Hoje o mundo é muito pequeno. Aquele velho bordão “eta mundão véio sem porteira” poderia ser trocado para “eta mundinho véio sem porteira”. Realmente, não existem mais porteiras; o sistema de comunicação atual possibilita estarmos em vários locais ao mesmo tempo, interagindo com pessoas dos mais diversos locais, compreendendo suas culturas e modos de vida. E o mundo ficou pequeno; a China está a um click, o Nepal está em detalhes no Google Earth, o Botsuana também! E os meios de transporte são razoavelmente rápidos e seguros para, caso você tenha dinheiro suficiente, levá-los a conhecer in loco tudo isto, e não apenas nas janelas do Windows (trocadilho infame).

Mas tentaremos imaginar o mundo ocidental do século XIII…

O mundo era plano…

Existiam dragões e outros seres ruinzinhos no final do plano mundo (mundo plano deve ser chato..outro trocadilho). Não existiam cursos de línguas, não existiam sistemas de transportes confiáveis ou rápidos e principalmente: não se sabia quem estava além do horizonte! Os povos tinham pouco contato; os obstáculos naturais -grandes rios, lagos, mares, cadeias montanhosas- eram os limites entre povos que muitas vezes, nem chegavam a se conhecer. Com estas limitações, desenvolviam-se de formas muitas vezes bastante diferentes, costumes diferentes, línguas certamente diferentes. As limitações não eram só de ordem técnica (transporte), também existiam as limitações dogmáticas culturais devido as imposições culturais católicas.

Mas eis que um cara, sim ele foi ou ainda é o cara, resolve desbravar este mundo. Nicola Polo, comerciante de Veneza, e seu primo Mafeo, saem em busca da terra de Cipang e outros lugares míticos, que se ouviam falar nos contatos com os povos do Oriente Médio. Saem em busca de riquezas (sim, um dos motores da evolução e combustível das descobertas: dinheiro…valor único?!?) e as encontram. Não só na forma de especiarias, ouro e prata. Encontram sociedades com organização muito avançada em relação aos ocidentais, industrias, sistemas comerciais, tecnologia. Também se deparam com povos mais primitivos e muitos perigos. Mas conseguem realizar um trabalho formidável de relações públicas, servindo como embaixadores voluntários do ocidente, que acabam conseguindo retornar ao ocidente após nove anos de viagens e descobertas neste novo mundo. Êita espírito empreendedor!

Em 1271 Nicola e Mafeo retornam ao ocidente, para relatar as suas descobertas e tentar, junto ao Vaticano (??!!) apoio para nova viagem. Nicola aproveita e leva seu filho Marco (este também é o cara) nesta nova viagem ao oriente.

Marco Polo acabou mais notabilizado que seu pai e seu tio pois relatou esta fantástica viagem no “Livro das Maravilhas”, escrito enquanto estava na prisão, e de inegável valor para o ocidente. É difícil imaginar como este trio de loucos e diferentes ocidentais ganharam a confiança de Kublai Can, grande guerreiro e imperador Mongol (que dominava todo o leste e sul da Ásia nesta época). Marco inclusive foi nomeado embaixador do Grã Cã em uma das províncias. Normalmente este era um cargo dos filhos do Grã Cã, mas Marco Polo também conseguiu este feito!

Só para ilustrar os ganhos desta viagem para o ocidente, lá os Polo tiveram contato com o papel moeda, a pólvora, as industrias de seda, o carvão mineral, tecnologia naval de ponta (as naus orientais desta época eram 5 vezes maiores que as naus dos descobridores ibéricos…dois séculos após!).

Muitas vezes, a forma de entrar em contato com os povos era na forma de guerras e poder para subjugá-los. Nicola, Mafeo e Marco Polo atuaram de forma totalmente diferente. Levaram a fé cristã sem a espada, trouxeram tecnologia e riquezas sem derramar sangue, aprenderam novas idéias e plantaram as primeiras sementes do renascimento na Europa. Certamente os relatos da aventura e das descobertas dos Polo levaram um sopro de imaginação produtiva e criativa para um ocidente absorto em dogmas religiosos e travado em suas aspirações de evolução.

Eu acredito que o renascimento começou desta louca aventura. Mas pouco fala-se dos Polo nas aulas de história.

E se você tem pretensões de igualar o que os Polo trouxeram para a humanidade em sua época, monte uma nave espacial no fundo do seu quintal e saia pelo espaço a desbravar novos povos e novas culturas. Mas volte para nos relatar!

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comentários
  1. Wolfarth disse:

    Grande post, Crânio!
    Bela lembrança sobre Marco Polo.
    Continue escrevendo para salvar nosso espaço da catatonia!

  2. Cranio disse:

    Pois é, são cinco posts seguidos e nenhum dos colegas acadêmicos. Mas não se preocupem, pois tenho mais cinco para desovar, além de mais quatro idéias esperando tempo e inspiração para ganharem vida no teclado do note.
    Abraço
    ..e vê se arregaça as mangas e manda uns posts também!!!

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