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Eu não sou um camarada muito ligado em chimarrão, apesar de esta ser a bebida “oficial” aqui do Rincão da Grossura. Até, eventualmente, tomo um ou dois quando a situação se apresenta, uma roda de amigos ou um churrasco em família. Agora, no dia-a-dia, não tenho o hábito de acordar já de mate em punho, como fazem milhões de gaúchos. Acredito que atualmente exista um componente muito grande de modismo no tal chimarrão. Nos parques aos finais-de-semana o que mais se vê é gente que simplesmente passa a vida enfiado dentro de apartamento, seja por comodidade ou por medo da violência urbana, trabalhando em ritmo e com sistemas globais, desfilando com seu porta-chimarrão – que aqui, como tudo, tem outro nome, a “mateira” -, com direito à garrafa térmica, cuia e a erva em si. Para mim, não serve, acho uma coisa meio forçada, um falso apego à tradições que há muito tempo não representam o modo de vida do povo gaúcho. Ou alguém aí já andou a cavalo, marcou gado, assou churrasco em vala no chão? Duvido muito. Em todo o caso, este é um hábito comum, e arraigado na cultura de muitos de nós. Já vi gente, plena praia em Florianópolis, desfilando de cuia na mão, para mim o máximo da bobagem, uma vez que isso representa, exclusivamente, uma demonstração deslocada e desnecessária de gauchismo exacerbado. Quando vou à praia, a última coisa que eu quero é uma bebida quente e amarga. Prefiro, se o quesito for amargor, uma cervejinha bem gelada, para acompanhar petiscos à base de frutos do mar e coisas assim.

E eis que alguém do departamento de marketing da Dado Bier resolveu unir esses sentimentos: uma cerveja elaborada a partir da erva mate! Por mais estranho que possa parecer, o produto está sendo comercializado em vários supermercados e bares/restaurantes de Porto Alegre e região metropolitana. Dia desses, saboreando uma bela pizza de shitake com alho-poró da Sálvia (recomendadíssima!), cai na besteira de experimentar a tal iguaria. Besteira porque o produto é muito ruim, mesmo! Na verdade, não tem nem gosto de cerveja, nem de chimarrão, do qual só somos lembrados por uma sensação extremamente amarga após a ingestão da beberagem. Para quem me conhece não precisaria nem dizer, mas logicamente fiz o teste da meia-dúzia. E a cervejota restou amplamente reprovada! O pior, contudo, ainda estava por vir: um misto absurdo da moleza e sonolência típicas da cerveja, com uma certa sensação de vigília proporcionada pela cafeína presente na erva mate. Ou seja, a Dado Bier Ilex não se presta nem como uma boa cerveja, nem para satisfazer o gosto dos apreciadores do chimarrão.

Por isso, acredito que o pessoal do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho deve estar muito aborrecido com este desperdício da preciosa erva mate gaúcha. Concordo com eles em gênero, número e grau, embora o que me preocupe seja o desperdício de lúpulo e cevada.