Arquivo da categoria ‘Ah é, é???’

Passada a celeuma sobre a questão do ENEM envolvendo o texto de Simone de Beauvoir, resolvi parar um minuto para pensar sobre o assunto, depois de ter ignorado solenemente as manifestações doentias que li por aí. O parágrafo, textualmente, diz o seguinte:

“Niguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

Se me permitem a imensa falta de modéstia, apenas lendo o excerto do texto, entendi perfeitamente que ele versa sobre o feminismo. Intui, inclusive, que a expressão “ninguém nasce mulher” se refere à definição da mulher na sociedade, ao papel que esta irá assumir perante os outros, e não à orientação sexual da “fêmea humana”, na definição da própria autora. Consegui, de forma completamente independente, ler o texto de forma isenta e verificar sobre o que ele versa, retirando o sentido que a autora pretendeu dar. Sou inteligente por demais, não?

NÃO!!!

Somente duas condições podem impedir que a pessoa extraia do texto acima transcrito seu exato sentido:

  1. Analfabetismo funcional, aquela condição tão comum na sociedade brasileira, que se caracateriza justamente pela inabilidade de, apesar de formar corretamente as palavras mediante sua leitura, formar uma seqüência lógica e racional a partir de qualquer manifestação escrita; e,
  2. Completa desonestidade intelectual, enfatizando uma figura de linguagem utilizada para embasar um discurso prévio de intolerância e radicalismo.

Infelizmente, há inúmeras pessoas que se enquadram na primeira hipótese, o que depõe negativamente acerca do sistema educacional brasileiro. Se uma pessoa prestes a ingressar na faculdade não conseguir, por seus próprios meios, intepretar um texto tão singelo, certamente estaremos diante de um déficit de preparação e aprendizado que, com todo o respeito, dificilmente pode ser corrigido em algum ponto.

Mas o mais preocupante são aqueles que se enquadram na segunda hipótese. Nestes, incluem-se, sem qualquer sombra de dúvidas, figuras execráveis da vida pública nacional, tais como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (se bem que quanto a este último tenho lá minhas dúvidas). O que fazem estes cidadãos é, basicamente, emprestar uma interpretação absolutamente distorcida do enunciado da questão antes transcrita, professando que esta demonstra claramente uma tendência dos órgãos estatais encarregados da educação de crianças e jovens a seguir o que eles mesmos denominam de “ideologia de gênero” ou “gayzismo”, que seriam ferramentas do Estado comprometer a “família tradicional” e, como última conseqüência, estabelecer uma ditadura comunista/socialista. Fazem isto, evidentemente, contando que a grande massa de funcionalmente analfabetos, repetirão “ad nauseaum” estes argumentos torpes e sentirão temor ou descontentamento com as políticas educacionais, pendendo a, para evitar a tal ditatura, entregarem seus votos e darem muito dinheiro aos envolvidos.

E este quadro, por si só, é preocupante. QUALQUER das duas hipóteses que enumero aponta, fatalmente, para um quadro sombrio no futuro da nação. Ou nos tornaremos uma nação de deficientes intelectuais, sobrevivendo com dificuldades aos desafios que o avanço das ciências e da tecnologia nos imporão, ou seremos todos pessoas arrogantemente tendenciosas a interpretar qualquer idéia divergente das pré-estabelecidas com base em preconceitos e irracionalidades, o que dá quase no mesmo.

Aparentemente, ao contrário do que a fala embotada e quase debochada, a expressão embasbacada e vazia e a evidente futilidade de tudo o que foi relatado, o vídeo produzido pela Veja São Paulo com o empresário Alexander de Almeida não se trata de uma brincadeira ou piada, retratando a triste realidade do enfocado. Os valores expressados no vídeo são os do verdadeiro Alexander, que não é um personagem, mas uma pessoa real, que vive e pensa exatamente daquele jeito. Demorei a aceitar isto, não podia conceber que alguém pudesse colocar tanta ênfase na própria miséria – sim miséria – como fez o rapaz, até que a própria Veja, frente à repercussão extrema do episódio, publicou uma notícia confirmando toda a história e demonstrando que, ao menos, checou os fatos antes de dar a notícia, como deve ser com qualquer órgão de impressa que se proponha a ser sério.

Então, esclarecida a celeuma, me sinto à vontade para escrever alguns pensamentos soltos sobre Alexander de Almeida. Farei isso por tópicos, para facilitar a leitura e agregar algum státis ao meu texto:

Alexander de Almeida

Alexander de Almeida: rei no camarote, bufão na vida.

 a) Alexander de Almeida é feio e desajeitado. Isso é bem óbvio para quem assistiu ao vídeo. As comparações como o Quico do programa infantil Chaves pipocaram na Internet e ficou muito evidente a falta de atributos físicos do camarada. Além disso, as imagens que retratam Alexander dançando e se divertindo a valer nos camarotes da vida são, para ser franco, patéticas. Eu sou péssimo para dançar, dificilmente me arrisco em uma pista de dança, a não ser que seja extremamente necessário, mas ao lado de Alexander não ficaria nem um pouco constrangido, porque dificilmente alguém poderia notar minha natural falta de graça ao lado de tão bizarra demonstração de (falta de) malemolência.

 b) Alexander de Almeida é burro. Tudo bem, o cara pode ter tido tino comercial amealhando fortuna em seu ramo de negócios – que, para ser sincero, sequer sabia que existia, mas é isso que difere o fracasso do sucesso, entender onde as oportunidades estão – mas qualquer um, no mínimo uso de suas faculdades mentais, não sairia por aí alardeando a própria riqueza se estivesse em débito com o fisco. Com a repercussão estrondosa do vídeo – que, se não era esperada por ele, só demonstra mais uma vez sua burrice –, Alexander tentou desmentir a Veja, revista veterana no mercado editorial que já derrubou presidentes e não ia deixar barato, levando o que pediu: a impiedosa confirmação de sua história. Mas o que aparentemente preocupa o Rei do Camarote é a atuação da Receita Federal. Segundo narra a revista, Alexander teria referido que tem medo do órgão “ir atrás dele”. Ora, amigo, se está devendo imposto, gasta teus R$ 50.000,00 por noite na moita. Convida a mulherada, paga o champanhe para todo mundo, anda com tua Ferrari, mas NÃO ALARDEIA. Já li por aí que Alexander ainda deve mais de R$ 50.000,00 – ou uma noitada – só de IPTU para a Prefeitura de São Paulo. Será que nem passou pela cabecinha oca de Alexander que isso tudo viria à tona? Já que o cara parece o Quico mesmo, vamos dizer em coro: “Dá zero prá ele, professor Girafales”.

 c) Alexander de Almeida é um camarada de sorte. Instituições financeiras sobrevivem, basicamente, de sua imagem de austeridade e credibilidade. O banco precisa passar ao público a certeza de que seu dinheiro está bem guardado e, ainda, que os 12% de juros ao mês no cheque especial são mesmo necessários para manter os depósitos de todos. Todo mundo sabe disto. Se um banco começa a dar sinais claros de descontrole nos gastos, o correntista vai lá tão rápido para sacar seus créditos que quase não dá tempo de se perceber o que está acontecendo. Sendo assim, somente a sorte pode ter feito que nosso herói de triste figura conseguisse amealhar patrimônio no meio sem que se questionasse seu estilo de vida hedonista e perdulário. Logo após demonstrar seus valores no vídeo, entretanto, o Banco Panamericano, segundo o próprio Alexander, descredenciou sua empresa. E os negócios podem, dependendo do quanto ainda vai ser lembrado o episódio, minguar até mais. Quando se envolveu com os travestis, Ronaldo Fenômeno perdeu muitos contratos de publicidade por conta da pouca disposição das empresas de ter sua imagem associada a este nível de patifaria. Talvez Alexander tenha dado um tiro no próprio pé ao tentar se destacar da multidão, simplesmente queimando sua imagem com os bancos e financeiras clientes de sua empresa, que certamente não querem sua imagem associada a de um bufão da noite.

 d) Alexander de Almeida não demonstra ter auto-estima muito alta, nem personalidade. De todos os “mandamentos” do vídeo, nenhum tinha qualquer relação com a personalidade do retratado, mas tão-somente com os seus bens e a forma como, utilizando-os, Alexander tenta desesperadamente se sobressair da multidão. Ou seja, ao que parece, Alexander não dá muito valor ao que é, mas sim ao que tem, uma clara demonstração de baixa auto-estima ou falta de confiança em si mesmo. O fato de querer ter sempre em seu camarote uma celebridade para “agregar” a suas roupas e carro é mais um indicativo disto. Acaso se considerasse uma pessoa interessante e sofisticada, ele não se preocuparia com o fato de acorrerem ou não “celebridades” a seus camarotes. O anfitrião, por si, deveria se bastar em um evento social, mas provavelmente Alexander não se acha à altura da tarefa. Por isso a roupa das melhores grifes – por sinal, vamos combinar, camisa xadrez verde tem até na C&A -, o carrão e a conta estratosférica. Sem eles, o fanfarrão provavelmente não se sente confortável ao divertir e entreter seus convidados. O que, por si só, já é lamentável. Finalmente, o simples fato de abrir mão de um gosto pessoal pela vodca em favor do champanhe porque dá mais “státis” indica que, além de tudo, Alexander não consegue impor sua personalidade. Beber o que os outros acreditam ser mais glamouroso é, no mínimo, anular-se um pouco.

Eu gosto de cachaça, mas champanhe é mais statis

Até tu, Muçum???

 e) Alexander de Almeida é um atolado. Sério, gastando R$ 50.000,00 por noite e até R$ 300.000,00 por mês, tudo o que Alexander tem para relatar, com um fingido ar de constrangimento, é que uma vez transou com uma mulher no banheiro de uma balada? Amigão, conheço uma rapaziada que com o orçamento bem mais modesto – digamos de R$ 20,00 até o infinito, tipo R$ 100,00 ou R$ 150,00 – já obteve resultados bem mais significativos. Sei do “causo” de um sujeito que, inclusive, sem dinheiro para entrar na balada, transou com uma mulher no lado de fora mesmo, em um canto mais escuro da avenida. Não vou dar mais detalhes, porque pode sujar para a rapaziada, mas Alexander, sinceramente, MUITO FRACO o desempenho…

 Enfim, embora algumas pessoas possam realmente ter inveja do Alexander, todo mundo que eu conheço ficou com PENA da futilidade, superficialidade e extrema imbecilidade do rapaz. Mais um dos tantos bufões que passarão pela vida deixando para trás não mais que um monte de dinheiro acumulado, sem nenhuma contribuição relevante e importante para os demais. Uma pessoa da qual ninguém sentirá falta. A não ser, talvez, os tantos que ele PAGA para serem seus seguranças, garçons e, porque não dizer, amigos…

Corria solta a notícia de que Seu Tertuliano andava de mal a pior. De fato, algo aconteceu, pois há tempos o velho não aparecia mais na Bodega do Nicanor para comprar seu farnel de rapadura, linguiça, cachaça, erva-mate e fumo em rolo. Alguns diziam que o índio tivera uma crise braba de reumatismo. Outros comentavam que ele foi picado por um jararaca. Um vizinho que havia comprado gado do Seu Tertuliano há pouco tempo falou ao vigário do povoado depois da missa dominical que o velho estava morrendo e que, inclusive, teria recusado atendimento médico.

O sol mal inicia sua aurora e uma Kombi velha já roda pela estrada de chão depois de uma noite de chuva fraca. São poucas curvas, mas muitas coxilhas para serem vencidas. O vento frio da madrugada de primavera entra pela janela do veículo e traz consigo um cheiro de capim molhado misturado ao de zorrilho. Desde a casa paroquial até o sítio de Seu Tertuliano são 18 quilômetros de um caminho vicinal que não possibilita rodar a mais do que 30 km/h. O condutor quase se arrepende da ideia de ir até o moribundo porque não se trata de um fiel frequentador das missas, mas sim de um homem rude, de péssimos hábitos e cuja fama é a de um pecador incorrigível, de um promíscuo que se jactanciou a vida inteira por praticar obscenidades.

O Padre enfim chega ao local indicado. Desce da Kombi e abre a porteira, que estava trancada com uma pequena tramela que quase não mantinha a pesada armação de madeira no lugar. Ele adentra com o veículo na propriedade, apeia e torna a fechar a porteira. O trilho de terra molhada leva até um ponto onde havia uma pequena área descampada, com uma capunga e um forno de barro, quase lindeiros ao casabre com mais de um século de construção. A estranha arquitetura remetia às casas castelhanas, com um toque colonial. O religioso sai do veículo e se depara com um cachorro grande e ignóbil a poucos metros dali, que se entretinha com restos de uma paleta de ovelha, mal dando atenção ao intruso.

A porta não estava trancada e o Padre entra sem bater. O ambiente dentro da tapera não era muito salubre e as janelas estavam fechadas. O odor predominante era de comida velha e fumaça, mas também era possível sentir cheiro de esterco. Os poucos móveis são toscos e antigos. Havia uma chaleira de ferro sobre um fogão à lenha, já sem cor, panelas sujas em uma mesa de pinho e moscas varejeiras voejando pelo ambiente. O soalho de madeira vai rangendo com os passos incertos rumo ao único cômodo de onde vinha luz e no qual repousava o proprietário do latifúndio.

Com os olhos semicerrados, Seu Tertuliano apenas murmura de forma sôfrega.

– Se for bandido pode levar tudo! Se for jornalista, não falo nada! Se for à mando do Nicanor, diga que pago os fiado com boi vivo!

– Calma, Seu Tertuliano. Sou o Padre da comunidade. Soube que está muito doente e vim dar-lhe o sacramento da unção dos enfermos!

Arre! Vai te embora, corvo agourento! Não quero saber de nenhum comedor de hóstia na minha casa! Xô! Vade retro!

Visivelmente irritado, mas pensando em todo o sacrifício de estar ali por uma grande causa, o Padre prossegue sua tentativa de cativar o moribundo.

– Sei que o senhor não foi um homem penitente, pouco temente à Deus e que não possui nenhuma das virtudes cristãs. Mas sei que Ele tem planos para o senhor “lá” em cima! Para isso, preciso encomendar sua alma ao Criador!

Sem compreender a intenção do Padre, Seu Tertuliano faz uma careta interrogativa, oportunizando ao Padre prosseguir.

– O senhor não gostaria de quitar sua dívida com Cristo e poder descansar em paz? Resolver todas as suas diferenças com o Pai Eterno? Conseguir sua passagem para o paraíso? Para isso, o senhor terá de confessar seus pecados. Todos!

– Tchê! Eu só não te mando à merda em respeito à batina que tu veste. E também porque eu não tô podendo nem com as calça…

– Ach, mein lieber gott!

A la fresca! O que Vossa Santidade quer? Pois le digo… eu desrespeitei bem mais do que dez mandamentos!

– Tenho certeza que não, Seu Tertuliano. Acredito que sua alma ainda pode ser resgatada das chamas do orco. Todos merecem salvação, inclusive o senhor!

Quer dizer, entonces, que se eu desembuchá tudo o que aprontei na vida eu posso me livrar do inferno, do dito cujo, do chifrudo?

– Creio piamente que Deus vai perdoá-lo e o senhor não saberá o que é o inferno. Mas desde que se arrependa dos pecados, ja wohl?

Os modos afáveis e o sotaque de alemão do Padre conquistaram a simpatia de Seu Tertuliano, que àquela altura dos acontecimentos, já não tinha forças e tampouco argumentos para rebatê-lo. A visita inusitada e o fato de ter a certeza de que estava definhando relegou ao gaúcho um sentimento de conformismo.

Pois bem, seu Padre! Vô começá pelo fim, já que ele tá perto. Faiz uns dez dia que eu comprei uma égua nova do vizinho, pras lida campeira, sabe como é… Fui dar um banho na bicha lá na sanga e me veio umas comichão… mas a potranca não estava muito acostumbrada e me coiceou duas veiz! A primera foi bem na boca do estômago! E a outra foi direto nas peia… Dói até de lembrar!

O Padre não estava acreditando no que ouvia. Como poderia um homem idoso, com idade para ser seu pai, sodomizar um pobre espécime equino? Mas Seu Tertuliano continuava o fatídico relato.

– O tareco de mijar tá sem serventia… não presta prá nada! Despues, comecei a ter umas queimação no bucho e não consegui mais comer carne. De uns dias pra cá, ando mijando sangue…

– E porque o senhor não foi até o médico ou para um hospital? Deve estar com uma hemorragia interna!

– Tô com 86 anos na paleta e nunca fui ver dotor! E me orgulho disso! Todas as moléstia que tive eu curei com mel e cachaça! Ah… e às veiz eu colocava umas macela no mate, quando aziava o fíguedo…

Seu Tertuliano não conseguiu concluir a frase e começou a tossir como um tuberculoso. O Padre tinha certeza que seu Tertuliano estava morrendo, mas não se sente nem um pouco à vontade para lhe conceder a unção dos enfermos. Como um sacerdote correto, não podia suprimir expedientes eclesiásticos necessários, sob pena de ter de responder por violação de regra canônica à Cúria Metropolitana, como sói acontecer em casos análogos.

– Mas o senhor não deveria fazer essas maldades com os animais! Isso não é normal! Desde quando o senhor pratica bestialismo?

– Bestia o quê?

– Bestialismo… sexo com animais!

– Ah… a barranqueada! Isso eu faço desde que me conheço por gente, lá pelos 10, 11 anos. Comecei com galinha. Despues, fui pras cabrita. Quando o membro já estava desenvolvido, passei a cobri as vaca. As égua foi só depois que fiquei viúvo. Ah… e ovelha eu só pego no inverno…

– O seu caso é muito grave, Seu Tertuliano. Não sei se sua alma será salva!

– Diacho! Mas tu me prometeu! Não vá me despachá para o capeta! Agora eu quero meu lugar no céu!

Um certo clima de impasse se estabelece no recinto por alguns minutos. Sentindo que sua saúde era periclitante, Seu Tertuliano começa a cofiar o bigodão gris e pede ao Padre para lhe alcançar o palheiro.

– O senhor não poderia fumar! Está muito mal de saúde!

– Justamente! Vou fumá porque não me resta outra côsa! Me risca um frósfro e acende logo esse pito, hôme!

Seu Tertuliano dá algumas baforadas e mal consegue segurar o palheiro. O Padre espera pela continuação do enredo nefasto que possivelmente sairá da boca daquele sujeito que não merece a salvação.

– Teve uma veiz, seu Padre, que eu fui à um baile só de perneta! Era uma judiaria ver aquele monte de gente pulando que nem saci, mas me diverti barbaridade! Teve um outro causo lá em Tupanciretã que…

O Padre já nem ouvia com atenção os delírios daquele velho que se esparramava pela cama encardida. Seu Tertuliano divagava sobre rinhas de galo, brigas de adaga e conquistas amorosas, enquanto o vigário passava os olhos pelo quarto em busca de alguma informação. De toda a bagunça que havia, se ateve a um velho guarda-roupas sem portas, uma mesinha com uma bacia d’água, um bacamarte antigo pendurado em um tira de couro na parede e um quadro com um retrato do time do Internacional campeão gaúcho de 1961. Ao se aproximar para ler os nomes dos jogadores, ouviu um berro.

– Padre! Me traz a canha que tá lá na cozinha! Me deu uma sêde…

– Além de fumar, o senhor ainda quer beber álcool? No seu estado de saúde, deveria apenas ingerir água! E ainda não são nem oito horas da manhã!

– Arre! Tomá água faz criar sapo na barriga! Vai lá e busca de uma veiz a caninha, hôme de Deus! Se eu vou morrê, que seja o meu último trago!

Com a garrafa sem rótulo nas mãos, o clérigo derrama dentro de um copo uma pequena quantidade daquele líquido levemente amarelado. Com um misto de censura e estímulo no olhar, Seu Tertuliano faz o visitante encher o copo. O velho peão bebe a cachaça dum sorvo só, fazendo barulho e estalando os beiços ao final.

– Côsa fina… de primera qualidade! Me vê mais um!

– O senhor é dono dessas terras?

– Por supuesto! Comprei depois que ganhei uns pila na política. Côsa que muita gente sabe por aí… o vigário não sabia?

– Não! Sim! Bem, era só para ter certeza! O senhor não teve esposa… filhos?

– Óia… eu fui amigado com uma mestiça, a Honorina, mas isso faiz mais de 50 ano. Ela morreu ainda nova, sabe? Teve bexiga. Despues eu não quis mais sabê de mulé me incomodando. Filho eu não tive. Pelo menos que eu sei…

– E o senhor não pegou varíola também? Não ficou doente na época?

– Se fiquei, eu não sei. Com eu já le disse, sempre me tratei com mel e cachaça…

Julgando que aquele troglodita tivera mais sorte do que juízo na vida, o Padre continua a perguntar.

– E irmãos, o senhor teve?

– Não conheci nenhum. Meus pais eram mui pobres e fui criado pelo meu padrinho. Apanhava de vara de guanxuma e de relho todo o dia. Eu não tive nenhum contato com irmão. Não sei nome e nem se tá vivo…

– Então o senhor é sozinho no mundo?

– É… não que seje uma côsa que me dê orgulho, mas pelo menos pude fazê o que bem quis… prá quê filho? Hay gente demás no mundo!

Para o Padre, essa declaração de Seu Tertuliano foi como luz na escuridão. A ausência de herdeiros era uma informação que não havia cogitado. Nisso, os pensamentos impuros do pároco são interrompidos por uma sucessão de peidos estrepitosos, empesteando o ambiente. A flatulência do moribundo torna o Padre pouco paciente para prosseguir na oitiva de mais histórias escabrosas. Aquilo estava sendo uma insana sessão de tortura.

– Êita, Padre! Acho que acabei me cagando com essa peidança! Me limpa? Ali no ropero tem uns pano de prato!

– Claro que não! Estou aqui para ouvir sua confissão e lhe dar o sacramento! Não quero saber de imundícies!

– Buenas… se o vigário não se importá com o fedor…

O Padre abriu a janela e pôs o nariz para fora. Seu Tertuliano continuou contando histórias e os problemas que sofreu quando era abigeatário, praticando crimes nos dois lados da fronteira. Divagou por alguns minutos e concluiu que pouco importava se fosse dançar com o capeta, porque já havia conhecido o inferno, neste mundo mesmo. Pior não seria.

– Eu tenho de le dizer uma côsa: até que matei pôca gente nessa vida, Padre! Mas sempre em legítima defesa, quando fui segurança de baile ali em Quaraí… tinha índio metido a valente que foi pra faca! E despues, os polícia me aliviava e o juiz da comarca era frequentador da bailanta… entonces, estava tudo em casa!

– Se o senhor já foi julgado pela justiça dos homens, eu não me importo. Daqui a pouco será Deus quem vai julgá-lo!

Aquela sentença proferida pelo Padre deixou Seu Tertuliano ressabiado. Uma nova crise de tosse acometeu o moribundo. Então, pediu ao vigário que alcançasse o penico que estava embaixo da cama. O sacerdote se agachou e pegou pela alça o objeto de metal branco, que estava com mijo estagnado há dias. Seu Tertuliano aproxima o rosto do utensílio e escarra algo purulento. O Padre sente uma ânsia de vômito, mas se controla e defenestra todo o conteúdo pela janela.

– Seu Tertuliano, vou respirar um pouco lá fora…

– Vá tomar uma fresca! Porque aqui drentro a côsa tá feia!

O dia estava bonito lá fora e o Padre caminhou pela propriedade. Percebeu atrás da casa a existência de uma horta abandonada, mas com algumas verduras e legumes vicejando. Viu que havia um curral muito grande, com boas pastagens e uma sanga ao final da descida da coxilha, rodeada por árvores nativas. O vigário gostou bastante daquelas paragens e decidiu que chegara a hora de fazer aquilo que havia planejado. Entrou no quarto e o cheiro parecia ainda pior do que quando chegara. Teve de acordar o veterano, que roncava e respirava com dificuldade.

– Pelo que vi, Seu Tertuliano, sua lista de pecados em vida é muito grande! Sua penitência, caso fosse possível, seria rezar durante dias e noites… mas acho que o senhor não terá tempo para isso!

– E isso é novidade pra mim? Já le disse antes que não fui santo!

– Não vejo como o senhor conseguir seu lugar no céu e obter o perdão divino, a menos que tenha um ato de extrema bondade ainda em vida!

– Ocha! Mas o que eu posso fazê agora, deitado nesse catre, todo cagado…

– Seu Tertuliano, me diga uma coisa! Quero que seja sincero e responda sem pestanejar, até porque tempo é um luxo que o senhor não dispõe…

– Pois pregunte, hôme…

– Já que o senhor não tem herdeiros, suas terras vão ficar com o Estado, com o governo…

– Mas bah! Isso eu não quero!

– Nesse caso, o senhor não deixaria as suas terras para a Igreja?

– Hein?!

– Sim… para que possamos levar adiante projetos em benefício da comunidade, dos carentes? Diga… o senhor concederia essa dádiva para garantir à sua alma o descanso eterno, livre dos agouros das trevas?

Seu Tertuliano demora a responder, mas acaba concordando. Disse que, no fim das contas, se o dinheiro que ganhou para comprar o sítio não foi muito lícito, deveria mesmo era deixar para a caridade. Mas Seu Tertuliano ainda queria fazer um pedido. Uma última exigência para consolidar aquele pacto.

– Padre… vi que mesmo sendo um hôme à serviço da Santa Madre Igreja, o amigo também é… hôme! Ou não é?

– Sim. Sou homem. Por que a pergunta?

– É que… como é que os padre se controla? Não fazem nada? E como fica quando o membro fica mais duro que aspa de touro brasino?

– Eu não posso responder sobre essas coisas, Seu Tertuliano. Os clérigos devotam sua vida à Cristo e renunciamos à todas as tentações carnais. Todas! Tudo é uma questão de fé e de autocontrole!

– Arre! Pois agora é a sua veiz de confessá alguma côsa, Padre! E é melhor que diga algo bem danado, porque senão vô deixá tudo pros milico!

A chantagem imposta pelo esgualepado e nauseabundo Seu Tertuliano não estava entre as expectativas criadas pelo Padre. Ora, o safado queria ouvir dele uma confissão. E das boas. Sentindo que não conseguiria enrolar o velho, o Padre começou a contar uma história.

– Bom… quando eu era adolescente, com 12 ou 13 anos de idade, eu fiz algumas coisas que guris faziam no interior. Depois das brincadeiras normais, nós íamos ao mato para fazer uma espécie de troca de experiências, sabe?

– Sei, sei! A piazada fazia a meia! Rá rá rá! O senhor também fez a meia, hein Padre? Rá rá rá!

– Sim… mas eu não gostava de ser passivo!

– Sei, sei!

– Depois disso, eu nunca mais quis saber de coisas mundanas! Fui para o seminário e me livrei desses fantasmas!

– Mas e lá no tal seminário, Padre… não acontecia côsas parecida?

– Que eu saiba não! Eu só fiquei sabendo que havia circulação de revistas masculinas e que a masturbação era permitida, desde que o indivíduo se penitenciasse!

– A la fresca! Pelo menos vi um Padre confessando pecado! E logo pra mim, o maior pecador da paróquia! Rá rá rá! Já posso morrê em paz!

– Sei que o senhor não contará isso a ninguém…

– E se eu não morrê, Padre? Vai me matar estrangulado? Rá rá rá!!

– Seu Tertuliano, não diga aleivosias! Ninguém acreditaria nisso! Sou um sacerdote respeitável! Tenho conduta ilibada e minha consciência tranquila!

– Buenas, Padre… a Igreja pode ficar com essas terra! Não vou levá nada comigo para o além… mas como vamo punhá no papel isso agora?

Aliviado, o Padre pede licença ao fanfarrão que estava indo à óbito e sai da tapera. Pega o celular e liga para o tabelião da Comarca. Depois de duas horas, aparece o notário com uma máquina de escrever Olivetti. O Padre vai recebê-lo e conversam por cinco minutos antes de entrar na casa. Depois de acertados, o tabelião pergunta ao Seu Tertuliano.

– É isso que o senhor deseja? Deixar suas terras… à Igreja?

– Sim! É isso que eu prometi! Pro governo eu não quero deixá nada!

O tabelião lavra uma escritura de doação em vida da propriedade de Seu Tertuliano em favor de uma irmã “solteirona” do Padre. Àquela hora, já sem forças, Seu Tertuliano já não falava muito, nem respirava direito. Recebeu mais um copo de canha na boca e deixou o palheiro cair no chão. Segurou a caneta com dificuldade e assinou o documento sem conseguir ler, até porque não era muito afeito às letras.

Cumprindo com o prometido, o Padre administrou o sétimo sacramento ao já quase inerte Seu Tertuliano, fazendo a reza litúrgica e ungindo as mãos do enfermo. O notário se despede do Padre e ambos saem para a rua.

Passados alguns minutos, Seu Tertuliano tem a sensação de que está caminhando por um trigal dourado rumo à um pôr do sol brilhante. Avista muitos cavalos pastando em colinas verdejantes e figueiras imensas. Nessa caminhada, encontra Honorina, sua antiga companheira, e muitos outros que não via há tempos. Ele tenta chorar, mas não consegue. Tudo era perfeito.

O Padre volta para o quarto e se certifica que Seu Tertuliano não está mais vivo. Cerra os olhos do defunto, faz o sinal da cruz e sai da tapera, respirando o ar puro do entardecer. Depois de ligar para o serviço funerário mais próximo, começa a planejar mentalmente: precisa colocar abaixo aquele casebre, instalar cercas, construir uma casa adequada… Afinal, vai utilizar o sítio para os próximos retiros espirituais com os velhos colegas de seminário.

Do UOL Esporte
Em Porto Alegre
O Inter aposta numa nova e divertida forma de marketing para espalhar a paixão colorada por todo o mundo. Pelo segundo ano consecutivo, o clube gaúcho é o único brasileiro no famoso jogo de videogame Pro Evolution Soccer, também conhecido como Winning Eleven.
Reprodução

Inter espera que o game ajude o clube a conquistar mais torcedores jovens
Na última sexta-feira a empresa Konami fez o lançamento da versão 2008 da série, e mais uma vez os torcedores poderão disputar títulos com o atual elenco do técnico Abel Braga. A participação na edição anterior do jogo fez a fama mundial aumentar, e assim o clube acabou sendo convidado para participar da Dubai Cup, em janeiro, ao lado de Ajax-HOL, Internazionale-ITA e Stuttgart-ALE.”
O Winning Eleven pode fazer o Inter ser o segundo time de todo o brasileiro. A paixão dos jovens pelo jogo pode nos ajudar a alcançar os 100 mil sócios, que é nossa meta até abril de 2009″, comentou o vice de marketing, Jorge Avancini.
Ao conquistar a Dubai Cup, o clube renovou contrato com a Konami. O elenco de jogadores é o oficial, bem como o uniforme e seus respectivos patrocinadores. Pro Evolution Soccer surgiu em 1995, e a versão 2008 é compatível com os consoles Playstation 2 e 3, PSP, Xbox 360, Nintendo DS, Wii e PC.

Em breve…

Publicado: 09/01/2008 por Wolfarth em Ah é, é???, Não há o que não haja!, Tosco Futebol Clube

VEM AÍ O MAIOR POST SOBRE FUTEBOL JÁ PUBLICADO NESTE BLOG.

AGUARDEM…

escravidao.jpg

E muito. Depois que instituiram o ponto eletrônico, em 22/06/07, deu para ter uma noção do quanto se trabalha há mais – e sem receber um centavo de horas extras. Nem imaginava que fosse tanto. E eu que me preocupei no início, por causa de atrasos e coisas assim. A boa notícia é que, ao que parece, a partir do próximo mês estará tudo em seus devidos lugares, e vai ser possível dar mais atenção para o blog. Fique ligado.

Ei, Galvão, vai tomar no #!

Publicado: 30/07/2007 por Wolfarth em Ah é, é???

Após ser hostilizado por parte dos torcedores, na Arena Olímpica, neste domingo (29), durante a final masculina do basquete dos Jogos Pan-Americanos do Rio, o narrador Galvão Bueno, da TV Globo, contou com segurança reforçada. Durante a partida entre Brasil e Porto Rico, muitos espectadores presentes no ginásio participaram do coro com diferentes gritos ofensivos ao jornalista, mesmo sem motivo aparente.

Os que estavam mais próximos ao local onde se encontrava Galvão se exaltaram, levantando e gesticulando com os braços. Membros da Força Nacional precisaram se posicionar junto à grade que separava os torcedores da área de transmissão da TV. Os ex-jogadores Oscar e Hortência, que estavam ao lado de Galvão, foram homenageados com gritos dos torcedores. Os dois levantaram e agradeceram, enquanto Galvão, apenas aplaudia.

As informações são do jornal Folha de Londrina (PR).

Galvão Bueno, uma unanimidade nacional. Ninguém mais o quer…

A 1ª Turma do TRT da 4ª Região condenou a Companhia de Bebidas das Américas – Ambev ao pagamento de indenização de R$ 100 mil por danos morais a funcionário que sofria de alcoolismo e exercia a função de degustador, relacionando a moléstia à ocupação profissional. A sentença de primeiro grau fora de improcedência dos pedidos.

Em seu recurso, o trabalhador – que atuava na unidade da Ambev em Erechim (RS) alegou que a empresa não cumpria a obrigação de fornecer condições salutares de trabalho para impedir que fosse acometido da moléstia. Informou que, durante mais de uma década, ingeriu de 16 a 25 copos de cerveja em um turno de oito horas, cinco ou seis dias da semana, perfazendo um total de um litro e meio ao dia.

Soma-se a isso uma garrafa de cerveja, fornecida pela empresa a cada final de expediente diário, em razão de acordo mantido com o sindicato.

A AmBev é a maior indústria privada de bens de consumo do Brasil e a maior cervejaria da América Latina. Foi criada em 1º de julho de 1999, com a associação das cervejarias Brahma e Antarctica. Líder no mercado brasileiro de cervejas, está presente em 14 países. Com a aliança global firmada com a InBev, em 3 de março de 2004, a Companhia passou a ter operações na América do Norte com a incorporação da Labatt canandense.

Segundo o relator do processo no TRT-4, juiz José Felipe Ledur, a análise dos laudos médicos atesta que o empregado possui predisposição familiar ao alcoolismo e já era portador da síndrome de dependência do álcool quando passou a realizar a degustação de cerveja, ocorrendo a evolução da doença durante o período que realizou a atividade.

A dependência etílica se tornou mais grave nos últimos cinco anos, depois do autor ter iniciado a exercer a função de degustador, evidenciando-se por sintomas de irritabilidade, tremores nas mãos, taquicardia e persistência de igual consumo de bebidas alcoólicas durante as férias.

Diante dos fatos, os juízes da 1ª Turma do Tribunal consideraram que “a empresa teve conduta negligente uma vez que atribuiu ao empregado a função de degustador, apesar de sua condição de saúde, bem como não fiscalizou o consumo da bebida”. O julgado registrou que “propiciar uma garrafa de cerveja aos empregados no final do expediente constitui incentivo à persistência do vício, bem como à adesão de outros empregados ao consumo diário de cerveja”.O relator definiu como “reprovável essa prática, mais ainda considerando que decorre de acordo mantido com o sindicato da categoria profissional, o qual deveria zelar pela saúde dos empregados e não incentivar hábito propício ao alcoolismo, procedimento ofensivo à dignidade dos trabalhadores”. Em decorrência, foi determinada a expedição de ofício ao Ministério Público do Trabalho para ciência de tal situação.

Um juiz de Washington, nos EUA, está processando uma lavanderia por terem perdido a calça de um de seus muitos ternos. Na ação, que já dura dois anos, Roy L. Pearson Jr. quer que os proprietários da lavanderia paguem não menos do que US$ 65 milhões. O caso vai a julgamento no dia 11 de junho.De acordo com Chris Manning, o advogado da família que é dona da lavanderia, o caso desmoralizou seus clientes, imigrantes sul-coreanos que pensam seriamente em voltar para seu país. Por outro lado o caso ganhou notoriedade e algumas organizações pedem que a ação de Pearson seja considerada exagerada, improcedente e que o juiz perca seu cargo na Corte de Direito Administrativo de Washington.

Segundo informa o saite Terra, o caso começou em 2005 quando Pearson tornou-se juiz. Na ocasião, ele comprou diversos ternos para cumprir suas tarefas profissionais e passou a ser cliente da lavanderia Custom Cleaners. Semanas depois, a calça de um terno foi perdida. O magistrado pediu que os proprietários pagassem US$ 1000, o valor de um conjunto novo.

Dois dias depois, entretanto, a calça foi encontrada e a família Chung se recusou a pagar o valor pedido por Pearson. O juiz por sua vez alegou que a calça encontrada não era a sua e decidiu acionar a lavanderia legalmente.

O advogado Manning disse que, ao longo do processo, os proprietários ofereceram três acordos a Pearson, nos valores de US$ 3 mil, US$ 4,6 mil e então US$ 12 mil. Mas, não querendo voltar a utilizar os serviços da Custom Cleaners, o juiz não aceitou e chegou a pedir US$ 15 mil, mais o valor pelo aluguel de um carro durante dez anos para levar suas roupas a outra lavanderia.

O juiz Person chegou ao pretendido valor de US$ 65 milhões, depois de interpretar a lei de defesa do consumidor em Washington que impõe multas diárias de US$ 1500 por violação. Pearson contou 12 violações, multiplicou por 1.200 dias e triplicou o valor, afirmando que a ação apontava três réus (a pessoa jurídica da lavanderia e seus dois donos).

Grande parte dos argumentos de Pearson está em duas placas que a Custom Cleaners tinha em sua parede e que diziam: “satisfação garantida” e “entregamos no mesmo dia”.O juiz afirma que as placas indicam atividade fraudulenta por parte da lavanderia.

Ranking IFFHS

Publicado: 02/05/2007 por Wolfarth em Ah é, é???, Tosco Futebol Clube

No mês de maio de 2007, o Inter caiu 5 posições no ranking e foi parar no 14º lugar. Ainda está bom, mas estamos em franca decadência, motivada pela ausência de partidas internacionais e nacionais. Os bananas estão crescendo na parada e já são 66º colocados. Espero que este seja o limite deles, porque do contrário significaria classificações para fases decisivas da Libertadores.

classificação atual (mês anterior) – clube – país/peso – pontuação

1. (1.) Sevilla España/4 277,0
2. (7.) Manchester United England/4 270,0
3. (11.) Chelsea England/4 267,0
4. (4.) Colo Colo Chile/3 259,5
5. (5.) Milan Italia/4 247,0
6. (2.) Internazionale Italia/4 241,0
7. (8.) Liverpool England/4 233,0
8. (11.) Roma Italia/4 222,0
9. (6.) Newcastle United England/4 221,0
10. (13.) São Paulo Brasil/4 218,0

(14.) Santos Brasil/4 218,0
12. (16.) Espanyol España/4 215,0

(3.) Barcelona España/4 215,0
14. (9.) Inter Brasil/4 211,0
15. (31.) Osasuna España/4 209,0
16. (18.) Ajax Nederland/3 203,0

(26.) Werder Bremen Deutschland/4 203,0
18. (19.) Tottenham Hotspur England/4 202,0
19. (25.) AZ Alkmaar Nederland/3 200,5
20. (15.) Libertad Paraguay/3 199,5
21. (9.) Arsenal England/4 199,0
22. (21.) Deportes Tolima Colombia/3 186,0
23. (32.) Boca Juniors Argentina/4 185,0
24. (22.) Al-Ahly Egypt/2 184,5
25. (24.) Lyon France/4 183,0
26. (39.) Flamengo Brasil/4 181,0

(35.) Nacional Uruguay/3 181,0
28. (42.) Pachuca México/3 180,5

(20.) Rapid Bucuresti România/2 180,5
30. (29.) Valencia España/4 178,0
31. (38.) Dinamo Bucuresti România/2 176,5
32. (37.) Blackburn Rovers England/4 174,0
33. (33.) Lens France/4 168,0
34. (34.) Glasgow Rangers Scotland/3 167,5
35. (28.) Fenerbahce Türkiye/3 167,0
36. (27.) Vélez Sarsfield Argentina/4 166,0

(36.) Shakhtar Donetsk Ukraina/3 166,0
38. (23.) Bayern München Deutschland/4 164,0
39. (42.) Real Madrid España/4 162,0
40. (45.) Celtic Scotland/3 161,5
41. (17.) Paris Saint-Germain France/4 161,0
42. (30.) Olympique Marseille France/4 160,0
43. (55.) Etoile Sportive du Sahel Tunisie/2 158,5
44. (68.) Toluca México/3 158,0
45. (41.) CSKA Moskva Russia/3 157,0

(67.) América México/3 157,0
47. (49.) Benfica Portugal/3 156,5
48. (44.) PSV Eindhoven Nederland/3 156,0
49. (53.) Auxerre France/4 155,0

(49.) Spartak Moskva Russia/3 155,0

Os 20 clubes participantes da Série A do Brasileirão 2007:

Libertadores – EstadualInter

Libertadores – Estadual — Grêmio

Copa do Brasil – Estadual — Juventude

Copa do Brasil – Estadual — Figueirense

Libertadores – Estadual — Paraná

Copa do Brasil – Estadual — Atlético PR

Copa do Brasil – Estadual — Goiás

Copa do Brasil – Estadual — América RN

Copa do Brasil – Estadual — Sport

Copa do Brasil – Estadual — Náutico

Copa do Brasil – Estadual — Cruzeiro

Copa do Brasil – Estadual — Atlético MG

Copa do Brasil – Estadual — Botafogo

Libertadores – Estadual — Flamengo

Copa do Brasil – Estadual — Fluminense

Copa do BrasilEstadual — Vasco

Libertadores – Estadual — São Paulo

Libertadores – Estadual — Santos

Copa do Brasil – Estadual — Corinthians

Copa do BrasilEstadual — Palmeiras

I – 1 clube (5%) foi campeão até o presente momento: Sport (Campeão Pernambucano).

II – 2 clubes (10%) foram eliminados em ambas as competições: Vasco e Palmeiras.

III – 5 clubes (25%) foram eliminados da Copa do Brasil: Juventude, Goiás, América RN, Vasco e Palmeiras.

IV – 6 clubes (30%) foram eliminados dos Estaduais: Inter, Náutico, Fluminense, Vasco, Corinthians e Palmeiras.

V – 6 clubes (100%) ainda têm chances de conquistar a Libertadores.

VI – 9 clubes (45%) ainda têm chances de conquistar a Copa do Brasil.

VII – 11 clubes (55%) ainda têm chances de conquistar ambas as competições.

 

 

Mais 10 constatações:

 

– Dos 9 clubes já eliminados em pelo menos uma das competições, 3 já defenestraram treinadores: Vasco, Fluminense e Corinthians…

– É fato notório que manter treinador traz bons resultados para o clube à médio e longo prazo…

– Se Abel sair do Inter, é bom não esperarmos grandes resultados no Brasileirão (classificação para a Libertadores de 2008)…

– O Inter é o único brasileiro na Libertadores já eliminado do Estadual…

– Em caso de eliminação na semana que vem, a tendência é a de que o Inter seja o único brasileiro fora das fases finais da Libertadores…

– Se restarmos eliminados da Libertadores, um desmanche no grupo de jogadores traria mais resultados do que a demissão do Abel…

– Apesar de pleitear o “Fora Abel”, começo a acreditar que a saída dele não resolverá nem 30% dos problemas do Inter

– Precisaríamos, também, outro vice de futebol pois Giovanni Luigi é “oculto”…

– Os atletas do Inter atingiram o objetivo máximo em 2006 e deveriam ser contratados novos jogadores que disputem os jogos “por um prato de comida”…

– Creio que o nosso “ano futebolístico de 2007” esteja definitivamente perdido. O que poderia atenuar o nosso sofrimento seria a eliminação do Grêmio na Libertadores e uma má participação deles no Brasileirão. Voltamos ao passado…

Por Felipe Wolfarth

 

Tudo o que se sucederá com o mundo em algumas décadas ainda é incerto. Mas as previsões sobre o clima do futuro remetem à conclusões nefastas.

 

Como todos sabem, o planeta está sendo aquecido de forma gradativa pela ação humana, por meio da queima de combustíveis fósseis e até por arrotos bovinos (acreditem!).

Esse aquecimento já pode ser observado pela análise do gelo nos pólos e na Groenlândia, principalmente o degelo do pólo norte, sob o qual situa-se o Oceano Glacial Ártico. Naquelas paragens o derretimento das glaciações está acelerado, sendo inevitável o desmantelamento da calota polar original.

Entre 2055 e 2080, a Terra será bem diferente. E o degelo do Ártico será a principal causa da confusão climática que existirá.

O descongelamento do ártico fará com que milhões de metros cúbicos de água doce gelada sejam escorridos para o Oceano Atlântico, resultando em uma brusca diminuição de sua temperatura.

Pelo Oceano Atlântico circulam correntes marinhas que regulam a temperatura da água e, por conseguinte, interferem no clima em praticamente todos os quadrantes do globo terrestre. As correntes marinhas quentes provenientes do Atlântico Sul são responsáveis pelo aquecimento das águas do Atlântico Norte, o que torna possível amenizar o clima predominantemente frio daquele hemisfério.

No momento em que a quantidade de água gelada oriunda do degelo do ártico superar a capacidade de aquecimento das correntes marinhas do sul, esta água gelada (mais densa) irá descer à uma profundidade razoável e impedirá a livre circulação da corrente quente vinda do sul, ou seja: as águas do Atlântico norte ficarão permanentemente geladas.

Com esse súbito resfriamento, sobrevirão alterações climáticas significativas no hemisfério norte, dentre elas a diminuição drástica das temperaturas na costa leste dos EUA e do Canadá, além de todo o continente europeu, incluindo a Rússia. Nesses lugares os invernos, por regra, já são rigorosos. Com o degelo do ártico, haverá inverno praticamente o ano todo, em uma reedição da última era glacial. Na Europa, por exemplo, a circulação das massas de ar quente vindas da África será ineficaz, impossibilitando a agricultura e a pecuária em escala comercial. Quem já assistiu ao filme “O Dia Depois de Amanhã” consegue imaginar o cenário. Claro que a obra fictícia é exagerada, sendo voltada mais para o público norte-americano. Porém, a idéia dos produtores do filme foi antecipar os efeitos das catástrofes ambientais.

Mas os reflexos não param por aí. Como o meio ambiente é indivisível, funcionando em ciclos, outras latitudes serão afetadas em um “efeito dominó”. Como resultado do resfriamento do Atlântico Norte, as correntes do sul não circularão mais ao norte, limitando-se ao Mar do Caribe e ao Golfo do México. Essa mudança trará efeitos imprevisíveis para o litoral sul dos EUA, América Central e Caribe. Os furacões e tufões, muito freqüentes no verão, serão comuns em todo o ano. Viver naqueles lugares será pior do que viver hoje no Iraque. As imediações do Caribe viverão um eterno pesadelo.

E mais. Com a alteração das correntes marinhas atlânticas, o Oceano Pacífico ficará mais quente do que atualmente, fazendo do fenômeno “El Niño” um fato corriqueiro na costa oeste da América. É possível que até comece a chover no litoral do Peru e do Chile (o que seria positivo), mas os furacões e tufões, que jamais foram vistos no litoral da California, começarão a surgir e certamente acabarão com Los Angeles e com a american way of life.

As mudanças na pressão atmosférica tanto na costa leste quanto na costa oeste dos EUA criará um sistema impeditivo de frentes úmidas para o interior do país, resultando na desertificação de áreas agrícolas do “celeiro” da América. A escassez de terras aráveis nos EUA gerarão um colapso no sistema produtivo do país, tornando-o um importador de produtos primários.

Além disso, a África ficará mais quente e mais seca. Os ecossistemas do continente africano, a rica fauna e as florestas equatoriais serão aniquiladas. A África sofrerá ainda mais com a postura “isolacionista” do restante do mundo e morrerá aos poucos, vitimada pela fome, pelas doenças e pelas guerras.

Na Ásia, especialmente na China e Índia, serão freqüentes os tufões e inundações, matando milhões de pessoas nos populosos países da região. Algumas ilhas do Oceano Índico e do Oceano Pacífico sumirão do mapa e terão de ser abandonadas pelos habitantes. A Austrália sofrerá com estiagens. Alguns países deixarão de existir e problemas políticos dessa ordem serão o estopim de inúmeras guerras.

O aumento no nível dos mares já está ocorrendo e isso é perceptível. Em algumas praias já não há mais espaço de areia. A linha de preamar começa a avançar rumo ao continente. No Brasil as cidades costeiras sofrerão alterações em suas geografias.

Especificamente em relação à natureza, um terço das espécies (tanto da fauna quanto da flora) desaparecerão. Qualquer alteração na temperatura ou no regime de chuvas em determinadas regiões será suficiente para extinguir os seres vivos que se formaram em determinados habitats. O complexo ecossistema da floresta amazônica jamais será restabelecido.

As campanhas para reversão do quadro que se apresentará serão infrutíferas. À medida que as tentativas de preservação e mobilização dos homens crescerá em ritmo aritmético, a devastação e as ocorrências nefastas avançarão em progressão geométrica.

Com a escassez de água potável, no futuro haverá a necessidade de dessalinizar a água do mar em algumas regiões, principalmente no Oriente Médio e na África. Acredita-se, inclusive, que serão criadas tecnologias para utilização da água salgada como combustível, pois será uma forma de reverter o fenômeno das cheias em algumas regiões.

Com o aumento do nível dos oceanos, os imóveis à beira-mar serão “apropriados” pelas águas e haverá uma valorização dos imóveis situados em locais 200m acima do nível do mar. Nos próximos 20 a 30 anos quem possuir imóvel nas regiões costeiras terá prejuízos se não vendê-los a tempo.

Felizmente, o Brasil (em especial as regiões sul e sudeste) não sofrerá tanto com as drásticas seqüelas pelo cenário vindouro. Entretanto, a Amazônia desaparecerá aos poucos, com a escassez de chuvas, tornando-se um imenso cerrado. Será possível cultivar em larga escala por lá, mas somente culturas de clima mais seco. O Nordeste, que já é seco, será transformado em deserto.

A princípio, o sul do Brasil terá um clima mais tórrido no verão, com muito mais chuvas do que a média atual. Inundações no litoral e nas regiões baixas ao redor da Lagoa dos Patos serão inevitáveis em virtude da elevação do nível dos mares. Apesar disso, nossos pagos serão lugares ainda habitáveis e, por via de conseqüência, muitas pessoas (inclusive oriundas EUA e Europa) migrarão para cá para fugir do clima inóspito do hemisfério norte.

Inicialmente, o Brasil tenderá a aceitar alguns dos imigrantes, mas terá de conter as invasões dos estrangeiros, tal como os EUA procedem hoje. Em 2070, não haverá espaço gratuito para estrangeiros no nosso privilegiado país.

As doenças tropicais serão comuns na região sul do Brasil devido ao clima quente e úmido. Regiões como a Serra e Planalto Gaúchos terão superpopulação. A saída será o investimento em infra-estrutura, biotecnologia e agricultura de alta produtividade.

E o pior é que, mantidas as taxas de natalidade, em 2080 o planeta terá uma população entre 9 e 10 bilhões de habitantes. Porém, somente haverá locais habitáveis, alimento e água para 2 bilhões de pessoas. Será obrigatória a redução da população da Terra, nem que seja “na marra”. Com isso, é fácil imaginar o que acontecerá.

As nações pujantes formarão exércitos para tentar ocupar regiões mais aprazíveis. Poucos ecossistemas permanecerão incólumes ao cataclismo global. Planaltos de clima temperado na Ásia, América do Sul e a Nova Zelândia, são alguns exemplos de “paraísos” no futuro.

A luta será somente pela sobrevivência. Países que não sofrerão tanto com as catástrofes naturais, como o Brasil, serão os mais visados pelos demais. Nações outrora poderosas, como as européias e os EUA, entrarão em franco declínio, motivado pelo inverno permanente que receberão como herança. Honestamente, trata-se apenas do alto preço que pagarão por usufruírem de forma desmedida dos recursos naturais do planeta por mais de 500 anos.

A formação de exércitos e arsenais será necessária. Imagina-se que as batalhas travadas serão um pouco diferentes do modelo utilizado hoje. Como o objetivo será o extermínio de uma população para posterior colonização do local, as armas de destruição em massa serão evitadas para que não haja a devastação da região que se pretende ocupar futuramente. As pugnas serão, provavelmente, travadas em terra, por milícias. Também serão comuns as batalhas navais, semelhantes às ocorridas até a 1ª Guerra Mundial.

É custoso acreditar que o nosso país esteja capacitado para defender-se à contento das investidas estrangeiras. Só haverá tempo para construir uma solidez nacional em termos estruturais e econômicos com uma visão estratégica e preventiva dos acontecimentos globais.

 

Acredito que eu não esteja sozinho neste pensamento preventivo.

Registro que tudo isso não é fruto de uma imaginação demente, nem de alguém tentando ser “pitonisa” e tampouco um novo Nostradamus. Os cientistas e pesquisadores já estão certos dos eventos que virão. Especialistas em geopolítica não têm dúvidas sobre os efeitos gerados e relacionados ao clima do futuro próximo.

Claro que algumas das ponderações colocadas foram pessoais, baseadas no precário conhecimento do articulista sobre o assunto, mas todas são providas de lógica. Talvez não seja o fim dos tempos, o apocalipse. Mas o planeta Terra não será mais o mesmo. Definitivamente.

Enfim, há somente uma certeza. Diante de tudo isso, o Brasil terá de estar preparado para ser uma potência em 50 anos, nem que seja pelo demérito ou infortúnio dos outros. Oxalá tenhamos líderes proeminentes no futuro que consigam manter nossa nação soberana.

Como já previam os antigos, pode ser que o Brasil seja o país do futuro.

Pena que eu não estarei mais por aqui para presenciar o espetáculo.

Momento curiosidade inútil…

Publicado: 30/03/2007 por Wolfarth em Ah é, é???, Tosco Futebol Clube

Consultando meus arquivos acerca do tema, encontrei os seguintes números do Inter em jogos no Beira-Rio (até 30/03/2007):

1.250 partidas disputadas

796 vitórias

308 empates

146 derrotas

Conclusão: considerando 3 pontos por vitória e 1 ponto por empate, o aproveitamento histórico do Inter no Beira-Rio é de 71,89%.

Projeção futura: esse aproveitamento tende a ser reduzido gradativamente.

Batendo uma bolinha

Publicado: 02/02/2007 por BigDog em Ah é, é???, Não há o que não haja!

Do Notícias Populares

Mulher pede teste de paternidade a seis jogadores:
Uma jovem italiana de Merano, na província de Bolzano, pediu que seis jogadores do time de futebol local sejam submetidos a um teste de paternidade para saber qual deles é o pai de seu filho recém-nascido, informou hoje um jornal local. A mulher, cuja identidade e idade não foram divulgadas, trabalha como garçonete num dos bares da cidade. Segundo a publicação, mesmo sem ter uma relação fixa, ela achou necessário que o pai soubesse que tinha tido um filho. O problema era não lembrar bem com quem podia haver concebido a criança. Por isso, ela pediu testes de paternidade a dez pessoas, entre elas os jogadores. Completam a lista dois vereadores e um conhecido empresário local. O caso criou grande expectativa na pequena cidade, de 35.000 habitantes, e alguns já fazem apostas sobre quem será o pai.

Não sei não, mas estou achando que este golaço ninguém vai querer assumir. E uma coisa é certa: se tem político envolvido na história, sou capaz de apostar que algum deles é o responsável.

Uma justa homenagem

Publicado: 26/01/2007 por BigDog em Ah é, é???, Cultura nunca é demais!

Imagine o cenário: 37º C lá fora, sexta-feira, 18 horas. Apesar do horário, o sol está a pino, com uma intensidade absurdamente maior do que seria esperada. Não há uma única corrente de vento para refrescar. Você está no trabalho, preparando-se para ir para casa e, de repente, se dá conta de que o caminho até o estacionamento, ou até a parada de seu transporte, será simplesmente um suplício. Fosse inverno você nem hesitaria: pegaria suas coisas e iria correndo para casa, tomar um banho, comer uma sopa bem quente e deitar embaixo dos cobertores lendo ou vendo um filme. Mas no verão, a simples lembrança do estupefaciante calor no trajeto desanima e dá uma vontade danada de trabalhar mais um pouco. Mesmo sendo sexta-feira, mesmo já tendo passado o horário. Neste processo, você nem lembra de agradecer a Mr. Willis Carrier, muito provavelmente nem sabe quem foi ele. Pois eu lhe digo: Willis Carrier inventou o ar condicionado. Isto mesmo, este engenheiro esquecido por virtualmente todo mundo é o responsável pela nossa sobrevivência no verão e, em muitos casos, também no inverno, além de diversas outras aplicações, desde a melhoria do processo industrial até a sobrevivência de bebês prematuros.

Prestando uma singela homenagem, transcrevo parte da biografia de Carrier, disponível no site da empresa que ele fundou, a Springer Carrier:

Em 1902, o jovem engenheiro norte-americano Willys Carrier inventou um processo mecânico para condicionar o ar, tornando realidade o controle do clima. Sua invenção viria a ajudar a indústria. Uma empresa de Nova York estava tendo problemas com trabalhos de impressão durante os quentes meses de verão. 0 papel absorvia a umidade do ar e se dilatava. As cores impressas em dias úmidos nãÆo se alinhavam, gerando imagens borradas e obscuras. Carrier acreditava que poderia retirar a umidade da fábrica através do resfriamento do ar. Para isto, desenhou uma màquina que fazia circular o ar por dutos resfriados artificialmente. Este processo, que controlava a temperatura e umidade, foi o primeiro exemplo de condicionamento de ar por um processo mecânico. Porém, foi a indústria têxtil o primeiro grande mercado para o condicionador de ar, que logo passou a ser usado em diversos prédios e instalações de indústrias de papel, produtos farmacêuticos, tabaco e estabelecimentos comerciais. A primeira aplicação residencial foi em uma mansão de Minneapolis, em 1914. Carrier desenhou um equipamento especial para residências, maior e mais simples do que os condicionadores de hoje em dia. No mesmo ano, Carrier instalou o primeiro condicionador de ar hospitalar, no Allegheny General Hospital de Pittsburgh. 0 sistema introduzia umidade extra em um berçario de partos prematuros, ajudando a reduzir a mortalidade causada pela desidratação.

Apesar de não ser um santo, acho que Mr. Carrier deveria ser declarado padroeiro oficial de Porto Alegre, e o dia de seu nascimento, 26 de novembro, declarado feriado oficial.