Arquivo da categoria ‘Não há o que não haja!’

Recentemente nosso estimado presidente declarou que não via qualquer problema no trabalho infantil, citando que ele próprio trabalhou em plantações desde os oito ou nove anos de idade, e disto não decorreu qualquer problema para sua personalidade e/ou formação.

Vamos deixar de lado, para esta análise, a profunda desumanidade da proposição, já reconhecida como danosa ao desenvolvimento infantil na maior parte do mundo civilizado, bem assim a distorcida avaliação de si mesmo de Jair Bolsonaro, um sujeito com claros problemas psíquicos que clamam por tratamento urgente. Esqueçamos, também, que um irmão do presidente declarou no passado à revista Crescer que seu pai jamais teria autorizado que os filhos trabalhassem para não prejudicar seus estudos, o que contradiz frontalmente a fanfarronice de Bolsonaro. Sei que é difícil, mas vamos tentar ser objetivos.

Conforme as últimas pesquisas, o número de desempregados supera os 13 milhões, totalizando quase 12,5% da população economicamente ativa, e as pessoas subutilizadas chegam a 28 milhões. Ou seja, se não há emprego sequer para adultos, qual o sentido minimamente lógico em se propor – além de uma profunda desconexão com os mais elementares sensos de empatia e piedade para com a infância – que se coloquem crianças para trabalhar? Gritarão, rapidamente e em uníssono, os apoiadores deste lunático que “a culpa é do PT”! E com grande dose de razão, não se pode cobrar de um governo de apenas seis meses que tenha resolvido um problema que vem se tornando cada vez maior há mais de cinco anos.

Mas, definitivamente, podemos e devemos cobrar de um presidente coerência e sensatez, abertura a proposição de soluções ponderads e compreensão para com os outros. No entanto, até o momento só temos alucinações, preconceitos e análises completamente distorcidas da realidade. O rumo que tomamos é preocupante, as mais singelas amarras com o bom-senso e a civilidade está sendo perdidas em ritmo acelerado, e não me surpreenderei se, em breve, alguém ainda proponha abertamente o retorno da escravidão. É só o que falta, já que nem de crianças – CRIANÇAS – se tem mais pena.

Recentemente o perfil oficial da Embaixada da Alemanha no Brasil publicou no Twitter um vídeo curto informando que, apesar do horror do holocausto, as crianças em seu país são desde cedo ensinadas sobre os sofridos detalhes de sua história.  Em uma parte do vídeo, a informação é que a ideia central desta educação precoce – na faixa de 13 a 15 anos – é “conhecer e preservar a história para não repeti-la”, evitando que em algum momento do futuro o renascimento do discurso nazista possa encontrar acolhida no pensamento de pessoas despreparadas para lidar com ele. Ainda conforme o vídeo, na Alemanha constitui crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas e fazer a saudação “Heil Hitler”.  (confira a íntegra aqui). Aos representantes de uma nação, certamente não deve ser uma tarefa fácil assumir, publicamente e sem qualquer maquiagem, o pior momento de seu passado, que inevitavelmente será para sempre lembrado pelo resto da humanidade como uma das maiores mazelas da história universal. Assumir uma posição franca e aberta com relação a um assunto certamente tão dolorido somente indica mais um dos motivos pelos quais, assimilando as lições daquele passado, a Alemanha se tornou a nação que é hoje.

Transcrevendo falas do Ministro das Relações Externas alemão, Heiko Mass, o vídeo nos informa que há preocupação e incentivo a que se combata o extremismo de direita na Alemanha, inclusive com a referência de que “quem protesta contra os nazistas não é de esquerda, mas normal”. E aí ocorreu o grande erro da Embaixada: tentar semear pensamentos em um solo tão pouco propício a gestá-los, o povo brasileiro. Em reação à lógica associação do movimento nazista e dos atuais neonazistas com a extrema direita – ponto que sequer se questiona entre historiadores alemães, segundo reportagem da agência DW Brasil -, uma verdadeira malta de iletrados brasileiros foi, dolorosamente para o resto de nós, manifestar orgulhosamente sua ignorância nas redes sociais, teimando, esperneando e “arjumentando” que o nazismo, na verdade, é uma ideologia derivada da esquerda.

Seria um movimento até mesmo engraçado e pitoresco se não fosse extremamente trágico e doloroso. Habitantes de um país que, há menos de três semanas, viu arder grande parte de sua história e, mais desgraçadamente ainda, fatia importante da história do resto do mundo, em um incêndio decorrente do mais absoluto descaso e desleixo com o próprio passado, com o conhecimento humano nas mais variadas áreas da ciência e da história, tentaram realmente ensinar história da Alemanha aos alemães. Patético. A origem de tal disparate, no Brasil, pode ser traçada diretamente ao suspeito habitual, o auto-intitulado “filósofo” Olavo de Carvalho (pérolas de sua sabedoria aqui), tendo sido repetida no lamentável livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, do jornalista Leandro Narloch, e, atualmente, sendo pregada por acéfalos do calibre do YouTuber Nando Moura. A manobra visa, primária e evidentemente, a associar todas as atrocidades da humanidade com os ditos movimentos de esquerda, fazendo parecer que no que se convenciona chamar de direita não há espaço para discursos extremistas, preconceituosos e discriminatórios, nem a eclosão de catástrofes da magnitude da vivenciada na Alemanha da segunda guerra. Não à toa, o discurso ganhou espaço nas redes sociais do deputado Eduardo Bolsonaro, em texto publicado ainda em abril/2015.

E é exatamente este o maior motivo de serem completamente alarmantes as manifestações ensandecidas dos brasileiros: ao que parece, não estamos mais dispostos a raciocinar, assumimos que devemos, com quaisquer meios, tirar de seus cargos os “comunistas” e “socialistas” que tomaram conta do país, não importando para isso que tenhamos que abdicar de qualquer coerência e bom senso. Não admitimos meios-termos. Não nos importamos com manifestações odiosas contra outros seres humanos, apenas estabelecemos que o “diferente” deve ser destruído, calar-se e viver uma vida sem direitos, de preferência sem incomodar o resto da sociedade. Não temos dívidas com os negros, afinal os próprios africanos se auto-escravizaram e os portugueses somente fizeram o transporte, sequer tendo pisado na África. Não devemos respeito a homossexuais, que devem ser espancados para “se ajeitarem” e sumirem da nossas vistas. Às mulheres, reservamos o papel de subalternas, com remuneração inferior pelo inconveniente de se ausentarem do trabalho para gerar e nutrir novas vidas, assinando carta branca para que os patrões resolvam estas questões como melhor lhes aprouver. Nossa justiça é a do mais forte, damos autorização para que a polícia mate indiscriminadamente, porque precisamos preservar nosso patrimônio e não somos obrigados a dar nenhum tipo de oportunidade a quem quer que seja. Errou, tem que pagar, de preferência com a vida. Um incômodo a menos. Devemos escorraçar os venezuelanos que, em desespero, vieram bater nas nossas portas, implorando por suas próprias vidas, visto que é sua culpa terem adotado linhas socialistas em seu governo. Que morram à míngua, eles e o resto da escória da humanidade. Não devemos ter empatia com ninguém e o egoísmo nos norteará para o caminho do bem.

A única esperança que me resta é que, daqui a talvez cem anos, alguém irá postar no equivalente às nossas redes sociais um material audiovisual informando que, apesar do triste momento que passamos nas primeiras três décadas do século XXI, aprendemos com a nossa história, revimos nossos abissais erros e estamos nos esforçando bravamente para não esquecê-los ou repeti-los. E isso sem que ninguém comente que, na verdade, Jair Bolsonaro foi um injustiçado e todas as falas odiosas a ele atribuídas foram criadas e manipuladas pela imprensa tendenciosa da época.

 

Pet Friendly?

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Não há o que não haja!, Um muito sobre nada...

Semana passada, depois de três meses e meio, fui obrigado a ir a um shopping. Sim, eu conto o tempo entre cada ida a shoppings. Meu recorde em todos os tempos é de oito meses e tenho muito orgulho disso. De qualquer forma, fui obrigado a ir em um destes estabelecimentos contra a minha vontade, porque me ameaçaram abertamente. Alguma coisa sobre comprar calças novas ou ficar solteiro de novo. Levei a sério…

Chegando naquele templo de futilidade e consumismo, reparei que havia pessoas andando com cachorros no colo e em coleiras, como se estivéssemos em algum parque ao ar livre. Achei bem estranho, nunca havia visto uma coisa destas. Perguntei sobre o assunto para uma vendedora na primeira loja em que entrei – o mais rápido possível, para poder ir embora – e ela me explicou que tinha ocorrido grande demanda popular para que as pessoas pudessem trazer seus “filhinhos” para o shopping, e assim foi feito.

Agora pesquisei um pouco mais e descobri que adotar essa atitude, para uma empresa, é ser “Pet Friendly”, ou seja, amiguinha dos animais. Aparentemente, a onda de tratar cachorros como pessoas, até mesmo filhos ou outros membros da família, ao invés de ser tratada como a grande epidemia de doença mental que é, virou motivo para atrair mais pessoas ao shopping. Se alguém está tão doente a ponto de não conseguir sair de casa por causa de um cachorro, o shopping resolve o problema e recebe de braços abertos aquele filho tão amado e tudo fica bem.

Menos para os desgraçados que, como eu, são obrigados a ir naquela merda e, agora, ainda têm que aguentar mijo e bosta de cachorro…

Ainda bem!

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Isto é Brasil..., Não há o que não haja!, Populítica

Hoje li um bando de comunistinha reclamando no Foicebook do incêndio em algum destes museus brasileiros, antro de comunismo, marxismo cultural e ideologia de gênero. O que se perdeu neste incêndio? Múmias egípcias? Estão de brincadeira! Os egípcios foram um povo herege que idolatrava imagens distorcidas de seres bizarros, meio homens, meio animais, e que mantiveram o povo escolhido em escravidão por séculos, impedindo a divulgação da palavra do Deus verdadeiro. Tem mais é que queimar todas estas relíquias religiosas demoníacas. E digo mais, enquanto não derrubarem aquelas pirâmides e todos os templos pagãos em homenagem a seres demoníacos a pobreza, a miséria e a ignorância não abandonarão aquele povo amaldiçoado!

O que mais queimou? Exemplares de animais, insetos, fósseis de dinossauros e de seres humanos? Tudo falsificação científica para convencer as pessoas da tal de teoria da evolução, quando todo mundo sabe qual a origem do mundo e como foi criado. Está tudo na Bíblia, mas estes cientistas comunistas insistem em contestar a palavra do Divino com essas teorias. Ainda bem que queimaram aquelas bizarrices que só podem ser artefatos forjados por pessoas com as piores das intenções, que querem conduzir nosso país a uma ditadura de esquerda e não estão lutando por nada além disso. Envenenam as mentes das crianças com ideias estapafúrdias que não se sustentam contra os claros e precisos ensinamentos do Bom Livro. Que queimem estes disparates!

Se duvidar, agora que o Brasil está prestes a se dedicar ao que realmente importa – agredir gays para os endireitar, liberar o porte de arma para que o cidadão de bem se proteja contra quem lhe agride e dar salvo conduto para policial fazer faxina em favela e outros bolsões de pobreza – criaram este incêndio para desviar as atenções. Não dá para duvidar de nada quando se está lidando como comunista! Mas é melhor JAIR se acostumando. BOLSOMITO 2018!

Como a maioria das pessoas, não li os termos e condições de uso do Facebook e nem de nenhum outro serviço online, mas tenho quase certeza que não há neles qualquer obrigação do usuário emitir sua opinião sobre cada assunto de grande repercussão que surge.

Sendo assim, acaso não tivermos nenhum conhecimento médico, bioquímico ou farmacológico, nem feito pesquisa científica em qualquer área, que tal evitarmos sair praguejando por aí contra a indústria farmacêutica e repetindo, como papagaios, que o Brasil encontrou a cura do câncer, que tudo não passa de uma grande conspiração para desacreditar os pesquisadores brasileiros e que a fosfoetanolamina deve ser colocada nas prateleiras das farmácias ontem?

Igualmente, se nunca lemos o Corão nem temos conhecimentos suficientes sobre a situação política, social e econômica no Oriente Medrio, que tal não pregar, imediatamente, a morte de todos os muçulmanos como forma de alcançar a paz mundial?

Em último caso, na dúvida, que tal usarmos o bom e velho bom senso?

Se a frase “a indústria farmacêutica não quer a cura do câncer para continuar vendendo quimioterápicos” fizer algum sentido, que tal se colocar no lugar de um grande acionista de uma farmacêutica e se perguntar se um remédio que cura o câncer não poderia ser vendido por muito mais que um quimioterápico, aumentando o lucro? Que tal considerar que o câncer, infelizmente, é uma doença que costuma apresentar recidivas e seria muito mais interessante vender o medicamento para o mesmo paciente duas, três ou quatro vezes (lembre-se, todos os casos seriam curados, portanto sempre haveria esta possibilidade) ao invés de quimioterapia apenas uma? Ou ainda, conforme o resultado dos testes clínicos, estabelecer um tratamento com a droga mediante administração contínua para evitar recidivas, lucrando indefinidamente em cima de cada paciente?

Da mesma forma, se a tentação de dizer que é muita coincidência ocorrer um ataque terrorista islâmico toda vez que a população brasileira prepara uma manifestação importante contra um partido que quer estabelecer uma ditadura socialista/comunista no Brasil, que tal parar para pensar no motivo pelo qual um grupo religioso radical e extremista colaboraria com um partido que professa um sistema político e econômico que historicamente tem simplesmente varrido as religiões, inclusive de forma violenta, dos lugares onde passa?

Aparentemente, ao contrário do que a fala embotada e quase debochada, a expressão embasbacada e vazia e a evidente futilidade de tudo o que foi relatado, o vídeo produzido pela Veja São Paulo com o empresário Alexander de Almeida não se trata de uma brincadeira ou piada, retratando a triste realidade do enfocado. Os valores expressados no vídeo são os do verdadeiro Alexander, que não é um personagem, mas uma pessoa real, que vive e pensa exatamente daquele jeito. Demorei a aceitar isto, não podia conceber que alguém pudesse colocar tanta ênfase na própria miséria – sim miséria – como fez o rapaz, até que a própria Veja, frente à repercussão extrema do episódio, publicou uma notícia confirmando toda a história e demonstrando que, ao menos, checou os fatos antes de dar a notícia, como deve ser com qualquer órgão de impressa que se proponha a ser sério.

Então, esclarecida a celeuma, me sinto à vontade para escrever alguns pensamentos soltos sobre Alexander de Almeida. Farei isso por tópicos, para facilitar a leitura e agregar algum státis ao meu texto:

Alexander de Almeida

Alexander de Almeida: rei no camarote, bufão na vida.

 a) Alexander de Almeida é feio e desajeitado. Isso é bem óbvio para quem assistiu ao vídeo. As comparações como o Quico do programa infantil Chaves pipocaram na Internet e ficou muito evidente a falta de atributos físicos do camarada. Além disso, as imagens que retratam Alexander dançando e se divertindo a valer nos camarotes da vida são, para ser franco, patéticas. Eu sou péssimo para dançar, dificilmente me arrisco em uma pista de dança, a não ser que seja extremamente necessário, mas ao lado de Alexander não ficaria nem um pouco constrangido, porque dificilmente alguém poderia notar minha natural falta de graça ao lado de tão bizarra demonstração de (falta de) malemolência.

 b) Alexander de Almeida é burro. Tudo bem, o cara pode ter tido tino comercial amealhando fortuna em seu ramo de negócios – que, para ser sincero, sequer sabia que existia, mas é isso que difere o fracasso do sucesso, entender onde as oportunidades estão – mas qualquer um, no mínimo uso de suas faculdades mentais, não sairia por aí alardeando a própria riqueza se estivesse em débito com o fisco. Com a repercussão estrondosa do vídeo – que, se não era esperada por ele, só demonstra mais uma vez sua burrice –, Alexander tentou desmentir a Veja, revista veterana no mercado editorial que já derrubou presidentes e não ia deixar barato, levando o que pediu: a impiedosa confirmação de sua história. Mas o que aparentemente preocupa o Rei do Camarote é a atuação da Receita Federal. Segundo narra a revista, Alexander teria referido que tem medo do órgão “ir atrás dele”. Ora, amigo, se está devendo imposto, gasta teus R$ 50.000,00 por noite na moita. Convida a mulherada, paga o champanhe para todo mundo, anda com tua Ferrari, mas NÃO ALARDEIA. Já li por aí que Alexander ainda deve mais de R$ 50.000,00 – ou uma noitada – só de IPTU para a Prefeitura de São Paulo. Será que nem passou pela cabecinha oca de Alexander que isso tudo viria à tona? Já que o cara parece o Quico mesmo, vamos dizer em coro: “Dá zero prá ele, professor Girafales”.

 c) Alexander de Almeida é um camarada de sorte. Instituições financeiras sobrevivem, basicamente, de sua imagem de austeridade e credibilidade. O banco precisa passar ao público a certeza de que seu dinheiro está bem guardado e, ainda, que os 12% de juros ao mês no cheque especial são mesmo necessários para manter os depósitos de todos. Todo mundo sabe disto. Se um banco começa a dar sinais claros de descontrole nos gastos, o correntista vai lá tão rápido para sacar seus créditos que quase não dá tempo de se perceber o que está acontecendo. Sendo assim, somente a sorte pode ter feito que nosso herói de triste figura conseguisse amealhar patrimônio no meio sem que se questionasse seu estilo de vida hedonista e perdulário. Logo após demonstrar seus valores no vídeo, entretanto, o Banco Panamericano, segundo o próprio Alexander, descredenciou sua empresa. E os negócios podem, dependendo do quanto ainda vai ser lembrado o episódio, minguar até mais. Quando se envolveu com os travestis, Ronaldo Fenômeno perdeu muitos contratos de publicidade por conta da pouca disposição das empresas de ter sua imagem associada a este nível de patifaria. Talvez Alexander tenha dado um tiro no próprio pé ao tentar se destacar da multidão, simplesmente queimando sua imagem com os bancos e financeiras clientes de sua empresa, que certamente não querem sua imagem associada a de um bufão da noite.

 d) Alexander de Almeida não demonstra ter auto-estima muito alta, nem personalidade. De todos os “mandamentos” do vídeo, nenhum tinha qualquer relação com a personalidade do retratado, mas tão-somente com os seus bens e a forma como, utilizando-os, Alexander tenta desesperadamente se sobressair da multidão. Ou seja, ao que parece, Alexander não dá muito valor ao que é, mas sim ao que tem, uma clara demonstração de baixa auto-estima ou falta de confiança em si mesmo. O fato de querer ter sempre em seu camarote uma celebridade para “agregar” a suas roupas e carro é mais um indicativo disto. Acaso se considerasse uma pessoa interessante e sofisticada, ele não se preocuparia com o fato de acorrerem ou não “celebridades” a seus camarotes. O anfitrião, por si, deveria se bastar em um evento social, mas provavelmente Alexander não se acha à altura da tarefa. Por isso a roupa das melhores grifes – por sinal, vamos combinar, camisa xadrez verde tem até na C&A -, o carrão e a conta estratosférica. Sem eles, o fanfarrão provavelmente não se sente confortável ao divertir e entreter seus convidados. O que, por si só, já é lamentável. Finalmente, o simples fato de abrir mão de um gosto pessoal pela vodca em favor do champanhe porque dá mais “státis” indica que, além de tudo, Alexander não consegue impor sua personalidade. Beber o que os outros acreditam ser mais glamouroso é, no mínimo, anular-se um pouco.

Eu gosto de cachaça, mas champanhe é mais statis

Até tu, Muçum???

 e) Alexander de Almeida é um atolado. Sério, gastando R$ 50.000,00 por noite e até R$ 300.000,00 por mês, tudo o que Alexander tem para relatar, com um fingido ar de constrangimento, é que uma vez transou com uma mulher no banheiro de uma balada? Amigão, conheço uma rapaziada que com o orçamento bem mais modesto – digamos de R$ 20,00 até o infinito, tipo R$ 100,00 ou R$ 150,00 – já obteve resultados bem mais significativos. Sei do “causo” de um sujeito que, inclusive, sem dinheiro para entrar na balada, transou com uma mulher no lado de fora mesmo, em um canto mais escuro da avenida. Não vou dar mais detalhes, porque pode sujar para a rapaziada, mas Alexander, sinceramente, MUITO FRACO o desempenho…

 Enfim, embora algumas pessoas possam realmente ter inveja do Alexander, todo mundo que eu conheço ficou com PENA da futilidade, superficialidade e extrema imbecilidade do rapaz. Mais um dos tantos bufões que passarão pela vida deixando para trás não mais que um monte de dinheiro acumulado, sem nenhuma contribuição relevante e importante para os demais. Uma pessoa da qual ninguém sentirá falta. A não ser, talvez, os tantos que ele PAGA para serem seus seguranças, garçons e, porque não dizer, amigos…

Corria solta a notícia de que Seu Tertuliano andava de mal a pior. De fato, algo aconteceu, pois há tempos o velho não aparecia mais na Bodega do Nicanor para comprar seu farnel de rapadura, linguiça, cachaça, erva-mate e fumo em rolo. Alguns diziam que o índio tivera uma crise braba de reumatismo. Outros comentavam que ele foi picado por um jararaca. Um vizinho que havia comprado gado do Seu Tertuliano há pouco tempo falou ao vigário do povoado depois da missa dominical que o velho estava morrendo e que, inclusive, teria recusado atendimento médico.

O sol mal inicia sua aurora e uma Kombi velha já roda pela estrada de chão depois de uma noite de chuva fraca. São poucas curvas, mas muitas coxilhas para serem vencidas. O vento frio da madrugada de primavera entra pela janela do veículo e traz consigo um cheiro de capim molhado misturado ao de zorrilho. Desde a casa paroquial até o sítio de Seu Tertuliano são 18 quilômetros de um caminho vicinal que não possibilita rodar a mais do que 30 km/h. O condutor quase se arrepende da ideia de ir até o moribundo porque não se trata de um fiel frequentador das missas, mas sim de um homem rude, de péssimos hábitos e cuja fama é a de um pecador incorrigível, de um promíscuo que se jactanciou a vida inteira por praticar obscenidades.

O Padre enfim chega ao local indicado. Desce da Kombi e abre a porteira, que estava trancada com uma pequena tramela que quase não mantinha a pesada armação de madeira no lugar. Ele adentra com o veículo na propriedade, apeia e torna a fechar a porteira. O trilho de terra molhada leva até um ponto onde havia uma pequena área descampada, com uma capunga e um forno de barro, quase lindeiros ao casabre com mais de um século de construção. A estranha arquitetura remetia às casas castelhanas, com um toque colonial. O religioso sai do veículo e se depara com um cachorro grande e ignóbil a poucos metros dali, que se entretinha com restos de uma paleta de ovelha, mal dando atenção ao intruso.

A porta não estava trancada e o Padre entra sem bater. O ambiente dentro da tapera não era muito salubre e as janelas estavam fechadas. O odor predominante era de comida velha e fumaça, mas também era possível sentir cheiro de esterco. Os poucos móveis são toscos e antigos. Havia uma chaleira de ferro sobre um fogão à lenha, já sem cor, panelas sujas em uma mesa de pinho e moscas varejeiras voejando pelo ambiente. O soalho de madeira vai rangendo com os passos incertos rumo ao único cômodo de onde vinha luz e no qual repousava o proprietário do latifúndio.

Com os olhos semicerrados, Seu Tertuliano apenas murmura de forma sôfrega.

– Se for bandido pode levar tudo! Se for jornalista, não falo nada! Se for à mando do Nicanor, diga que pago os fiado com boi vivo!

– Calma, Seu Tertuliano. Sou o Padre da comunidade. Soube que está muito doente e vim dar-lhe o sacramento da unção dos enfermos!

Arre! Vai te embora, corvo agourento! Não quero saber de nenhum comedor de hóstia na minha casa! Xô! Vade retro!

Visivelmente irritado, mas pensando em todo o sacrifício de estar ali por uma grande causa, o Padre prossegue sua tentativa de cativar o moribundo.

– Sei que o senhor não foi um homem penitente, pouco temente à Deus e que não possui nenhuma das virtudes cristãs. Mas sei que Ele tem planos para o senhor “lá” em cima! Para isso, preciso encomendar sua alma ao Criador!

Sem compreender a intenção do Padre, Seu Tertuliano faz uma careta interrogativa, oportunizando ao Padre prosseguir.

– O senhor não gostaria de quitar sua dívida com Cristo e poder descansar em paz? Resolver todas as suas diferenças com o Pai Eterno? Conseguir sua passagem para o paraíso? Para isso, o senhor terá de confessar seus pecados. Todos!

– Tchê! Eu só não te mando à merda em respeito à batina que tu veste. E também porque eu não tô podendo nem com as calça…

– Ach, mein lieber gott!

A la fresca! O que Vossa Santidade quer? Pois le digo… eu desrespeitei bem mais do que dez mandamentos!

– Tenho certeza que não, Seu Tertuliano. Acredito que sua alma ainda pode ser resgatada das chamas do orco. Todos merecem salvação, inclusive o senhor!

Quer dizer, entonces, que se eu desembuchá tudo o que aprontei na vida eu posso me livrar do inferno, do dito cujo, do chifrudo?

– Creio piamente que Deus vai perdoá-lo e o senhor não saberá o que é o inferno. Mas desde que se arrependa dos pecados, ja wohl?

Os modos afáveis e o sotaque de alemão do Padre conquistaram a simpatia de Seu Tertuliano, que àquela altura dos acontecimentos, já não tinha forças e tampouco argumentos para rebatê-lo. A visita inusitada e o fato de ter a certeza de que estava definhando relegou ao gaúcho um sentimento de conformismo.

Pois bem, seu Padre! Vô começá pelo fim, já que ele tá perto. Faiz uns dez dia que eu comprei uma égua nova do vizinho, pras lida campeira, sabe como é… Fui dar um banho na bicha lá na sanga e me veio umas comichão… mas a potranca não estava muito acostumbrada e me coiceou duas veiz! A primera foi bem na boca do estômago! E a outra foi direto nas peia… Dói até de lembrar!

O Padre não estava acreditando no que ouvia. Como poderia um homem idoso, com idade para ser seu pai, sodomizar um pobre espécime equino? Mas Seu Tertuliano continuava o fatídico relato.

– O tareco de mijar tá sem serventia… não presta prá nada! Despues, comecei a ter umas queimação no bucho e não consegui mais comer carne. De uns dias pra cá, ando mijando sangue…

– E porque o senhor não foi até o médico ou para um hospital? Deve estar com uma hemorragia interna!

– Tô com 86 anos na paleta e nunca fui ver dotor! E me orgulho disso! Todas as moléstia que tive eu curei com mel e cachaça! Ah… e às veiz eu colocava umas macela no mate, quando aziava o fíguedo…

Seu Tertuliano não conseguiu concluir a frase e começou a tossir como um tuberculoso. O Padre tinha certeza que seu Tertuliano estava morrendo, mas não se sente nem um pouco à vontade para lhe conceder a unção dos enfermos. Como um sacerdote correto, não podia suprimir expedientes eclesiásticos necessários, sob pena de ter de responder por violação de regra canônica à Cúria Metropolitana, como sói acontecer em casos análogos.

– Mas o senhor não deveria fazer essas maldades com os animais! Isso não é normal! Desde quando o senhor pratica bestialismo?

– Bestia o quê?

– Bestialismo… sexo com animais!

– Ah… a barranqueada! Isso eu faço desde que me conheço por gente, lá pelos 10, 11 anos. Comecei com galinha. Despues, fui pras cabrita. Quando o membro já estava desenvolvido, passei a cobri as vaca. As égua foi só depois que fiquei viúvo. Ah… e ovelha eu só pego no inverno…

– O seu caso é muito grave, Seu Tertuliano. Não sei se sua alma será salva!

– Diacho! Mas tu me prometeu! Não vá me despachá para o capeta! Agora eu quero meu lugar no céu!

Um certo clima de impasse se estabelece no recinto por alguns minutos. Sentindo que sua saúde era periclitante, Seu Tertuliano começa a cofiar o bigodão gris e pede ao Padre para lhe alcançar o palheiro.

– O senhor não poderia fumar! Está muito mal de saúde!

– Justamente! Vou fumá porque não me resta outra côsa! Me risca um frósfro e acende logo esse pito, hôme!

Seu Tertuliano dá algumas baforadas e mal consegue segurar o palheiro. O Padre espera pela continuação do enredo nefasto que possivelmente sairá da boca daquele sujeito que não merece a salvação.

– Teve uma veiz, seu Padre, que eu fui à um baile só de perneta! Era uma judiaria ver aquele monte de gente pulando que nem saci, mas me diverti barbaridade! Teve um outro causo lá em Tupanciretã que…

O Padre já nem ouvia com atenção os delírios daquele velho que se esparramava pela cama encardida. Seu Tertuliano divagava sobre rinhas de galo, brigas de adaga e conquistas amorosas, enquanto o vigário passava os olhos pelo quarto em busca de alguma informação. De toda a bagunça que havia, se ateve a um velho guarda-roupas sem portas, uma mesinha com uma bacia d’água, um bacamarte antigo pendurado em um tira de couro na parede e um quadro com um retrato do time do Internacional campeão gaúcho de 1961. Ao se aproximar para ler os nomes dos jogadores, ouviu um berro.

– Padre! Me traz a canha que tá lá na cozinha! Me deu uma sêde…

– Além de fumar, o senhor ainda quer beber álcool? No seu estado de saúde, deveria apenas ingerir água! E ainda não são nem oito horas da manhã!

– Arre! Tomá água faz criar sapo na barriga! Vai lá e busca de uma veiz a caninha, hôme de Deus! Se eu vou morrê, que seja o meu último trago!

Com a garrafa sem rótulo nas mãos, o clérigo derrama dentro de um copo uma pequena quantidade daquele líquido levemente amarelado. Com um misto de censura e estímulo no olhar, Seu Tertuliano faz o visitante encher o copo. O velho peão bebe a cachaça dum sorvo só, fazendo barulho e estalando os beiços ao final.

– Côsa fina… de primera qualidade! Me vê mais um!

– O senhor é dono dessas terras?

– Por supuesto! Comprei depois que ganhei uns pila na política. Côsa que muita gente sabe por aí… o vigário não sabia?

– Não! Sim! Bem, era só para ter certeza! O senhor não teve esposa… filhos?

– Óia… eu fui amigado com uma mestiça, a Honorina, mas isso faiz mais de 50 ano. Ela morreu ainda nova, sabe? Teve bexiga. Despues eu não quis mais sabê de mulé me incomodando. Filho eu não tive. Pelo menos que eu sei…

– E o senhor não pegou varíola também? Não ficou doente na época?

– Se fiquei, eu não sei. Com eu já le disse, sempre me tratei com mel e cachaça…

Julgando que aquele troglodita tivera mais sorte do que juízo na vida, o Padre continua a perguntar.

– E irmãos, o senhor teve?

– Não conheci nenhum. Meus pais eram mui pobres e fui criado pelo meu padrinho. Apanhava de vara de guanxuma e de relho todo o dia. Eu não tive nenhum contato com irmão. Não sei nome e nem se tá vivo…

– Então o senhor é sozinho no mundo?

– É… não que seje uma côsa que me dê orgulho, mas pelo menos pude fazê o que bem quis… prá quê filho? Hay gente demás no mundo!

Para o Padre, essa declaração de Seu Tertuliano foi como luz na escuridão. A ausência de herdeiros era uma informação que não havia cogitado. Nisso, os pensamentos impuros do pároco são interrompidos por uma sucessão de peidos estrepitosos, empesteando o ambiente. A flatulência do moribundo torna o Padre pouco paciente para prosseguir na oitiva de mais histórias escabrosas. Aquilo estava sendo uma insana sessão de tortura.

– Êita, Padre! Acho que acabei me cagando com essa peidança! Me limpa? Ali no ropero tem uns pano de prato!

– Claro que não! Estou aqui para ouvir sua confissão e lhe dar o sacramento! Não quero saber de imundícies!

– Buenas… se o vigário não se importá com o fedor…

O Padre abriu a janela e pôs o nariz para fora. Seu Tertuliano continuou contando histórias e os problemas que sofreu quando era abigeatário, praticando crimes nos dois lados da fronteira. Divagou por alguns minutos e concluiu que pouco importava se fosse dançar com o capeta, porque já havia conhecido o inferno, neste mundo mesmo. Pior não seria.

– Eu tenho de le dizer uma côsa: até que matei pôca gente nessa vida, Padre! Mas sempre em legítima defesa, quando fui segurança de baile ali em Quaraí… tinha índio metido a valente que foi pra faca! E despues, os polícia me aliviava e o juiz da comarca era frequentador da bailanta… entonces, estava tudo em casa!

– Se o senhor já foi julgado pela justiça dos homens, eu não me importo. Daqui a pouco será Deus quem vai julgá-lo!

Aquela sentença proferida pelo Padre deixou Seu Tertuliano ressabiado. Uma nova crise de tosse acometeu o moribundo. Então, pediu ao vigário que alcançasse o penico que estava embaixo da cama. O sacerdote se agachou e pegou pela alça o objeto de metal branco, que estava com mijo estagnado há dias. Seu Tertuliano aproxima o rosto do utensílio e escarra algo purulento. O Padre sente uma ânsia de vômito, mas se controla e defenestra todo o conteúdo pela janela.

– Seu Tertuliano, vou respirar um pouco lá fora…

– Vá tomar uma fresca! Porque aqui drentro a côsa tá feia!

O dia estava bonito lá fora e o Padre caminhou pela propriedade. Percebeu atrás da casa a existência de uma horta abandonada, mas com algumas verduras e legumes vicejando. Viu que havia um curral muito grande, com boas pastagens e uma sanga ao final da descida da coxilha, rodeada por árvores nativas. O vigário gostou bastante daquelas paragens e decidiu que chegara a hora de fazer aquilo que havia planejado. Entrou no quarto e o cheiro parecia ainda pior do que quando chegara. Teve de acordar o veterano, que roncava e respirava com dificuldade.

– Pelo que vi, Seu Tertuliano, sua lista de pecados em vida é muito grande! Sua penitência, caso fosse possível, seria rezar durante dias e noites… mas acho que o senhor não terá tempo para isso!

– E isso é novidade pra mim? Já le disse antes que não fui santo!

– Não vejo como o senhor conseguir seu lugar no céu e obter o perdão divino, a menos que tenha um ato de extrema bondade ainda em vida!

– Ocha! Mas o que eu posso fazê agora, deitado nesse catre, todo cagado…

– Seu Tertuliano, me diga uma coisa! Quero que seja sincero e responda sem pestanejar, até porque tempo é um luxo que o senhor não dispõe…

– Pois pregunte, hôme…

– Já que o senhor não tem herdeiros, suas terras vão ficar com o Estado, com o governo…

– Mas bah! Isso eu não quero!

– Nesse caso, o senhor não deixaria as suas terras para a Igreja?

– Hein?!

– Sim… para que possamos levar adiante projetos em benefício da comunidade, dos carentes? Diga… o senhor concederia essa dádiva para garantir à sua alma o descanso eterno, livre dos agouros das trevas?

Seu Tertuliano demora a responder, mas acaba concordando. Disse que, no fim das contas, se o dinheiro que ganhou para comprar o sítio não foi muito lícito, deveria mesmo era deixar para a caridade. Mas Seu Tertuliano ainda queria fazer um pedido. Uma última exigência para consolidar aquele pacto.

– Padre… vi que mesmo sendo um hôme à serviço da Santa Madre Igreja, o amigo também é… hôme! Ou não é?

– Sim. Sou homem. Por que a pergunta?

– É que… como é que os padre se controla? Não fazem nada? E como fica quando o membro fica mais duro que aspa de touro brasino?

– Eu não posso responder sobre essas coisas, Seu Tertuliano. Os clérigos devotam sua vida à Cristo e renunciamos à todas as tentações carnais. Todas! Tudo é uma questão de fé e de autocontrole!

– Arre! Pois agora é a sua veiz de confessá alguma côsa, Padre! E é melhor que diga algo bem danado, porque senão vô deixá tudo pros milico!

A chantagem imposta pelo esgualepado e nauseabundo Seu Tertuliano não estava entre as expectativas criadas pelo Padre. Ora, o safado queria ouvir dele uma confissão. E das boas. Sentindo que não conseguiria enrolar o velho, o Padre começou a contar uma história.

– Bom… quando eu era adolescente, com 12 ou 13 anos de idade, eu fiz algumas coisas que guris faziam no interior. Depois das brincadeiras normais, nós íamos ao mato para fazer uma espécie de troca de experiências, sabe?

– Sei, sei! A piazada fazia a meia! Rá rá rá! O senhor também fez a meia, hein Padre? Rá rá rá!

– Sim… mas eu não gostava de ser passivo!

– Sei, sei!

– Depois disso, eu nunca mais quis saber de coisas mundanas! Fui para o seminário e me livrei desses fantasmas!

– Mas e lá no tal seminário, Padre… não acontecia côsas parecida?

– Que eu saiba não! Eu só fiquei sabendo que havia circulação de revistas masculinas e que a masturbação era permitida, desde que o indivíduo se penitenciasse!

– A la fresca! Pelo menos vi um Padre confessando pecado! E logo pra mim, o maior pecador da paróquia! Rá rá rá! Já posso morrê em paz!

– Sei que o senhor não contará isso a ninguém…

– E se eu não morrê, Padre? Vai me matar estrangulado? Rá rá rá!!

– Seu Tertuliano, não diga aleivosias! Ninguém acreditaria nisso! Sou um sacerdote respeitável! Tenho conduta ilibada e minha consciência tranquila!

– Buenas, Padre… a Igreja pode ficar com essas terra! Não vou levá nada comigo para o além… mas como vamo punhá no papel isso agora?

Aliviado, o Padre pede licença ao fanfarrão que estava indo à óbito e sai da tapera. Pega o celular e liga para o tabelião da Comarca. Depois de duas horas, aparece o notário com uma máquina de escrever Olivetti. O Padre vai recebê-lo e conversam por cinco minutos antes de entrar na casa. Depois de acertados, o tabelião pergunta ao Seu Tertuliano.

– É isso que o senhor deseja? Deixar suas terras… à Igreja?

– Sim! É isso que eu prometi! Pro governo eu não quero deixá nada!

O tabelião lavra uma escritura de doação em vida da propriedade de Seu Tertuliano em favor de uma irmã “solteirona” do Padre. Àquela hora, já sem forças, Seu Tertuliano já não falava muito, nem respirava direito. Recebeu mais um copo de canha na boca e deixou o palheiro cair no chão. Segurou a caneta com dificuldade e assinou o documento sem conseguir ler, até porque não era muito afeito às letras.

Cumprindo com o prometido, o Padre administrou o sétimo sacramento ao já quase inerte Seu Tertuliano, fazendo a reza litúrgica e ungindo as mãos do enfermo. O notário se despede do Padre e ambos saem para a rua.

Passados alguns minutos, Seu Tertuliano tem a sensação de que está caminhando por um trigal dourado rumo à um pôr do sol brilhante. Avista muitos cavalos pastando em colinas verdejantes e figueiras imensas. Nessa caminhada, encontra Honorina, sua antiga companheira, e muitos outros que não via há tempos. Ele tenta chorar, mas não consegue. Tudo era perfeito.

O Padre volta para o quarto e se certifica que Seu Tertuliano não está mais vivo. Cerra os olhos do defunto, faz o sinal da cruz e sai da tapera, respirando o ar puro do entardecer. Depois de ligar para o serviço funerário mais próximo, começa a planejar mentalmente: precisa colocar abaixo aquele casebre, instalar cercas, construir uma casa adequada… Afinal, vai utilizar o sítio para os próximos retiros espirituais com os velhos colegas de seminário.

Drogas, tô fora!!!

Publicado: 31/03/2011 por BigDog em Não há o que não haja!
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O consumo desenfreado de drogas causa danos irreparáveis no cérebro da pessoa, isso é um fato comprovado. Muita gente boa, no entanto, não se dá conta do mal que está fazendo a si mesma e simplesmente ignora as recomendações médicas e sociais, se enfiando em um mundo em que cada vez se chega mais baixo, até um ponto que praticamente não tem mais volta. Vejam o caso do velho Ozzy, por exemplo:

Ozzy no fundo do poço

Alguém precisa ajudar esse moço, sério!

Catraca Filmes apresenta: A Coisa Tá Preta 2, a história de luta e fé de um povo desesperado. Conheça a história por trás (no bom sentido) da torcida que inovou a forma de contagiar um estádio, criando a Analvalanche. Épico, tocante, triste. Um filme para toda a família. (Verifique a classificação etária, não nos responsabilizamos por cenas de rompimento anal).

Mais informações no site oficial.

E eu achando que DVD sobre a conquista da segunda divisão era o fim da várzea… Agora estão fazendo filme sobre a torcida. No 3, vão entrevistar os ambulantes que vendem comida na entrada do chiqueirão… Que fase, heinhô?

Há cerca de duas semanas atrás, estava eu a ler os “classificados” do jornal ZH de domingo. Depois de procurar algo na seção de vagas oferecidas (sim, estou procurando algo melhor, por mais que 99% das pessoas achem que onde estou é muito bom), resolvi olhar a seçao de negócios e oportunidades. É o local do classificados onde se negociam empresas -lojas, indústrias, serviços. Como tenho um interesse especial por reciclagem de plástico, fui direto a seção negócios-indústria. Ali um anúncio que me chamou atenção; dizia o seguinte:

– Vendo empresa de reciclagem completa, extrusora, moinho, aglutinador. Com clientes e fornecedores. Motivo: passei em concurso público.

!!!

Sempre se pensou em que o empresariamento seria o ápice da carreira profissional, mas as dificuldades e o retorno inerentes a atividade empresarial são inferiores ao setor público, ainda mais se esta noticia se tornar verdadeira:

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovaram hoje uma proposta de revisão dos salários dos servidores do Poder Judiciário que pode representar um aumento real de 80,17% nos contracheques dos funcionários.
Pela proposta, um analista em início de carreira, que hoje ganha R$ 6.551,52, passará a receber R$ 11.803,66. Os que já estão no final da carreira terão seus salários reajustados de R$ 10.436,12 para R$ 18.802,40. O menor salário, de auxiliar em início de carreira, subirá de R$ 1.988,19 para R$ 3.582,06. Os valores foram divulgados na Internet pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus DF).
A proposta ainda precisa passar pelo crivo dos ministros do STF, que se reunirão no próximo dia 15 em sessão administrativa para avaliá-la. Em seguida, o projeto terá de ser encaminhado ao Congresso Nacional para votação. (site estadão 8/10/09).

Aí entendi melhor porque o dito cidadão está tentando repassar sua empresa. Em vez de só pagar impostos, chegou o momento de aproveitar um pouco destes.

Nada contra os vogons, mas algo está desequilibrado…


Executivo da France Telecom sai, depois de 24 suicídios na empresa
Do Valor OnLine
SÃO PAULO – A operadora francesa France Telecom anunciou hoje a saída de seu vice-presidente, Louis-Pierre Wenes, após uma onda de suicídios de trabalhadores verificada na empresa nos últimos meses.
O executivo será substituído por Stéphane Richard, ex-vice-presidente das operações internacionais, também cotado para assumir a liderança da empresa em 2011, no lugar do atual presidente-executivo Didier Lombard.
Os sindicatos culpam a restruturação da companhia realizada por Wenes pelos 24 suicídios ocorridos no quadro de funcionários da France Telecom, em cerca de 20 meses. O plano de modernização envolveu mudanças nas funções dos trabalhadores dentro da empresa, além da cobrança de novas metas.
A empresa, em contrapartida, afirma que esta taxa de suicídio não é incomum para uma companhia de seu porte.
(notícia do site G1 05/10/09)

Isto é a parte prática, ou como diriam os auditores de ISO 9000, as evidências objetivas das políticas ditas voltadas aos recursos humanos, a valorização das pessoas, ao investimento no capital humano. Isto é o que está escrito no mural de 9 entre 10 empresas. O maior bem de uma empresa são seus funcionários. Ou ao menos aqueles que sobreviverem.

Ou, segundo os comentários de colegas, ao ouvirem mais um plano de reestruturação da empresa: “Quem ficar vai ficar bem!”

Brasileiro é apaixonado por automóvel.

Esta máxima criada por alguma agência de propaganda para a Ipiranga é tão genial que já está no ar há uns 10 anos. Realmente, não importa a condição econômica do brasileiro, o que ele mais almeja é um carro. Claro, quem pode mais, deseja modelos mais luxuosos; quem pode menos deseja o popular basicão; e quem pode menos ainda deseja apenas um usado para incrementar depois.

Mas eis que uma das maiores reclamações recai exatamente sobre o preço dos automóveis. Que o brasileiro não tem a possibilidade de comprar carros melhores devido aos altos preços, que uns dizem que é devido aos impostos (eu discordo), as elevadas margens de lucro das montadoras (concordo em parte) ou ao próprio mercado que paga o preço que pedem (concordo: lei de oferta e procura).

Como não há uma concordância sobre o tema, deixo minhas sugestões para redução dos preços dos automóveis vendidos e/ou fabricados na terra brasillis:

  1. Eliminação do sistema indicador de direção (vulgo pisca-pisca): entre sistemas elétricos e comandos, além da montagem no automóvel, sem falar no desenho de faróis e lanternas que poderiam ficar mais simples, acredito que a redução no preço do veículo ficaria entre R$ 200,00 e R$ 500,00.
  2. Eliminação de espelhos retrovisores: esta mudança representaria economia de R$ 500,00 a R$ 1.500,00, dependendo se é com controle elétrico ou manual. Eliminação também do retrovisor interno!

Como vimos, estas duas alterações poderiam reduzir o preço de um veículo basicão em no mínimo R$ 700,00, deixando o glorioso, imutável e honesto Fiat Mille com preço de R$ 19.300,00, uma redução de 3,5% sobre o preço de tabela atual, ou 3 folhinhas a menos no “carneirinho” BV ou ABN-Aymoré.

Claro, o melhor seria a redução dos preços sem a eliminação destes itens. Porém a utilização destes itens é ignorado pela imensa maioria dos motoristas. Porque cobrar de algo que o uso é apenas eventual ou restrito???

O brasileiro é apaixonado por automóvel, só não sabe utilizá-lo corretamente.

Já não agüento mais! Tudo que acontece no mundo (mundo: desde a esquina da sua casa até os confins do Turcomenistão) é culpa da -segundo Jornal Nacional- maior crise econômica de todos os tempos.

Se o pipoqueiro tropeça, vira as pipocas no chão e, por isto, vendeu menos pipocas no dia, a culpa é da crise financeira mundial. Se repatriarmos jogadores em fim de carreira é porque os times estrangeiros não estão investindo… devido a crise financeira mundial. Se cair a venda de galochas… crise financeira mundial.

Como o mundo ainda não acabou, principalmente graças a algumas cabeças pensantes ainda existentes, fiquei sabendo de uma informação que compartilho com os colegas acadêmicos e leitores em geral: a crise financeira de 1981 (lembram??…sim, vocês já eram nascidos, não adianta mentir), foi muito maior que a atual. Foram quatro anos de recessão mundial após uma década de choques do preço do petróleo (saiu de US$ 4,00 o barril para US$ 40,00), sendo que na época a OPEP fornecia 70% do petróleo consumido no mundo. Esta mudança nos preços corroeu a balança de pagamentos de diversos países, que entraram em default (falência, entre eles Brasil, que na época saiu atrás do FMI). No total, 39 países “quebraram”. Com a quebra dos países, os investimentos estatais que respondem de 20% a 40% do consumo de um país, caíram drasticamente, levando a quebras generalizadas. Junto a isto, a inflação no mundo estava um pouco fora de controle (25% ao ano nos EUA, 100% ao ano no Brasil, 10% ao ano na Europa – ganhamos de todos!!!).

Como resultados, vendas globais de automóveis caíram drasticamente (Brasil queda de 30%, EUA 20%), demissões em massa e o surgimento do neoliberalismo.

Como a quebra foi devido ao Estado, nada melhor do que tirar o Estado de cena e deixar o caminho livre para a iniciativa privada, que saberia melhor posicionar-se frente as mudanças do mercado, não sobrecarregando os pobres pagadores de impostos com ineficiências governamentais.

Quase 30 anos após, nova crise financeira. Só que agora, gerada e parida pela iniciativa privada. E o Estado precisou ir em socorro da iniciativa privada para que o trem não descarrilasse totalmente. Investimentos incorretos, expectativas de ganhos, contabilização de expectativas de ganhos como lucros, fraudes contábeis, fusões esdrúxulas, tudo pelo maior lucro e satisfação dos acionistas. Mas não deu certo e os contribuintes estão pagando a conta novamente.

E agora. O Estado falhou uma vez e criou-se o neoliberalismo. O Neoliberalismo falhou. Qual será o próximo modelo?

ALL THINGS MUST PASS – George Harrisson

Sunrise doesnt last all morning
A cloudburst doesnt last all day
Seems my love is up and has left you with no warning
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away

Sunset doesnt last all evening
A mind can blow those clouds away
After all this, my love is up and must be leaving
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
None of lifes strings can last
So, I must be on my way
And face another day

Now the darkness only stays the night-time
In the morning it will fade away
Daylight is good at arriving at the right time
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away

Toda e qualquer virtude pode ser definida como o exato meio termo entre duas posturas opostas e antagônicas em uma determinada linha de comportamento. Assim como existem os perdulários, há os avarentos, cada conduta situada em uma ponta de um grande espectro de possibilidades. O centro, ou seja, o equilíbrio entre estas duas características, pode ser classificado como virtuoso. É bom e equilibrado o homem que, sem se descuidar do futuro e sempre sendo previdente, ainda sabe dedicar parte de seus ganhos para o lazer e outros prazeres hedonistas, auxiliando, finalmente, o próximo quando necessário e possível. O raciocínio vale para qualquer aspecto da vida humana. Não existe virtude no excesso, nenhum mérito na insuficiência. Pode-se afirmar, portanto, que o homem médio – assim entendido aquele que pauta suas condutas pelo equilíbrio entre posições eqüidistantes – é o homem bom, honesto, são.

De outra parte, na nossa cultura convencionou-se condenar a mediocridade como algum ruim, indesejável em todos os aspectos. O que poderia parecer um contra-senso, não fosse a análise mais acurada que pode ser feita sobre o ‘saber’ popular. A mediocridade, como por nós definida, diz respeito àquela postura arrogante em relação a vida, que o brasileiro é mestre em adotar. Batemos no peito e estufamos o pulmão para falar sobre a nossa ignorância. Lemos poucos, e quando lemos são os Paulo Coelho e Lair Ribeiro da vida. Temos uma política corroída e pobre, mas é o nosso jeito ‘malandro’ de ver o gerenciamento da máquina pública. Acreditamos em qualquer bobagem que nos imponham, lemos ‘O Segredo’, fazemos terapia holística e tomamos florais de Bach adoidado. E continuamos sempre desbordando de qualquer boa conduta. Somos rudes, toscos, mal educados e ignorantes, mas temos muito orgulho disso! Por isso sempre acreditei que a mediocridade, tal como o brasileiro a definiu, é a mãe de todos os vícios. Fugir dela, portanto, e chegar à média, na verdadeira acepção da palavra, deve ser o objetivo de vida de todos nós.

Por isso o conselho: menos axé e mais cabeça aberta para ouvir outras coisas. Menos esperteza e mais preocupação com os deveres. Não proclame o direito que tens, procure ver se este direito pode ser exercido em prol dos que estão mais próximos. Não compre subwoofer, e se comprar não abra o capô de seu carro quando essa porcaria estiver ligada. Beba com moderação, de preferência não em locais públicos como praias e afins. Respeite o outro. Assim, tudo pode melhorar. Inclusive, por mais incrível que possa parecer, para você também.

Aos 6 anos, o labrador Skeeter é bacharel em direito. No início de novembro, ele recebeu o diploma honorário da Universidade de Baylor, no estado americano do Texas, após acompanhar durante dois anos e meio todas as aulas exigidas para se graduar.
Ela convive com o animal desde 2004. “Ele me ajuda a pegar objetos, já que tenho dificuldades para manipular canetas, por exemplo”, conta Amy.
O diploma da escola de direito da Baylor dá ao cão o título de “dog’tor”, um trocadilho entre os termos “doctor” (doutor, em inglês) e “dog” (cão).
Skeeter, segundo seus colegas de curso, era um participante ativo das aulas. Ele ficava quieto pelo menos durante a maior parte das preleções dos professores, mas rosnava ou latia quando alguém falava por muito tempo.
Ao contrário de sua dona, o cão não deve prestar exame da ordem dos advogados do Texas. “Ele está satisfeito com o diploma”, brinca Amy.

As perguntas para meus amigos (a partir de agora não sei se ex-amigos!) Felipe e Cachorrão:

Será que ele teria lugar no mercado de trabalho aqui?

Será que passa no exame da OAB?

Ele deve saber fazer uma “peticão”?

Difícil é eles encontrarem um cachorro que tenha recebido diploma de Tecnólogo em Polímeros. Nem cachorro sarnento se disporia a fazer este curso (já me adiantando as possíveis críticas).

O presidente e executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, disse hoje que a empresa está tomando todas as medidas para evitar um pedido de concordata. “A empresa usará todas as fontes de financiamento possíveis para evitar a concordata”, disse em uma conferência por telefone após a empresa anunciar os resultados do terceiro trimestre. Wagoner advertiu sobre as “graves conseqüências” para a economia americana se a GM tivesse que se proteger dos credores.

A maior montadora dos EUA em receita está colocando quase todas as esperanças na ajuda do governo norte-americano e no corte de custos. A empresa informou que está concentrada em aumentar sua precária liquidez por meio de um corte de custos que deve lhe render uma economia de US$ 5 bilhões.

Sem a ajuda do governo ou um aumento nas vendas, a GM disse que sua liquidez alcançará os níveis mínimos exigidos no final deste ano, depois de gastos de US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre. Wagoner disse à rede de notícias CNBC que espera que o Congresso dos EUA tome medidas para apoiar o setor automotivo nas últimas sessões legislativas do ano. A GM informou hoje prejuízo líquido de US$ 2,54 bilhões no terceiro trimestre.

Este é o país do livre mercado, do estado mínimo, do sonho americano. Este é o país que muitos formadores de opinião daqui usam como padrão, bradando (e às vezes vociferando) para mudanças que nos aproximem do modelo americano.

“Pequeno” reflexo de uma postura totalmente avessa ao direcionamento mundial. De um gerenciamento focado no próprio umbigo e que não levou em consideração que os mastodônticos automóveis produzidos por esta empresa para seus alienados consumidores locais não tinham qualquer possibilidade de sobrevida em um mundo globalizado e em constante mutação (odeio esta frase mas é bem apropriada).

Acho melhor é nos distanciarmos um pouco deste modelo… e vivas ao Tata Nano!!!

Os sobreviventes não serão os mais fortes tampouco os maiores, e sim aqueles com melhor capacidade de adaptação.

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deltree c:\bebedeiras\ressacas\
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Pois, eis que uns tempos atrás, nosso acadêmico e nubente Alemão nos apresentou o seu Tertuliano e sua história.

Fiquei curioso para saber como sua descendência estaria nos dias atuais. Chafurdando aqui e ali, consegui encontrar um dos filhos “das macegas” do seu Tertuliano: Jesmison. Criatura assaz esperta e ligada no mundo moderno, apesar de sua vida simples ligada ao campo.

Dono de “uns equitare de terra” na divisa de Coronel Bicaco e Bossoroca, vivia da criação de galinha, de onde ganhava dinheiro vendendo ovos, reprodutores, galos de rinha, galinha preta para despacho e tudo mais que se relacionava ao distinto gallus domesticus.

Sempre muito atento às conversas no povoado, para estar bem informado e não passar por grosso cada vez que ia entregar seus produtos, Jesmison foi adequando seu negócio as necessidades do mercado, pois muito ouviu falar em concorrência, qualidade, cliente (coisa que pra ele é como as piguanchas o chamam lá na zona), e todo este vocabulário dos bolichos modernos.

Assim acabou por desenvolver um tipo especial de ovo. Mudando o jeito de criar as galinhas, com ração e cuidados especiais, conseguiu um tipo de ovo que passou a ser apreciado pela Dona Hermecinda, que fazia bolos e quitutes especiais e pelo seu Getulio, que preparava panquecas e xis especiais no seu pé-sujo(*).

A fama se espalhou rápido e trouxe a reboque mais clientes. Jesmison que não era bobo lembrou da questão de oferta e procura e resolveu usar um dos aprendizados lá do povoado: aumentou os preços!

Dona Hermecinda e seu Getulio ficaram brabos, mas pagaram, afinal o produto era bom. E os novos clientes nem se importaram, pois não conheciam o preço antigo e estavam maravilhados com a qualidade do produto.

Vendendo para outros mercados (este nome estranho para outros bolichos em outros povoados), acabou fazendo mais fama e aumentando ainda mais a freguesia (que era como preferia chamar os clientes…coisa de maloca). Passou a ganhar muito dinheiro e viu que sua atenção às conversas na cidade lhe rendeu algo de útil.

Tudo acontecia muito rápido. Aumentou o aviário, comprou equipamentos, tinha funcionários, fez empréstimos no banco (era visível seu nervosismo na primeira vez que sentou na frente do gerente…ele nunca se imaginou falando de igual com um engravatado). Chegou até a usar gravata, com um nó torto que ele fez, para ir outras vezes ao banco e sentir-se como um homem de negócios e não como um simples criador de galinha.

Um dia o gerente do banco lhe fez uma proposta de sociedade. Era irrecusável!!! Ganharia dinheiro suficiente para comprar 10 vezes o que ele já tinha. Não entendeu porque tanto dinheiro mas não recusou. E a cada dia mais ovo e mais dinheiro!

Um ano depois o mesmo gerente, e agora sócio, lhe propôs vender ações da “empresa” (aquele antigo galinheiro) na bolsa de valores. Aí foi difícil para o Jesmison entender; bolsa, pedaço da empresa, sociedade anônima, não saber quem era sócio seria muito complicado. O Claudionor era sócio porque era gerente do banco, se tornou seu amigo, ajudou bastante. E ademais ele conhecia até o avô do Claudionor antes de entrar no banco pela primeira vez, só não conversava com ele pois se sentia um pouco inferior diante de alguém estudado e engravatado. Mas o sócio lhe convenceu e ganharam mais dinheiro ainda. Todos queriam um pedaço do “galinheiro” do Jesmison!

Jesmison estava rico como nunca imaginara…mas não perdeu a cabeça e poupou muito, investiu em terras, comprou alguns prédios lá no povo e não esbanjou muito. Quando muito uns presentinhos para uma chinoca mui linda que ele conheceu em São Borja. Mas preferia era deixar o dinheiro na guaiaca e não investia em ações de outras empresas como o seu “primeiro sócio” fazia.

E com tanto dinheiro, Jesmison largou o trabalho no “galinheiro”, que passou a ser administrado por pessoal com estudo, alguns engravatados, que faziam de tudo para a empresa dar ainda mais dinheiro. E conseguiam; cada vez que Jesmison visitava a empresa eles mostravam uns papéis cheios de riscos e traços (demorei a descobrir que eram gráficos) que mostravam que ele estava ganhando ainda mais dinheiro.

Este pessoal com estudo e engravatado, no entanto, acabou por esquecer alguns cuidados na redução de custos, não seguiram a receita original do Jesmison e a empresa começou a declinar, não conseguindo a mesma qualidade e produtividade. Agravado pela crise internacional, as ações da empresa começaram a declinar. Tragédia com ato final, as galinhas pararam de colocar ovos, devido a um medicamento que tentaram aplicar para aumentar a produção.

E assim quebrou o galinheiro do Jesmison; muita gente ficou desesperada, muitos perderam dinheiro. Menos o Jesmison, que guardou muito bem o que ganhou com o suor do seu rosto aliado ao seu estudo informal nas conversas do povoado.

Como o Jesmison vivenciou muita coisa nestes últimos anos e, por ser alguém que aprendeu muitas coisas ao seu jeito, não me contive e perguntei, na opinião dele e resumidamente, porque o galinheiro quebrou. A resposta, depois de um pigarro e um olhar ao longe:

– Contaram com o ovo na sambica da galinha.

Voltando.

Após um período de reclusão em locais ermos e distantes, fazendo reflexões sobre a busca essencial e após a desilusão de descobrir que a resposta fundamental é 42, retorno ao mundo das gentes de blogs, antes que o patrão me demitisse por abandono de emprego e para partilhar um pouco das descobertas transcendentais de um ermitão de metrópole.

O melhor deste meio tempo é ver a história acontecendo na frente de nossos olhos, dia-a-dia, e poder acompanhá-la de uma forma radical até, esmiuçando-a, procurando todos os detalhes relacionados, todas as formas de apresentação. Espero ver esta história nos livros, e também espero vê-la transcrita de uma forma menos “direcionada” do que hoje é apresentada a todos nós.

A “Crise financeira dos mercados”, é talvez o reinício da história contemporânea. Eric Hobsbawn teria dito, na queda do muro de Berlim, que ali estava decretada o fim da História, talvez por não termos mais o suposto bem contra o suposto mal. No atentado de 11 de setembro de 2001, o mesmo disse que ali era o reinício da história. Talvez porque ali voltávamos ao eterno combate do bem contra o mal (não importando quem vocês acham que é o bem e quem é o mal; eu ainda não tenho opinião formada a respeito!).

Não gosto muito desta visão simplista de mundo, muito cultuada pelo sistema capitalista, de maniqueísmo esteorotipado. Dos desenhos animados, às novelas, ao futebol, esportes em geral, cinema holiudiano e diversas outras formas de expressão que envolvam o consciente e o subconsciente coletivo são direcionadas a forma maniqueísta de entender o mundo. É assim que a história foi escrita e a aprendemos através dos livros didáticos.

Agora, neste momento e em vários momentos destes últimos dois meses, vemos a história transcorrer segundo à segundo, imagens, reportagens e comentários que estarão nos livros de história. Só que os livros didáticos de nosso tempo escolar apresentavam história de algo que não presenciamos. Agora estamos presenciando e podemos julgar e criar a nossa idéia de história. Em quais meios de comunicação você obtém informações sobre a crise? Em quem acreditar? Como compreender o que está ocorrendo e o que pode ocorrer?

Aqui no Brasil tenta-se criar um pânico; lá fora já existe o pânico. E o sistema mundial entrará em profunda crise de identidade a partir de agora, pois aquilo que era a maravilha, o belo, o ópio de todos, é exatamente o que ocasionou o problema. Com um agravante: uma meia dúzia de cinco ganharam, e muitos perderam. Só que desta vez até aqueles que ganhavam acabaram perdendo. E eles viram o que durante muitos anos acontecia ao largo deles: bilhões de pessoas perdem para que alguns ganhem. Perdem não só dinheiro, perdem dignidade, direito a vida, ao sonho, a cidadania. Estes que agora entraram para o time dos perdedores, é somente na questão financeira direta; apostaram e perderam. Mas certamente não gostaram.

Dentre tantos perdedores, um está passando em branco: o estado nacional. “Nunca antes na história deste mundão véio sem porteira” o estado nacional se mostrou tão fraco perante o capital; governates são apenas expectadores à mercê da vontade expeculativa de poucos abastados. A farra de papéis que enriqueceu alguns, criou sonho de enriquecimento em outros, mostrou-se uma grande armadilha à soberania de governos e governantes. Em nome da liberdade de mercados, baniu-se a atuação reguladora do estado. Retorno à selvageria, porém tecnocratizada e estabelecida legalmente e marketicamente, já que todos os formadores de opinião a defendiam.

O livre mercado mostrou-se uma criança de 3 anos de idade, que esboça sua independência, quer e chora por sua independência. Mas na primeira traquinagem que dá errado corre chorando pelos pais. E o estado precisou socorrer aqueles que sempre ganhavam e agora perderam. Qual a utilidade do estado? Porque cargas dágua eu pago impostos?

Num churrasco da ABRIC, após muitas cervejas, tive a iluminção que me fez vaticinar que o comunismo iria retornar através dos EUA…fui apedrejado mas não recuei. De uma certa forma acertei, pois a intervenção do estado para socorro aqueles que forçaram a selvageria corresponde, até o presente momento, a cerca de 25% PIB deles. Ao mesmo tempo, alguns governantes pedem ao governo comunista de Pequim ajuda para salvar o capitalismo (a China tem reservas de trilhões de dólares-verdadeiros e não virtuais- que poderiam “oxigenar” a economia mundial). Mudanças de cadeiras: quem era bom fez o mal, quem representava o mal precisa salvar o bom, já que este fez o mal mesmo achando quesempre fazia o bem, e quem faz o mal pode agora fazer o bem, mesmo que este bem seja para perpetuar o mal. Não entendeu? Ótimo, neste sistema atual nada é para ser entendido e sim para repetir as frases bestas do Jornal nacional.

Mas não se fie só no jornal nacional. Procure informações de outras vertentes pois a história não pode ser contada só pelo vencedor, principalmente quando não sabemos quem será o vencedor.