Seja um Vogon você também (mas cuidado) – parte II

Há cerca de duas semanas atrás, estava eu a ler os “classificados” do jornal ZH de domingo. Depois de procurar algo na seção de vagas oferecidas (sim, estou procurando algo melhor, por mais que 99% das pessoas achem que onde estou é muito bom), resolvi olhar a seçao de negócios e oportunidades. É o local do classificados onde se negociam empresas -lojas, indústrias, serviços. Como tenho um interesse especial por reciclagem de plástico, fui direto a seção negócios-indústria. Ali um anúncio que me chamou atenção; dizia o seguinte:

- Vendo empresa de reciclagem completa, extrusora, moinho, aglutinador. Com clientes e fornecedores. Motivo: passei em concurso público.

!!!

Sempre se pensou em que o empresariamento seria o ápice da carreira profissional, mas as dificuldades e o retorno inerentes a atividade empresarial são inferiores ao setor público, ainda mais se esta noticia se tornar verdadeira:

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovaram hoje uma proposta de revisão dos salários dos servidores do Poder Judiciário que pode representar um aumento real de 80,17% nos contracheques dos funcionários.
Pela proposta, um analista em início de carreira, que hoje ganha R$ 6.551,52, passará a receber R$ 11.803,66. Os que já estão no final da carreira terão seus salários reajustados de R$ 10.436,12 para R$ 18.802,40. O menor salário, de auxiliar em início de carreira, subirá de R$ 1.988,19 para R$ 3.582,06. Os valores foram divulgados na Internet pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus DF).
A proposta ainda precisa passar pelo crivo dos ministros do STF, que se reunirão no próximo dia 15 em sessão administrativa para avaliá-la. Em seguida, o projeto terá de ser encaminhado ao Congresso Nacional para votação. (site estadão 8/10/09).

Aí entendi melhor porque o dito cidadão está tentando repassar sua empresa. Em vez de só pagar impostos, chegou o momento de aproveitar um pouco destes.

Nada contra os vogons, mas algo está desequilibrado…

Isto que é stress ocupacional

Executivo da France Telecom sai, depois de 24 suicídios na empresa
Do Valor OnLine
SÃO PAULO – A operadora francesa France Telecom anunciou hoje a saída de seu vice-presidente, Louis-Pierre Wenes, após uma onda de suicídios de trabalhadores verificada na empresa nos últimos meses.
O executivo será substituído por Stéphane Richard, ex-vice-presidente das operações internacionais, também cotado para assumir a liderança da empresa em 2011, no lugar do atual presidente-executivo Didier Lombard.
Os sindicatos culpam a restruturação da companhia realizada por Wenes pelos 24 suicídios ocorridos no quadro de funcionários da France Telecom, em cerca de 20 meses. O plano de modernização envolveu mudanças nas funções dos trabalhadores dentro da empresa, além da cobrança de novas metas.
A empresa, em contrapartida, afirma que esta taxa de suicídio não é incomum para uma companhia de seu porte.
(notícia do site G1 05/10/09)

Isto é a parte prática, ou como diriam os auditores de ISO 9000, as evidências objetivas das políticas ditas voltadas aos recursos humanos, a valorização das pessoas, ao investimento no capital humano. Isto é o que está escrito no mural de 9 entre 10 empresas. O maior bem de uma empresa são seus funcionários. Ou ao menos aqueles que sobreviverem.

Ou, segundo os comentários de colegas, ao ouvirem mais um plano de reestruturação da empresa: “Quem ficar vai ficar bem!”

Propostas para redução do preço dos automóveis

04/09/2009 Crânio 2 comentários

Brasileiro é apaixonado por automóvel.

Esta máxima criada por alguma agência de propaganda para a Ipiranga é tão genial que já está no ar há uns 10 anos. Realmente, não importa a condição econômica do brasileiro, o que ele mais almeja é um carro. Claro, quem pode mais, deseja modelos mais luxuosos; quem pode menos deseja o popular basicão; e quem pode menos ainda deseja apenas um usado para incrementar depois.

Mas eis que uma das maiores reclamações recai exatamente sobre o preço dos automóveis. Que o brasileiro não tem a possibilidade de comprar carros melhores devido aos altos preços, que uns dizem que é devido aos impostos (eu discordo), as elevadas margens de lucro das montadoras (concordo em parte) ou ao próprio mercado que paga o preço que pedem (concordo: lei de oferta e procura).

Como não há uma concordância sobre o tema, deixo minhas sugestões para redução dos preços dos automóveis vendidos e/ou fabricados na terra brasillis:

  1. Eliminação do sistema indicador de direção (vulgo pisca-pisca): entre sistemas elétricos e comandos, além da montagem no automóvel, sem falar no desenho de faróis e lanternas que poderiam ficar mais simples, acredito que a redução no preço do veículo ficaria entre R$ 200,00 e R$ 500,00.
  2. Eliminação de espelhos retrovisores: esta mudança representaria economia de R$ 500,00 a R$ 1.500,00, dependendo se é com controle elétrico ou manual. Eliminação também do retrovisor interno!

Como vimos, estas duas alterações poderiam reduzir o preço de um veículo basicão em no mínimo R$ 700,00, deixando o glorioso, imutável e honesto Fiat Mille com preço de R$ 19.300,00, uma redução de 3,5% sobre o preço de tabela atual, ou 3 folhinhas a menos no “carneirinho” BV ou ABN-Aymoré.

Claro, o melhor seria a redução dos preços sem a eliminação destes itens. Porém a utilização destes itens é ignorado pela imensa maioria dos motoristas. Porque cobrar de algo que o uso é apenas eventual ou restrito???

O brasileiro é apaixonado por automóvel, só não sabe utilizá-lo corretamente.

Vamos oficializar?

18/08/2009 BigDog 2 comentários

O que me espanta, na realidade, não são nem os fatos em si, mas a reação quase nula que se tem a partir do conhecimento deles. Se levadas ao pé da letra as acusações atuais, José Sarney é um coronel nordestino que usa a máquina pública para financiar seus projetos pessoais, emprega parentes e desvia dinheiro do orçamento a roldão. O PMDB é uma máquina fisiologista que se entranha em todo e qualquer governo eleito, embora todos estes neguem o fato com certa veemência. Yeda Crusius participou de esquemas e negociatas na DETRAN e no Banrisul, enriqueceu e comprou uma casa com recursos muito superiores a seus rendimentos. Os deputados e senadores voam a passeio para lá e para cá, com dinheiro do erário, além de mandar a família fazer turismo com estes mesmos recursos. Enfim, a casa está caindo por cima, mas estamos todos aparentemente anestesiados com tudo isso. Lembro como se fosse hoje do prazer de ver o governo Collor ter suas negociatas desbaratadas pelas revistas semanais, sendo exposto ao ridículo na mídia. Aquele quadro – tirando a patuscada dos ‘cara-pintadas’ – dava ares de renovação no País, parecia que estávamos chegando a um ponto de amadurecimento nas relações sociais e governamentais. Para mim, foi a última chance que tivemos de resolver as questões da lisura e da probidade na administração pública, porque na época alguém ainda se importava. Mas até isso foi manipulado, a grande mídia se apressou a se isentar de qualquer responsabilidade na eleição do Collor, e somente uma certa resistência e antipatia contra este no Senado fez com que o processo de impeachment seguisse adiante.

Verdadeiras ou não, as notícias atuais não repercutem, estamos todos assistindo passivos a um quadro grave de crise institucional, como se nada estivesse acontecendo. Fomos assimilando a idéia de que o sistema é assim mesmo, todas as denúncias de roubalheira são, invariavelmente, manobras eleitoreiras e, salvo se o camarada for filmado com a mão na massa – e ainda assim, com sua concordância, porque filmar escondido não vale – não se admite nada como prova efetiva da cafajestada. Como se mensaleiro fosse passar recibo do valor embolsado. Como se dona Yeda fosse dizer ‘olha, comprei a casa com dinheiro de campanha, mas danem-se, já tô eleita mesmo’. Enfim, até prova em contrário são todos inocentes, e assim permanecerão, porque nada mais é ‘prova em contrário’. Situação impensável, Collor, Renan e Sarney fecharam questão, formando uma nova tropa – esta sim, me parece ‘de elite’ – para se manter nos cargos e funções assumidas no Senado. Apesar de tudo indicar o contrário, parece que não houve mensalão mesmo, e era tudo uma criação da mídia para desestabilizar o Governo Federal. E, a todas essas, vamos ficando mais anestesiados, passivos e desencantados.

Por isso, quem sabe a gente oficializa? Sugiro a elaboração de uma lei assegurando às autoridades competentes, conforme sua área de atuação, a comissão de 10% (dez por cento) sobre todo e qualquer gasto público. Simples assim. Licitou, construiu, aprovou obra, arrecadou? Passa no caixa e pega a comissão. Pode parecer besteira, mas tenho certeza que assim economizaríamos dinheiro e seríamos poupados do teatro dos horrores que virou a política no Brasil. E com a vantagem de, com o ’seu’ garantido, não iria ter governante fazendo ouvidos moucos a apelos populares. Precisa de ponte, de posto de saúde, de escola? Claro, é para já. De qualquer forma, parece que moralidade pública, agora, é questão de acertar o quanto. Por que não tentar?

O monoteísmo é um erro

15/08/2009 BigDog 4 comentários

A busca da humanidade por uma explicação plausível para a vida, o universo e tudo mais sempre foi uma característica incessante. Desde que superamos os nossos parentes primatas e conseguimos nos comunicar e manter um registro, verbal ou escrito, de nossas experiências – e um certo senso crítico sobre elas -, tentamos encontrar algo que não faça da nossa existência no planeta uma coisa gratuita, sem nexo e sem destino. Acredito que um dos maiores medos, senão o maior, do homem é morrer e, bem, morrer. Acabou, ponto. Por isso, não havendo como, no início dos tempos, explicar até mesmo o mais simples fenômenos naturais, fomos desenvolvendo um pensamento mágico-mítico sobre forças sobrenaturais superiores. Devia ser muito complicado para as primeiras civilizações explicar coisas que as assustavam: o trovão, a chuva, o fogo, a neve, e por aí vai. Por isso, mitos e mais mitos, crenças em deuses diversos, cada um com seu caráter e humor próprios de domínio sobre um ou outro aspecto da vida no planeta. Deuses guerreiros, bondosos, vingativos, glutões, hedonistas, enfim, deuses para todos os gostos. Alguns destes mitos remontam a milhares anos antes da nossa era – marcada, diga-se de passagem, por outro mito religioso, mas sobre isso escrevo depois.

Durante milênios, as diversas civilizações e culturas acreditaram em seus próprios deuses, escolhidos a seu bel prazer. Babilônicos, sumérios, gregos, egípcios, nórdicos, romanos, cada um tinha seu panteão de divindades e cada uma delas atendia a um fim específico. Essas civilizações floresceram em meio a uma torrente de crenças diversas, cada uma adequada ao perfil do povo específico. Povos guerreiros sempre tinham com principal divindade algum deus da guerra, povos afetos às artes adoravam deusas da música, da pintura, do equilíbrio. Mercadores e navegadores tinham seus altares para divinos protetores das rotas marítimas e terrestres, porque seu único interesse era chegar logo ao destino e entregar suas mercadorias, retornando com o lucro respectivo, para então começar tudo de novo. Nessa promiscuidade, deuses casavam com humanos, coexistiam com outras raças e espécies de seres, tais como titãs, elfos, duendes, exus e por aí vai. E todos esses impérios floresceram, prosperaram, enriqueceram e tiveram sua apoteose, para depois serem dominados pelo império seguinte, o que acentuava ainda mais o quadro geral, na medida em que deuses e divindades ‘migravam’ junto com seus adoradores.

Do outro lado, do ponto de vista científico, é impressionante ver como tais civilizações antigas prosperaram e realizaram coisas que, com as técnicas da época, até hoje nos surpreendem. Ainda temos, para muitas destas realizações, a perplexa pergunta ‘como eles fizeram isso?’. Arrisco a dizer que os homens atuais, frente aos desafios que se apresentavam na antiguidade, sentariam e chorariam, sem ação, pondo fim à raça humana. Era preciso muita coragem e determinação para construir as coisas na base da força braçal, descobrir na tentativa e erro e apresentar os resultados. Hoje nos jactamos de todo nosso progresso, nosso conhecimento acumulado, mas quantos de nós efetivamente sabe de algo do que está acontecendo? Quase ninguém. Não é teoria conspiratória, é apenas um fato: o mundo cresceu demais, apesar da impressão de que está menor, com a comunicação globalizada e tudo o mais, mas o fato é que há níveis demais, complicações demais, oportunidades e negociatas demais.

E o que isso tem a ver com o monoteísmo? Tudo. Com o devido respeito a quem pensa o contrário, nós somos o que somos, retrógrados – sim, retrógrados, não confunda permissividade com liberdade, desleixo com tolerância, arrogância com sabedoria -, individualmente inferiores a nossos antepassados em termos de domínio do conhecimento geral acumulado pela humanidade, e perdemos, de um modo geral, o interesse pela descoberta, pela ousadia, confiando demais em ‘especialistas’ e esperando que empresas sem face resolvam nossos problemas, porque tudo o que vivemos, respiramos, acreditamos, se funda no legado de uma mancha indelével do homem na terra: a Igreja Católica Apostólica Romana e todos os seus renegados filhotes. Não que os católicos tenham criado o monoteísmo, antes haviam os judeus e seu deus único, Javé, e depois surgiram os muçulmanos, com Alá e seu Profeta, mas foram eles que o espalharam como uma doença por toda a humanidade, acirrando a intolerância e a ignorância como forma de dominação e submissão.

Sim, porque, no fundo, não há um único registro confiável do que seja a vontade deste Deus único que adoramos como alternativa exclusiva nos dias atuais. Na verdade, o que é dito como ‘vontade de Deus’ nada mais é do que a transcrição deturpada de supostos contatos com o Criador e das palavras de seu filho, Jesus Cristo, transcritas no novo testamento sem que – e aqui cito Harold Bloom – haja uma única destas linhas escrita por pessoas que conviveram de verdade com o personagem histórico. Tanto isso é verdade que a igreja primitiva promoveu concílios e discussões acirradas para eleger os evangelhos ‘autênticos’, ou seja, aqueles que deveriam fazer parte do catecismo oficial. Intuitivo deduzir que, tendo desprezado vários outros, somente os que se encaixavam ao padrão de comportamento eleito, escritos séculos depois da morte de Jesus, foram admitidos, tudo com vistas a legitimar reinados, ampliar poderes e impor a dominação aos povos. Em resumo, não se trata de verdade única, apenas a verdade escolhida, aquele que servia aos interesses.

E, desde então, vivemos com este estigma de uma sociedade concebida com o foco em um comportamento predeterminado e que asseguraria o acesso ao ‘reino dos céus’. E eu pergunto: como desconsiderar todas as outras possibilidades? Por que afastar o deus dos judeus ou dos muçulmanos – ou a compreensão dele, caso se considere que são todos o mesmo deus único e criador, coisa que não farei, por absoluta falta de embasamento – apenas por mentiras, intolerância e ganância? A dominação cultural e econômica decorrente do catolicismo é a mais hedionda da história, sem sombra de dúvidas. O colossal atraso imposto pela nova religião condenou a humanidade a uma idade das trevas duradoura demais, na qual se queimaram ‘bruxas’, derrubaram-se governantes honestos, manipulou-se o entendimento e a vida da população, extorquindo dela até o último vintém disponível. Uma brutalidade sem paralelo. Isso sem falar nos sub-produtos deste embuste: a pecha fixada em judeus de sujos e inconfiáveis, porque foram eles que mataram o Filho do Homem, o holocausto, a incomunicabilidade com o mundo árabe que, durante toda a idade média, esteve anos-luz à frente do catolicismo em termos de desenvolvimento científico e cultural. Nos dias atuais, tentando sobreviver, os católicos revêem algumas posições, querendo se modernizar, mas um pouco tarde demais, ao menos para as bruxas e cientistas condenados e executados como hereges. E para reverter o processo de inquestionável boçalidade que estabelecemos.

Por isso tudo, entendo que o monoteísmo seja um erro de concepção, uma forma de pensar opressiva e velhusca. Ainda hoje vemos os frutos disto tudo nas guerras disfarçadamente travadas em nome do Senhor – quando a briga, todo mundo sabe, é pelo petróleo – e na fundação de cultos evangélicos que tentam enriquecer à custa da ignorância do povo. Por mais que os católicos as repudiem, foram eles que prepararam o terreno para esta gente, hoje próspera, rica e lustrosa, mas que, de forma alguma, pode se eternizar. Assim como todas as formas de pensamento único e direcionado. Liberdade de credo tem que ser mais do que uma mera garantia escrita em constituições que ninguém lê. Deve ser a libertação de todo o modelo implantado, pelo nosso próprio bem.

Inigualável

01/08/2009 Crânio 2 comentários

Hoje o mundo é muito pequeno. Aquele velho bordão “eta mundão véio sem porteira” poderia ser trocado para “eta mundinho véio sem porteira”. Realmente, não existem mais porteiras; o sistema de comunicação atual possibilita estarmos em vários locais ao mesmo tempo, interagindo com pessoas dos mais diversos locais, compreendendo suas culturas e modos de vida. E o mundo ficou pequeno; a China está a um click, o Nepal está em detalhes no Google Earth, o Botsuana também! E os meios de transporte são razoavelmente rápidos e seguros para, caso você tenha dinheiro suficiente, levá-los a conhecer in loco tudo isto, e não apenas nas janelas do Windows (trocadilho infame).

Mas tentaremos imaginar o mundo ocidental do século XIII…

O mundo era plano…

Existiam dragões e outros seres ruinzinhos no final do plano mundo (mundo plano deve ser chato..outro trocadilho). Não existiam cursos de línguas, não existiam sistemas de transportes confiáveis ou rápidos e principalmente: não se sabia quem estava além do horizonte! Os povos tinham pouco contato; os obstáculos naturais -grandes rios, lagos, mares, cadeias montanhosas- eram os limites entre povos que muitas vezes, nem chegavam a se conhecer. Com estas limitações, desenvolviam-se de formas muitas vezes bastante diferentes, costumes diferentes, línguas certamente diferentes. As limitações não eram só de ordem técnica (transporte), também existiam as limitações dogmáticas culturais devido as imposições culturais católicas.

Mas eis que um cara, sim ele foi ou ainda é o cara, resolve desbravar este mundo. Nicola Polo, comerciante de Veneza, e seu primo Mafeo, saem em busca da terra de Cipang e outros lugares míticos, que se ouviam falar nos contatos com os povos do Oriente Médio. Saem em busca de riquezas (sim, um dos motores da evolução e combustível das descobertas: dinheiro…valor único?!?) e as encontram. Não só na forma de especiarias, ouro e prata. Encontram sociedades com organização muito avançada em relação aos ocidentais, industrias, sistemas comerciais, tecnologia. Também se deparam com povos mais primitivos e muitos perigos. Mas conseguem realizar um trabalho formidável de relações públicas, servindo como embaixadores voluntários do ocidente, que acabam conseguindo retornar ao ocidente após nove anos de viagens e descobertas neste novo mundo. Êita espírito empreendedor!

Em 1271 Nicola e Mafeo retornam ao ocidente, para relatar as suas descobertas e tentar, junto ao Vaticano (??!!) apoio para nova viagem. Nicola aproveita e leva seu filho Marco (este também é o cara) nesta nova viagem ao oriente.

Marco Polo acabou mais notabilizado que seu pai e seu tio pois relatou esta fantástica viagem no “Livro das Maravilhas”, escrito enquanto estava na prisão, e de inegável valor para o ocidente. É difícil imaginar como este trio de loucos e diferentes ocidentais ganharam a confiança de Kublai Can, grande guerreiro e imperador Mongol (que dominava todo o leste e sul da Ásia nesta época). Marco inclusive foi nomeado embaixador do Grã Cã em uma das províncias. Normalmente este era um cargo dos filhos do Grã Cã, mas Marco Polo também conseguiu este feito!

Só para ilustrar os ganhos desta viagem para o ocidente, lá os Polo tiveram contato com o papel moeda, a pólvora, as industrias de seda, o carvão mineral, tecnologia naval de ponta (as naus orientais desta época eram 5 vezes maiores que as naus dos descobridores ibéricos…dois séculos após!).

Muitas vezes, a forma de entrar em contato com os povos era na forma de guerras e poder para subjugá-los. Nicola, Mafeo e Marco Polo atuaram de forma totalmente diferente. Levaram a fé cristã sem a espada, trouxeram tecnologia e riquezas sem derramar sangue, aprenderam novas idéias e plantaram as primeiras sementes do renascimento na Europa. Certamente os relatos da aventura e das descobertas dos Polo levaram um sopro de imaginação produtiva e criativa para um ocidente absorto em dogmas religiosos e travado em suas aspirações de evolução.

Eu acredito que o renascimento começou desta louca aventura. Mas pouco fala-se dos Polo nas aulas de história.

E se você tem pretensões de igualar o que os Polo trouxeram para a humanidade em sua época, monte uma nave espacial no fundo do seu quintal e saia pelo espaço a desbravar novos povos e novas culturas. Mas volte para nos relatar!

DESDOBRAMENTOS – parte 2

Entre as várias características e peculiaridades da fórmula 1, uma que chama a atenção é a capacidade de sobrevivência em meio a crises e, mais interessante ainda, a capacidade de criar e antecipar tendências.

Na década de 50, uma década após a 2 guerra mundial, na falta de competidores e grana para tocar a competição, os grids de fórmula 1 foram preenchidos com carros de fórmula 2 (que equivaleriam aos atuas GP2). Como a coisa não melhorou, reduziram a capacidade dos motores e, os carros de fórmula 2 passaram a ser fórmula 1. E o grid encheu.

Esta era uma época de reconstrução, e os carros que enchiam as ruas eram de baixa cilindrada, simples, econômicos. A fórmula 1 adaptou-se ao momento.

No final da década de 60, já em pleno crescimento após a guerra, a fórmula 1 alterou o regulamento e duplicou a capacidade dos motores passando de 1,6 litros para 3,0 litros, criando mais emoção nas corridas (e mortes também). No cenário econômico, a população européia já estava devidamente motorizada com Fuscas, Fiats 500, Mini Morris e outros mini carros. Começaram então a investir em carros de maior cilindrada, esportivos. O objeto de desejo não era mais o carro, e sim o carro mais potente. A fórmula 1 acompanhou a tendência.

Nos anos 70, a fórmula 1 viveu a fase das experiências em desenho aerodinâmico. Carros com desenho em cunha, facilitando o fluxo do ar e ganhando em estabilidade. Na vida real, com a crise do petróleo, as montadoras passaram a desenhar seus carros visando à economia de combustível, e utilizaram vários conceitos e estudos da fórmula 1.

Década de 80. Carros de F1 mais curvos e simples…automóveis passam a adotar linhas curvas.

Década de 90. Carros de F1 com maior tecnologia embarcada…logo chegando aos carros de rua.

2000. Carros de F1 com muita preocupação em segurança. Carros de rua acompanham e tem seus desenhos visando máxima segurança dos ocupantes (observem em carros de fórmula 1 do início da década de 90 e atuais a distância do piloto até a extremidade dianteira do carro. Observem o mesmo nos carros da década de 90 e atuais; isto é muito importante para a segurança dos ocupantes do veículo: quanto maior à distância, teoricamente mais seguro).

Agora a fórmula 1 se debate em brigas e discussões para reduzir custos. Começaram reduzindo tecnologia embarcada, simplificando desenho aerodinâmico dos carros, padronizando itens complexos e caros.

Em 2009, todas as equipes apresentaram seus carros de forma simples, diretamente nos autódromos. Nada de salões com luzes estroboscópicas, caviar, champanhe.

E acompanhando este movimento, muitas montadoras desistiram de participar de salões de automóvel mundo afora.

Mas a briga continua e a idéia é reduzir custos. A FIA quer simplificar mais ainda os bólidos de F1, barateá-los, padronizá-los. Será quase um F1-tubaína.

…e o Tata Nano está chegando aí.

…enquanto isso, Renault e Bajaj (empresa indiana) já estão nos detalhes finais de seu carro ULC (ultra low cost ou muito pé-de-boi).

Se a F1 está novamente antecipando tendências, acho que o mundo ficará mais simples. E talvez mais barato.

Um Pouco de Pensamento Ecológico

11/07/2009 Crânio 1 comentário

Na minha nova vista panorâmica, posso contemplar o Rio dos Sinos. É uma visão que me atormenta, pois mostra o quanto nossa sociedade não está preparada para viver neste planeta. Estamos no inverno, e o rio deve estar (pelas marcas escuras nos pilares da ponte nova) uns dois metros abaixo de seu nível normal. Sim, há uma estiagem atualmente. E não se pode culpar só o aquecimento global por esta estiagem. Segundo o meteorologista Eugênio Hackbarth, estamos começando um ciclo de baixas precipitações pluviométricas. É da natureza do planeta, temos que aceitar.

Mas se tivéssemos um pouco mais de zelo para com a natureza, certamente o rio estaria em situação menos dramática. Os desmatamentos em morros e beira de rios, a eliminação dos banhados para utilização imobiliária. O crescimento desenfreado e desordenado das cidades e de seus sistemas paralelos e de apoio (agricultura, industrias), não entendeu que um rio é muito mais que um curso de água que pode levar dejetos adiante (!!!) e fornecer água. Um rio é alimentado por vários arroios, é auxiliado por seus banhados, os arroios são alimentados por vertentes. Estas vertentes estão nos morros, junto a mata, em pequenos “fios d´agua”, que juntam-se e formam o rio que nos sustenta. São milhares destes fios d´agua; é a união que faz a força!

Mas desmatamos e acabamos sumindo com vários destes pequenos pontos de absorção-retenção-liberação controlada de água. No momento de estiagem não há nada para liberar; no momento da chuva não há sistema para reter, não há banhado para absorver e controlar o rio, impedindo-o de entrar na cidade. E quando um grupo de ecologistas conscientes tenta impedir alguma obra que irá danificar o meio-ambiente, sempre aparecem aqueles que fazem chacota destes ambientalistas, que acham que ecologia só trava o progresso. O importante é o “progresso” e o dinheiro (valor único!) que ele traz.

Mas como será o progresso sem água?

DESDOBRAMENTOS

Já não agüento mais! Tudo que acontece no mundo (mundo: desde a esquina da sua casa até os confins do Turcomenistão) é culpa da -segundo Jornal Nacional- maior crise econômica de todos os tempos.

Se o pipoqueiro tropeça, vira as pipocas no chão e, por isto, vendeu menos pipocas no dia, a culpa é da crise financeira mundial. Se repatriarmos jogadores em fim de carreira é porque os times estrangeiros não estão investindo… devido a crise financeira mundial. Se cair a venda de galochas… crise financeira mundial.

Como o mundo ainda não acabou, principalmente graças a algumas cabeças pensantes ainda existentes, fiquei sabendo de uma informação que compartilho com os colegas acadêmicos e leitores em geral: a crise financeira de 1981 (lembram??…sim, vocês já eram nascidos, não adianta mentir), foi muito maior que a atual. Foram quatro anos de recessão mundial após uma década de choques do preço do petróleo (saiu de US$ 4,00 o barril para US$ 40,00), sendo que na época a OPEP fornecia 70% do petróleo consumido no mundo. Esta mudança nos preços corroeu a balança de pagamentos de diversos países, que entraram em default (falência, entre eles Brasil, que na época saiu atrás do FMI). No total, 39 países “quebraram”. Com a quebra dos países, os investimentos estatais que respondem de 20% a 40% do consumo de um país, caíram drasticamente, levando a quebras generalizadas. Junto a isto, a inflação no mundo estava um pouco fora de controle (25% ao ano nos EUA, 100% ao ano no Brasil, 10% ao ano na Europa – ganhamos de todos!!!).

Como resultados, vendas globais de automóveis caíram drasticamente (Brasil queda de 30%, EUA 20%), demissões em massa e o surgimento do neoliberalismo.

Como a quebra foi devido ao Estado, nada melhor do que tirar o Estado de cena e deixar o caminho livre para a iniciativa privada, que saberia melhor posicionar-se frente as mudanças do mercado, não sobrecarregando os pobres pagadores de impostos com ineficiências governamentais.

Quase 30 anos após, nova crise financeira. Só que agora, gerada e parida pela iniciativa privada. E o Estado precisou ir em socorro da iniciativa privada para que o trem não descarrilasse totalmente. Investimentos incorretos, expectativas de ganhos, contabilização de expectativas de ganhos como lucros, fraudes contábeis, fusões esdrúxulas, tudo pelo maior lucro e satisfação dos acionistas. Mas não deu certo e os contribuintes estão pagando a conta novamente.

E agora. O Estado falhou uma vez e criou-se o neoliberalismo. O Neoliberalismo falhou. Qual será o próximo modelo?

Minha vã filosofia sobre o valor único

Em todas as relações da humanidade, e em toda sua história, há um ponto em comum: a necessidade da demonstração de poder.

Nas relações pessoais, sociais, políticas, trabalhistas, conjugais, esportivas e o que mais se imaginar, temos a necessidade de demonstrar poder ou saber quem está no poder.

Estas demonstrações ocorrem de diversas formas: força, inteligência, velocidade (astúcia?), riqueza, informação.

Na demonstração de poder queremos centralizar as atenções e os esforços do meio em nossa direção. O respeito, o dinheiro, as facilidades são os frutos desta atenção. Subjugamos para captar (e cooptar) a energia do meio em nossa direção. Tendo-se mais energia, tornamo-nos mais fortes e com isto perpetuamos a relação poder-vassalagem.

Ao retirar energia do meio e direcioná-la em apenas um foco, damos espaço para outras energias. O vassalo, ao direcionar sua energia construtiva para alguém (aquele que o subjuga) e não obtendo retorno igualmente construtivo, abre espaço para energias destrutivas. Começam com simples pensamentos (ódio, vingança, etc) por sentirem-se desamparadas e evoluem para formas concretas de violência física. Retirar a matéria para preencher a troca de energia.

Por não entender o porque de retirar/perder riqueza material, e querendo acabar com este tipo de atitude de algumas pessoas ou ao menos coibir criando punições a quem realizar este tipo de ato, a sociedade entra em um conflito sem fim, pois a causa não é atacada.

E, na minha vã filosofia, isto existe em TODAS as relações da sociedade.

O valor único

02/06/2009 BigDog 2 comentários

Para quem mora no Brasil, escândalo envolvendo dinheiro público é uma coisa absolutamente cotidiana. É passagem aérea para a família para cá, mensalão para lá, superfaturamento não sei mais onde, num círculo vicioso instalado há décadas e que, para falar a verdade, não sei se alguma geração vai chegar a banir. Reclamamos muito, de tudo, principalmente porque não são tomadas quaisquer medidas para coibir tais abusos. Nenhuma mesmo. Parece que mais sorte tem quem chega primeiro, quem consegue meter a mão na bolsa da viúva antes… Eu, particularmente, ando absolutamente cansado de tudo isso. Desde que me entendo por gente – mais ou menos uns três meses atrás – as coisas são assim, é pilantragem em cima de pilantragem, e já não tem nem mais graça falar disso. O mais dolorido é que esse comportamento reflete exatamente o das pessoas que colocam estas raposas para cuidar do galinheiro: o eleitor. E este, por sua vez, faz tudo o que faz porque tem uma única lógica na sua cabeça: o dinheiro!

Fenômeno mundial, o endeusamento da bufunfa faz com que as pessoas tomem atitudes cada vez mais tresloucadas, transformando o único valor que não está intrinsecamente ligado ao caráter no único válido. Em síntese, honestidade, lisura, lealdade, palavra, tudo isso são coisas absolutamente dispensáveis e irrelevantes. Apareça bem vestido e com um carro do ano, e ninguém vai se importar se isso tudo foi adquirido com dinheiro honesto ou com desvios e crimes. A influência do larjã é tão grande que cega as pessoas e faz com que algumas atitudes levianas e impensadas as conduza ao extremo: perder dinheiro! Algumas pessoas não se dão conta de que, ainda que possam ter um ganho imediato, isso representa uma perda no futuro, e não necessariamente um prejuízo para o suposto ‘lesado’. Mas não adianta, quando se trata de lucro, vendemos a mãe, desrespeitamos e prejudicamos amigos, colegas de trabalho, familiares e quem mais estiver na volta. Coisas que seriam absolutamente ilógicas passam a representar grandes metas na vida das pessoas. Perde até um pouco o sentido a velha frase feita de que os fins justificam os meios. Atualmente nem as finalidades práticas justificam o fim almejado. Triste viver esses tempos, em que somente a carteira se apresenta como importante. Pena.

Velho George!!!

ALL THINGS MUST PASS – George Harrisson

Sunrise doesnt last all morning
A cloudburst doesnt last all day
Seems my love is up and has left you with no warning
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away

Sunset doesnt last all evening
A mind can blow those clouds away
After all this, my love is up and must be leaving
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
None of lifes strings can last
So, I must be on my way
And face another day

Now the darkness only stays the night-time
In the morning it will fade away
Daylight is good at arriving at the right time
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away

100 anos e sem piedade do rival…

É… Mais uma vitória em Gre-Nal. Já são 7 clássicos de invencibilidade. O rival manda seu técnico adiante e a vida segue.

Em breve, FEITOS RELEVANTES, a saga contemporânea do Sport Club Internacional !

A mãe de todos os vícios

31/03/2009 BigDog 2 comentários

Toda e qualquer virtude pode ser definida como o exato meio termo entre duas posturas opostas e antagônicas em uma determinada linha de comportamento. Assim como existem os perdulários, há os avarentos, cada conduta situada em uma ponta de um grande espectro de possibilidades. O centro, ou seja, o equilíbrio entre estas duas características, pode ser classificado como virtuoso. É bom e equilibrado o homem que, sem se descuidar do futuro e sempre sendo previdente, ainda sabe dedicar parte de seus ganhos para o lazer e outros prazeres hedonistas, auxiliando, finalmente, o próximo quando necessário e possível. O raciocínio vale para qualquer aspecto da vida humana. Não existe virtude no excesso, nenhum mérito na insuficiência. Pode-se afirmar, portanto, que o homem médio – assim entendido aquele que pauta suas condutas pelo equilíbrio entre posições eqüidistantes – é o homem bom, honesto, são.

De outra parte, na nossa cultura convencionou-se condenar a mediocridade como algum ruim, indesejável em todos os aspectos. O que poderia parecer um contra-senso, não fosse a análise mais acurada que pode ser feita sobre o ’saber’ popular. A mediocridade, como por nós definida, diz respeito àquela postura arrogante em relação a vida, que o brasileiro é mestre em adotar. Batemos no peito e estufamos o pulmão para falar sobre a nossa ignorância. Lemos poucos, e quando lemos são os Paulo Coelho e Lair Ribeiro da vida. Temos uma política corroída e pobre, mas é o nosso jeito ‘malandro’ de ver o gerenciamento da máquina pública. Acreditamos em qualquer bobagem que nos imponham, lemos ‘O Segredo’, fazemos terapia holística e tomamos florais de Bach adoidado. E continuamos sempre desbordando de qualquer boa conduta. Somos rudes, toscos, mal educados e ignorantes, mas temos muito orgulho disso! Por isso sempre acreditei que a mediocridade, tal como o brasileiro a definiu, é a mãe de todos os vícios. Fugir dela, portanto, e chegar à média, na verdadeira acepção da palavra, deve ser o objetivo de vida de todos nós.

Por isso o conselho: menos axé e mais cabeça aberta para ouvir outras coisas. Menos esperteza e mais preocupação com os deveres. Não proclame o direito que tens, procure ver se este direito pode ser exercido em prol dos que estão mais próximos. Não compre subwoofer, e se comprar não abra o capô de seu carro quando essa porcaria estiver ligada. Beba com moderação, de preferência não em locais públicos como praias e afins. Respeite o outro. Assim, tudo pode melhorar. Inclusive, por mais incrível que possa parecer, para você também.

Outra que ‘não pegou’.

29/01/2009 BigDog 1 comentário

E eis que, passados sete meses da publicação da chamada “Lei Seca”, aquela que estabeleceu a tolerância zero para o álcool no trânsito, com a fixação de multa de nada menos que R$ 957,70 e suspensão do direito de dirigir por um ano para os motoristas flagrados com até 6 decigramas de álcool por litro de sangue, e até dois anos de prisão para medições com valores superiores a este, o número de acidentes envolvendo motoristas alcoolizados voltou a crescer, apesar de uma sensível mudança no quadro no período imediatamente subseqüente à entrada em vigor da referida lei. Se, no início, sentiu-se uma significativa queda no número de atendimentos a vítimas de acidentes envolvendo motoristas embriagados, as ocorrências deste tipo na cidade de São Paulo em dezembro de 2008 aumentou em 39% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Superinteressante (edição de fevereiro/2009). Não encontrei dados referentes ao Rio Grande do Sul, mas acredito que esse indicador paulista seja uma amostra relevante do quadro atual, muito similar ao existente anteriormente à lei.

Quando da edição da nova legislação, defendi a idéia de que os novos parâmetros fixados eram absolutamente despropositados, e beiravam ao absolutismo. Tive de ouvir as explicações de sempre, porque em tal lugar é assim, em outro assado, etc. Mas o fato é que nossa draconiana legislação se assemelha, apenas, àquelas de países notoriamente intolerantes em qualquer área, incluindo aí os muçulmanos – cuja proibição do uso de álcool é, antes de mais nada, um preceito religioso. Como não não pretendia impor a idéia a ninguém – a tolerância é fundamental à boa convivência -, deixei o assunto de lado, até mesmo porque, como todos sabem, a fiscalização foi arrefecendo, ninguém mais teve que soprar em bafômetro, as autoridades começaram a esboçar as mesmas desculpas de falta de pessoal e equipamentos, e o cerco foi afrouxando, até o ponto de retornar tudo ao estado inicial. Ou seja, estamos de volta ao caos no trânsito, com todo mundo bebendo e dirigindo à vontade, sem qualquer restrição e/ou medo das conseqüências.

O que me traz de volta ao ponto que sempre defendi: o que falta é fiscalização. Elaborar uma lei extremamente rigorosa pode ser salutar para os fins que se deseja atingir – embora, por vezes, o bom senso seja desnecessariamente sacrificado no processo – mas é somente com um Estado atuante na repressão às condutas indevidas que se obtém qualquer benesse da medida. Em outras palavras, já desgastadas pelo uso, digo e repito: a lei anterior era suficiente para evitar a maior parte dos acidentes, o que faltava, como volta a faltar, é atuação efetiva dos órgãos de controle. Na seqüência, podemos elaborar uma legislação dizendo que os bens do motorista alcoolizados ficarão indisponíveis por um ano, os impostos do infrator sofrerão um acréscimo de 10%, não importando sua origem ou instância. Ou, ainda, já que estamos rumando à absoluta falta de meios-termos, podemos determinar a amputação da orelha esquerda do camarada, e da direita em caso de reincidência. Nada vai resolver sem policiais, devidamente equipados, nas vias públicas.

Essa a triste realidade de nosso país: fazemos leis que ‘não pegam’. Como se fosse possível, numa ordem democrática relativamente estável, existir uma lei apenas para constar, uma legislação vigente mas totalmente ineficaz. Espero que, pelo menos no carnaval, essa degradante catarse de apetites desenfreados e abusos de todas as espécies, a fiscalização empregada no início da vigência da lei seca retorne, e nós possamos reiniciar mais um ano – sim, o ano só inicia depois do carnaval, isso é um fato – com a boa notícia de termos menos mortos nas estradas. Se bem que eu acho muito difícil.

Feliz ano novo!

Mensagem de ano novo – BigDog

Vai-te embora, 2008!

12/12/2008 BigDog 1 comentário

Deixem-me fumar, caramba!

10/12/2008 BigDog 2 comentários

Frank Zappa, gênio que era, uma vez respondeu, perguntado sobre o porquê permanecia fumando, se era radicalmente contra o uso de drogas, que para ele cigarros eram comida. As pessoas em São Francisco podiam ter teorias malucas sobre viverem para sempre, mas ele vivia sua vida fumando e bebendo aquela água preta que estava sempre em seu copo. Deu para entender o conceito? Não paro, e pronto… Respeito lugares públicos, gestantes, crianças, idosos e não-fumantes que manifestam vontade em não participar da minha auto-indulgência. No mais, me deixa fumar quieto. Sim, eu sei, faz mal, prejudica a saúde, aumenta a pressão, etc. Mas é TÃO bom… E, de mais a mais, na minha casa mando eu! Aquele abraço.

Posso perder os amigos…mas não a notícia!

01/12/2008 Crânio 2 comentários

Aos 6 anos, o labrador Skeeter é bacharel em direito. No início de novembro, ele recebeu o diploma honorário da Universidade de Baylor, no estado americano do Texas, após acompanhar durante dois anos e meio todas as aulas exigidas para se graduar.
Ela convive com o animal desde 2004. “Ele me ajuda a pegar objetos, já que tenho dificuldades para manipular canetas, por exemplo”, conta Amy.
O diploma da escola de direito da Baylor dá ao cão o título de “dog’tor”, um trocadilho entre os termos “doctor” (doutor, em inglês) e “dog” (cão).
Skeeter, segundo seus colegas de curso, era um participante ativo das aulas. Ele ficava quieto pelo menos durante a maior parte das preleções dos professores, mas rosnava ou latia quando alguém falava por muito tempo.
Ao contrário de sua dona, o cão não deve prestar exame da ordem dos advogados do Texas. “Ele está satisfeito com o diploma”, brinca Amy.

As perguntas para meus amigos (a partir de agora não sei se ex-amigos!) Felipe e Cachorrão:

Será que ele teria lugar no mercado de trabalho aqui?

Será que passa no exame da OAB?

Ele deve saber fazer uma “peticão”?

Difícil é eles encontrarem um cachorro que tenha recebido diploma de Tecnólogo em Polímeros. Nem cachorro sarnento se disporia a fazer este curso (já me adiantando as possíveis críticas).

A morte dos dinossauros

O presidente e executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, disse hoje que a empresa está tomando todas as medidas para evitar um pedido de concordata. “A empresa usará todas as fontes de financiamento possíveis para evitar a concordata”, disse em uma conferência por telefone após a empresa anunciar os resultados do terceiro trimestre. Wagoner advertiu sobre as “graves conseqüências” para a economia americana se a GM tivesse que se proteger dos credores.

A maior montadora dos EUA em receita está colocando quase todas as esperanças na ajuda do governo norte-americano e no corte de custos. A empresa informou que está concentrada em aumentar sua precária liquidez por meio de um corte de custos que deve lhe render uma economia de US$ 5 bilhões.

Sem a ajuda do governo ou um aumento nas vendas, a GM disse que sua liquidez alcançará os níveis mínimos exigidos no final deste ano, depois de gastos de US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre. Wagoner disse à rede de notícias CNBC que espera que o Congresso dos EUA tome medidas para apoiar o setor automotivo nas últimas sessões legislativas do ano. A GM informou hoje prejuízo líquido de US$ 2,54 bilhões no terceiro trimestre.

Este é o país do livre mercado, do estado mínimo, do sonho americano. Este é o país que muitos formadores de opinião daqui usam como padrão, bradando (e às vezes vociferando) para mudanças que nos aproximem do modelo americano.

“Pequeno” reflexo de uma postura totalmente avessa ao direcionamento mundial. De um gerenciamento focado no próprio umbigo e que não levou em consideração que os mastodônticos automóveis produzidos por esta empresa para seus alienados consumidores locais não tinham qualquer possibilidade de sobrevida em um mundo globalizado e em constante mutação (odeio esta frase mas é bem apropriada).

Acho melhor é nos distanciarmos um pouco deste modelo… e vivas ao Tata Nano!!!

Os sobreviventes não serão os mais fortes tampouco os maiores, e sim aqueles com melhor capacidade de adaptação.