DESDOBRAMENTOS – parte 2

Publicado: 24/07/2009 por Crânio em Um muito sobre nada...
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Entre as várias características e peculiaridades da fórmula 1, uma que chama a atenção é a capacidade de sobrevivência em meio a crises e, mais interessante ainda, a capacidade de criar e antecipar tendências.

Na década de 50, uma década após a 2 guerra mundial, na falta de competidores e grana para tocar a competição, os grids de fórmula 1 foram preenchidos com carros de fórmula 2 (que equivaleriam aos atuas GP2). Como a coisa não melhorou, reduziram a capacidade dos motores e, os carros de fórmula 2 passaram a ser fórmula 1. E o grid encheu.

Esta era uma época de reconstrução, e os carros que enchiam as ruas eram de baixa cilindrada, simples, econômicos. A fórmula 1 adaptou-se ao momento.

No final da década de 60, já em pleno crescimento após a guerra, a fórmula 1 alterou o regulamento e duplicou a capacidade dos motores passando de 1,6 litros para 3,0 litros, criando mais emoção nas corridas (e mortes também). No cenário econômico, a população européia já estava devidamente motorizada com Fuscas, Fiats 500, Mini Morris e outros mini carros. Começaram então a investir em carros de maior cilindrada, esportivos. O objeto de desejo não era mais o carro, e sim o carro mais potente. A fórmula 1 acompanhou a tendência.

Nos anos 70, a fórmula 1 viveu a fase das experiências em desenho aerodinâmico. Carros com desenho em cunha, facilitando o fluxo do ar e ganhando em estabilidade. Na vida real, com a crise do petróleo, as montadoras passaram a desenhar seus carros visando à economia de combustível, e utilizaram vários conceitos e estudos da fórmula 1.

Década de 80. Carros de F1 mais curvos e simples…automóveis passam a adotar linhas curvas.

Década de 90. Carros de F1 com maior tecnologia embarcada…logo chegando aos carros de rua.

2000. Carros de F1 com muita preocupação em segurança. Carros de rua acompanham e tem seus desenhos visando máxima segurança dos ocupantes (observem em carros de fórmula 1 do início da década de 90 e atuais a distância do piloto até a extremidade dianteira do carro. Observem o mesmo nos carros da década de 90 e atuais; isto é muito importante para a segurança dos ocupantes do veículo: quanto maior à distância, teoricamente mais seguro).

Agora a fórmula 1 se debate em brigas e discussões para reduzir custos. Começaram reduzindo tecnologia embarcada, simplificando desenho aerodinâmico dos carros, padronizando itens complexos e caros.

Em 2009, todas as equipes apresentaram seus carros de forma simples, diretamente nos autódromos. Nada de salões com luzes estroboscópicas, caviar, champanhe.

E acompanhando este movimento, muitas montadoras desistiram de participar de salões de automóvel mundo afora.

Mas a briga continua e a idéia é reduzir custos. A FIA quer simplificar mais ainda os bólidos de F1, barateá-los, padronizá-los. Será quase um F1-tubaína.

…e o Tata Nano está chegando aí.

…enquanto isso, Renault e Bajaj (empresa indiana) já estão nos detalhes finais de seu carro ULC (ultra low cost ou muito pé-de-boi).

Se a F1 está novamente antecipando tendências, acho que o mundo ficará mais simples. E talvez mais barato.

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