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Feliz ano novo!

Publicado: 21/12/2008 por BigDog em Solta o som..., Um muito sobre nada...

Mensagem de ano novo – BigDog

Projeto um disco por dia.

Publicado: 30/09/2008 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...
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Pois é, completamos três meses sem nenhum requentado do cachorrão. Não que alguém tenha sentido falta do meu tradicional amontoado de asneiras, mas o caso é que eu gostava de escrever a coluna. Mas porque não escrevo, então? Simples, mesmice… Na verdade, estava um pouco estagnado em termos musicais, ouvindo muitas vezes os mesmos discos, de novo e de novo. Coisas da velhice que se aproxima à galope. Por absoluta falta de qualquer novidade, fui deixando meu espaço ir se perdendo, e mesmo agora, depois de três meses inteiros, não tenho muito o que escrever. Como também já não tenho saco de ficar esperando disco vir pelo fio do telefone nos P2P da vida, não há nada de novo no front… Para corrigir isso, resolvi encarar com bravura novos cardápios musicais. Eu, que sempre critiquei o tal de Orkut por ser um negócio totalmente inútil, finalmente descobri uma utilidade para o troço. O esquema é o seguinte: uma banda diferente por dia, um disco por vez. Não importa o estilo, a época, nada, o que importa, simplesmente, é não estar na lista dos mesmos de sempre. Nesse samba do crioulo doido, já passaram por aqui XTC, Killing Joke, Os Mulheres Negras, Hüsker Dü, The Ataris, Oingo Boingo, Helmet, Bad Brains, KC & The Sunshine Band, Wolf Parade e Spock’s Beard. Pode ser que, em breve, eu retome o requentado. Por enquanto, estou me divertindo horrores com a maluquice. Claro que não estou organizando nada, e a maioria dos arquivos vai para a lixeira imediatamente depois de terem sido ouvidos. Mas está legal…

Calma, nada de previsões apocalípticas. Embora a civilização como conhecemos esteja fazendo água de forma quase incontrolável e o fim pareça estar cada vez mais próximo, a motivação para o título vem da seguinte constatação: eu não gostei de um disco do Rush, e estou meio cabreiro com a postura atual da banda – pausa para soarem as trombetas e ser aberto o primeiro selo. Antes de mais nada, vamos colocar as coisas em perspectiva: acho Caress of Steel um disco muito irregular, embora seja o primeiro esboço das composições épicas e elaboradas que viriam a seguir; ouço Presto com uma certa reserva, embora encontre algumas pérolas neste álbum, músicas que certamente marcarão para sempre minha vida; e não sou muito fã de Power Windows, para mim o pior da fase ‘eletrônica’ da banda. Fora isso, nunca reclamei de nada, e coloco pelo menos três discos do Rush – Moving Pictures, 2112 e Hemispheres – entre os melhores de todos os tempos. Dito isso, vamos aos fatos.

Sempre detestei banda que vive do passado. Sabe aquele tipo de artista decadente, caidaço, que fica gravando e regravando versões ao vivo das mesmas músicas que algum dia fizeram sucesso? Ou então as várias reencarnações de bandas geniais que não rendem nem 10% do que faziam quando estavam em seu auge, como por exemplo o Pink Floyd sem Waters e Wright, e por aí vai. Fora os simulacros de bandas impossíveis de serem retomadas, como o The Doors, que atualmente se apresenta sem Morrison – por óbvio – e com algum rastaqüera qualquer nos vocais, o que não dá sequer para chamar de ‘The Doors’. Enfim, artistas e/ou bandas que sobrevivem exclusivamente do nome que construíram ao longo de sua carreira, mas que já deveriam ter pendurado as chuteiras a horas.

O Rush, por outro lado, sempre foi uma banda que buscou novos horizontes, que não se acomodou jamais, evoluiu e retornou às raízes, tudo com uma naturalidade reservada apenas aos gênios. Parte da minha admiração – na verdade, veneração – pela banda veio daí, do fato de comprar um disco dos caras, colocar para tocar e simplesmente não acreditar que aquela música tivesse sido composta pelos mesmos músicos que fizeram o disco anterior. Uma total perplexidade quanto à capacidade de inovação e de mudar os rumos. Juntar a bunda após cada novo álbum, em resumo. Claro que isso é uma impressão minha, alguém que não seja fã vai questionar ponto por ponto o que eu escrevi, mas gosto musical é como futebol, religião e política, não se discute.

Passado o hiato de cinco anos sem gravar, em decorrência dos trágicos acontecimentos na vida de Neil Peart, o Rush retornou com tudo: disco novo (o excelente Vapor Trails), mega-turnê mundial, inclusive com passagem pelo Brasil – pausa para secar as lágrimas da lembrança – e aclamação pelo novo trabalho. Enfim, o Rush estava de volta. Na seqüência, o CD/DVD do histórico show do Maracanã, a gravação de um disco de covers para comemorar o trigésimo aniversário – supostamente as músicas que eles tocavam quando ainda eram iniciantes -, a turnê dos trinta anos – mais um DVD ao vivo – e a gravação de Snakes & Arrows, para mim a pièce de résistance do guitarrista Alex Lifeson (acredito que tenha comentado sobre isso no meu primeiro requentado, mas não me recordo muito bem do que escrevi). Até aí tudo maravilhoso. Os fãs mais ferrenhos estranharam a quebra do antigo esquema quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, mas tudo era festa, estávamos de bem com a vida, ainda mais com o presentão que foi Replay 3X, com três shows de épocas diversas, remasterizados e lançados em DVD. Agora, a parte ruim: saiu o CD ao vivo da turnê ‘Snakes & Arrows’, bisonhamente intitulado ‘Snakes & Arrows Live’. Foi aí que o caldo entornou… Será que, com o perdão da heresia, o Rush está numa de arrecadar? Será que os caras estão passando por dificuldades financeiras? Meu Deus, venham para o Brasil que eu asseguro pelo menos uns 500 malucos que não se importariam de assistir um show por semana por pelo menos dez anos seguidos. Mas não caiam nessa de lançar CDs ao vivo um após o outro. Esse novo não tem absolutamente nada que justifique o lançamento. Sinto dizer isso, mas, além das músicas novas tocadas ao vivo – o que poderia esperar mais algum tempo, não são clássicos ainda e nem sequer agradam a todos os fãs de maneira uniforme -, apenas os sucessos de sempre. Claro que executados à perfeição, claro que geniais, mas é apenas outra versão ao vivo, coisa que aficcionados por Rush simplesmente amam, porém que saem relativamente baratas. Não vou dar opiniões definitivas, isso aqui é apenas um pensamento solto. Negro como a noite, triste como uma missa de réquiem, mas apenas um pensamento.

Agora vai! Peço desculpas aos leitores pela ausência temporária, mas isso se deveu a fatores inevitáveis e alheios à minha vontade. Corre à boca pequena uma notícia de que a ABRIC vai passar por uma mudança radical, os acadêmicos estão alvorotados. Sabe como é, velho não gosta que mexam com suas coisas. Enquanto a notícia não estoura, vamos a mais um requentado, com toda aquela malemolência nagô que é característica destes maviosos textos. Agora vai!

TELEVISION – Marquee Moon (1977)
Dizer que o pessoal que tocava no CBGB na década de 70 revolucionou a música moderna é chover no molhado. Ramones, Talking Heads, Blondie, e mais um monte de artistas que se destacaram no cenário pop daquela década, e também das seguintes, são ícones da cultura pop/rock de todo o mundo. Apesar disso, de todos, o Television parece ser o mais relegado ao esquecimento. Mas não deveria! Claro que a produção dos caras é escassa, se resumindo a uns poucos discos, mas isso não quer dizer nada. Gravar uma obra com “Marquee Moon” é muito mais importante e significativo do que lançar, um após outro, discos medíocres, como fazem outras bandas por aí. Não é o caso aqui, evidentemente. Poderia começar escrevendo que é um disco punk, mas não seria totalmente verdade. Na real, é muito mais do que isso, porque as melodias são inspiradíssimas, os arranjos muito bem feito e as guitarras… Bom, as guitarras são um caso à parte. A dobradinha Richard Lloyd/Tom Verlaine é daquelas que merecem destaque em qualquer lista que se elabore sobre o assunto. O trabalho deles é magistral, e por vezes chega a parecer que um ser iluminado está tocando apenas uma guitarra com quatro mãos, ou coisa que o valha. Se você sempre quis entender o que significa “complementar” outro instrumento, aprenda com esses caras. A faixa título é um caso à parte, daquelas músicas que te fazem ter vontade de sair dirigindo sem rumo por horas a fio. Imperdível! Nota 8,5.

RADIOHEAD – Hail To The Thief (2003)
São tempos estranhos, caro leitor. Usar frases batidas às vezes é a única saída para alguma situação constrangedora. Então lá vai: em terra de cego, quem tem um olho é rei. O Radiohead lançou excelentes discos no passado, virou modinha falar bem dos caras, especialmente entre o povo modernoso e descolado. Agora, convenhamos, este disco não faz jus à fama da banda. Quero dizer, se alguém for conhecer o trabalho de Tom Yorke e Cia. por “Hail to the Thief”, benzadeus… Uma pessoa relativamente isenta sobre o cenário musical atual, ao ouvir falar do Radiohead, não pode pegar este álbum para ouvir, pois fatalmente irá pensar: o que vai ser dessa gurizada? Sério, um disco bem comum, sem nada que justifique metade – que metade, um terço -, da pagação de pau para os queridinhos da intelectualidade. E olha que eu estou sendo parcimonioso na crítica, afinal de conta não pega bem falar mal do Radiohead. Mas que dá vontade, isso dá! Ô disco sem vergonha. Fico pensando se vou ouvir o último, que, ao que consta, estão dando de graça pela internet. Se for do calibre desse, não, muito obrigado! Nota 4.

R.E.M. – Document (1987)
O disco que tirou o R.E.M. dos cafundós da Geórgia e do circuito alternativo/morto de fome das “College Bands” e os levou direto para o estrelato mundial, com o (re)lançamento de “Green” e do arrasa quarteirão seguinte “Out Of Time” pela Warner Bros. Eu sempre gostei muito da banda, acho que mesmo gravando por uma ‘major’ os caras conseguem manter alguma identidade musical e integridade para com o seu público, o que não é pouca coisa. Agora, se você ouvir este disco, vai inevitavelmente sentir que algo se perdeu. É evidente a gana e o tesão da banda tocando pedradas como “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)” e “The One I Love”, dois de seus hinos, até os dias atuais. Tá, a produção não é lá essas coisas, uma ou outra passagem soa meio “solta”, mas o que interessa, aqui, é conhecer a gênese daquela que viria a ser uma das maiores bandas do planeta. Coisa que não vai ser ouvida em nenhum trabalho posterior, isso eu asseguro. Ouça sem medo, que esse é garantido. Nota 8.

PRIMUS – Pork Soda (1993)
Eu tenho bronca do Primus porque mais da metade dos ignóbeis que querem negar o fato de que Geddy Lee é o melhor baixista de todos os tempos vêm me esfregar o tal de Les Claypol na cara. Fatos são fatos, e sobre eles eu não discorro. Les Claypol é um excelente baixista, de uma técnica incomum e invejável, mas isso não quer dizer absolutamente nada quando se toca em uma banda tão cabeçona e desconjuntada quanto esta. Sério, ao ouvir este disco você fica o tempo todo na expectativa que a afinação dos instrumentos e o aquecimento acabem logo para que os caras comecem a tocar. Só que isso não acontece, e lá pelas tantas o camarada tem vontade de atirar o CD player ou qualquer outra fonte de onde esteja saindo essa coisa medonha na parede. Para nunca mais juntar. Não se engane com papos de “minimalismo”, “atonia” e outras histórias que inventam para justificar esta coisa hedionda. Desculpa de peidorreiro é soluço. Dói ouvir isso, de verdade. Nota 2, e olhe lá.

Recentemente fiz uma assinatura anual do Last.fm para poder utilizar integralmente os serviços do site, principalmente as rádios online, que são um recurso extremamente útil para quem não quer gastar muito dinheiro para colocar sua rádio – baseada nas estatísticas de seu gosto musical, com as músicas preferidas, bandas escolhidas, etc. – no ar. Em breve, a rádio estará de volta, faltando apenas alguns ajustes para que tudo funcione a contento. O interessante é que, mesmo sendo usuário do site há muito tempo, somente agora estou descobrindo funcionalidades e utilitários muito legais que são disponibilizados pela comunidade. Um deles é o Country Match, um site que, baseado nas estatística de cada usuário, elabora tabelas por país e compara o gosto musical individual com cada uma destas estatísticas. Para o meu espanto, meu gosto musical é mais parecido com o dos usuários… de Ilhas Feroé!!! Um recôndito lugar do qual eu sequer desconfiava a existência, mas cujos usuários do Last.fm tem 22% (vinte e dois por cento) de similaridades em relação às coisas que eu escuto. Eu sempre me considerei um camarada meio alternativo para ouvir música, mais enjoado que tomar Olina em jejum. Mas agora quebrei o recorde. Duvido que alguém consiga ter um resultado mais bizarro que este.

update: Essa semana piorou: Antártida, com 22%. Imaginem quantas pessoas deve haver morando lá. Cada vez mais longe de tudo…

Faz muito tempo que eu venho afirmando que a indústria fonográfica como a conhecemos simplesmente acabou. Isso tem ficado cada vez mais evidente para mim, principalmente quando vejo uma grande loja do setor – a Banana Records – encerrar suas atividades de forma definitiva, fechando a única unidade ainda em funcionamento, aquela da Avenida Nilópolis, em frente à Praça da Encol, com uma melancólica liquidação do tipo “torra tudo” e descontos de até 70%. Claro que aproveitei a oportunidade e comprei vários discos nesta leva, coisas muito boas por preços de até R$ 9,50 (London Calling – The Clash. Isso é que é pechincha!). Mas o fato é que, estando a Banana fora do mercado, restam muito poucas opções de lojas especializadas aqui em Porto Alegre e região. Outra grande cadeia, a Multisom, está focando suas atividades na venda de equipamentos de som e vídeo e instrumentos musicais. As megarredes do setor, Saraiva, Siciliano e Cultura, vendem muito poucos CDs, mais como um complemento para a imensa variedade de livros, produtos de papelaria, softwares e até mesmo notebooks e afins. Ou seja, o mercado fonográfico faz água, e não é pouca.

Se perguntados, os executivos e produtores das gravadoras dirão que é por culpa da pirataria e troca de arquivos digitais via internet. Eu discordo. A culpa é da ganância desenfreada e da cara-de-pau de gente que remunera mal quem cria seus produtos (o músico, que recebe um verdadeiro caraminguá de direitos autorais) e vende a preços estratosféricos o que tem um custo total que tende a zero. Ora, um disquinho de acrílico, com uma caixa de um plástico que eu não faço nem idéia qual seja, mas certamente não deve ser muito caro, com um encarte feito de papel não pode sair por muito mais de R$ 5,00. Isso é quase indiscutível, ainda mais se considerarmos a produção em massa, que barateia o custo final. Claro que se uma determinada banda quiser gravar um lote de mil CDs independentes para divulgação do seu trabalho vai pagar um pouco mais do que isso, mas este custo resulta mais do trabalho de gerar matrizes para os discos e de off-set para a impressão do que pelo produto final em si. Produzidas milhões de unidades, no entanto, o custo cai radicalmente e não se chega ao preço que mencionei nem por decreto. Enfim, não há qualquer justificativa para que se cobre mais de R$ 50,00 por um único CD, preço que está sendo praticado como média nas lojas do ramo. O outro argumento, o do alto custo de divulgação, etc., já nem merece maiores discussões, porque com a internet a pleno vapor não há necessidade de se fazer sequer um folder de divulgação, basta jogar imagens e clips das novas músicas no site para que milhões de pessoas se interessem pelo trabalho. Ou não, vai depender da qualidade.

E esse é o ponto: a indústria fonográfica ficou preguiçosa, porque se acostumou a vender o que queria, pelo preço que queria. A decisão sobre o que lançar sempre foi um dos maiores trunfos do setor, que praticamente moldou todos os artistas – com raríssimas e honrosas exceções -, simplesmente rescindindo contratos dos que não interessavam mais e chegando ao cúmulo de exigir que a produção fosse nesse ou naquele sentido. Coisas do tipo “precisamos de uma nova moda, chama aqueles caras de cabelo vermelho aqui para ver que apito eles tocam”… Nesse roldão, a internet e a facilitação do acesso a todo e qualquer tipo de informação, aliadas à imensa facilidade de produzir um disco com qualidade decente e quase profissional – hosanas aos Pro-Tools e Garage Bands da vida – as pessoas começam a pensar por si mesmas e escolher o que gostam ou não gostam, quebrando o esquema do jabaculê em rádios e na TV. Claro que o Brasil ainda não se encontra neste novo perfil, ainda compramos tudo que nos mandam, mas isso é outra história. Então, não adiantava mais escolher com a empáfia tradicional o que gravar, porque isso já não era garantia de vendas exorbitantes. A cena atual demonstra que todas as gravadoras, agora mais focadas em embutir travas e proteções digitais em seus preciosos CDs, perderam simplesmente o rumo e não sabem mais o que fazem.

O que algum visionário ainda encontrará é uma maneira de vender música no cenário atual, onde tudo está disponível a custo quase zero – só a eletricidade do PC ligado, a mensalidade do ADSL e a mídia de R$ 0,99 -, com um serviço diferenciado e que atraia novamente o consumidor. Este camarada vai ficar muito rico e acabará vendendo a idéia para o Bill, ou para o Steve, ou para o Balmer, o que o tornará ainda mais rico. Alguém se habilita?

Se você já leu um requentado antes, provavelmente já deve estar cansado de tanta explicação sobre excesso de trabalho, cansaço permanente e todo o tipo de desculpa que eu acabo criando para não escrever de maneira inteligível e consistente. Não vou enrolar muito este mês, portanto. Foi difícil escrever este requentado, porque não estou exatamente inclinado a comentar discos. Quero mais é dar dicas, e seja o que Deus quiser. Vamos lá?

THE POGUES – Rum, Sodomy and the Lash (1985)
Um disco de música folk irlandesa poderia ter tudo ser uma coisa bem aborrecida e praticamente ninguém, em sã consciência, procuraria um negócio destes para se divertir, correto? Pode até ser, mas no caso deste álbum, por mais estranho e bizarro que possa parecer, a verdade é que o som do Pogues é muito interessante de se ouvir. Parte disso se deve à agressividade natural da banda, característica do movimento punk, mas com bem mais entusiasmo e talento. Na verdade, o crédito da beleza, paixão e energia deste disco em comparação com o primeiro da banda, “Red Roses For Me” se deve à produção de Elvis Costello, que declarou na época que seu trabalho foi muito mais ficar quieto, tentando captar a “glória dilapidada” da banda. Enfim, um disco não só sobre bebedeiras e fanfarronices irlandesas, mas também sobre histórias e personagens do submundo. Vale a pena conferir, mesmo que a primeira vista a idéia não agrade. Nota 7,5.

NATALIE MERCHANT – Tigerlily (1995)
Eu sempre gostei muito da voz da Natalie Merchant, que acho extremamente harmoniosa e madura. Não conhecia o trabalho dela como compositora, até mesmo porque só havia ouvido o Unplugged do 10,000 Maniacs e mais uma ou outra coisa da banda. E foi a performance de Natalie em “Because The Night” da Patti Smith – arrepiante e definitiva – que havia me pego de surpresa. Agora, elas continuam, e muito positivas. Não sabia, por exemplo, que Natalie é uma exímia pianista. O fato é que este álbum é estarrecedoramente belo. Simples assim. Sério mesmo, passa uma tranqüilidade meio melancólica que dá imenso prazer de ouvir. Ainda não assimilei muito bem todas as músicas, mas o fato é que a experiência musical é muito satisfatória. Sabe quando você acaba de ouvir um disco e quase que imediatamente quer colocar do início, para ouvir tudo de novo? Este é “Tigerlily”. Uma das descobertas mais agradáveis dos últimos tempos, comprado, literalmente, a troco de banana em uma loja de discos que estava fechando aqui em Porto Alegre. Imperdível para curtir acompanhado. Nota 8,75.

NEW MODEL ARMY – Thunder And Consolation (1989)
O New Model Army é uma banda punk, mas no bom sentido da coisa. Digo isso não para ofender, mas o caso é que tem muita gente por aí se intitulado punk, quando na verdade apenas não sabe tocar. Esses caras não, são extremamente bem entrosados e tocam um som simples, sem, contudo, ser simplório e/ou tacanho. Não é a toa que a banda está há tanto tempo na estrada, sendo extremamente respeitada nos circuitos underground, seja pela força das suas posições políticas, seja pela imensa identificação com a classe operária, da qual são todos oriundos. “Thunder e Consolation” foi, durante muito tempo, uma verdadeira “touca” na minha vida, porque o máximo que eu havia conseguido era uma fita cassete – no tempo que isso ainda existia – muito mal gravada por um colega de aula. Apesar da forma tosca de ouvi-lo, o álbum marcou muito a minha vida e meio que definiu o que eu iria ou não gostar depois. Só fui ouvir o disco inteiro e sem chiados depois de uma visita à Galeria do Rock em São Paulo, onde consegui a versão original da obra, com direito a CD bônus. E valeu cada centavo. Um senhor disco, com destaque para as faixas “Green And Grey” (que eu ouço sem parar) e “Vagabonds”. Muito bom e indispensável para quem quer entender o que aconteceu no mundo antes do “movimento” grunge. Nota 8.

HOOTIE AND THE BLOWFISH – Hootie And The Blowfish (2003)
O Hottie And The Blowfish já foi uma banda muito influente e reconhecida, especialmente no circuito do College Rock, aquele rock feito por e para universitários nos Estados Unidos. Já surgiram dessa forma inúmeras bandas, a mais famosa delas o R.E.M., que até assinar com uma major gravava seus discos pela pequena IRS, sediada em Athens, terra natal da banda. Depois você já sabe, portanto não preciso dar maiores detalhes. No caso do Hottie, entretanto, os caras simplesmente não conseguiram fazer a transição do meio acadêmico e intelectualóide para o mainstrem. Embora contratados pela Atlantic e fazendo muito dinheiro, a ponto de passar o maior tempo jogando golfe e freqüentando o jet-set, o que havia de positivo em discos como “Cracked Rear View” e “Musical Chairs” – refrões poderosos cantados em coro e belas melodias – está se transformando, aos poucos, em um demérito da banda, que quer fazer isto o tempo todo e acaba, com o perdão da expressão, enchendo o saco do ouvinte. Este disco é o pior da banda que eu já ouvi, e duvido muito que vá me interessar por outro. Se você não tinha a boa impressão da banda que eu carregava antes de cometer a besteira de colocar esta bolachinha no CD player, certamente irá achar intragável de cara. Evite, portanto. Nota 3, sem choro nem vela.

A partir de hoje, a rádio deste blog está fora do ar por tempo indeterminado. Devido ao alto custo de manutenção dos arquivos no box.net, e considerando a baixa utilização do serviço demonstrada nos relatórios de tráfego do sistema, acredito que não valha a pena manter em funcionamento um serviço tão caro, razão pela qual não renovarei a assinatura por mais um ano. Talvez tenha sido um erro inicial de avaliação, mas o fato é que a relação custo x benefício não está valendo a pena, sinceramente. A todos os que eventualmente sintonizavam com freqüência a rádio, meus sinceros pedidos de desculpas. Estou tentando bolar uma forma de colocar no ar um novo serviço, mais acessível e adequado às necessidades. Até lá, serão apenas palavras.

Deu no Terra:

O polêmico cantor inglês Ozzy Osbourne afirmou na noite desta quarta-feira, em encontro com jornalistas promovido no hotel Sheraton, Rio de Janeiro, que mudou o estilo de vida para preservar a própria saúde. Segundo Osbourne, seu último álbum Black Rain foi o primeiro produzido sem o uso de drogas ou álcool. Ele disse ainda que antes de entrar no palco, costuma realizar um ritual mais saudável, que inclui masturbação.

“Eu como alimentos naturais, aqueço a voz, faço cinco minutos de exercício na bicicleta ergométrica e me masturbo. Vou fazer 60 anos (dia 3 de dezembro), mas ainda me masturbo”, brincou ele.

Olha, não sei não, mas não levo muita fé no velho Ozzy. Não que ele esteja virando mentiroso depois de velho, mas quem viu a série ‘The Osbournes’ sabe que o camarada não consegue mais cortar as unhas do pé sem auxílio. Masturbação, então, deve ser um suplício. É isso que dá, crianças, passar anos na gandaia, tomando trago e chapando o côco. O camarada perde a noção do ridículo e vira motivo de piada. Alguém devia dar um toque para o velhinho ir para casa cuidar dos cachorros. Serviços prestados, ele tem de sobra!

Eu sou um camarada de poucas luzes e dificilmente terei uma idéia economicamente viável e/ou revolucionária que poderá fazer qualquer diferença no mundo. Ao contrário, normalmente quando penso em algo novo que possa atender alguma necessidade minha e melhorar a forma como as pessoas vi-vem, normalmente já há algo similar em funcionamento, e com muito mais efetividade do que a minha tosca imaginação consegue conceber. Na pior das hipóteses, logo após ter pensado em algo, surge um serviço ou produto com aquela edite, o que demonstra que já estava em pesquisa e desenvolvimento a muito mais tempo do que eu poderia supor.

Esses dias, porém, estava pensando na forma como as pessoas consomem música, principalmente porque a forma atual – o CD lacrado e as lojas on-line da vida – já estão para lá de defasadas e jamais farão frente aos softwares P2P e torrent, onde todo mundo pega os discos novos sem pagar absolutamente nada. Esse movimento é inevitável, não há como parar esta troca in-formal de arquivos digitais, porque, quando alguém é responsabilizado por pirata-rias deste tipo, logo surgem dois ou três novos serviços idênticos ou melhores. Ou seja, a indústria fonográfica como a conhecemos está definitivamente morta e sepultada. Até mesmo porque, com a quebra dos lucros das grandes gravadoras, o preço dos discos nas lojas do ramo estão estratosféricos, e ninguém em são consciência vai pagar quase R$ 50,00 reais por um disco nacional, ainda mais com sua conhecida defasagem em itens como impressão dos encartes e etc. Por outro lado, é um saco ficar catando música em softwares de compartilhamento, porque se depende da boa-vontade de outros usuários, conexões lentas entre servidores e toda uma sorte de mandingas informáticas que normalmente assombram os usuários medianos (o popular “dois-dentes”).

Face a este quadro, é fácil imaginar que pouco ou nada reste a fazer. E eu pergunto: por que não lançar um serviço de assinatura on-line, cobrando um preço fixo do assinante, que receberá os lançamentos do mês sem muito esforço, apenas instalando um software apropriado em seu computador? Nesse serviço, o usuário criaria uma conta personalizada, com dados como cartão de crédito, endereço e etc., e passaria a receber tudo o que o serviço oferecesse na forma de downloads automáticos, de links rápidos e confiáveis, que ficariam armazenados no próprio PC. E sem hipocrisias, todos os arquivos podendo ser convertidos para qualquer formato e gravados em quantas mídias o consumidor quisesse. Para finalizar, os encartes/capas poderiam ser enviados em arquivos de alta e baixa resolução, ficando a cargo do próprio assinante imprimi-los ou não, conforme suas necessidades. Ou seja, algo prático, conveniente, amigável e – melhor de tudo para a gravadora – pago! Duvido que alguém já não tenha pensado nisto, mas quando o serviço sair – e dependendo do preço, evidentemente – serei um dos primeiros a assinar. Ou é mais uma das minhas idéias mirabolantes e inviáveis?

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Este mês é vapt-vupt. Gostei, não gostei, e pronto. Não estou com muita paciência para escrever tese sobre disco alheio. É isso aí, quatro dicas elementares, mas sempre tem gente que perde uma ou outra coisa. Aquele abraço, e dá-lhe Inter!

VAN MORRISON – Still On Top (The Greates Hits) (2007)
Coletâneas são sempre perigosas. Coisas como “The Best Of” podem tanto conter o melhor quanto o mais popular de determinado artista. Não foram poucas as vezes em que peguei um disco do gênero e simplesmente fiquei indignado porque “aquela” música não estava na tal coletânea. Com esse disco, no entanto, a história é diferente. Se o melhor do bardo irlandês está no disco, a carreira dele foi simplesmente magistral. Se não está, eu quero ouvir o resto! Não é a toa que esse cara influenciou todo mundo, de Patti Smith a Eric Clapton; de Joe Strummer a Margo Timmins. Blues, R&B, soul, e o que mais o freguês quiser que tenha qualidade. Enfim, para conhecer o obscuro Van Morrisson, nada melhor. E tem mais, concordo com Rachel Green. “Tupelo Honey” é a música mais romântica de todos os tempos. Quer saber? Nota 9,5.

THE ARCADE FIRE – Neon Bible (2007).
O Arcade Fire é uma banda composta de um monte de gente que toca uma variedade de instrumentos ao mesmo tempo, sem que ninguém saiba muito precisamente o porquê. Vale a pena ouvir, então? Claro que vale! Esse disco é um dos melhores de novos artistas que eu ouço em muito tempo. E olha que quase todas as coisas “geniais” que foram criadas nas últimas décadas já passaram aqui pela vitrolinha! É diferente, mas não muito, sério e ao mesmo tempo caricato. Enfim, dá um alento saber que pelo menos tem alguém pensando em alguma coisa diferente para a música moderna. Recomendo, de verdade! Nota 6,5.

BLACK SABBATH – Sabbath Bloody Sabbath (1973).
Foi no show do Iron Maider? Achou bacana? Os velhinhos são um barato? Esqueça. Sinto muito, o heavy metal começou de verdade com essa turma aí: Geezer Butler, Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Bill Ward. O resto é história. Muitas vezes peguei no pé do pessoal que ouvia o Sabbath, criticando a eterna mania de permanecer apegado aos mesmos ídolos do passado. Com o tempo, entretanto, foi ficando cada vez mais evidente que o que aqueles quatro pobres-coitados lá dos cafundós da Inglaterra fizeram foi simplesmente criar um novo parâmetro musical. E ainda tem gente que posa de genial tocando sempre com base no que o Sabbath criou milênios atrás – mais ou menos na época em que eu nasci. Sabbath, Holly Sabbath! Nota 9,5.

SEX PISTOLS – Never Mind The Bollocks… Here’s The Sex Pistols(1977).
O mundo não seria o mesmo sem o movimento punk. E o movimento punk não seria o mesmo sem esse disco. Logo, o mundo não seria o mesmo sem este disco? Não entendo nada dessas histórias de silogismos, lógica e argumentação. Sempre achei que isso fosse coisa de onanista enrustido que não tem argumento para defender seus pontos de vista. Mas quero ver sair desta. Faz sentido ou não faz? Não sei, mas noventa e nove por cento dos revoltados que tocam nas FMs da vida e vendem milhões de discos para adolescentes insatisfeitos e endinheirados do mundo inteiro devem até as calças para esta banda. Não é a toa que, no quesito ‘merda no ventilador’ nada supera tijolaços memoráveis como “Pretty Vacant” e “God Save The Queen”. Se alguém tiver a manha de cantar, a plenos pulmões, em um barco no meio do rio Tâmisa, no dia do aniversário de sua alteza, os versos deste último petardo, talvez o cetro de revolucionários deixe as mãos de Johnny Rotten e Cia. Até lá, nada feito. Nota 4, por que é ruim de doer. Conceito A++, por que é indispensável!

That’s all folks!!!

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É não é que, sendo obrigado a fazer exercícios, o camarada acaba ouvindo muito mais música? Sim, porque ou é isso ou assistir a Ana Maria Braga, participando de acaloradas discussões sobre calorias, massa magra, percentual de gordura e aquele bendito biscoito recheado que você comeu escondido no dia anterior. Muito clara a escolha, certo? O mais legal nessa situação é escolher discos novos ou aquelas pérolas esquecidas, para que a mente se sinta satisfeita (re)encontrando algum prazer enquanto o corpo padece. Quando vi, estava pronto para voltar a escrever o requentado, que mesmo atrasado – e desde quando requentado tem hora? – volta em 2008. Aproveite!

SUGAR – Copper Blue (1992)
Nascido das cinzas do Hüsker Dü, uma das bandas que inspirou o pessoal do grunge no fim dos anos 80 e início dos 90, o Sugar é um projeto pós-carreira solo do vocalista/guitarrista Bob Mould, com David Barbe no baixo e Malcolm Travis na bateria. Desde o final do Hüsker Dü, Mould andava meio raivoso e ressentido, lançando discos erráticos que, certamente, quase ninguém ouviu. Particularmente conheço apenas uma ou duas músicas desta fase, e já está mais do que bom. Com o Sugar a idéia era colocar as peças no lugar, diminuindo o tom agressivo dos trabalhos anteriores, certamente um amadurecimento musical e pessoal. O grande problema desta retomada foi ter sucedido à onda grunge, com o Nirvana e seu onipresente “Nevermind” à frente. Se o Sugar tinha uma proposta mais madura e bem resolvida, o público pareceu preferir o grito gutural e desesperado de Cobain e companhia. Por isso, este álbum ficou meio perdido na poeria do tempo, o que não deixa de ser um mérito. Na minha opinião, um disco excelente, que vale ser ouvido muitas e muitas vezes. Sobrevive com facilidade ao teste do tempo e ainda soa atual, moderno e instigante. O mesmo não se pode dizer de seus contemporâneos. Ou alguém ainda tem paciência para ouvir “Smells Like Teen Spirit”? Eu, fora! Nota 8,7.

THE SUGARCUBES – Life’s Too Good (1990).
Se você não lembra, antes de ser essa megastar queridinha do povo hype e modernoso, Björk foi vocalista de algumas bandas islandesas, entre elas o K.U.K.L., que chegou a ter algum reconhecimento na Europa, e o Sugarcubes, esta sim uma banda arrasa-quarteirão, vendendo milhões de discos e aparecendo em grande escala na mídia, especializada ou não. Foi maravilhoso ver e ouvir pela primeira vez aquela artista exótica e linda (tudo bem, na adolescência é difícil não achar qualquer mulher linda) cantando, com toda a força de seu pulmão, melodias estranhas e certamente deslocadas do que estávamos habituados a ouvir. Além disso, a banda tinha uma postura provocativa que chamava atenção, principalmente nas letras amalucadas e surrealistas. “Deus”, assim mesmo, em latim, é uma das faixas mais descaradas do pop mundial, lançando farpas contra as instituições políticas e os governos que as adotavam ou seguiam. Às vezes a banda erra feio na mão – caso das faixas “Blue Eyed Pop” e “Sick For Toys” – e nem a voz e o encantamento primitivo de BJörk salva a pátria. Isso sem mencionar a tortura que é aturar o vocalista/trompetista Einar Örn, um sujeito que deveria ter ficado lavando pratos em algum café de beira da estrada na Islândia. Na média, dá para se divertir com o disco, embora algumas de suas idéias já tenham sido exploradas à exaustão na carreira solo da Björk. E eu simplesmente não tenho mais paciência para a Björk. Nota 6,5.

MORPHINE – Cure For Pain (1993).
Um grupo que mescla blues e jazz em arranjos tipicamente roqueiros, tocados por baixo, saxofone e bateria, merece, definitivamente, respeito. O Morphine apresentou essa proposta, posteriormente chamada “low rock” no início década de 90 e foi aclamado pela crítica quase que instantaneamente. Não é para menos, porque os dois primeiros discos da banda (“Good” foi o primeiro, lançado em 1992) são daquelas poucas coisas que se pode chamar de “inovadoras” nos dias que correm. Sim, meninos, a som do Morphine é algo único, que dificilmente será repetido ou melhorado. Todos eram músicos talentosíssimos, e o baixo melódico de Mark Sandman, vocalista da banda, chega a soar quase terno em algumas passagens, uma qualidade que eu só havia visto antes no velho Macca. Como era de se esperar, o sucesso com o público foi ínfimo, e a banda, afundando nas drogas, noitadas e bebedeiras, foi perdendo seu rumo até que Sandman caiu morto por um ataque cardíaco durante um show na Itália. A banda rapidamente se dissolveu e deixou para trás os cacos do que pode vir a ser uma lenda. No futuro, talvez os novos roqueiros vejam na proposta sofisticada e jazzy do Morphine uma saída para a estagnação do gênero como um todo. Até lá, ouça esse álbum e tenha esperança! Nota 9.

PORCUPINE TREE – Lightbulb Sun (2000).
Acho que foi no primeiro Requentado que escrevi sobre o álbum “Fear of a Blank Planet”. Na verdade, não escrevi, pedi licença ao leitor para dizer putaqueosparil! Isso porque aquele disco pode ser elogiado por horas, com todos os chavões e lugares comuns da crítica musical, de pungente e inovador, a melódico e pesado, coeso, etc… Não quis gastar o tempo do leitor, portanto. Impressionado com aquele petardo, fui exercer o velho hábito de percorrer a história das bandas de trás para frente, ou seja, normalmente vou atrás dos discos mais antigos e, só depois, formo opiniões. No caso do Porcupine Tree, devo dizer que a pesquisa deve terminar por aqui. Se “In Absentia” (2002) e “Deadwing” (2005) são bem legais de se ouvir, embora não se comparem com “Fear”, o mesmo não pode ser dito deste aqui. E, para poupar o leitor, vou ser econômico mais uma vez: evite! Disco com percussão e cordas indianas só o “Sgt. Peppers”, e isso porque é o “Sgt. Peppers”. O resto é petulância. E tenho dito. Nota 3.

No início falei em novidades, mas agora me dei conta que só constou velharia. Na verdade, tá difícil, viu?!?! Ou eu estou ficando velho e mal-humorado. Ou é falta de açúcar refinado e pão branco… Em qualquer caso, era o que tínhamos para o momento. Até março.

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Uh-oh! Headache!!! Tanto a fazer e tão pouco tempo. Tantas coisas pendentes e tão poucas soluções. Tanto a dizer e tanto cansaço para encontrar as palavras. Mais um mês se passou e muita correria. Cães sarnentos e loucos errantes. Terra do desperdício adolescente. Mais e melhores blues. Outro requentado saindo do forno. Menos ingredientes, mais confusão. Dá para aumentar o dia para 28 horas? O do Jack Bauer dura meses, não é justo. Uh-oh! Headache!!! Fiquei maluco? Talvez, mas Caê faz isso há anos e todo mundo acha genial.

IRON AND WINE – The Creek Drank the Cradle (2002)
Um sujeito se tranca em sua própria casa e fica compondo, usando seu violão e eventualmente um banjo ou uma slide guitar, gravando e produzindo, faixa a faixa, pequenas canções folks, coisas muito parecidas com o que faziam Simon & Garfunkel, Neil Young e Bob Dylan. Com a diferença que o camarada em questão, Sam Bean, não está nem um pouco preocupado em vender discos, porque já entendeu que nos dias atuais não adianta se preocupar com esse tipo de coisa. O que importa mesmo é cantar o que se gosta, do jeito que se quer. Tanta despretensão tem dois resultados previsíveis: uma grande porcaria ou algo belo e autêntico. Obra de arte? Às vezes, mas definitivamente não é o caso aqui. “The Creek Drank The Cradle” é um disco excelente para ser ouvido despretensiosamente, deitado na rede ou atirado embaixo de uma árvore. Relaxando, enfim. Música agradável, desencanada e sincera. E ainda tem gente que prefere o Jack Johnson. Nota 8 (sóbrio). Meio bêbado, 8,4.

JOE STRUMMER AND THE MESCALEROS – Global a Go-Go (2001).
Quando o The Clash começou a flertar com o reggae, ska e outros ritmos caribenhos, a malta punk londrina simplesmente enlouqueceu. A banda, que já tinha assinado com uma major, foi rotulada de “traidora do movimento”, bobagem sem fim que até hoje ecoa como ofensa irremediável. Vide a rixa do João Gordo com o bobalhão do Dado Dolabella. O que passou batido naquela oportunidade foi o mentor por trás daquela inovação do som punk e do rock como um todo. Depois do Clash, inúmeras bandas desbravaram novas possibilidades a partir da fusão com tais ritmos e estrutura musical. A lista é infindável e vai de Police a Paralamas do Sucesso. Créditos sonegados a Strummer, morto em razão de uma doença cardíaca congênita no ano de 2002 (e não de overdose, como dizem por aí). A verdade é que, com parcimônia, o uso desses elementos musicais acrescenta novas cores ao rock e pode ser extremamente agradável de ouvir. É o caso deste álbum, permeado de levadas de reggae e ska sem, contudo, ser tão chato quanto um álbum desses gêneros. Ou seja, os mescaleros acertaram a mão e cometeram um disco excepcional, que deveria ser melhor reconhecido. Particularmente, acho muito prazeroso ouvir uma banda tocando com gana e, ao mesmo tempo, se divertindo tanto. Não sei se é o efeito do mescal, mas o fato é que dá para sentir os sorrisos e olhares de cumplicidade que ecoam por todo o disco, como se toda a banda soubesse o que realizaria. Não dá para ignorar um álbum tão contagiante, instigante e atual quanto este. Pena Strummer ter morrido tão-logo encontrou, finalmente, o som definitivo que procurava. Coisas da vida. Nota 9,2.

CASIOTONE FOR THE PAINFULLY ALONE – Etiquette (2006).
Na década de oitenta era até engraçada a piada musical criada pelo Trio, que consistia na utilização de um tecladinho Casio como instrumento principal em todas músicas. Por trás do deboche daquela banda havia caras inteligentes que sabiam como criar coisas absurdamente pegajosas e impossíveis de serem esquecidas (dá-dá-dá, tarara-ra-ram…). Aqui, por outro lado, temos mais um sujeito recluso em sua casa mas que, ao invés de ficar mexendo em instrumentos musicais – teclado Casiotone é instrumento musical? – deveria ter-se trancado no banheiro com uma playboy, porque o resultado deste exílio musical foi uma retumbante porcaria. Sério, não há palavras para descrever um disco tão, mas tão ruim quanto este. Não sei como alguém pode ouvir essa porcaria e continuar feliz e confiante na vida e no ser humano. Um mundo que cria um negócio tão ridículo quanto este e os outros discos de Owen Ashworth, o onanista em questão, está definitivamente perdido e fadado à destruição. Nota 0,1 (porque eu estabeleci o critério de que não daria zero para ninguém).

BJÖRK – Volta (2007).
Eu não tenho mais saco para ouvir Björk. Simples assim. Tudo tem limite, até a criativa estranheza da islandesa. Ser moderno em algum ponto da história não autoriza uma pessoa a ficar, ad nauseam, cometendo sempre o mesmo disco, com as mesmas idéias. Chega uma hora que o entusiasmo some, o encanto se perde e o vigor desvanece. É exatamente o caso. Se você ficou deslumbrado com “Debut” e achou excelente “Post”, mas começou a desconfiar ali pelo “Homogenic”, saiba que não está sozinho. Há muitos de nós, enfarados e desconfiados. Um disco dispensável, gratuito e totalmente datado. Certamente pouca gente vai concordar comigo, insistindo em que se trata de um excelente álbum. Mas isso é causado unicamente por ser um disco da Björk, teoricamente inatacável, e pela vontade de parecer moderninho. Em outras palavras, chegou a hora de pendurar as chuteiras, amiga. Obrigado por tudo. Nota 2.

Fertilizante musical

Publicado: 08/09/2007 por BigDog em Mundão da internet, Solta o som...

logo_fairtilizer.jpgVocê já deve ter percebido que a indústria musical como a conhecemos simplesmente acabou. Responda rápido: qual foi o último CD que você comprou? Difícil lembrar, certo? Com o avanço da tecnologia e a possibilidade de copiar qualquer disco em questão de minutos – isso sem falar nas redes P2P da vida – as vendas cairam vertiginosamente e as grandes gravadoras estão assustadas com isso. Afinal de contas, o produto delas é a música em uma mídia específica, seja o LP, cassete, CD ou o que vier. Agora, quando a transposição da música de mídia para mídia, sem qualquer perda de qualidade, se tornou tão banal, em teoria basta que se adquira um único disco oficial para que ele se espalhe por milhares, milhões, de pessoas. Esse processo é irremediável, não adianta tentar incluir DRM nos arquivos digitais, porque essa solução chega a ser vexatória. Qualquer moleque com um computador quebra essa proteção em dois toques, basta ter os programas certos. Se o moleque em questão entender a fundo de TI, aí danou-se. Com as gravadoras quebradas, qual a solução para as bandas e artistas? Aliar-se ao “inimigo” e simplesmente dar de graça o que ele quer, para garantir que ao menos ingressos para os shows sejam vendidos. E nesse mundão da internet, uma iniciativa como o Fairtilizer é uma mão na roda. Para quem gosta e entende de música nem se fala. Dá para descobrir milhares de artistas e bandas que nem sequer se sonhava que existissem. Tem muita porcaria no meio, evidentemente, mas uma seleção criteriosa revela algumas faixas excepcionais. E o melhor, “de grátis”!!! O inconveniente, por enquanto, é que o site está em fase beta e somente permite o cadastramento por convite, o que já dobra o interesse e o desespero de gente que nem sabe do que se trata e provavelmente nem vai usar adequadamente todos os recursos que estão à disposição. Na verdade, se deixarem, muito em breve vamos ter milhares de músicas “engraçadas”, “para dançar”, “suingadas”, e qualquer outra porcaria que agrade a miguxas e miguxos dançadores de axé/pagode. Por isso, cada membro tem a disposição apenas cinco convites para enviar, o que eu acho até uma boa medida. Enfim, tenho alguns convites e posso enviar para alguém que esteja realmente interessado. Vale muito a pena, isso eu garanto.

Ajude o Cachorrão a ver o Rush de novo!

Publicado: 31/08/2007 por BigDog em Solta o som...

Está rolando no site da Ticketmaster Brasil uma enquete para escolher qual banda/artista deve vir tocar no Brasil. As opções são Ozzy Osbourne, Iron Maiden, Rush, Van Halen e The Who. Se você não faz questão de nenhuma das outras, e não for pedir demais, dá uma passadinha lá no site e vota no Rush. Ficarei eternamente agradecido pelo auxílio. Mas não dou brinde para ninguém, não adianta insistir.

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É, passaram-se dois meses desde o último requentado, e não consegui sequer explicar os motivos da minha ausência momentânea do meio blogueiro. Excepcionalmente este final-de-semana, com alguma folga, tive tempo para colocar em ordem alguns pensamentos soltos e publicar alguns textos (mais ou menos) decentes. O que acontece é que estou no meio de um verdadeiro turbilhão de trabalho. Depois de muitos anos fazendo uma função, finalmente obtive o reconhecimento necessário e fui designado para exercê-la em caráter permanente e exclusivo. Ou seja, finalmente faço o que mais gosto, sozinho, por minha conta e risco. Tenho uma sala só para mim, onde reina o silêncio e tudo fica organizado do meu jeito. Claro que com isso tudo vem uma responsabilidade gigantesca, mas o caso é que não tenho medo da responsabilidade. Minha vida profissional está muito melhor agora, apesar de estar lutando de maneira quase insana para colocar o serviço em dia. E isso não é fácil, já que o atraso é de mais de quatro meses agora. Fico feliz com essa média, entretanto, porque quando fui designado havia coisas a fazer desde setembro/2005. Poucas, mas havia. Assim, dá para imaginar que não tenho tido tempo nem disposição para ouvir muita música. Quero mais é chegar em casa e dormir. Mas deu para curtir uma ou outra coisa, que eu indico abaixo.

THE SMASHING PUMPKINS – MACHINA II / The Friends and Enemies of Modern Music (2000).
Durante as gravações do álbum “MACHINA / The Machines of Gods”, Billy Corgan ambicionava lançar outro CD duplo, algo tão bombástico quanto “Mellon Collie and the Infinite Sadness”. A banda estava a pleno vapor, o baterista Jimmy Chamberlain havia retornado e, com sua formação original, os Pumpkins tentavam retomar sua veia criativa e o sucesso de crítica e público obtidos com os trabalhos anteriores à saída de Jimmy. Mas, preocupada com a vendagem ridícula do demasiadamente soturno e irregular álbum “Adore”, a gravadora da banda não se dispôs a arriscar o lançamento de um disco que poderia tanto ser um retorno triunfal quanto um fiasco absoluto. Por isso, “Machina” foi um CD simples e as sobras de estúdio guardadas para um futuro lançamento, ou como parte integrante do disco original ou como um novo CD. Como as vendas também não foram satisfatórias, a Virgin resolveu rescindir definitivamente o contrato dos Pumpkis, e Billy, magoado e ressentido, fez o impensável: lançou, de forma independente, a continuação do último disco em vinil, sendo três compactos e um álbum duplo. Destes, foram produzidas apenas vinte e cinco cópias, distribuídas a amigos pessoais e fãs ardorosos da banda, com a instrução de que o material fosse, na medida do possível, disponibilizado para o maior número de fãs possível. Esta é a mítica deste MACHINA II / The Friends and Enemies of Modern Music, que contêm no próprio título a impressão final de Corgan e da banda sobre as grandes gravadoras. Os arquivos mp3 podem ser adquiridos facilmente na rede, e eu recomendo esta fonte aqui. Vale a pena? Não sei, ouça e tire suas próprias conclusões. Claro que o material é tosco, algumas faixas não chegaram sequer a ser finalizadas, a mixagem é sofrível e a transposição do vinil para os arquivos digitais certamente cobrou o seu preço. Mas algumas idéias musicais são bem interessantes, e vale a pena pelo menos ouvir algumas vezes. Destaques para “Vanity”, “Lucky 13” e a versão inicial de “Try try try”, que eu até prefiro em relação àquela oficialmente lançada em CD. Enfim, diversão assegurada para quem gosta da banda e ainda não conseguiu adquirir o Zeitgeist. Nota 6, pelo esforço.

BELLE AND SEBASTIAN – Dear Catastrophe Waitress (2003).
O Belle and Sebastian você conhece, é aquela banda indie queridíssima da crônica musical e do povo “moderninho”. Não gosto nem desgosto, para mim todos os discos dessas bandas de rock fofo soam iguais, e entre si os discos do Belle são tão parecidos que não dá sequer para dizer qual é qual. Na verdade, compre qualquer um, que dá na mesma. Por que escolhi este aqui? Simplesmente porque traz a música mais tocante e inspirada da banda, “If She Wants Me”, uma baladinha com uma levada soul e um tecladinho totalmente retrô ao fundo, daquelas músicas que te fazem relaxar, e na fase atual da minha vida estou precisando muito dar uma relaxada. Por isso ouço ocasionalmente os discos da banda, principalmente durante o expediente para acalmar os ânimos. Enfim, nada demais, deve haver pelo menos umas cem bandas dos anos 60, de quem eles copiam tudo descaradamente, muito melhores do que isso. Pelo menos com alguma paixão e pegada, coisa que o Belle and Sebastian decididamente pasteurizou nos seus álbuns. Enfim, trilha sonora para uma tarde de sol no parque ou para uma viagem de elevador. Não mais que isso. Nota 4.

ART BLAKEY AND THE JAZZ MESSENGERS – Caravan (1962).
Verdadeiro manual sobre o que fazer – ou não fazer – com um par de baquetas na mão. Art Blakey é, sem qualquer sombra de dúvidas, um dos grandes gênios do jazz, sua técnica e percepção musicais são incomparáveis, influenciando legiões de bateristas até hoje. Transitando entre estilos tão variados quanto Big Band (“Moanin'”), Free Jazz (“A Night in Tunisia”) e Traditional (“At the Cafe Boehmia”, volumes I e II) ele e os Jazz Messengers se converteram em verdadeiras lendas. Esse álbum traz Curtis Fuller (trombone), Freddie Hubbard (trompete), Wayne Shorter (sax tenor), Cedar Walton (piano) e Reggie Workman (baixo), uma das mais notáveis encarnações da banda. Indispensável para quem gosta do gênero e fundamental para entender o porquê de o jazz ter ficado tão afastado do grande público atualmente. Simplesmente não dá para transmitir isso via FM, a turma EMO simplesmente promoveria um suicído em massa, concluindo irremediavelmente que suas vidas não têm mesmo qualquer sentido. O que seria até um alívio, livrando o mundo de um pessoal pernóstico que acha que inventou a roda trocando os tempos das músicas de vez em quando e compondo em tons mais baixos que o usual. Esse disco, meninos, traz estruturas nem um pouco convencionais, frases absurdamente rápidas nos solos, mudanças de andamento a toda hora, enfim, um disco extremamente complexo, mas nem por isso menos prazeroso de se ouvir. Tentem, não custa nada. Se você se interessa por bateria, então, não pode deixar de ouvir a obra do velho Art (posteriormente o muçulmano praticante Abdullah Ibn Buhaina), uma verdadeira pérola em um universo já tão povoado de baluartes, como Elvin Jones, Buddy Rich, Ed Blacwell e, atualmente, Jack DeJohnette e Marvin “Smitty” Smith. Indispensável. Nota 9,5.

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Olá, fãs do esporte, bem vindos a mais um requentado do Cachorrão, edição de maio/2007. Como você sabe, esta coluna não é crítica musical sobre os últimos lançamentos, muito menos uma fonte de novas informações. Ou vocês acham que eu vou ouvir Artic Monkeys, Mika e Snow Patrol? Eu fora! Na verdade, este mês tentei escrever aleatoriamente quando ouvia um disco legal, mas não funcionou muito bem dessa maneira, porque eu sempre escuto os mesmos discos e tenho uma certa tendência a falar melhor deles do que realmente são. E ninguém mais quer ler sobre o quanto o Sgt. Pepper’s é genial ou o Moving Pictures é perfeito. Por isso, sobrou pouca coisa e a maioria é de velharias inacreditáveis. Noves fora, o que pode ser publicado é o que segue.

THE WHO – Who’s Next Remastered (1995).
Sim, eu ainda escuto The Who, a banda mais rock’n’roll e feia da história. Rock’n’roll porque os caras tinham uma atitude de roqueiro de verdade, quebrando tudo, palco, quartos de hotel e a cara dos outros membros. Feia, porque… Bom, basta olhar qualquer foto da banda para entender. Esse disco, na verdade, começou como uma ópera-rock, no estilo de “Tommy”, mas como ninguém além de Pete Townsend entendia o conceito por trás do espetáculo, acabou virando apenas um álbum. Qualifico como “apenas” um álbum exclusivamente porque não seguiu o conceito inicial da banda para o projeto, mas se trata de um dos melhores discos de rock de todos os tempos! Se você ainda não ouviu “Baba O’Rilley” deve fazê-lo imediatamente! A começar pela hipnótica introdução com aquele loop de teclado maluco, os acordes fortes de piano e a introdução da bateria, mais parecendo uma manada de búfalos desembestados, a faixa é um clássico absoluto! Aliás, uma das grandes vantagens dessa versão remasterizada é poder ouvir Keith Moon espancando seu kit com um vigor impressionante. Não sei como os engenheiros de som conseguem isto, mas a bateria foi totalmente recuperada e é, como não poderia deixar de ser, afinal se trata de Keith Moon, avassaladora. Mexa-se, prezado leitor, que este é imperdível! Nota 9.

FRANK ZAPPA – Joe’s Garage Acts I, II & III (1979).
Escrever qualquer coisa sobre um disco de Frank Zappa sempre causa algum problema, uma vez que os fãs mais radicais do mestre são para lá de xiitas e não admitem que se diga uma única heresia ou bobagem sobre sua obra. Mas, como o negócio aqui são só os meus palpites furados, vamos lá! Em primeiro lugar, esqueça toda a baboseira do “The Wall” e seu delirante mundo comandado pelo regime criado por um roqueiro maluco e traumatizado por sua mãe super-protetora. Isso é coisa do Roger Waters, o grão-mestre onanista. Na vida real, as coisas acontecem exatamente como ocorreram com Joe e sua banda. Do início na garagem de sua casa (daí o nome, catzo!) até a total perda de suas referências e da namorada Mary, que o abandona durante uma turnê da banda “Toad-O” e comete todo o tipo de abusos (inclusive participar de um concurso de camisetas molhadas com as fãs mais entusiasmadas), Joe contrai uma impronunciável doença venérea (do assento da privada, diz ele…), e se volta para a religião como sua tábua de salvação. No final, após ser preso por quebrar uma máquina de fazer sexo, Joe perde sua sanidade mental ao descobrir que a música havia sido proibida e passa a imaginar solos de guitarra alucinados enquanto trabalha em uma loja de Muffins. Tudo isso embalado por ferrenhas críticas sociais a tudo e todos, especialmente às mocinhas católicas mais “recatadas”, como a querida Mary. Musicalmente, é tudo aquilo que se pode esperar de Frank Zappa: uma exploração quase exaustiva de ritmos, timbres e compassos, que a princípio afugenta o ouvinte “FM” – você conhece, são os que compram discos do Artic Monkeys -, mas, depois de algumas audições começa a se revelar uma obra de arte única, que efetivamente é. De quebra, o impagável narrador da história, “The Central Scrutinizer” – na verdade a voz do próprio Zappa -, que sussura suas advertências e observações cáusticas por todo o disco, e o melhor solo de Zappa na minha opinião, “Watermelon In Easter Hay”, justamente o último solo de guitarra imaginário de Joe. Mais um da lista dos imperdíveis! Nota 9,2.

TAPES’ N’ TAPES – The Loon (2006).
Se o Forrest Gump tivesse uma banda e gravasse um disco, certamente seria este. Simplesmente porque é impossível deixar de perceber que os caras do Tapes’ n’ Tapes têm um QI muito abaixo da média, mas, mesmo assim, conseguem atingir momentos absolutamente únicos, criando coisas que sua tacanha normalidade certamente não conseguiria. Será que, como Forrest, a banda também não se dá conta de suas realizações, considerando como resultado normal aquilo que outras bandas só conseguem com muito esforço e trabalho? Referências musicais? Sei lá, acho que nem eles sabem. Arrisco dizer que eu ouvi uma guitarra copiada do Joey Santiago aqui, uma bateria meio Abe Laboriel Jr. acolá, mas não posso dar certeza. Na dúvida, ouça. Mas prepare-se para ficar confuso. Nota 5 até segunda ordem, apenas suficiente para a aprovação.

NEW ORDER – Get Ready (2001).
Dizem que uma pessoa jamais deve confessar um grande defeito em público, porque, além de deselegante é extremamente constrangedor. Dessa maneira, não deveria estar escrevendo sobre este disco, mas o fato é que eu ouço e gosto do New Order. Também deixo a tampa da privada levantada e bebo leite direto da caixinha. Nada é perfeito, certamente que eu também não, como diria Geddy Lee. Voltando ao assunto, este álbum do New Order não traz quase nada de novo, o mesmo pop eletrônico com algumas texturas de rock e uma ou outra boa linha de guitarra/baixo. De resto, o mesmo padrão de sempre dos caras que inventaram a “música para dançar”. Se você, prezado leitor, se retorce em alguma pista de dança ou rave ao som eletrônico, repetitivo e impessoal, saiba que deve isso a turma do New Order, que após o trágico suicídio de Ian Curtis, deixou a linha soturna e melancólica do Joy Division de lado e decidiu colocar os paetês para chacoalhar. Um álbum comum, portanto, mas com um diferencial: a participação de Billy Corgan, que até canta sua visão adolescente e desiludida da vida em “Turn My Way” (“I don’t wanna be like other people are / Don’t wanna own a key, don’t wanna wash my car / Don’t wanna have to work like other people do / I want it to be free, I want it to be true”). Por isso, há alguns momentos mais reflexivos e outros bem mais roqueiros, o que talvez desagrade aos fãs mais antigos da banda. Eu gostei, azar… E, de mais a mais, é só mais um álbum do New Order, não vai mudar nada nem ser relevante para ninguém, caramba! Divirta-se, portanto. Nota 6.

A voz da razão foi ouvida!

Publicado: 16/05/2007 por BigDog em Mundão da internet, Solta o som...

Amazon vai vender músicas livres de proteção contra cópias
A Amazon.com afirmou na quarta-feira que vai lançar uma loja de música digital no final de 2007 com milhões de canções sem tecnologia de proteção contra cópias. A companhia informou que a gravadora EMI, casa de artistas como Coldplay, Norah Jones, Joss Stone e Pink Floyd, licenciou seu catálogo digital para a Amazon, o segundo acordo deste tipo em um mês. “A nossa estratégia de termos apenas arquivos MP3 significa que todas as músicas que os consumidores comprarem na Amazon serão livres de DRM e tocarão em qualquer dispositivo”, disse Jeff Bezos, fundador e presidente-executivo da Amazon.com. O Digital Rights Management (Gerenciamento de Direitos Digitais), ou DRM, foi exigido pela indústria musical para conter a pirataria. A tecnologia impede que usuários façam múltiplas cópias; mas seus críticos dizem que isso limita o número de consumidores e, portanto, impede o crescimento do setor.

Até que enfim uma boa notícia. Uma grande empresa como a Amazon teria mesmo de dar este pontapé inicial, porque o DRM é um verdadeiro tiro no pé da indústria fonográfica. Para mim, parece bastante lógico que, entre comprar uma música com proteção que só será reproduzida em um dispositivo específico ou baixar o disco já desprotegido de qualquer uma das oito mil fontes disponíveis na internet, o camarada vá optar pela segunda opção, mesmo que pretendesse não praticar qualquer crime. Ora, se a empresa considera pirataria fazer uma cópia em CD de uma música comprada on-line, é óbvio que qualquer ser pensante vai optar por piratear direto o disco pretendido e utilizá-lo da maneira que lhe aprouver. Trocando em miúdos, se vou cometer um crime, mesmo contra a minha vontade, então vou praticar este delito com estilo! O fim do DRM é uma medida inteligente e acertada, que certamente será seguido por todas as lojas de música da rede, porque o raciocínio básico – é melhor vender alguma coisa do que não vender nada – beira a obviedade.

Cuide bem de seu iPodQuer saber quanto tempo de vida ainda tem seu iPod? O site iPod Mechanic resolve sua dúvida com o The iPod Deathclock. Basta informar o número de série de seu tocador e responder algumas perguntas sobre condições de utilização – quantas horas o aparelho é usado por semana, em quais atividades, se já sofreu algum acidente com líquidos ou alguma queda – e o site calcula, com base nas estatísticas dos serviços de manutenção da Apple, quanto tempo de vida útil ainda resta.

Segundo o site, o meu iPod 4th Gen de 20 GB, produzido em março de 2005, deverá resistir, com base no meu perfil de utilização, por mais 437 dias, devendo “morrer” por volta de 27/07/2008. Essa informação é alarmante, porque não pretendia ter de comprar outro tão cedo. Na verdade, nunca mais. Apesar de não reproduzir vídeos e de ter uma capacidade de armazenamento bem menor do que os modelos atuais, ele supre virtualmente todas as minhas necessidades. Primeiro, porque não sou assim tão aficcionado por filmes e programas de TV que se justifique a compra de um iPod Video. Segundo, porque o espaço é mais do que suficiente. Atualmente, tenho 3.512 músicas armazenadas no bichinho, que ainda tem mais 7,1 GB de espaço disponível. Isso é suficiente para ouvir música por meses a fio sem ter necessidade de alimentar novos arquivos. E depois, quando a seleção atual enjoar, é só conectar o aparelho no PC e apagar o conteúdo, substituindo por uma nova seleção, que levará outros bons meses para ser ouvida. Assim, o que me preocupa, agora, é otimizar o tempo de vida do iPod, para evitar a necessidade de comprar outro. Algumas dicas úteis, se você também tem essa preocupação, são as seguintes:

1) Manter o firmware do iPod atualizado. As atualizações podem ser encontradas aqui.

2) Sempre manter o iPod em temperatura ambiente, evitando extremos, especialmente o calor. A temperatura ideal é de 22ºC.

3) Carregar a bateria tão-logo tenha perdido toda a carga.

4) Nunca carregar a bateria enquanto o iPod estiver em algum case ou capa, o que pode forçar a conexão do carregador e provocar curtos.

5) Não deixar a bateria totalmente carregada quando o aparelho permanecer sem uso. Uma bateria com pouca ou nenhuma carga é melhor nesta situação.

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Jornalismo musical é gente que não sabe escrever entrevistando gente que não sabe falar para gente que não sabe ler. (Frank Zappa)

Uma das causas fundamentais que me levou a ter um blog é a possibilidade de escrever sobre música, compartilhar experiências nesta área e trocar idéias, dando dicas aos leitores e recebendo novas informações em troca. No blog antigo eu até tinha uma seção chamada “Ando Ouvindo” na qual indicava o disco que estava rodando direto naquele momento específico. Mas nunca fiquei satisfeito com o resultado final, é muito difícil explicar (ou ao menos tentar) o que se aprecia em um disco ou em uma música e estava escrevendo muita bobagem, mais confundindo que explicando, o que aliás é a tônica do jornalismo musical, como bem explicou mestre Zappa. Por isso, a idéia do requentado do mês. Sabe quando você chega em sua casa cheio de fome e não tem nada decente para comer? No desespero, pega uma sobra de feijão e arroz, meio bife, duas rodelas de tomate e umas fatias de queijo e coloca tudo no forno microondas, com um ovo frito por cima, certo? Então, esta é a idéia do requentado, palpites rápidos e sucintos, sem muita tese – se eu disser que tal disco “parece uma espécie de música para dançar na areia” (Robert Smith, do The Cure, sobre o álbum Mixed Up), por favor avisem, que eu não quero exagerar –, com os ingredientes que estiverem à mão, tentando trazer apenas dados concretos e atribuindo uma nota ao final. O critério para as notas? Minha humilde opinião e mais um: dez só para Deus em caso de alguma manifestação divina. Zero, só para pagodeiro, artista de axé ou dupla breganeja. Sem mais delongas, vamos ao requentadão deste mês.

RUSH – Snakes & Arrows (2007).
Décimo oitavo disco de estúdio do Rush (desconsiderado “Feedback”, um EP apenas de covers), “Snakes & Arrows” é completamente diferente de tudo o que a banda lançou anteriormente. Até aí, nenhuma novidade. A boa notícia é que a diferença desta vez é apenas uma: Alex Lifeson. Lerxst finalmente resolveu mostrar que tem cabelo no peito e pegou seus violões de seis e doze cordas, guitarras (desconfio que até a velha Gibson SG Double Neck), banjos e bandolins (não, ele não virou o Oswaldo Montenegro) e levou tudo para o estúdio. Por isso, as harmonias e arranjos são calcados praticamente apenas nestes instrumentos e Alex demonstra o porquê de estar em uma banda tão boa há tanto tempo. Da próxima vez que alguém vier me dizer que “o Rush é legal, mas o guitarrista é fraquinho”, vou sacar meu S&A do bolso e submeter o sujeito a uma audição completa do disco. Se a opinião persistir, a culpa não vai mais ser minha. Ademais, um disco muito bem trabalhado, embora um tantinho pop demais para o meu gosto, mas inegavelmente maduro e coeso. Tão bom que mais de 90% das bandas em atividade dariam as calças para fazê-lo. Geddy e Neil? Bem, eles estão lá e ainda são Dirkie e Pratt, o que já é mais do que suficiente. Nota 8,5, com louvor!

ECHO AND THE BUNNYMEN – Ocean Rain Remastered & Expanded (2004).
Tudo bem, tem todo aquele papo de “The Killing Moon” ser a música pop perfeita e o escambau, o que eu acho particularmente um exagero, embora seja uma faixa memorável e extremamente influente em sua época. Com tanta gente pagando pau para a música, várias canções muito boas se perderam na poeira do tempo e quase ninguém lembra de “Seven Seas”, “Crystal Days”, “Silver” e a própria “Ocean Rain”. O grande mérito desta versão remasterizada, comemorativa dos vinte e cinco anos da banda, é trazer de volta, em versões tecnicamente melhores, essas pérolas do tempo em que eu tinha cabelo e, ainda, vários bonus track, inclusive versões ao vivo de “My Kingdon” e “Ocean Rain”, e a curiosa cover da banda para “All You Need Is Love”, dos Beatles. Ouça sem expectativas e compromisso. Duvido que, se você viveu os anos 80 na pele e não em festinhas ridículas do Pipe, uma lágrima não acabe rolando em algum momento. O Echo And The Bunnymen é uma banda bem normal mas suas músicas, na minha memória, são quase imortais. Nota 6,5.

XIU XIU – Air Force (2006).
A informática, como tudo nesta vida, tem seus aspectos positivos e outros não tão elogiáveis assim. Se os computadores permitem que a produção musical seja muito mais acessível hoje em dia, disponibilizando mesmo a iniciantes a rápida divulgação de seu trabalho de maneira extremamente ágil e com qualidade próxima à profissional, coisas como os Garage Band da vida também permitem que verdadeiros atentados como este se perpetuem. Um dos piores discos nos quais eu já coloquei meus ouvidos nesta vida, e olha que eu já escutei um bocado de porcaria. Ruim, mas ruim de doer. Se alguém um dia quiser processar Mr. Steve Jobs por causa deste álbum, eu vou ser testemunha de acusação. Ouça o que eu digo: não se aventure, não perca o seu tempo. Cada audição de “Air Force” representa trinta e quatro minutos a menos em sua vida e, a menos que você esteja com alguma tendência masoquista, não deve se submeter a isto. Simples assim. Nota 1,0017.

YO LA TENGO – I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass (2006).
O Yo La Tengo é uma das minhas bandas favoritas. Se você for dar uma olhada na minha página da Last.fm, verá que eu escuto a banda com muita freqüência. Na real, apenas menos que Rush, o que já quer dizer muita coisa. Pronto, já confessei. Agora, vamos aos fatos: eles são muito irregulares, alternando discos excelentes (“I Can Hear The Heart Beating As One”, “Electr-o-pura”) com porcarias homéricas (“Fakebook”, “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out”). E, como os dois últimos (“Yo La Tengo Is Murdering The Classics” e “Summer Sun”) se enquadravam à perfeição nesta última categoria, não levei muita fé com o lançamento deste “I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass”, porque o título (não tenho medo de você e vou chutar sua bunda) sugere algo do tipo “a gente toca o que quer e vão se danar!”. Pois não é que a bolachinha é muito boa? Pesado, despirocado e instigante! Só a faixa de abertura “Pass The Hatchet, I Think I’m Goodkind”, com seus quase onze minutos de duração e vinda direto do baú perdido do Velvet Underground, já vale o investimento. Eu adorei, mesmo. Recomendo. Nota 7,25.

PORCUPINE TREE – Fear of a Blank Planet (2007).
Em apenas uma palavra: putaqueosparil, com o perdão da grosseria. Nota 8,75.