoas não-habilitadas a coletá-las. Geralmente, possuem forte apelo emocional e tendem a se integrar rapidademente ao imaginário popular. Mas não servem, de forma alguma, para estabelecer políticas de grande repercussão social, como a aprovação de medicamentos e a elaboração de políticas de mobilidade urbana. No máximo, servem para que elaboremos conclusões generalizadas e desvinculadas dos fatos, nem sempre salutares. Além disso, por seu próprio apelo e repercussão, tendem a ser lembradas de forma mais viva e dramática pelas pessoas. Ninguém comenta, por exemplo, sobre as pessoas que tomaram a mesmíssima substância e infelizmente sucumbiram ao câncer de qualquer maneira, nem das incontáveis corridas de táxi que fez durante a vida em que tudo correu exatamente como o esperado.

Para que se verifique a nocividade deste tipo de procedimento, basta pensar quantas vezes, ao longo da vida, tomamos decisões levados pela emoção – ou, como dizemos, “de cabeça quente” – e acabamos sendo imensamente prejudicados, findando por lamentar o fato de não termos escolhido outro caminho.

Nesta polêmica do Uber, é exatamente frente a isto que nos encontramos: por ter havido um caso grave de agressão a taxista em Porto Alegre, já somos todos contra a “máfia dos táxis” e plenamente favoráveis ao uso do aplicativo.

Mas um minutinho de reflexão traz algumas questões absolutamente relevantes. Por exemplo, é possível confiar inteiramente na iniciativa privada para regular um serviço de utilidade pública, sem a realização de estudos ou qualquer levantamento mais sério sobre a forma como tal serviço é prestado?Exemplos de serviços anteriormente privatizados que simplesmente não funcionam não precisam ser muito procurados. Aparentemente, o Uber verifica antecedentes criminais dos candidatos a motorista, mas num país em que o número de crimes solucionados é irrisório este procedimento assegura a isenção dos passageiros de qualquer risco? E mesmo que o motorista seja uma pessoa idônea, há a garantia de que os dados que trafegam no aplicativo são 100% seguros e impossíveis de serem rastreados por pessoas com interesse em saber a rota exata e os horários de deslocamento de determinada pessoa?

Por outro lado, a pressa dos vereadores de Porto Alegre em vetar o uso do serviço corrobora, e muito, outra idéia já fixada no imaginário popular, segundo a qual todo político é corrupto e está sempre participando de algum esquema. No fundo, qual a real intenção por trás de cada voto? Decidiram com base em dados relevantes e concretos? Possuem condições de apontar eventuais falhas no serviço que justifiquem a proibição? Não possuem nenhum interesse econômico na discussão?

Ninguém sabe concretamente, em nenhum dos dois casos. Como sempre, estamos decidindo coisas relevantes no escuro, não tomando o devido tempo para reflexões e discussões sérias. E este é o ponto: somos um país formado por pessoas que se recusam a raciocinar, simplesmente desprezando a competência técnica, com a crença em que nada de mal irá acontecer pelo simples fatos de agirmos assim. Do dia para a noite, somos todos médicos, engenheiros de minas, geólogos, especialistas em política do oriente médio e engenheiros de trânsito, aptos a dar opiniões definitivas sobre tudo. E, enquanto continuarmos agindo assim, não sairemos do buraco para o qual cada vez mais infelizmente rumamos. Mas só acho…

Passada a celeuma sobre a questão do ENEM envolvendo o texto de Simone de Beauvoir, resolvi parar um minuto para pensar sobre o assunto, depois de ter ignorado solenemente as manifestações doentias que li por aí. O parágrafo, textualmente, diz o seguinte:

“Niguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

Se me permitem a imensa falta de modéstia, apenas lendo o excerto do texto, entendi perfeitamente que ele versa sobre o feminismo. Intui, inclusive, que a expressão “ninguém nasce mulher” se refere à definição da mulher na sociedade, ao papel que esta irá assumir perante os outros, e não à orientação sexual da “fêmea humana”, na definição da própria autora. Consegui, de forma completamente independente, ler o texto de forma isenta e verificar sobre o que ele versa, retirando o sentido que a autora pretendeu dar. Sou inteligente por demais, não?

NÃO!!!

Somente duas condições podem impedir que a pessoa extraia do texto acima transcrito seu exato sentido:

  1. Analfabetismo funcional, aquela condição tão comum na sociedade brasileira, que se caracateriza justamente pela inabilidade de, apesar de formar corretamente as palavras mediante sua leitura, formar uma seqüência lógica e racional a partir de qualquer manifestação escrita; e,
  2. Completa desonestidade intelectual, enfatizando uma figura de linguagem utilizada para embasar um discurso prévio de intolerância e radicalismo.

Infelizmente, há inúmeras pessoas que se enquadram na primeira hipótese, o que depõe negativamente acerca do sistema educacional brasileiro. Se uma pessoa prestes a ingressar na faculdade não conseguir, por seus próprios meios, intepretar um texto tão singelo, certamente estaremos diante de um déficit de preparação e aprendizado que, com todo o respeito, dificilmente pode ser corrigido em algum ponto.

Mas o mais preocupante são aqueles que se enquadram na segunda hipótese. Nestes, incluem-se, sem qualquer sombra de dúvidas, figuras execráveis da vida pública nacional, tais como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (se bem que quanto a este último tenho lá minhas dúvidas). O que fazem estes cidadãos é, basicamente, emprestar uma interpretação absolutamente distorcida do enunciado da questão antes transcrita, professando que esta demonstra claramente uma tendência dos órgãos estatais encarregados da educação de crianças e jovens a seguir o que eles mesmos denominam de “ideologia de gênero” ou “gayzismo”, que seriam ferramentas do Estado comprometer a “família tradicional” e, como última conseqüência, estabelecer uma ditadura comunista/socialista. Fazem isto, evidentemente, contando que a grande massa de funcionalmente analfabetos, repetirão “ad nauseaum” estes argumentos torpes e sentirão temor ou descontentamento com as políticas educacionais, pendendo a, para evitar a tal ditatura, entregarem seus votos e darem muito dinheiro aos envolvidos.

E este quadro, por si só, é preocupante. QUALQUER das duas hipóteses que enumero aponta, fatalmente, para um quadro sombrio no futuro da nação. Ou nos tornaremos uma nação de deficientes intelectuais, sobrevivendo com dificuldades aos desafios que o avanço das ciências e da tecnologia nos imporão, ou seremos todos pessoas arrogantemente tendenciosas a interpretar qualquer idéia divergente das pré-estabelecidas com base em preconceitos e irracionalidades, o que dá quase no mesmo.

Como a maioria das pessoas, não li os termos e condições de uso do Facebook e nem de nenhum outro serviço online, mas tenho quase certeza que não há neles qualquer obrigação do usuário emitir sua opinião sobre cada assunto de grande repercussão que surge.

Sendo assim, acaso não tivermos nenhum conhecimento médico, bioquímico ou farmacológico, nem feito pesquisa científica em qualquer área, que tal evitarmos sair praguejando por aí contra a indústria farmacêutica e repetindo, como papagaios, que o Brasil encontrou a cura do câncer, que tudo não passa de uma grande conspiração para desacreditar os pesquisadores brasileiros e que a fosfoetanolamina deve ser colocada nas prateleiras das farmácias ontem?

Igualmente, se nunca lemos o Corão nem temos conhecimentos suficientes sobre a situação política, social e econômica no Oriente Medrio, que tal não pregar, imediatamente, a morte de todos os muçulmanos como forma de alcançar a paz mundial?

Em último caso, na dúvida, que tal usarmos o bom e velho bom senso?

Se a frase “a indústria farmacêutica não quer a cura do câncer para continuar vendendo quimioterápicos” fizer algum sentido, que tal se colocar no lugar de um grande acionista de uma farmacêutica e se perguntar se um remédio que cura o câncer não poderia ser vendido por muito mais que um quimioterápico, aumentando o lucro? Que tal considerar que o câncer, infelizmente, é uma doença que costuma apresentar recidivas e seria muito mais interessante vender o medicamento para o mesmo paciente duas, três ou quatro vezes (lembre-se, todos os casos seriam curados, portanto sempre haveria esta possibilidade) ao invés de quimioterapia apenas uma? Ou ainda, conforme o resultado dos testes clínicos, estabelecer um tratamento com a droga mediante administração contínua para evitar recidivas, lucrando indefinidamente em cima de cada paciente?

Da mesma forma, se a tentação de dizer que é muita coincidência ocorrer um ataque terrorista islâmico toda vez que a população brasileira prepara uma manifestação importante contra um partido que quer estabelecer uma ditadura socialista/comunista no Brasil, que tal parar para pensar no motivo pelo qual um grupo religioso radical e extremista colaboraria com um partido que professa um sistema político e econômico que historicamente tem simplesmente varrido as religiões, inclusive de forma violenta, dos lugares onde passa?