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Recentemente nosso estimado presidente declarou que não via qualquer problema no trabalho infantil, citando que ele próprio trabalhou em plantações desde os oito ou nove anos de idade, e disto não decorreu qualquer problema para sua personalidade e/ou formação.

Vamos deixar de lado, para esta análise, a profunda desumanidade da proposição, já reconhecida como danosa ao desenvolvimento infantil na maior parte do mundo civilizado, bem assim a distorcida avaliação de si mesmo de Jair Bolsonaro, um sujeito com claros problemas psíquicos que clamam por tratamento urgente. Esqueçamos, também, que um irmão do presidente declarou no passado à revista Crescer que seu pai jamais teria autorizado que os filhos trabalhassem para não prejudicar seus estudos, o que contradiz frontalmente a fanfarronice de Bolsonaro. Sei que é difícil, mas vamos tentar ser objetivos.

Conforme as últimas pesquisas, o número de desempregados supera os 13 milhões, totalizando quase 12,5% da população economicamente ativa, e as pessoas subutilizadas chegam a 28 milhões. Ou seja, se não há emprego sequer para adultos, qual o sentido minimamente lógico em se propor – além de uma profunda desconexão com os mais elementares sensos de empatia e piedade para com a infância – que se coloquem crianças para trabalhar? Gritarão, rapidamente e em uníssono, os apoiadores deste lunático que “a culpa é do PT”! E com grande dose de razão, não se pode cobrar de um governo de apenas seis meses que tenha resolvido um problema que vem se tornando cada vez maior há mais de cinco anos.

Mas, definitivamente, podemos e devemos cobrar de um presidente coerência e sensatez, abertura a proposição de soluções ponderads e compreensão para com os outros. No entanto, até o momento só temos alucinações, preconceitos e análises completamente distorcidas da realidade. O rumo que tomamos é preocupante, as mais singelas amarras com o bom-senso e a civilidade está sendo perdidas em ritmo acelerado, e não me surpreenderei se, em breve, alguém ainda proponha abertamente o retorno da escravidão. É só o que falta, já que nem de crianças – CRIANÇAS – se tem mais pena.

Epílogo

Publicado: 08/05/2019 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

E o brasileiro sob Bolsonaro se converteu em um zumbi raivoso e preconceituoso, uivando em êxtase e escárnio, imbecilizado pelo WhatsApp, finalmente rumando, arma em punho, aplaudindo e se vangloriando, para sua completa destruição…

 

Recentemente o perfil oficial da Embaixada da Alemanha no Brasil publicou no Twitter um vídeo curto informando que, apesar do horror do holocausto, as crianças em seu país são desde cedo ensinadas sobre os sofridos detalhes de sua história.  Em uma parte do vídeo, a informação é que a ideia central desta educação precoce – na faixa de 13 a 15 anos – é “conhecer e preservar a história para não repeti-la”, evitando que em algum momento do futuro o renascimento do discurso nazista possa encontrar acolhida no pensamento de pessoas despreparadas para lidar com ele. Ainda conforme o vídeo, na Alemanha constitui crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas e fazer a saudação “Heil Hitler”.  (confira a íntegra aqui). Aos representantes de uma nação, certamente não deve ser uma tarefa fácil assumir, publicamente e sem qualquer maquiagem, o pior momento de seu passado, que inevitavelmente será para sempre lembrado pelo resto da humanidade como uma das maiores mazelas da história universal. Assumir uma posição franca e aberta com relação a um assunto certamente tão dolorido somente indica mais um dos motivos pelos quais, assimilando as lições daquele passado, a Alemanha se tornou a nação que é hoje.

Transcrevendo falas do Ministro das Relações Externas alemão, Heiko Mass, o vídeo nos informa que há preocupação e incentivo a que se combata o extremismo de direita na Alemanha, inclusive com a referência de que “quem protesta contra os nazistas não é de esquerda, mas normal”. E aí ocorreu o grande erro da Embaixada: tentar semear pensamentos em um solo tão pouco propício a gestá-los, o povo brasileiro. Em reação à lógica associação do movimento nazista e dos atuais neonazistas com a extrema direita – ponto que sequer se questiona entre historiadores alemães, segundo reportagem da agência DW Brasil -, uma verdadeira malta de iletrados brasileiros foi, dolorosamente para o resto de nós, manifestar orgulhosamente sua ignorância nas redes sociais, teimando, esperneando e “arjumentando” que o nazismo, na verdade, é uma ideologia derivada da esquerda.

Seria um movimento até mesmo engraçado e pitoresco se não fosse extremamente trágico e doloroso. Habitantes de um país que, há menos de três semanas, viu arder grande parte de sua história e, mais desgraçadamente ainda, fatia importante da história do resto do mundo, em um incêndio decorrente do mais absoluto descaso e desleixo com o próprio passado, com o conhecimento humano nas mais variadas áreas da ciência e da história, tentaram realmente ensinar história da Alemanha aos alemães. Patético. A origem de tal disparate, no Brasil, pode ser traçada diretamente ao suspeito habitual, o auto-intitulado “filósofo” Olavo de Carvalho (pérolas de sua sabedoria aqui), tendo sido repetida no lamentável livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, do jornalista Leandro Narloch, e, atualmente, sendo pregada por acéfalos do calibre do YouTuber Nando Moura. A manobra visa, primária e evidentemente, a associar todas as atrocidades da humanidade com os ditos movimentos de esquerda, fazendo parecer que no que se convenciona chamar de direita não há espaço para discursos extremistas, preconceituosos e discriminatórios, nem a eclosão de catástrofes da magnitude da vivenciada na Alemanha da segunda guerra. Não à toa, o discurso ganhou espaço nas redes sociais do deputado Eduardo Bolsonaro, em texto publicado ainda em abril/2015.

E é exatamente este o maior motivo de serem completamente alarmantes as manifestações ensandecidas dos brasileiros: ao que parece, não estamos mais dispostos a raciocinar, assumimos que devemos, com quaisquer meios, tirar de seus cargos os “comunistas” e “socialistas” que tomaram conta do país, não importando para isso que tenhamos que abdicar de qualquer coerência e bom senso. Não admitimos meios-termos. Não nos importamos com manifestações odiosas contra outros seres humanos, apenas estabelecemos que o “diferente” deve ser destruído, calar-se e viver uma vida sem direitos, de preferência sem incomodar o resto da sociedade. Não temos dívidas com os negros, afinal os próprios africanos se auto-escravizaram e os portugueses somente fizeram o transporte, sequer tendo pisado na África. Não devemos respeito a homossexuais, que devem ser espancados para “se ajeitarem” e sumirem da nossas vistas. Às mulheres, reservamos o papel de subalternas, com remuneração inferior pelo inconveniente de se ausentarem do trabalho para gerar e nutrir novas vidas, assinando carta branca para que os patrões resolvam estas questões como melhor lhes aprouver. Nossa justiça é a do mais forte, damos autorização para que a polícia mate indiscriminadamente, porque precisamos preservar nosso patrimônio e não somos obrigados a dar nenhum tipo de oportunidade a quem quer que seja. Errou, tem que pagar, de preferência com a vida. Um incômodo a menos. Devemos escorraçar os venezuelanos que, em desespero, vieram bater nas nossas portas, implorando por suas próprias vidas, visto que é sua culpa terem adotado linhas socialistas em seu governo. Que morram à míngua, eles e o resto da escória da humanidade. Não devemos ter empatia com ninguém e o egoísmo nos norteará para o caminho do bem.

A única esperança que me resta é que, daqui a talvez cem anos, alguém irá postar no equivalente às nossas redes sociais um material audiovisual informando que, apesar do triste momento que passamos nas primeiras três décadas do século XXI, aprendemos com a nossa história, revimos nossos abissais erros e estamos nos esforçando bravamente para não esquecê-los ou repeti-los. E isso sem que ninguém comente que, na verdade, Jair Bolsonaro foi um injustiçado e todas as falas odiosas a ele atribuídas foram criadas e manipuladas pela imprensa tendenciosa da época.

 

Ainda bem!

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Isto é Brasil..., Não há o que não haja!, Populítica

Hoje li um bando de comunistinha reclamando no Foicebook do incêndio em algum destes museus brasileiros, antro de comunismo, marxismo cultural e ideologia de gênero. O que se perdeu neste incêndio? Múmias egípcias? Estão de brincadeira! Os egípcios foram um povo herege que idolatrava imagens distorcidas de seres bizarros, meio homens, meio animais, e que mantiveram o povo escolhido em escravidão por séculos, impedindo a divulgação da palavra do Deus verdadeiro. Tem mais é que queimar todas estas relíquias religiosas demoníacas. E digo mais, enquanto não derrubarem aquelas pirâmides e todos os templos pagãos em homenagem a seres demoníacos a pobreza, a miséria e a ignorância não abandonarão aquele povo amaldiçoado!

O que mais queimou? Exemplares de animais, insetos, fósseis de dinossauros e de seres humanos? Tudo falsificação científica para convencer as pessoas da tal de teoria da evolução, quando todo mundo sabe qual a origem do mundo e como foi criado. Está tudo na Bíblia, mas estes cientistas comunistas insistem em contestar a palavra do Divino com essas teorias. Ainda bem que queimaram aquelas bizarrices que só podem ser artefatos forjados por pessoas com as piores das intenções, que querem conduzir nosso país a uma ditadura de esquerda e não estão lutando por nada além disso. Envenenam as mentes das crianças com ideias estapafúrdias que não se sustentam contra os claros e precisos ensinamentos do Bom Livro. Que queimem estes disparates!

Se duvidar, agora que o Brasil está prestes a se dedicar ao que realmente importa – agredir gays para os endireitar, liberar o porte de arma para que o cidadão de bem se proteja contra quem lhe agride e dar salvo conduto para policial fazer faxina em favela e outros bolsões de pobreza – criaram este incêndio para desviar as atenções. Não dá para duvidar de nada quando se está lidando como comunista! Mas é melhor JAIR se acostumando. BOLSOMITO 2018!

Provavelmente nos últimos tempos você leu/ouviu frases muito similares a estas:

– O paciente João dos Anzóis tomou a fostoetanolamina por seis meses e ficou curado do câncer de próstata!

– O irmão do cunhado da minha tia pegou um táxi e foi ludibriado no troco, além do motorista não ter ligado o taxímetro, ter sido extremamente grosseiro e, para piorar, pego o caminho mais longo para aumentar o valor da corrida!

A estas afirmações se atribui o nome de evidências anedóticas, ou seja, evidências verificadas em um número baixíssimo de eventos – muitas vezes apenas um -, de maneira informal e normalmente por pessoas não-habilitadas a coletá-las. Geralmente, possuem forte apelo emocional e tendem a se integrar rapidademente ao imaginário popular. Mas não servem, de forma alguma, para estabelecer políticas de grande repercussão social, como a aprovação de medicamentos e a elaboração de políticas de mobilidade urbana. No máximo, servem para que elaboremos conclusões generalizadas e desvinculadas dos fatos, nem sempre salutares. Além disso, por seu próprio apelo e repercussão, tendem a ser lembradas de forma mais viva e dramática pelas pessoas. Ninguém comenta, por exemplo, sobre as pessoas que tomaram a mesmíssima substância e infelizmente sucumbiram ao câncer de qualquer maneira, nem das incontáveis corridas de táxi que fez durante a vida em que tudo correu exatamente como o esperado.

Para que se verifique a nocividade deste tipo de procedimento, basta pensar quantas vezes, ao longo da vida, tomamos decisões levados pela emoção – ou, como dizemos, “de cabeça quente” – e acabamos sendo imensamente prejudicados, findando por lamentar o fato de não termos escolhido outro caminho.

Nesta polêmica do Uber, é exatamente frente a isto que nos encontramos: por ter havido um caso grave de agressão a taxista em Porto Alegre, já somos todos contra a “máfia dos táxis” e plenamente favoráveis ao uso do aplicativo.

Mas um minutinho de reflexão traz algumas questões absolutamente relevantes. Por exemplo, é possível confiar inteiramente na iniciativa privada para regular um serviço de utilidade pública, sem a realização de estudos ou qualquer levantamento mais sério sobre a forma como tal serviço é prestado?Exemplos de serviços anteriormente privatizados que simplesmente não funcionam não precisam ser muito procurados. Aparentemente, o Uber verifica antecedentes criminais dos candidatos a motorista, mas num país em que o número de crimes solucionados é irrisório este procedimento assegura a isenção dos passageiros de qualquer risco? E mesmo que o motorista seja uma pessoa idônea, há a garantia de que os dados que trafegam no aplicativo são 100% seguros e impossíveis de serem rastreados por pessoas com interesse em saber a rota exata e os horários de deslocamento de determinada pessoa?

Por outro lado, a pressa dos vereadores de Porto Alegre em vetar o uso do serviço corrobora, e muito, outra idéia já fixada no imaginário popular, segundo a qual todo político é corrupto e está sempre participando de algum esquema. No fundo, qual a real intenção por trás de cada voto? Decidiram com base em dados relevantes e concretos? Possuem condições de apontar eventuais falhas no serviço que justifiquem a proibição? Não possuem nenhum interesse econômico na discussão?

Ninguém sabe concretamente, em nenhum dos dois casos. Como sempre, estamos decidindo coisas relevantes no escuro, não tomando o devido tempo para reflexões e discussões sérias. E este é o ponto: somos um país formado por pessoas que se recusam a raciocinar, simplesmente desprezando a competência técnica, com a crença em que nada de mal irá acontecer pelo simples fatos de agirmos assim. Do dia para a noite, somos todos médicos, engenheiros de minas, geólogos, especialistas em política do oriente médio e engenheiros de trânsito, aptos a dar opiniões definitivas sobre tudo. E, enquanto continuarmos agindo assim, não sairemos do buraco para o qual cada vez mais infelizmente rumamos. Mas só acho…

Passada a celeuma sobre a questão do ENEM envolvendo o texto de Simone de Beauvoir, resolvi parar um minuto para pensar sobre o assunto, depois de ter ignorado solenemente as manifestações doentias que li por aí. O parágrafo, textualmente, diz o seguinte:

“Niguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

Se me permitem a imensa falta de modéstia, apenas lendo o excerto do texto, entendi perfeitamente que ele versa sobre o feminismo. Intui, inclusive, que a expressão “ninguém nasce mulher” se refere à definição da mulher na sociedade, ao papel que esta irá assumir perante os outros, e não à orientação sexual da “fêmea humana”, na definição da própria autora. Consegui, de forma completamente independente, ler o texto de forma isenta e verificar sobre o que ele versa, retirando o sentido que a autora pretendeu dar. Sou inteligente por demais, não?

NÃO!!!

Somente duas condições podem impedir que a pessoa extraia do texto acima transcrito seu exato sentido:

  1. Analfabetismo funcional, aquela condição tão comum na sociedade brasileira, que se caracateriza justamente pela inabilidade de, apesar de formar corretamente as palavras mediante sua leitura, formar uma seqüência lógica e racional a partir de qualquer manifestação escrita; e,
  2. Completa desonestidade intelectual, enfatizando uma figura de linguagem utilizada para embasar um discurso prévio de intolerância e radicalismo.

Infelizmente, há inúmeras pessoas que se enquadram na primeira hipótese, o que depõe negativamente acerca do sistema educacional brasileiro. Se uma pessoa prestes a ingressar na faculdade não conseguir, por seus próprios meios, intepretar um texto tão singelo, certamente estaremos diante de um déficit de preparação e aprendizado que, com todo o respeito, dificilmente pode ser corrigido em algum ponto.

Mas o mais preocupante são aqueles que se enquadram na segunda hipótese. Nestes, incluem-se, sem qualquer sombra de dúvidas, figuras execráveis da vida pública nacional, tais como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (se bem que quanto a este último tenho lá minhas dúvidas). O que fazem estes cidadãos é, basicamente, emprestar uma interpretação absolutamente distorcida do enunciado da questão antes transcrita, professando que esta demonstra claramente uma tendência dos órgãos estatais encarregados da educação de crianças e jovens a seguir o que eles mesmos denominam de “ideologia de gênero” ou “gayzismo”, que seriam ferramentas do Estado comprometer a “família tradicional” e, como última conseqüência, estabelecer uma ditadura comunista/socialista. Fazem isto, evidentemente, contando que a grande massa de funcionalmente analfabetos, repetirão “ad nauseaum” estes argumentos torpes e sentirão temor ou descontentamento com as políticas educacionais, pendendo a, para evitar a tal ditatura, entregarem seus votos e darem muito dinheiro aos envolvidos.

E este quadro, por si só, é preocupante. QUALQUER das duas hipóteses que enumero aponta, fatalmente, para um quadro sombrio no futuro da nação. Ou nos tornaremos uma nação de deficientes intelectuais, sobrevivendo com dificuldades aos desafios que o avanço das ciências e da tecnologia nos imporão, ou seremos todos pessoas arrogantemente tendenciosas a interpretar qualquer idéia divergente das pré-estabelecidas com base em preconceitos e irracionalidades, o que dá quase no mesmo.

Aparentemente, ao contrário do que a fala embotada e quase debochada, a expressão embasbacada e vazia e a evidente futilidade de tudo o que foi relatado, o vídeo produzido pela Veja São Paulo com o empresário Alexander de Almeida não se trata de uma brincadeira ou piada, retratando a triste realidade do enfocado. Os valores expressados no vídeo são os do verdadeiro Alexander, que não é um personagem, mas uma pessoa real, que vive e pensa exatamente daquele jeito. Demorei a aceitar isto, não podia conceber que alguém pudesse colocar tanta ênfase na própria miséria – sim miséria – como fez o rapaz, até que a própria Veja, frente à repercussão extrema do episódio, publicou uma notícia confirmando toda a história e demonstrando que, ao menos, checou os fatos antes de dar a notícia, como deve ser com qualquer órgão de impressa que se proponha a ser sério.

Então, esclarecida a celeuma, me sinto à vontade para escrever alguns pensamentos soltos sobre Alexander de Almeida. Farei isso por tópicos, para facilitar a leitura e agregar algum státis ao meu texto:

Alexander de Almeida

Alexander de Almeida: rei no camarote, bufão na vida.

 a) Alexander de Almeida é feio e desajeitado. Isso é bem óbvio para quem assistiu ao vídeo. As comparações como o Quico do programa infantil Chaves pipocaram na Internet e ficou muito evidente a falta de atributos físicos do camarada. Além disso, as imagens que retratam Alexander dançando e se divertindo a valer nos camarotes da vida são, para ser franco, patéticas. Eu sou péssimo para dançar, dificilmente me arrisco em uma pista de dança, a não ser que seja extremamente necessário, mas ao lado de Alexander não ficaria nem um pouco constrangido, porque dificilmente alguém poderia notar minha natural falta de graça ao lado de tão bizarra demonstração de (falta de) malemolência.

 b) Alexander de Almeida é burro. Tudo bem, o cara pode ter tido tino comercial amealhando fortuna em seu ramo de negócios – que, para ser sincero, sequer sabia que existia, mas é isso que difere o fracasso do sucesso, entender onde as oportunidades estão – mas qualquer um, no mínimo uso de suas faculdades mentais, não sairia por aí alardeando a própria riqueza se estivesse em débito com o fisco. Com a repercussão estrondosa do vídeo – que, se não era esperada por ele, só demonstra mais uma vez sua burrice –, Alexander tentou desmentir a Veja, revista veterana no mercado editorial que já derrubou presidentes e não ia deixar barato, levando o que pediu: a impiedosa confirmação de sua história. Mas o que aparentemente preocupa o Rei do Camarote é a atuação da Receita Federal. Segundo narra a revista, Alexander teria referido que tem medo do órgão “ir atrás dele”. Ora, amigo, se está devendo imposto, gasta teus R$ 50.000,00 por noite na moita. Convida a mulherada, paga o champanhe para todo mundo, anda com tua Ferrari, mas NÃO ALARDEIA. Já li por aí que Alexander ainda deve mais de R$ 50.000,00 – ou uma noitada – só de IPTU para a Prefeitura de São Paulo. Será que nem passou pela cabecinha oca de Alexander que isso tudo viria à tona? Já que o cara parece o Quico mesmo, vamos dizer em coro: “Dá zero prá ele, professor Girafales”.

 c) Alexander de Almeida é um camarada de sorte. Instituições financeiras sobrevivem, basicamente, de sua imagem de austeridade e credibilidade. O banco precisa passar ao público a certeza de que seu dinheiro está bem guardado e, ainda, que os 12% de juros ao mês no cheque especial são mesmo necessários para manter os depósitos de todos. Todo mundo sabe disto. Se um banco começa a dar sinais claros de descontrole nos gastos, o correntista vai lá tão rápido para sacar seus créditos que quase não dá tempo de se perceber o que está acontecendo. Sendo assim, somente a sorte pode ter feito que nosso herói de triste figura conseguisse amealhar patrimônio no meio sem que se questionasse seu estilo de vida hedonista e perdulário. Logo após demonstrar seus valores no vídeo, entretanto, o Banco Panamericano, segundo o próprio Alexander, descredenciou sua empresa. E os negócios podem, dependendo do quanto ainda vai ser lembrado o episódio, minguar até mais. Quando se envolveu com os travestis, Ronaldo Fenômeno perdeu muitos contratos de publicidade por conta da pouca disposição das empresas de ter sua imagem associada a este nível de patifaria. Talvez Alexander tenha dado um tiro no próprio pé ao tentar se destacar da multidão, simplesmente queimando sua imagem com os bancos e financeiras clientes de sua empresa, que certamente não querem sua imagem associada a de um bufão da noite.

 d) Alexander de Almeida não demonstra ter auto-estima muito alta, nem personalidade. De todos os “mandamentos” do vídeo, nenhum tinha qualquer relação com a personalidade do retratado, mas tão-somente com os seus bens e a forma como, utilizando-os, Alexander tenta desesperadamente se sobressair da multidão. Ou seja, ao que parece, Alexander não dá muito valor ao que é, mas sim ao que tem, uma clara demonstração de baixa auto-estima ou falta de confiança em si mesmo. O fato de querer ter sempre em seu camarote uma celebridade para “agregar” a suas roupas e carro é mais um indicativo disto. Acaso se considerasse uma pessoa interessante e sofisticada, ele não se preocuparia com o fato de acorrerem ou não “celebridades” a seus camarotes. O anfitrião, por si, deveria se bastar em um evento social, mas provavelmente Alexander não se acha à altura da tarefa. Por isso a roupa das melhores grifes – por sinal, vamos combinar, camisa xadrez verde tem até na C&A -, o carrão e a conta estratosférica. Sem eles, o fanfarrão provavelmente não se sente confortável ao divertir e entreter seus convidados. O que, por si só, já é lamentável. Finalmente, o simples fato de abrir mão de um gosto pessoal pela vodca em favor do champanhe porque dá mais “státis” indica que, além de tudo, Alexander não consegue impor sua personalidade. Beber o que os outros acreditam ser mais glamouroso é, no mínimo, anular-se um pouco.

Eu gosto de cachaça, mas champanhe é mais statis

Até tu, Muçum???

 e) Alexander de Almeida é um atolado. Sério, gastando R$ 50.000,00 por noite e até R$ 300.000,00 por mês, tudo o que Alexander tem para relatar, com um fingido ar de constrangimento, é que uma vez transou com uma mulher no banheiro de uma balada? Amigão, conheço uma rapaziada que com o orçamento bem mais modesto – digamos de R$ 20,00 até o infinito, tipo R$ 100,00 ou R$ 150,00 – já obteve resultados bem mais significativos. Sei do “causo” de um sujeito que, inclusive, sem dinheiro para entrar na balada, transou com uma mulher no lado de fora mesmo, em um canto mais escuro da avenida. Não vou dar mais detalhes, porque pode sujar para a rapaziada, mas Alexander, sinceramente, MUITO FRACO o desempenho…

 Enfim, embora algumas pessoas possam realmente ter inveja do Alexander, todo mundo que eu conheço ficou com PENA da futilidade, superficialidade e extrema imbecilidade do rapaz. Mais um dos tantos bufões que passarão pela vida deixando para trás não mais que um monte de dinheiro acumulado, sem nenhuma contribuição relevante e importante para os demais. Uma pessoa da qual ninguém sentirá falta. A não ser, talvez, os tantos que ele PAGA para serem seus seguranças, garçons e, porque não dizer, amigos…