Arquivo da categoria ‘Ler é uma perca de tempo’

Passada a celeuma sobre a questão do ENEM envolvendo o texto de Simone de Beauvoir, resolvi parar um minuto para pensar sobre o assunto, depois de ter ignorado solenemente as manifestações doentias que li por aí. O parágrafo, textualmente, diz o seguinte:

“Niguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

Se me permitem a imensa falta de modéstia, apenas lendo o excerto do texto, entendi perfeitamente que ele versa sobre o feminismo. Intui, inclusive, que a expressão “ninguém nasce mulher” se refere à definição da mulher na sociedade, ao papel que esta irá assumir perante os outros, e não à orientação sexual da “fêmea humana”, na definição da própria autora. Consegui, de forma completamente independente, ler o texto de forma isenta e verificar sobre o que ele versa, retirando o sentido que a autora pretendeu dar. Sou inteligente por demais, não?

NÃO!!!

Somente duas condições podem impedir que a pessoa extraia do texto acima transcrito seu exato sentido:

  1. Analfabetismo funcional, aquela condição tão comum na sociedade brasileira, que se caracateriza justamente pela inabilidade de, apesar de formar corretamente as palavras mediante sua leitura, formar uma seqüência lógica e racional a partir de qualquer manifestação escrita; e,
  2. Completa desonestidade intelectual, enfatizando uma figura de linguagem utilizada para embasar um discurso prévio de intolerância e radicalismo.

Infelizmente, há inúmeras pessoas que se enquadram na primeira hipótese, o que depõe negativamente acerca do sistema educacional brasileiro. Se uma pessoa prestes a ingressar na faculdade não conseguir, por seus próprios meios, intepretar um texto tão singelo, certamente estaremos diante de um déficit de preparação e aprendizado que, com todo o respeito, dificilmente pode ser corrigido em algum ponto.

Mas o mais preocupante são aqueles que se enquadram na segunda hipótese. Nestes, incluem-se, sem qualquer sombra de dúvidas, figuras execráveis da vida pública nacional, tais como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (se bem que quanto a este último tenho lá minhas dúvidas). O que fazem estes cidadãos é, basicamente, emprestar uma interpretação absolutamente distorcida do enunciado da questão antes transcrita, professando que esta demonstra claramente uma tendência dos órgãos estatais encarregados da educação de crianças e jovens a seguir o que eles mesmos denominam de “ideologia de gênero” ou “gayzismo”, que seriam ferramentas do Estado comprometer a “família tradicional” e, como última conseqüência, estabelecer uma ditadura comunista/socialista. Fazem isto, evidentemente, contando que a grande massa de funcionalmente analfabetos, repetirão “ad nauseaum” estes argumentos torpes e sentirão temor ou descontentamento com as políticas educacionais, pendendo a, para evitar a tal ditatura, entregarem seus votos e darem muito dinheiro aos envolvidos.

E este quadro, por si só, é preocupante. QUALQUER das duas hipóteses que enumero aponta, fatalmente, para um quadro sombrio no futuro da nação. Ou nos tornaremos uma nação de deficientes intelectuais, sobrevivendo com dificuldades aos desafios que o avanço das ciências e da tecnologia nos imporão, ou seremos todos pessoas arrogantemente tendenciosas a interpretar qualquer idéia divergente das pré-estabelecidas com base em preconceitos e irracionalidades, o que dá quase no mesmo.

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Há cerca de duas semanas atrás, estava eu a ler os “classificados” do jornal ZH de domingo. Depois de procurar algo na seção de vagas oferecidas (sim, estou procurando algo melhor, por mais que 99% das pessoas achem que onde estou é muito bom), resolvi olhar a seçao de negócios e oportunidades. É o local do classificados onde se negociam empresas -lojas, indústrias, serviços. Como tenho um interesse especial por reciclagem de plástico, fui direto a seção negócios-indústria. Ali um anúncio que me chamou atenção; dizia o seguinte:

– Vendo empresa de reciclagem completa, extrusora, moinho, aglutinador. Com clientes e fornecedores. Motivo: passei em concurso público.

!!!

Sempre se pensou em que o empresariamento seria o ápice da carreira profissional, mas as dificuldades e o retorno inerentes a atividade empresarial são inferiores ao setor público, ainda mais se esta noticia se tornar verdadeira:

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovaram hoje uma proposta de revisão dos salários dos servidores do Poder Judiciário que pode representar um aumento real de 80,17% nos contracheques dos funcionários.
Pela proposta, um analista em início de carreira, que hoje ganha R$ 6.551,52, passará a receber R$ 11.803,66. Os que já estão no final da carreira terão seus salários reajustados de R$ 10.436,12 para R$ 18.802,40. O menor salário, de auxiliar em início de carreira, subirá de R$ 1.988,19 para R$ 3.582,06. Os valores foram divulgados na Internet pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus DF).
A proposta ainda precisa passar pelo crivo dos ministros do STF, que se reunirão no próximo dia 15 em sessão administrativa para avaliá-la. Em seguida, o projeto terá de ser encaminhado ao Congresso Nacional para votação. (site estadão 8/10/09).

Aí entendi melhor porque o dito cidadão está tentando repassar sua empresa. Em vez de só pagar impostos, chegou o momento de aproveitar um pouco destes.

Nada contra os vogons, mas algo está desequilibrado…

Hoje o mundo é muito pequeno. Aquele velho bordão “eta mundão véio sem porteira” poderia ser trocado para “eta mundinho véio sem porteira”. Realmente, não existem mais porteiras; o sistema de comunicação atual possibilita estarmos em vários locais ao mesmo tempo, interagindo com pessoas dos mais diversos locais, compreendendo suas culturas e modos de vida. E o mundo ficou pequeno; a China está a um click, o Nepal está em detalhes no Google Earth, o Botsuana também! E os meios de transporte são razoavelmente rápidos e seguros para, caso você tenha dinheiro suficiente, levá-los a conhecer in loco tudo isto, e não apenas nas janelas do Windows (trocadilho infame).

Mas tentaremos imaginar o mundo ocidental do século XIII…

O mundo era plano…

Existiam dragões e outros seres ruinzinhos no final do plano mundo (mundo plano deve ser chato..outro trocadilho). Não existiam cursos de línguas, não existiam sistemas de transportes confiáveis ou rápidos e principalmente: não se sabia quem estava além do horizonte! Os povos tinham pouco contato; os obstáculos naturais -grandes rios, lagos, mares, cadeias montanhosas- eram os limites entre povos que muitas vezes, nem chegavam a se conhecer. Com estas limitações, desenvolviam-se de formas muitas vezes bastante diferentes, costumes diferentes, línguas certamente diferentes. As limitações não eram só de ordem técnica (transporte), também existiam as limitações dogmáticas culturais devido as imposições culturais católicas.

Mas eis que um cara, sim ele foi ou ainda é o cara, resolve desbravar este mundo. Nicola Polo, comerciante de Veneza, e seu primo Mafeo, saem em busca da terra de Cipang e outros lugares míticos, que se ouviam falar nos contatos com os povos do Oriente Médio. Saem em busca de riquezas (sim, um dos motores da evolução e combustível das descobertas: dinheiro…valor único?!?) e as encontram. Não só na forma de especiarias, ouro e prata. Encontram sociedades com organização muito avançada em relação aos ocidentais, industrias, sistemas comerciais, tecnologia. Também se deparam com povos mais primitivos e muitos perigos. Mas conseguem realizar um trabalho formidável de relações públicas, servindo como embaixadores voluntários do ocidente, que acabam conseguindo retornar ao ocidente após nove anos de viagens e descobertas neste novo mundo. Êita espírito empreendedor!

Em 1271 Nicola e Mafeo retornam ao ocidente, para relatar as suas descobertas e tentar, junto ao Vaticano (??!!) apoio para nova viagem. Nicola aproveita e leva seu filho Marco (este também é o cara) nesta nova viagem ao oriente.

Marco Polo acabou mais notabilizado que seu pai e seu tio pois relatou esta fantástica viagem no “Livro das Maravilhas”, escrito enquanto estava na prisão, e de inegável valor para o ocidente. É difícil imaginar como este trio de loucos e diferentes ocidentais ganharam a confiança de Kublai Can, grande guerreiro e imperador Mongol (que dominava todo o leste e sul da Ásia nesta época). Marco inclusive foi nomeado embaixador do Grã Cã em uma das províncias. Normalmente este era um cargo dos filhos do Grã Cã, mas Marco Polo também conseguiu este feito!

Só para ilustrar os ganhos desta viagem para o ocidente, lá os Polo tiveram contato com o papel moeda, a pólvora, as industrias de seda, o carvão mineral, tecnologia naval de ponta (as naus orientais desta época eram 5 vezes maiores que as naus dos descobridores ibéricos…dois séculos após!).

Muitas vezes, a forma de entrar em contato com os povos era na forma de guerras e poder para subjugá-los. Nicola, Mafeo e Marco Polo atuaram de forma totalmente diferente. Levaram a fé cristã sem a espada, trouxeram tecnologia e riquezas sem derramar sangue, aprenderam novas idéias e plantaram as primeiras sementes do renascimento na Europa. Certamente os relatos da aventura e das descobertas dos Polo levaram um sopro de imaginação produtiva e criativa para um ocidente absorto em dogmas religiosos e travado em suas aspirações de evolução.

Eu acredito que o renascimento começou desta louca aventura. Mas pouco fala-se dos Polo nas aulas de história.

E se você tem pretensões de igualar o que os Polo trouxeram para a humanidade em sua época, monte uma nave espacial no fundo do seu quintal e saia pelo espaço a desbravar novos povos e novas culturas. Mas volte para nos relatar!

Super(des)interessante

Publicado: 11/04/2008 por BigDog em Ler é uma perca de tempo

Vou ter de dar a mão à palmatória: a Superinteressante está cada vez pior. Nem tanto pela seleção de assuntos – se bem que já está acabando com minha paciência o número de reportagens de capa baseada em algum produto/livro/disco/idéia que querem empurrar – mas pela qualidade do texto. Não vou nem falar dos tais infográficos dos quais eles tanto se vangloriam, porque realmente existem umas ilustrações primorosas. Ocorre que o texto está ruim demais. Trecho da reportagem sobre Nicolau Flamel da edição deste mês:

Ele era rico? Sim, graças ao sucesso da livraria. Mas era mais bacana dizer que seu ouro vinha do chumbo… Ele era bruxo? Não, apenas um químico por hobby. Mas ficava mais misterioso dizer que sua profissão de livreiro era mera fachada para atividades ocultas. Ele era imortal? Não, isso é coisa de outro alquimista, o Paulo Coelho, hehe.

Isso mesmo! “Hehe”, reticências, no melhor internetês. Em pouco tempo, a revista será escrita em miguxês. Eu, francamente, desisti. E pensar que a Super já foi uma revista de iniciação científica, com uma linguagem simplificada, para que os ortolões como eu entendessem. Agora, simplificar demais ou é desvalorização do leitor ou é falta de capacidade de fazer melhor. Em qualquer caso, assinatura cancelada!

Almanaque do Planeta Diário

Publicado: 05/04/2008 por BigDog em Ler é uma perca de tempo

Antes de se tornarem os idiotas da piada de gaúcho gay e do baiano vagabundo, Hubert e Reinaldo, do Casseta e Planeta editavam, juntamente com Cláudio Paiva, um jornalzinho que era um tanto quanto marginal em sua época, o Planeta Diário, fazendo um humor escrachado e muito mais fértil do que o atual material apresentado em rede nacional via plim-plim. Na era pré-internet, em plenos anos oitenta, não havia muitas opções de entretenimento e consumíamos o que chegava às mãos, especialmente as publicações do Angeli – quem nunca comprou uma Chiclete com Banana que atire a primeira pedra -, Glauco, Laerte e a Circo, um combo de diversos cartunistas nacionais, capitaneados pelo Luiz Gê. Na verdade, acho que não só a falta de opções fazia com que o material publicado tivesse uma melhor qualidade, mas também o fato de estarmos saindo de um processo longo e doloroso de censura criou uma certa demanda reprimida de gente que buscava a sátira não apenas pela risada, mas também para aliviar as tensões da crise econômica e política que sucedeu ao pessoal da farda. Nesse contexto, as piadas totalmente non-sense do planeta diário eram puro deleite para quem queria dar algumas risadas às custas do próprio sofrimento. Claro que já naquele tempo havia muita besteira gratuita, mas ela até fazia sentido, porque antes não havia sequer a possibilidade de colocar um apelido em algum político sem correr o risco de ter de ir prestar explicações nos órgãos de censura. Hoje, entretanto, algumas coisas que provocavam gargalhadas soam um pouco ingênuas até, puro reflexo da pouca familiaridade dos humoristas com um quadro de total liberdade de opinião. Lendo esse almanaque, você vai descobrir que existe vida inteligente adormecida em algum canto do Casseta e Planeta, que talvez um dia volte à tona. Vai saber também que o cantor Nelson Ned chegou a integrar o grupo Menudo, que em um determinada disputa eleitoral candidatos epiléticos se debateram na TV e que a falta de ovos no mercado causou desespero em diversos puxa-sacos de plantão. Enfim, um amontoado de bobagens, a maioria sem o menor sentido, porém bem mais engraçado do que o gaúcho gay e o baiano vadio.

A picaretagem

Publicado: 23/06/2007 por BigDog em Ler é uma perca de tempo, Nem fodendo...

O verdadeiro segredoDe tempos em tempos surge uma obra revolucionária no campo da auto-ajuda. Esse movimento cíclico pode ser facilmente explicado pelas necessidades maiores ou menores das pessoas em cada momento histórico, visto que a busca de explicações e/ou saídas para os problemas que vão surgindo aparece perenemente na vida dos seres humanos. Os animais, desprovidos de senso-crítico e de ambições mais elevadas, conformam-se em sobreviver, caçar, demarcar seu território, espalhar seus genes o mais rápido possível e morrer. Nós, ao contrário, desenvolvemos uma capacidade de raciocínio infinitamente mais complexas do que os básicos instintos naturais de sobrevivência e passamos a explorar um mundo muito maior de possibilidades e, com elas, de problemas. Um dos maiores clássicos da auto-ajuda, escrito pelo americano Dale Carnegie, é o popularíssimo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas“, publicado e tornado um fenômeno editorial, não por coincidência, em 1937, logo após a grande crash da bolsa de valores de Wall Street, quando dezenas de milhares de pessoas foram literalmente à bancarrota, perdendo absolutamente tudo o que possuíam. Nesse contexto, é óbvio que qualquer um que se dispusesse a escrever sobre o assunto – afinal, fazer amigos e influenciar pessoas é uma virtude indispensável para reconstruir negócios e relações empresariais – estava virtualmente fadado ao sucesso.

No contexto atual, por mais que a mídia do entretenimento nos faça crer que vivemos uma era de prosperidade e de hedonismo, rumamos inexoravelmente para a falência total do sistema econômico vigente – vale lembrar, onipresente após a derrocada do comunismo -, em escala mundial. Simplesmente não há mais comida, água, combustíveis, emprego e oportunidades para todos. Some-se a isto o fato de que, com os avanços da medicina, a expectativa de vida do ser humano tende a aumentar a cada década, e o número de recém-nascidos que, no estado natural da vida, estariam fadados à morte mas que sobrevivem contra todas as possibilidades reais é elevadíssimo. Resumindo, estamos indo de encontro ao mais absoluto caos. Nesse cenário, que tal elaborar um sistema à prova de falhas, que se baseia única e exclusivamente em fatos não-comprovados cientificamente, emprestando-lhe ares de grande verdade científica a partir de resultados nebulosos de pesquisas recentes, em relação aos quais nem mesmo os maiores especialistas mundiais se arriscam a esboçar conclusões? Mais que isso, porque não investigar obras de grandes mestres e gênios do passado, encontrando supostas “referências” a esse sistema e as evidenciando para um público que não vai pesquisar mais a fundo qualquer uma destas referências mesmo? Pois foi exatamente o que fez Rhonda Byrne, que escreveu um livro chamado “O Segredo“, aparentemente revelando os meios utilizados por pessoas de sucesso, um negócio batizado como “Lei da Atração”. Sucesso mundial instantâneo, ainda mais depois que Oprah Winfrey – uma espécie de Márcia Goldschmit que usa Prada – abraçou a causa e passou a divulgar constantemente detalhes da obra em seu programa. Vendas astronômicas, documentários, filmes, camisetas, e por aí vai… O Segredo, para Rhonda, funcionou como um relógio.

Só que tudo não passa de balela. Claro que não conheço o verdadeiro “segredo”, não sei como alcançar o sucesso e, mesmo que soubesse, não contaria para você. O fato é que não há qualquer prova de que essa bobagem faça algum efeito na vida de ninguém. Ou melhor, há, mas não em razão do que é exposto no livro. Logicamente que uma pessoa com uma atitude positiva na vida alcança melhores resultados que outra inapta a transmitir uma imagem de confiança e segurança; evidente que alguém que realmente acredita e busca o que pretende chega mais rápido a um resultado do que outro que age de forma passiva e amarga em relação aos fatos da vida. Mas isso não tem nada a ver com física quântica! Tal circunstância nada mais é do que um reflexo elementar da própria seleção natural. Os mais adaptados sobrevivem melhor em um ambiente hostil, e ponto final. Um leão deprimido certamente não irá caçar, se fortalecer e constituir uma grande prole. E, com isso, o gene que o condicionava a ter aquele comportamento irá desaparecer juntamente como ele, o que explica porque o leão mais disposto prospera na vida. Simples assim. Essa relação é inegável, por mais que queiramos parecer racionais e superiores. Somos selecionados, todos os dias, com base em nossas aptições físicas, mentais, intelectuais, o que for. Não há nenhuma força cósmica conspirando para isso.

Por isso lhe digo, prezado leitor, não atenda ao chamado da sereia. Não enriqueça um pouco mais Mrs. Rhonda, ela já deve estar com muitos problemas para imaginar onde gastar tanto dinheiro. Não acredite em opiniões de “especialistas” entrevistados por ela. Encontrar um PhD em física quântica para embasar as conclusões da autora não é, em absoluto, tarefa difícil. Eles existem aos borbotões por aí, todos os anos somente Harvard forma pelo menos dois, e certamente algum deles haveria de subir à bordo, principalmente se não conseguiu destaque em sua área de especialização em um mercado tão competitivo. E, de mais a mais, não custa nada emprestar o nome a uma picaretagem para ganhar uns trocos, ainda mais quando se precisa muito deles. Se houvesse qualquer traço de seriedade em todo este assunto, certamente haveria uma comissão de grandes especialistas – e aqui digo verdadeiramente grandes – examinando os fatos e se esforçando para encontrar respostas. Não compre “O Segredo”, portanto. Não pense “positivo” e enriqueça um pouco sem cair nessa. O dinheiro do livro pode servir, no mínimo, para iniciar sua poupança, que talvez um dia sirva para alcançar um grande objetivo. Os de Rhonda Byrne já foram para lá de alcançados.