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Todos nós temos, dona Dilma!

Publicado: 29/03/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Faz muito tempo que não escrevo nada sobre a situação política nacional. Não que tenha me desinteressado do assunto, mas é torturante ler o noticiário e assistir, impotente e indignado, o mar de besteiras que se diz e faz todos os dias. Parece que agora o tal bolsa família foi estendido até os dezessete anos, com a desculpa que assim os adolescentes concluiriam o ensino médio. E todo mundo sabe que adolescente de quinze anos só vai votar dentro de um ano, período no qual vai dar tempo de sentir fome e pensar um pouco sobre a falta de emprego e oportunidades futura. Enfim, um voto a menos. E eis que leio a seguinte manifestação da ministra Dilma Rousseff sobre a possibilidade de depor na CPI criada para investigar a má utilização dos famigerados cartões corporativos.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje durante evento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, em Curitiba, que o parlamento tem o direito de investigar o que quiser na CPI mista dos Cartões Corporativos, “mas o Planalto tem mais o que fazer”. “Prefiro tratar do PAC nas minhas 12 horas de trabalho”, afirmou a ministra, ao ser questionada se prestaria depoimento à CPI sobre o suposto dossiê contra o governo de Fernando Henrique Cardoso. (Fonte: Terra)

Quer saber, ministra? Nós também! Pena que não tenhamos cartões corporativos para pagar nossas despesas.

Eu não gosto de ONG

Publicado: 18/02/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Outro dia recebi uma mala direta de uma ONG pedindo doações para ajudar a eliminar o problema dos animais de rua. Com todo o respeito que mereçam as pessoas que, voluntária e desinteressadamente, trabalham nestas organizações por puro idealismo, devo dizer que eu não dou um centavo para ONG nenhuma, sob nenhum pretexto. Eu não gosto de ONG, acho o fim da picada existir o chamado “terceiro setor” e não quero nem saber quais são os objetivos que movem essas iniciativas. Ok, você deve estar pensando que eu sou maluco – e não vai estar errando muito – mas deixa eu dar a minha opinião.

Primeiro, acho que qualquer iniciativa que conte com aporte de dinheiro público para funcionar é uma grande porta aberta para a picaretagem. Tudo bem, existe inúmeros grupos bem intencionados que trabalham por puro diletantismo fazendo algo que acreditam ser importante para resolver um ou outro problema social. Mas o fato é que, conforme reconhecido no próprio site da ABONG, uma das principais fontes de captação de recursos das ONG consiste no estabelecimento de parcerias com o setor público. E todo mundo sabe que no Brasil dinheiro público é sinônimo de dinheiro sem dono, que pode ser usado para qualquer finalidade sem a menor preocupação ética/moral. Se o Estado não se mobiliza para resolver problemas de sua área de atuação, não deve ser despejando dinheiro em entidades cujas pessoas não almejam lucros – até certo ponto, porque tem muita gente empregada em ONG ganhando bons salários – que a questão fica resolvida. É mais ou menos como reconhecer a incompetência e passar adiante a batata quente, alegando que o problema foi resolvido. E acho que ninguém que não seja do meio pode apontar uma forma eficiente de fiscalização da aplicação destes recursos. Ou seja, se deixarem a bolsa da Viúva no banco do parque, cedo ou tarde alguém vai levar.

Segundo porque, mesmo quando não é o caso de dinheiro público envolvido, acho que os objetivos das ONG nem sempre se justificam e, em certos casos, podem gerar problemas maiores do que aqueles que buscam resolver. Já vi ONG para cuidar de animais de rua, ensinar computação básica e até para divulgar a “cultura popular”, ensinando a crianças as batidas dos axés e timbaladas da vida, com a desculpa de que isso as mantêm fora das ruas e da influência de traficantes e bandidos. Mas uma vez com todo o respeito, o Brasil não precisa de mais percussionistas e digitadores. Precisamos, urgentemente, de conhecimentos de informática avançada, matemática aplicada, biologia e medicina de ponta, enfim, precisamos formar profissionais capacitados e competitivos para enfrentar os desafios científicos de igual para igual com os demais países do mundo. Cada nova criança saída de uma ONG com um certificado de operador de computador é mais um desempregado em potencial e a atuação da entidade só colaborou para empurrar o problema para a frente. Aliás, como tudo neste nosso Brasilzão de meu Deus.

Os argumentos contrários são muitos, como não poderia deixar de ser, e vão desde “pelo menos estão fazendo alguma coisa” até “não dá para resolver tudo ao mesmo tempo”. Concordo com o fazer alguma, mas que pelo menos seja na direção correta. Não dá mais para tapar buraco com besteiras, precisamos de reformas profundas em todos os níveis, inclusive na zona que virou o erário. Sem isso, sinto muito, mas não vai ter ONG que resolva!

Não teve preço

Publicado: 08/02/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

BRASÍLIA – Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta sexta-feira, a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, decidiu deixar o governo para se defender das acusações de uso ilegal de cartões corporativos.

A ministra informou ao deixar o cargo que demitiu Carlos Eduardo Trindade, Subsecretário de Planejamento e Informação; e Antônio da Silva Pinto, assessor especial da ministra. Segundo Matilde, os assessores a teriam orientado a utilizar o cartão corporativo do governo para pagar despesas com viagens, alimentação e locação de carros para transporte.

Particularmente, acho que essa história toda do cartão corporativo decorreu simplesmente de um mero erro de avaliação da ex-ministra. A criação do Ministério da Igualdade Racial (nem sei se o nome está correto, mas você entendeu) é uma daquelas medidas meramente demagógicas tomadas pelos sucessivos governos para aumentar sua popularidade e assegurar alguns votos a mais nos próximos pleitos. É um mecanismo bem simples: pega-se uma questão em relação a qual ninguém poderá tecer nenhuma crítica (ou alguém pode ser contra o fim do racismo?) e cria-se um cabide de emprego qualquer, com meia dúzia de assessores e uma sala própria em algum lugar, pagando-se nababescos salários de CC a algum correligionário estrategicamente indicado para desempenhar a função. Via de regra, estas pessoas devem ficar quietas e, regularmente, apresentar alguma proposta ou material promocional de suas ações, apenas para serem lembradas e valorizar a indicação para uma posto de trabalho remunerado pela Viúva. O problema, é que dona Matilde resolveu fazer alguma coisa com seu ministério, e saiu país a fora gastando o que não devia em cartões corporativos fornecidos pela União, ao invés de assumir seu papel inócuo e dispensável. Sim, dispensável, ou não temos um Ministério da Justiça e uma Polícia Federal estruturados, inclusive com seções especializadas em assegurar a dignidade da pessoa humana? Ou já não temos o Ministério da Educação trabalhando em ações de inclusão dos negros nas universidades federais e assim, futuramente, no mercado de trabalho? Dona Matilde não reparou que sua função era meramente decorativa e eleitoreira. Só acho difícil acreditar na explicação de que “não sabia de nada, foram os assessores”. Qualquer criatura medianamente inteligente sabe que dinheiro público não deveria – veja bem, não deveria – ser esbanjado dessa forma.

Por outro lado, penso que não deve haver investigação criminal e tentativas de responsabilização da ex-ministra pelos atos praticados, ainda que, ao contrário do que o governo Molusco I apregoa, não se trate de mera questão ética, mas de crime, puro e simples. Dona Matilde não deve ir para a cadeia, em hipótese alguma, exclusivamente porque, frente ao mar de negociatas, desvios de dinheiro, corrupção e roubalheira, sua penalização terá o único condão de confirmar aquilo que seu ministério busca combater: o racismo. Afinal, não é uma das máximas perversas deste país que apenas vão presos os negros e os pobres?

Agora, só à bala.

Publicado: 13/09/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

canalheiros.jpgO povo brasileiro recebeu um recado muito claro no dia de ontem. Esse recado veio da mais alta casa legislativa do país, o Senado Federal, cujas funções institucionais incluem a cassação do mandato do presidente da República em caso de impeachment, a sabatina de ministros indicados para o Supremo Tribunal Federal e do indicado para presidente do Banco Central, a aprovação de matérias de relevante interesse nacional, entre tantas outras de vital importância para o funcionamento do sistema político. Em uma palavra, nos disseram os senadores desta legislatura: DANEM-SE. Alguns até colocaram um ponto de exclamação no final da curta e dura sentença, porque tiveram o topete de defender publicamente a absolvição de Renan Calheiros de todas as acusações que lhe foram imputadas e, salvo ledo engano meu, estão mais que comprovadas. Outros, mais cautelosos e se aproveitando da votação secreta, se limitaram a votar contrariamente ao relatório da comissão de ética, mas nem por isso deixaram de assinar embaixo a missiva que nos foi remetida. A partir de hoje, estão absolutamente liberadas todas as maracutaias, negociatas com dinheiro escuso e a promiscuidade com a iniciativa privada. Enfim, acabou-se o tão falado e pouco definido “decoro parlamentar”. Ao que tudo indica, não haverá mais punições por condutas incondizentes com o cargo relevante por eles ocupado, e está autorizada a total falta de parâmetros éticos e morais. Tal descalabro já havia sido sinalizado por ocasião da absolvição de inúmeros deputados mensaleiros, inclusive com direito à “dança da pizza”, como ficou conhecido aquele tresloucado rebolado da ex-deputada (com a graça de Deus) do PT Ângela Guadagnin.

Não sou daqueles que defendem a idéia de que o país vive o pior momento de sua história no que se refere à corrupção desenfreada que assola todos os níveis e esferas de governo. Tenho plena consciência que inúmeros desses escândalos agora sob os holofotes são decorrentes de décadas de planejamento e implementação. Alguns desses esquemas remontam ao tempo das capitanias hereditárias e talvez sejam praticamente impossíveis de quebrar. A exposição atual decorre, única e exclusivamente, do fato de o PT ter deixado a oposição, de onde exigia, engendrava e fazia acontecerem, atos de fiscalização explicita, tais como CPIs e afins, que só não eram praticamente permanentes em razão da obstrução dos então partidos governistas. E, sob vaia, os deputados e senadores do PT acusavam resultados espúrios, falta de interesse na apuração dos fatos e arranjos políticos para que responsabilidades não fossem apuradas. Agora, subtraída essa força fiscalizadora, o que nos resta? Nada. O PT está fazendo um papelão histórico, simplesmente porque age de acordo com códigos de conduta que sempre condenou. Senadores do partido foram articuladores da absolvição do presidente do Senado, principalmente Ideli Salvati (PT/SC), que atuou em prol de Renan quase tão fielmente quanto este – macaco velho e escolado no jogo dessas trapaças – tentava evitar a cassação do presidente Collor. E tudo isso por quê? Simplesmente porque Renan, na qualidade de presidente do Senado Federal, provavelmente tem na palma da mão diversos ocupantes de cargos de alto escalão do governo Molusco I, o infindável, que certamente ordenou à sua tropa de choque a defesa do comparsa.

Não se engane, prezado leitor, por trás de tudo isso há muito mais do que sonha nossa vã filosofia. Escapar impune é apenas o primeiro deboche de Renan Calheiros. Para evitar outro vendaval como o provocado pelo deputado Roberto Jéferson, teremos que assisti-lo, ainda, presidindo o Senado como se nada tivesse acontecido e rindo muito à nossa custa. Pessoalmente, acho que ele não passa de um pobre coitado, um dos tantos nanicos morais que o eleitorado brasileiro faz questão de deixar ingressar em um ambiente ao qual definitivamente não deveriam pertencer: a alta cúpula da administração federal. Não tenho a menor dúvida de que qualquer outro senador exerceria as funções de presidente do Senado com igual ou superior desempenho. Mas não é esse o caso. O que realmente importa é que, comparsas que são, todos eles permaneceram inertes, esfíngicos em seus cargos. E nós que nos danemos. Às armas, que é o que nos resta. O sistema democrático que todos sonharam – quase um natimorto – está definitivamente sepultado.

Pensei em escrever um longo texto indignado com o novo acidente aéreo brasileiro, aquele absurdo total que matou quase duzentas pessoas em Congonhas, mas isso seria chover no molhado. Todo mundo está indignado, não há quem não se sinta tocado pelo drama dos familiares de tantas e tantas pessoas que morreram absolutamente em vão, apenas por burrice, descaso e indiferença. Não perdi nenhum conhecido, apenas um ex-professor de direito administrativo – Paulo de Tarso Silveira – no acidente e isso já é mais do que suficiente. No meu artigo, citaria o outro acidente ocorrido no ano passado, com o avião da Gol que se chocou em pleno ar com outra aeronave que viajava na mesma altitude, matando mais 185 pessoas. O problema é que a indignação deveria se voltar, necessariamente, contra as autoridades responsáveis pelo caos aéreo que assola o país, a direção da ANAC, da INFRAERO, algum ministro e, fatalmente, ele, o néscio Molusco I, o convicto. E é justamente aí que reside o problema: ninguém está nem um pouco preocupado com os fatos. “Relaxa e goza” disse Marta Suplicy. “Top-top-top” fez Marco Aurélio Garcia, Assessor (prá-lá-de) Especial daquele analfabeto que dizem ser presidente. O problema é que as pessoas estão viajando demais de avião, tascou Zé Dirceu. Enfim, ninguém está nem aí, funcionários de alto escalão da ANAC – por sinal, dirigida pelo Milton Zuanazzi, que entende tanto de aviação quanto eu da fabricação de naftalina mas se intitula “Doutor” no site da ANAC – viajam de graça às expensas de empresas aéreas que deveriam estar fiscalizando. Sim, porque a função da ANAC é a de fiscalizar empresas aéreas, por isso se a TAM deixou vencer os prazos de manutenção da aeronave e causou o acidente, a culpa é, SIM, do órgão governamental encarregado dessa fiscalização. Se os controladores de vôo estão sobrecarregados, é culpa de quem os sobrecarrega. Ou alguém é capaz de defender a idéia de que eles, servidores públicos que são e, portanto, portadores de cérebros minúsculos, seriam capazes de deliberadamente causar um acidente para conseguir um aumento nos seus nababescos salários? Talvez o Charles, que acha que ganhar pouco mais de R$ 3 mil para controlar a vida de centenas de pessoas em pleno vôo é uma “boquinha”.

Mas deixa para lá. Ainda vou ter de ouvir algum PenTelho renitente dizendo que o problema é muito mais antigo, que desde o governo FHC já existe, etc, etc, e mais etc. Faz parte do programa de treinamento para ser petista assimilar essa balela: “já estava assim quando eu cheguei”. Como se a data de início de um problema fosse desculpa para evitar tomar alguma providência e solucioná-lo, ainda mais quando se é eleito para isso.

Por que estou escrevendo tudo isso, já que eu afirmei que não valia a pena tratar do assunto? Porque, morando no Rio Grande do Sul, assisti de camarote um governador (aquele de quem não pronunciamos o nome) deixar as estradas se deteriorarem a tal ponto que qualquer reforma seria uma dádiva para os usuários. A partir daí, foi só dar uma recapada rápida no asfalto, privatizar tudo para empresários amigões e botar os 10% no bolso. Hoje, o povo paga um absurdo de pedágio – diga-se de passagem, cuja prorrogação do prazo de exploração foi a primeira e única providência efetiva do governo Yoda até agora – mas não reclama, porque pelo menos morrem menos pessoas, quebram menos carros e existe um pouco mais de segurança. O número de vítimas do descaso calculado para acelerar o processo de privatização é uma incógnita, mas certamente não desprezível.

E eis que, no calor do maior acidente aéreo da história do Brasil, surge uma proposta do governo federal para abrir o capital da INFRAERO. “Abrir o capital” é um eufemismo petista para o verbo privatizar, expressamente vedado pela cartilha do partido, a não ser em frases negativas (“não iremos privatizar…”) ou acusatórias (“a culpa foi da privatização apressada…”). Não dá para pensar, muito, sobre o assunto? Quero dizer, se o caos for calculado e as mortes apenas contingência do plano? E se aquele amigo russo do seu Zé Dirceu, a quem este prometeu a VARIG mas não pôde entregar, resolveu agora não ser o dono da loja de laticínios, mas da vaca? Guardem este nome, Boris Berezovsky, e comparem com o resultado do leilão de “abertura do capital” da INFRAERO. E me cobrem depois.

Sou contra o aborto, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, durante entrevista coletiva que o Estado certamente fará parte de um debate sobre o aborto. Apesar de se manifestar pessoalmente contrário, Lula afirmou que a questão é problema de saúde pública. “Eu tenho um comportamento como cidadão, sou contra o aborto e não acredito que tenha uma mulher nesse País que seja favorável. Como chefe de Estado, no entanto, sou favorável que o aborto seja tratado como questão de saúde pública”, disse.

Inumeráveis articulistas da grande imprensa pronunciaram-se de forma indecorosa sobre Lula: o comentarista Paulo Francis o chamou de “ralé”, “besta quadrada” e disse que se ele chegasse ao poder, o país viraria uma “grande bosta”. Além disto, uma antiga namorada de Lula, com a qual ele tinha uma filha natural, surgiu durante a propaganda gratuita de Collor, durante o segundo turno das eleições, para acusar seu ex-namorado de “racista” e de ter-lhe proposto abortar a filha que ambos tiveram. (fonte Wikipedia)

É, seu Lula, o camarada tem que ter alguma coerência na vida… Melhor seria se Dona Eurídice Ferreira de Melo tivesse tomado a decisão de fazer um aborto ali por janeiro de 1945. Muitos dos nossos problemas estariam resolvidos, ou nem sequer existiriam. Mas, como aborto retroativo é tecnicamente assassinato…

É pecado pensar assim?

Publicado: 11/05/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Lado B da vida, sempre indo na contramão. É assim que normalmente me sinto frente a manifestações populares de grande repercussão. Simplesmente não consigo optar pelo caminho do senso comum e isso, no mais das vezes, é extremamente desconfortável. Como agora, com a visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Ao que parece, todo mundo está feliz com o encontro de Sua Santidade com nosso supremo (des)mandatário, porque inegavelmente se trata de um momento importante, ainda que pelas razões erradas. De um lado, o líder religioso mais importante no país, uma vez que a maioria da população brasileira ainda responde ao IBGE que é católica, mesmo que destes a maior parte nem sequer lembre mais o que ser católico significa. Do outro, o presidente mais improvável da história, um metalúrgico que escapa por pouco do analfabetismo e que trouxe para o poder a esperança de uma enorme massa de desassistidos e desesperados. Assisti a pouco na televisão uma reportagem sobre as milhares de pessoas que, desde a chegada, fazem sacrifícios, se acotovelam e amontoam para ver Bento XVI. Quanto ao nosso presidente, ainda lembro da sua primeira vitória na eleição presidencial, aquele clima elétrico no ar, aquela sensação quase eufórica de “é agora”. Sem dúvida, duas pessoas fadadas a comandar as massas.

Contudo, olhando para fotos como esta acima, tudo o que consigo sentir é amargura e rancor. Na verdade, temos, de um lado, o representante máximo da instituição mais anacrônica e rançosa do planeta, cuja crença depende da aceitação de dogmas absurdos e do indispensável esquecimento de fatos inomináveis. Bento XVI é o Papa, mas, antes de tudo, é o chefe de uma camarilha de mercadores de ilusões que se apóiam na mais absoluta ignorância para vender – sim, VENDER – suas baboseiras para quem se dispõe a comprá-las. E olha que o preço não é barato. De culpa, mesmo, ele não tem nada de muito escabroso (que se saiba), a não ser o fato de manter em vigor bobagens como a proibição do uso da camisinha, mesmo em tempos da epidemia de AIDS mundo afora e, como se não bastasse, do descabido crescimento demográfico em países que não possuem condições sequer de manter a população já existente. O passado da igreja católica, evidentemente, não deveria ser imposto ao Papa atual, mas eu desconfio muito de um camarada tido como conservador numa instituição que é, por si só, uma das mais conservadoras da história. Os crimes cometidos, as mortes desnecessárias – ou você acredita em bruxas? -, a venda de lotes no céu, a repressão ao progresso científico em nome de crenças ultrapassadas, as orgias, a politicagem, a criação de obrigações religiosas com base exclusivamente em interesses comerciais obscuros, a omissão com a verdadeira causa dos pobres e escravizados, tudo isso sempre estará a pesar, queiram ou não, sobre o Sumo Pontífice, ainda mais quando não se percebe qualquer movimento de retificação dessas posturas, que poderiam começar discretamente, com o reconhecimento dos erros cometidos. Do outro lado, o maior estelionatário eleitoral conhecido. Enquanto faz festa para o Papa e aguarda ansioso o início do Pan-americano para divulgar a imagem de seu governo no exterior, Lula desvia a atenção da sua trupe, que segue enchendo seus bolsos com nosso dinheiro sem que ninguém mais reclame. E isso tudo vindo de um sujeito que chegou ao poder sob a promessa de iniciar a mudança do país, realizar obras, promover reformas sociais e políticas, enfim, tudo aquilo que fez a gente votar nele desde sempre. Chegando lá, todavia, muda-se o discurso, a ordem mundial é esta mesmo, não adianta tentar impor mudanças muito radicais porque isso somente trará problemas ao país e mais um monte de desculpas para lá de esfarrapadas. Resumindo, corrupto, demagogo, fraco e dissimulado (como seus antecessores, pois não?).

Em suma, lado B da vida. Aproveitem a vista do Papa e, se puderem, rezem pela absolvição do meu pecado.

Grande coisa…

Publicado: 08/05/2007 por BigDog em O veneno escorre, Populítica

Polvo abre garrafa em busca de guloseima
Octi, achado na Nova Zelândia, vive há dois meses num aquário da cidade de Napier. A inteligência do molusco é famosa, revelando grande capacidade de aprendizado.

Grande coisa, isso nem chega a ser novidade para nós, brasileiros. Olha aí um molusco que já aprendeu a abrir garrafas há anos. E olha que o nosso ainda escolhe a garrafa para abrir, porque somos nós que pagamos! Isso sim é que é demonstração de inteligência. Polvo neozelandês, morra de inveja!

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O início do fim já chegou

Publicado: 04/05/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

A Polícia Federal, com um contingente de 300 homens, realizou na manhã de hoje a “Operação Hurricane” (Furacão, em inglês), para deter envolvidos na lavagem de dinheiro por meio de controladores de jogos como bingos e caça-níqueis. Entre os presos, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que até ontem era vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES). Também foram detidos outros integrantes do Poder Judiciário, acusados de envolvimento e conexões com o esquema, e a delegados da própria PF – Susie Pinheiro, que atuava interinamente como corregedora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Carlos Pereira, delegado em Niterói (RJ). (Terra Magazine, 13/04/2007).

São Paulo – O ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), teve seu nome citado nos autos do procedimento investigatório criminal 91/06 do Ministério Público Federal que serve de base para a Operação Têmis – suposto esquema envolvendo empresários, advogados e magistrados em sentenças que teriam favorecido bingos e devedores do Fisco. Por meio de manifestação de 21 páginas, o procurador da República em São Paulo Alexandre Amaral Gavronski sugeriu, em 6 de dezembro do ano passado, a quebra do sigilo bancário de Naves relativo ao segundo semestre de 2003. No documento, o procurador pede abertura dos dados bancários da desembargadora Alda Basto, que está na mira da Operação Têmis, além da interceptação telefônica dela e do empresário José Luiz Neves Vianna. (UOL Notícias, 27/04/2007).

Está cada vez mais complicada a situação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, a mais alta autoridade do Judiciário denunciada sob a acusação de vender sentenças à máfia dos bingos. Afastado de suas funções com base numa licença médica, Medina passou a semana recluso em seu apartamento funcional, em Brasília. Na quinta-feira, depois de se sentir mal, o ministro precisou ser hospitalizado por causa de diabetes, doença que o acomete já há alguns anos. Seu irmão, o advogado Virgílio Medina, continuava preso sob a acusação de vender sentenças judiciais do ministro. Seus colegas nas duas mais altas cortes do país, o STF e o STJ, defenderam publicamente seu afastamento, além do de outros cinco desembargadores e dois juízes federais, do Rio de Janeiro e de São Paulo, todos igualmente investigados sob a suspeita de vender decisões à máfia da jogatina ilegal. A situação do ministro do STJ só não é mais dramática porque o Supremo Tribunal Federal negou o pedido da Procuradoria-Geral da República para colocá-lo na cadeia. (VEJA On-Line).

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou denúncia do Ministério Público Federal para abertura de ação penal contra o desembargador Dirceu de Almeida Soares e o afastou das atividades exercidas no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF). O desembargador foi denunciado por formação de quadrilha, estelionato qualificado e advocacia administrativa. De acordo com a denúncia, o desembargador constrangia e pressionava os demais integrantes do TRF para a concessão de decisões judiciais favoráveis a advogados amigos. Entre esses advogados, Roberto Bertholdo, que vai responder pelos mesmos crimes de Dirceu Soares. Três outros envolvidos – Michel Saliba, Roberto Morel, José Carlos Jacinto de Andrade – foram denunciados por formação de quadrilha e estelionato qualificado. (Site do STJ, 02/05/2007).

Venho há muito tempo batendo na tecla de que é necessária neste país uma devassa em quase todos os órgãos da administração pública, de todas as esferas e em todos os graus hierárquicos. Chego a parecer meio chato e repetitivo falando de negociatas escusas aqui e ali, mas o Estado já faz água desde longa data em razão da atuação dos corruptos que todos, menos os órgãos encarregados da fiscalização, sabem existir. A quase incontrolável sangria de recursos públicos está tornando cada vez mais difícil a administração das atividades imprescindíveis ao bom funcionamento da máquina estatal. Com o tempo, estaremos em uma situação de caos insustentável. Não sou daqueles que acham que o governo de Molusco I, o pândego, é muito mais corrupto do que qualquer outro que o tenha precedido. Não, tenho a convicção de que ele é apenas igual aos outros, somente havendo tanta verborragia em razão da necessidade urgente dos outros setores que antes ocupavam o poder retomarem as rédeas do país, tudo para assegurar o que no patuá convencionou-se chamar de “o seu”. Portanto, Lula e seus asseclas, ao contrário de tudo o que se afirma, não são piores nem melhores. Apenas iguais, o que já quer dizer muita coisa.

No judiciário, até agora, tínhamos apenas denúncias isoladas de corrupção e desvio de verbas públicas – como os casos de Nicolau dos Santos Neto, o “Lalau”, e do juiz Rocha Matos -, mas a situação era controlável e, aparentemente, pontual. E eis que começam a pipocar ações da polícia federal prendendo, acusando e encaminhando ao ministério público diversos casos claros de corrupção, roubalheira e imoralidade neste poder que deveria ser o fiscalizador maior da honestidade e bom gerenciamento dos recursos públicos. Em minha opinião, esse é um indício quase inquestionável de que estamos na beira do precipício. Muitos, premidos pelo preconceito já arraigado contra os órgãos jurisdicionais, dirão “bem feito”, alegando que são todos marajás, verdadeiros párias explorando e sugando o que podem das contas públicas. Nesse diapasão, qualquer ação política mais forte tendente a suprimir prerrogativas e, até mesmo, extinguir definitivamente partes ou o todo do poder judiciário, será muito bem recebida e não sofrerá contestação popular. E é aí que a porta para o fim estará aberta.

Não se iluda, prezado leitor, mas um dos fatores fundamentais para que nós recebamos nossos salários, décimo terceiro e férias, tenhamos linhas telefônicas, elétrica e de água funcionando, paguemos apenas o percentual previsto em lei a título de impostos, e tantas outras coisas, é a existência de um judiciário a quem acorrer, mesmo com seus anacronismos, mazelas e virtual inoperância face à imensa quantidade de demandas que a ele se apresentam. Tirem-nos isso e a quem iremos reclamar? Às DTRs e PROCONs da vida? Aos juízos arbitrais? Não se iluda, caríssimo leitor.

Claro que não estou aqui a defender impunidade ou complacência com esses fatos. Desembargadores, juízes e procuradores têm extenso conhecimento da lei e, quanto maior a consciência da ilicitude, maior a culpabilidade. Ademais, são pessoas com a vida assegurada que, salvo fatos gravíssimos, permanecerão assim eternamente, recebendo seus salários e aposentadorias nada desprezíveis até a morte. Por isso, tais crimes são, além de tudo, injustificáveis. Se temos a figura do crime famélico, em que se isenta de pena alguém que pratique um ilícito na iminência de sucumbir à fome e em estado de completo desespero quanto à sobrevivência própria e de sua família, no caso inverso, quando não há qualquer necessidade econômica na prática do ilícito, creio que a punição deve ser agravada.

O que defendo é a preservação da instituição, que não deve ser confundida com as pessoas que nela atuam. Façam a devassa que fizerem, se restar apenas um juiz honesto e impoluto – o que não vai acontecer, eles são bem mais, eu asseguro – sua autonomia deve ser preservada e o funcionamento do poder judiciário deve ser incentivado. Do contrário, virá o fim.

Carta à um meritíssimo juiz

Publicado: 03/05/2007 por Wolfarth em Isto é Brasil..., Populítica

Por Arnaldo Jabor,
jornalista e cineasta.

Sr. juiz, ainda não sei se a Câmara dos Deputados vai me processar, como anunciou em plenário o presidente Arlindo Chinaglia. Mas, caso V. Exª. surja à minha frente de capa negra e cenho severo, quero que saiba exatamente do que me acusam, pois, nas palavras dos deputados e de seu presidente, eu teria insinuado que “os deputados são todos canalhas”.

Portanto, peço a V. Exª. que leia a íntegra de meu comentário na CBN, do dia 24 de abril de 2007:


“Amigos ouvintes,
Eu costumo colecionar absurdos nacionais que ouço, vejo ou leio nos jornais para fazer meus comentários aqui na CBN. Muito bem. Há dias em que não sei por onde começar. Há tantas vagabundagens neste País que só mesmo sorteando um assunto. Eu sorteei um que saiu no jornal ´Estado de São Paulo´, e acho que foi um peixe grande. O amigo ouvinte já deu a volta ao mundo? Não sei se sabe que são 44 mil quilômetros. Pois bem…

Todos sabemos que nossos queridos deputados têm o direito de receber de volta o dinheiro gasto em gasolina, seja indo para seus redutos eleitorais ou para o motel com sua amante ou seu amante. Pois bem, a Câmara, ou melhor, você e eu, meu amigo, nós pagamos esse custo, desde que eles levem notas fiscais para comprovar o gasto de gasosa.

Muito bem, de novo. Vai prestando atenção. Nos primeiros dois meses da atual legislatura, os deputados, em dois meses apenas, pediram o reembolso de 11 milhões e duzentos mil reais, pagos com a verba da Câmara.

Os repórteres do ´Estadão´ Guilherme Scarance e Silvia Amorim fizeram as contas e concluíram que entre fevereiro e março, com dinheiro público, os deputados teriam gasto um milhão de litros de gasolina. Ou seja, essa quantidade de gasolina daria para dar a volta ao mundo 255 vezes. São 255 vezes 44.000 quilômetros, que dão a distância de 11.200.000 quilômetros.

E aí é que vem a resultante espantosa: a distância da Terra à Lua é de 384 mil quilômetros, ou seja, senhores e senhoras ouvintes, daria para fazer a viagem de ida e volta à Lua 15 vezes.

Será que eu fiquei louco? Se algum matemático me ouve, verifique se estou errado. Mas acho que não. E o procurador-geral do Tribunal de Contas da União, sr. Lucas Furtado, denunciou-os dizendo que é uma “forma secreta de dar aumento de salários que eles não têm como justificar”…

Será que o sr. Arlindo Chinaglia não vê isso ou só pensa no bem do PT?

E me digam, amigos, quando é que vão prender esses canalhas? Quando a PF vai encanar essa gente, com humilhação? Quando? Ah…desculpe…eles têm imunidades e também foro privilegiado… É isso aí amigos, otários como eu…”


Esse foi o meu “crime”, sr. juiz. Irrefletidamente, escrevi “os deputados”, talvez parecendo uma generalização; mas é óbvio que me referia aos autores da falsificação de notas fiscais das viagens interplanetárias e não a todos os parlamentares, principalmente porque há alguns que respeito profundamente – talvez não mais que uns 17, já que ultimamente cresceu o número dos 300 picaretas referidos uma vez por nosso “grande timoneiro”.

Além disso, sr. juiz, quero deixar claro que considero o Legislativo a maior conquista que nos legou o Império, há mais de 150 anos, fundamental instituição nestes tempos lulistas, bolivarianos e equatorianos, para impedir que parlamentares sejam caçados nas ruas como ratazanas grávidas, como acontece na Venezuela e no Equador.

Sempre defendi o Legislativo, como aconteceu no episódio do petista Bruno Maranhão, milionário bolchevista que invadiu a Casa. Desafio meus denunciantes, meritíssimo, a mostrar uma frase de meus comentários que expresse desejo de que o Legislativo seja enfraquecido. Em 1996, pediram minha cabeça ao saudoso Luís Eduardo Magalhães, quando falei que “deputados do Centrão estavam sendo comprados como num shopping center”. Quiseram capar-me, meritíssimo.

Nove anos depois, vimos que eu não estava tão errado assim, com o advento épico do mensalão, das sanguessugas e dos dossiês, seguidos de esfuziantes absolvições de quase todos (os três últimos foram agora reeleitos e absolvidos pelo “povo”). Mas, em todos meus uivos e ganidos, sempre ansiei pela pureza do Legislativo, contra os políticos que nele entram ou para fugir da polícia ou para viver num País paralelo, cheios de privilégios, sem pensar um minuto em nós, que eles deveriam representar.

Em meus devaneios românticos, sonho com Joaquim Nabuco, Tavares Bastos, Zacharias de Góes, Ruy Barbosa e, mais modernamente, em gente como San Thiago Dantas, Milton Campos, homens que, quando assomavam à tribuna, o vulto de Montesquieu brilhava no teto e invadia as galerias.

Meritíssimo juiz, nesses anos de comentarista, nunca tive o sádico prazer de emporcalhar o nome do Congresso nem mesmo por falta de assunto. Neste caso, quando denunciei, junto com o “Estadão”, essa fraude intergaláctica, esperava candidamente que as notas fiscais fossem conferidas e os ladrões punidos. Não imaginava que fossem processar o denunciante, como se fazia na antigüidade, matando-se o mensageiro de más notícias.

E mais, meritíssimo, se um dia os nobres deputados apresentarem projetos de lei para o bem dos brasileiros, condoídos com a miséria que nos rói, se um dia eu visse alegorias patrióticas, trêmulos oradores, polêmicas sagradas, gestos indignados pelo bem do Brasil, meus comentários virariam hinos de louvor, panegíricos à instituição.

Assim sendo, meritíssimo, peço à V. Exª. que me absolva, com a mesma leniência concedida recentemente a grandes brasileiros como Waldemar da Costa Neto, Paulo Rocha, José Janene e tantos outros… Agora, se V. Exª. se decidir por minha condenação, peço-lhe um único favor, humildemente: condene-me a serviços comunitários, como faxineiro da Câmara dos Deputados, e garanto a V. Exª. que varrerei a sujeira dos tapetes verdes, lustrarei bronzes e mármores com o mesmo zelo e empenho que tenho tido, nos últimos 15 anos, usando apenas as vassouras da ironia e as farpas do escovão.

Atenciosamente.

Arnaldo Jabor.
*Jornalista e cineasta
Artigo originalmente publicado no jornal O Sul.

Qual a diferença?

Publicado: 01/05/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Eu sou um sujeito tosco, verdadeiramente curto das idéias. Tenho uma imensa dificuldade para compreender coisas simples e gostaria muito que alguém me explicasse algum dia como funciona um isqueiro. Para mim, é um negócio de magia negra o camarada conseguir transportar um dispositivo destes no bolso sem se queimar. Mas eu me esforço, leio, procuro por notícias, enfim, tento compreender as coisas que me instigam, mesmo que este processo, no fim, só agrave o quadro de confusão mental em que estou imerso. Por exemplo, leiam este trecho, retirado do site oficial da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB/RS):

A deputada Manuela d´Ávila (PCdoB/RS), integrante do Comitê em Defesa do Banrisul apoia o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, que afirma que a inclusão do dispositivo de plebiscito no estatuto do Banrisul para venda do controle acionário é a prova que faltava de que a governadora Yeda quer privatizar a instituição. “Se não fosse isso, por que levar para o estatuto uma previsão que está na Constituição estadual?”, questiona o presidente do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo. O dispositivo foi aprovado na assembléia de acionistas, realizada na manhã desta segunda-feira, dia 30, no edifício-sede do banco, enquanto os bancários promoveram um ato de protesto que fechou a rua Caldas Júnior.

Ah bom, vender bancos estatais é prejudicial ao patrimônio público, porque o Estado se desfaz de parte significativa de seus bens e perde o controle sobre diversos aspectos necessários à regulação do mercado, tais com a fixação de tarifas por serviços bancários e a disponibilização de crédito a juros baixos a pessoas com pouca ou nenhuma capacidade de investimento. Entendi e concordo. Esse negócio de privatizar tudo que está sob o controle do Estado não traz tantos benefícios quanto se afirma e, da forma como foram feitas – especialmente nos governos dos senhores Antônio Britto e FHC -, tais privatizações viram uma grossa negociata com o dinheiro público, favorecendo-se “amigos do peito” e financiadores da campanha eleitoral dos governantes, enfim, uma atitude que não deveria ser suportada pela sociedade. É compromisso de qualquer governo verdadeiramente democrático preservar e gerir empresas construídas ao longo das décadas por milhares de pessoas, com presença em diversos setores da economia, tudo como forma de assegurar a prestação de serviços essenciais e capitalizar as atividades estatais. Mas eis que me deparo com a seguite notícia:

As verbas necessárias para atingir o investimento de R$ 500 bilhões em quatro anos, previsto pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje pela manhã, em Brasília, virão de estatais como a Petrobras e deverão partir da venda de ativos de bancos públicos como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A maior parcela deverá ser proveniente da iniciativa privada. (Invertia).

O curioso é que, mesmo procurando, não encontro uma viva alma que se oponha à venda de ações dos dois bancos sob o controle do governo federal. Agora não entendi mais nada: vender o BANRISUL é ruim, mas o BB e a CEF podem ir tranqüilamente para o vinagre? Por quê? Não é a mesmíssima situação? Não foi o PT e os diversos partidos da outrora denominada esquerda que sempre se opuseram – como estão se opondo, no caso do BANRISUL – às privatizações? Mestre Yeda e seus padawans* são entreguistas e canalhas ao destruir um patrimônio da sociedade gaúcha, mas Molusco I, o ébrio, pode passar os bancos federais nos trocos sem que ninguém o importune? Se a desculpa da necessidade de investimentos é suficiente para autorizar a venda, então não fica nossa venturosa governadora desculpada por proceder desta maneira, já que seu antecessor, Germano Rigotto, o sonolento, entregou a bodega praticamente quebrada? Para o PAC pode e para equilibrar as contas do RS não? Não sei, eu, como já referido, não entendo nada, mas gostaria muito de entender. Talvez um dia consiga. Por ora, está muito difícil.

* trocadilho infame e fora de hora, mas não fui o primeiro.

Bêbados do mundo, chorai.

Publicado: 23/04/2007 por BigDog em Extra!!! Extra!!!, Populítica

Morre ex-presidente russo Boris Yeltsin, diz Kremlin
O ex-presidente da Rússia Boris Yeltsin morreu, informou hoje o serviço de imprensa do Kremlin, a agência oficial do governo russo. “O ex-presidente Boris Yeltsin morreu hoje”, disse um porta-voz do Kremlin, sem informar a causa da morte. Segundo fontes médicas citadas pela agência Interfax, a morte foi provocada por uma brusca parada cardíaca. O ex-líder russo, cuja ascensão ao poder marcou o fim do comunismo, tinha problemas cardíacos. Ele completou 76 anos no dia 1º de fevereiro.

Eu estou de luto. Mais um gambá bem sucedido que se vai. Muito triste para a nossa classe!

Pedrada na tartaruga!

Publicado: 19/04/2007 por BigDog em Populítica

Mello: é impossível fazer prognóstico de votação.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, disse a Terra Magazine que não é possível fazer nenhum prognóstico sobre o processo que será votado hoje e que poderia, em decisão extrema, tirar o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Temos que avaliar o parecer do ministro César Asfor Rocha.”
Questionado sobre o fato de a Polícia Federal, ao investigar o caso, ter isentado o presidente Lula de participação e o Supremo Tribunal Federal ter arquivado o processo contra o senador Aloízio Mercadante – então candidato a governador e suposto interessado no dossiê -, o ministro esquivou-se. “Vamos decidir de acordo com o que o ministro César pesquisou”.
O pedido de julgamento foi feito em 18 de setembro de 2006, pelo PSDB e o então PFL (hoje Democratas). Nele, os partidos alegavam “abuso do poder político” no caso da compra de um dossiê contra o atual governador de São Paulo, José Serra. À época, Valdebran Carlos Padilha da Silva, do PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial, foram presos com R$ 1,7 milhão, que seriam usados para pagar o material.

Não entendeu? Clique aqui.

update: Apenas esclarecendo, a pedrada a que me refiro é a do Ministro Marco Aurélio Mello, que, mesmo tendo conhecimento das conclusões da investigação da Polícia Federal isentando o presidente Molusco I, o parvo, de qualquer responsabilidade no episódio, o que demonstra que o julgamento quase certamente irá absolver nosso digníssimo supremo mandatário, tenta criar um factóide alegando que o resultado da sessão do TSE é imprevisível. Não sou eu a atirar pedras na tartaruga, portanto. Se não há culpa, evidente que não deve haver punição. O justo é o justo (e vice-versa, como diria o filósofo Jardel).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o ”desequilíbrio financeiro” vivido atualmente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o órgão não fez ”sua lição de casa, que nossos países fizeram: ajuste fiscal e redução de custos”.

Bom, o que podemos dizer sobre isto:

  1. O FMI usava a política do faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.
  2. Chegou a hora dos cachorros mijarem nos postes.
  3. O FMI precisava cortar custos mas primeiro queriam testar o método em outros lugares. Nós fomos cobaias..
  4. Ou ainda a filosófica frase: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

Notícia completa aqui.

Reforma à vista

Publicado: 14/04/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

É fato notório que uma das principais causas do sucesso da Rede Globo de Televisão foi a associação com os órgãos representativos dos altos escalões militares logo após a “revolução” Redentora de 1964. Roberto Marinho rapidamente empenhou seus engatinhantes veículos de comunicação em campanhas pró-ditadura e, com isso, conseguiu a simpatia da cúpula do regime e muitos patrocínios estatais, dinheiro grosso, que serviu, entre outras coisas, para possibilitar o hoje decantado padrão Globo de qualidade. Graças a isto, vendemos merda enlatada – novelas, mini-séries, etc. – para o mundo inteiro, em troca de mais merda enlatada que é transmitida todos os dias nos canais da rede. Não houvesse o golpe militar, e sabe-se lá o que teria acontecido com os órgãos de comunicação de Assis Chateaubriand, cuja situação financeira estava para lá de claudicante quando ocorreu o golpe, mas que poderia ter-se beneficiado dos mesmos expedientes de Roberto Marinho junto à camarilha fardada. O país hoje seria outro, para o bem ou para o mal.

Criada desta forma, é óbvio que a Rede Globo seria decisiva em todos os momentos da história política do país, sobrevivendo até os dias atuais com a complacência de diversos setores políticos e estatais, à custa de sua postura absolutamente “chapa branca”. Eu sei que este discurso parece paranóia do Brizola, que carregava demais na mão, mas a crítica em si sempre foi e sempre será válida.

E eis que, ao contrário do que sempre ocorre, lá estava eu assistindo ao Fantástico do domingo passado quando sou atraído por uma chamada sobre “o país em que é mais fácil se aposentar”, aquelas bobagens típicas do Fantástico, que sempre tem alguma reportagem surpreendente na pauta que, por mais imbecil que seja, vira comentário obrigatório em todos os âmbitos na semana seguinte. A partir de um estudo do IPEA, a reportagem traçou um comparativo do sistema previdenciário brasileiro com o de diversos países, chegando à brilhante conclusão de que, como o Brasil, ao contrário do que acontece em outros lugares, não exige uma idade mínima para a concessão de aposentadorias, aqui é o local que permite mais facilmente aos trabalhadores obter o benefício. Em resumo, a Previdência Social é extremamente benevolente e nós deveríamos nos conformar com o estabelecimento da idade mínima, para evitar a falência definitiva do sistema. Assista à íntegra da matéria clicando aqui.

Ontem à noite, no Globo Repórter, mais uma dose sobre o assunto, com um programa inteiro dedicado à crise no sistema previdenciário, mostrando as mazelas do sistema, acompanhando segurados na peregrinação para a obtenção de benefícios, mostrando as notótias fraudes praticadas por pessoas que não deveriam receber benefícios e que se aproveitam da fragilidade do controle estatal para fraudar a Previdência e, assim, receber aquilo que não tem direito. Mais uma vez, destacando a necessidade de uma reforma urgente para evitar o prejuízo maior a todos os trabalhadores e segurados – a quebra do INSS.

Para quem convive diariamente com os problemas da Previdência Social e sabe do interesse estatal em resolver a questão aparentemente insolúvel do déficit previdenciário da maneira mais simples – esticando ainda mais a corda para os segurados -, nada mais evidente que este interesse repentino da Globo no assunto, cumprindo seu papel de panfleto estatal, traz uma mensagem clara e definitiva vinda diretamente da cúpula do governo federal: vem reforma por aí! E, pelo tom das reportagens, o que se pretende é estabelecer a tal idade mínima para a aposentadoria.

O problema com estas campanhas da mídia oficial (plim-plim) é que sempre se parte de meias verdades ou de informações incompletas e tendenciosas para tentar convencer a patuléia de que há razão naquilo que se pretende. Neste caso, gostaria de alertar o leitor para dois aspectos relevantes nesta situação.

Primeiro, esta técnica de traçar análise comparativas entre dois sistemas previdenciários apenas com base em um aspecto é extremamente tendenciosa e passa ao largo de qualquer preceito ético. Se é verdade que em quase todos os países foi estabelecido um limite mínimo de idade para a aposentadoria, também é verdade que as regras para pagamento dos benefícios são, quase sempre, muito mais benéficas aos segurados. No Brasil, uma pessoa pode, efetivamente, aposentar-se ainda na casa dos quarenta anos, desde que ingresse muito cedo no mercado de trabalho e permaneça trabalhando, sem lapsos de desemprego, por trinta e cinco anos, o que não acontece em diversos países (Chile, Argentina, França, Holanda, entre outros) que estabelecem limites rígidos de idade para que a pessoa possa ser inativada. O que ninguém quer que a gente saiba é que em muitos destes países não existem redutores como fator previdenciário, limite máximo do salário-de-contribuição e renda mensal máxima, o famoso “teto”. Certa vez fiquei assustado quando li uma reportagem sobre a previdência da Holanda, porque lá a aposentadoria só é possível quando o segurado completa sessenta e cinco anos de idade e comprova quarenta de tempo de serviço. Pesado, não é? O reverso da moeda, contudo, é que a aposentadoria corresponde a 70% (setenta por cento) do último salário recebido, sem choro nem vela. Imaginemos que um trabalhador recebe a quantia – bem razoável para os padrões europeus – de 5 mil euros. Ao se aposentar, passará a receber 3,5 mil, o que em Ribamares (nossa moeda local desde o plano cruzado, tenha o nome que tiver) dá cerca de 9,5 mil. Ou seja, ainda que a pessoa demore mais para conseguir sua aposentação, irá receber um salário digno pelo resto de sua vida. Compare isto com os míseros 1,2 mil euros a que corresponde a aposentadoria máxima aqui no Patropi e me responda se a comparação não começa a tender para o outro lado. Vender uma idéia com base em fatos parciais é muito fácil, difícil é fazer todo mundo acreditar nela.

Segundo, porque o rombo da Previdência não provêm somente do número excessivo de segurados em gozo de benefícios – que, em sua imensa maioria, ganha a irrisória quantia de um salário mínimo por mês – mas, isto sim, da corrupção deslavada que se estabeleceu no País e na sonegação absurda de tributos devidos ao sistema. Grandes empresas nacionais devem, ao total, mais de 2,8 bilhões de reais ao INSS, e ninguém, absolutamente ninguém, toma qualquer providência para sanar este buraco, porque é muito mais fácil atingir o privilegiado trabalhador do que o faturamento destes pobres empresários. Se todas as receitas ingressassem nos cofres públicos e de lá saíssem apenas para pagar os beneficiários que durante tanto tempo recolheram regularmente os tributos por eles devidos, certamente o problema se amenizaria e a solução para o déficit remanescente poderia partir de uma realidade bem mais aprazível àqueles que ainda tem a expectativa de um dia se aposentar. Não sei o quanto um problema está relacionado com o outro, não tenho parâmetros para dizer se os devedores são os mesmos que participam das farras homéricas patrocinadas com dinheiro público, mas o relacionamento do governo federal com os devedores poderia ser bem menos cordial e respeitoso, em prol de toda a sociedade.

Em resumo, quero dizer que, se vão mexer na minha aposentadoria, pelo menos o façam com dignidade e tenham coragem de promover uma grande e irrestrita auditoria nas contas da Previdência, tudo para resolver definitivamente o problema. Ou assumam a calhordice e parem de me tratar como um débil mental que acredita em tudo o que a Globo diz.

Como estou de férias, em um ritmo alucinante de vagabundagem, nesta sexta-feira 13 resolvi praticar um dos meus esportes prediletos: zapear TV.

Começando pelo canal 3, avanço rapidamente pelo canal 19, 20, 21 até parar no 28.

Eis que, logo ao início do meu entretenimento lúdico-esportivo, rapidamente interrompo meu esporte, ao ver imagens inacreditáveis, que causaram estranheza e orgulho (sentimentos confusos, bem ao estilo deste blog). Sim, nossos excelentíssimos deputados federais estavam trabalhando em plena sexta-feira.

E não era para votar aumento salarial deles ou uma medida provisória urgente com contra-partida em dinheiro. Era uma sessão solene para homenagear o Sport Club Internacional. Isto mesmo!!!! Sessão solene que foi sugerida pelo deputado Pompeo de Matos, sendo presidida por Ibsen Pinheiro e, tendo à mesa da presidência importantes personagens da história nacional: Artur Dallegrave, Fernando Carvalho, Vitório Píffero, Iarley e mais um cônsul que não lembro o nome.

Esta sessão começou com a apresentação de um vídeo institucional relatando a vitória da Libertadores e do Mundial FIFA. Logo após, os deputados Pompeo de Matos, Ibsen Pinheiro e Paulo Roberto fizeram discursos na tribuna, enaltecendo a importância das conquistas, a história das lutas do colorado e a paixão da torcida por este glorioso time. Também discursou um dos vice-presidentes do Inter.

Estavam presentes nesta sessão, vários jogadores, entre eles Edinho, Ceará, Marcelo Boeck. Também o senador Paulo Paim esteve presente à Câmara dos deputados para prestigiar tão relevante sessão.

Só com um motivo tão grandioso para fazer nossos nobres representates legislativos ocuparem-se da labuta em uma sexta-feira.

Por Felipe Wolfarth

 

Tudo o que se sucederá com o mundo em algumas décadas ainda é incerto. Mas as previsões sobre o clima do futuro remetem à conclusões nefastas.

 

Como todos sabem, o planeta está sendo aquecido de forma gradativa pela ação humana, por meio da queima de combustíveis fósseis e até por arrotos bovinos (acreditem!).

Esse aquecimento já pode ser observado pela análise do gelo nos pólos e na Groenlândia, principalmente o degelo do pólo norte, sob o qual situa-se o Oceano Glacial Ártico. Naquelas paragens o derretimento das glaciações está acelerado, sendo inevitável o desmantelamento da calota polar original.

Entre 2055 e 2080, a Terra será bem diferente. E o degelo do Ártico será a principal causa da confusão climática que existirá.

O descongelamento do ártico fará com que milhões de metros cúbicos de água doce gelada sejam escorridos para o Oceano Atlântico, resultando em uma brusca diminuição de sua temperatura.

Pelo Oceano Atlântico circulam correntes marinhas que regulam a temperatura da água e, por conseguinte, interferem no clima em praticamente todos os quadrantes do globo terrestre. As correntes marinhas quentes provenientes do Atlântico Sul são responsáveis pelo aquecimento das águas do Atlântico Norte, o que torna possível amenizar o clima predominantemente frio daquele hemisfério.

No momento em que a quantidade de água gelada oriunda do degelo do ártico superar a capacidade de aquecimento das correntes marinhas do sul, esta água gelada (mais densa) irá descer à uma profundidade razoável e impedirá a livre circulação da corrente quente vinda do sul, ou seja: as águas do Atlântico norte ficarão permanentemente geladas.

Com esse súbito resfriamento, sobrevirão alterações climáticas significativas no hemisfério norte, dentre elas a diminuição drástica das temperaturas na costa leste dos EUA e do Canadá, além de todo o continente europeu, incluindo a Rússia. Nesses lugares os invernos, por regra, já são rigorosos. Com o degelo do ártico, haverá inverno praticamente o ano todo, em uma reedição da última era glacial. Na Europa, por exemplo, a circulação das massas de ar quente vindas da África será ineficaz, impossibilitando a agricultura e a pecuária em escala comercial. Quem já assistiu ao filme “O Dia Depois de Amanhã” consegue imaginar o cenário. Claro que a obra fictícia é exagerada, sendo voltada mais para o público norte-americano. Porém, a idéia dos produtores do filme foi antecipar os efeitos das catástrofes ambientais.

Mas os reflexos não param por aí. Como o meio ambiente é indivisível, funcionando em ciclos, outras latitudes serão afetadas em um “efeito dominó”. Como resultado do resfriamento do Atlântico Norte, as correntes do sul não circularão mais ao norte, limitando-se ao Mar do Caribe e ao Golfo do México. Essa mudança trará efeitos imprevisíveis para o litoral sul dos EUA, América Central e Caribe. Os furacões e tufões, muito freqüentes no verão, serão comuns em todo o ano. Viver naqueles lugares será pior do que viver hoje no Iraque. As imediações do Caribe viverão um eterno pesadelo.

E mais. Com a alteração das correntes marinhas atlânticas, o Oceano Pacífico ficará mais quente do que atualmente, fazendo do fenômeno “El Niño” um fato corriqueiro na costa oeste da América. É possível que até comece a chover no litoral do Peru e do Chile (o que seria positivo), mas os furacões e tufões, que jamais foram vistos no litoral da California, começarão a surgir e certamente acabarão com Los Angeles e com a american way of life.

As mudanças na pressão atmosférica tanto na costa leste quanto na costa oeste dos EUA criará um sistema impeditivo de frentes úmidas para o interior do país, resultando na desertificação de áreas agrícolas do “celeiro” da América. A escassez de terras aráveis nos EUA gerarão um colapso no sistema produtivo do país, tornando-o um importador de produtos primários.

Além disso, a África ficará mais quente e mais seca. Os ecossistemas do continente africano, a rica fauna e as florestas equatoriais serão aniquiladas. A África sofrerá ainda mais com a postura “isolacionista” do restante do mundo e morrerá aos poucos, vitimada pela fome, pelas doenças e pelas guerras.

Na Ásia, especialmente na China e Índia, serão freqüentes os tufões e inundações, matando milhões de pessoas nos populosos países da região. Algumas ilhas do Oceano Índico e do Oceano Pacífico sumirão do mapa e terão de ser abandonadas pelos habitantes. A Austrália sofrerá com estiagens. Alguns países deixarão de existir e problemas políticos dessa ordem serão o estopim de inúmeras guerras.

O aumento no nível dos mares já está ocorrendo e isso é perceptível. Em algumas praias já não há mais espaço de areia. A linha de preamar começa a avançar rumo ao continente. No Brasil as cidades costeiras sofrerão alterações em suas geografias.

Especificamente em relação à natureza, um terço das espécies (tanto da fauna quanto da flora) desaparecerão. Qualquer alteração na temperatura ou no regime de chuvas em determinadas regiões será suficiente para extinguir os seres vivos que se formaram em determinados habitats. O complexo ecossistema da floresta amazônica jamais será restabelecido.

As campanhas para reversão do quadro que se apresentará serão infrutíferas. À medida que as tentativas de preservação e mobilização dos homens crescerá em ritmo aritmético, a devastação e as ocorrências nefastas avançarão em progressão geométrica.

Com a escassez de água potável, no futuro haverá a necessidade de dessalinizar a água do mar em algumas regiões, principalmente no Oriente Médio e na África. Acredita-se, inclusive, que serão criadas tecnologias para utilização da água salgada como combustível, pois será uma forma de reverter o fenômeno das cheias em algumas regiões.

Com o aumento do nível dos oceanos, os imóveis à beira-mar serão “apropriados” pelas águas e haverá uma valorização dos imóveis situados em locais 200m acima do nível do mar. Nos próximos 20 a 30 anos quem possuir imóvel nas regiões costeiras terá prejuízos se não vendê-los a tempo.

Felizmente, o Brasil (em especial as regiões sul e sudeste) não sofrerá tanto com as drásticas seqüelas pelo cenário vindouro. Entretanto, a Amazônia desaparecerá aos poucos, com a escassez de chuvas, tornando-se um imenso cerrado. Será possível cultivar em larga escala por lá, mas somente culturas de clima mais seco. O Nordeste, que já é seco, será transformado em deserto.

A princípio, o sul do Brasil terá um clima mais tórrido no verão, com muito mais chuvas do que a média atual. Inundações no litoral e nas regiões baixas ao redor da Lagoa dos Patos serão inevitáveis em virtude da elevação do nível dos mares. Apesar disso, nossos pagos serão lugares ainda habitáveis e, por via de conseqüência, muitas pessoas (inclusive oriundas EUA e Europa) migrarão para cá para fugir do clima inóspito do hemisfério norte.

Inicialmente, o Brasil tenderá a aceitar alguns dos imigrantes, mas terá de conter as invasões dos estrangeiros, tal como os EUA procedem hoje. Em 2070, não haverá espaço gratuito para estrangeiros no nosso privilegiado país.

As doenças tropicais serão comuns na região sul do Brasil devido ao clima quente e úmido. Regiões como a Serra e Planalto Gaúchos terão superpopulação. A saída será o investimento em infra-estrutura, biotecnologia e agricultura de alta produtividade.

E o pior é que, mantidas as taxas de natalidade, em 2080 o planeta terá uma população entre 9 e 10 bilhões de habitantes. Porém, somente haverá locais habitáveis, alimento e água para 2 bilhões de pessoas. Será obrigatória a redução da população da Terra, nem que seja “na marra”. Com isso, é fácil imaginar o que acontecerá.

As nações pujantes formarão exércitos para tentar ocupar regiões mais aprazíveis. Poucos ecossistemas permanecerão incólumes ao cataclismo global. Planaltos de clima temperado na Ásia, América do Sul e a Nova Zelândia, são alguns exemplos de “paraísos” no futuro.

A luta será somente pela sobrevivência. Países que não sofrerão tanto com as catástrofes naturais, como o Brasil, serão os mais visados pelos demais. Nações outrora poderosas, como as européias e os EUA, entrarão em franco declínio, motivado pelo inverno permanente que receberão como herança. Honestamente, trata-se apenas do alto preço que pagarão por usufruírem de forma desmedida dos recursos naturais do planeta por mais de 500 anos.

A formação de exércitos e arsenais será necessária. Imagina-se que as batalhas travadas serão um pouco diferentes do modelo utilizado hoje. Como o objetivo será o extermínio de uma população para posterior colonização do local, as armas de destruição em massa serão evitadas para que não haja a devastação da região que se pretende ocupar futuramente. As pugnas serão, provavelmente, travadas em terra, por milícias. Também serão comuns as batalhas navais, semelhantes às ocorridas até a 1ª Guerra Mundial.

É custoso acreditar que o nosso país esteja capacitado para defender-se à contento das investidas estrangeiras. Só haverá tempo para construir uma solidez nacional em termos estruturais e econômicos com uma visão estratégica e preventiva dos acontecimentos globais.

 

Acredito que eu não esteja sozinho neste pensamento preventivo.

Registro que tudo isso não é fruto de uma imaginação demente, nem de alguém tentando ser “pitonisa” e tampouco um novo Nostradamus. Os cientistas e pesquisadores já estão certos dos eventos que virão. Especialistas em geopolítica não têm dúvidas sobre os efeitos gerados e relacionados ao clima do futuro próximo.

Claro que algumas das ponderações colocadas foram pessoais, baseadas no precário conhecimento do articulista sobre o assunto, mas todas são providas de lógica. Talvez não seja o fim dos tempos, o apocalipse. Mas o planeta Terra não será mais o mesmo. Definitivamente.

Enfim, há somente uma certeza. Diante de tudo isso, o Brasil terá de estar preparado para ser uma potência em 50 anos, nem que seja pelo demérito ou infortúnio dos outros. Oxalá tenhamos líderes proeminentes no futuro que consigam manter nossa nação soberana.

Como já previam os antigos, pode ser que o Brasil seja o país do futuro.

Pena que eu não estarei mais por aqui para presenciar o espetáculo.

Impeachment já!

Publicado: 11/04/2007 por BigDog em Populítica, Tosco Futebol Clube

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Tartaruga no poste

Publicado: 30/03/2007 por Wolfarth em Isto é Brasil..., Populítica

Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho gari (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Lula.
O velhinho disse:
– Bom, o senhor sabe, o Lula é como uma tartaruga em cima do poste…
Sem saber o que o gari quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.
E o gari respondeu:
– É quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste.
Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:
– Você não entende como ela chegou lá;
– Você não acredita que ela esteja lá;
– Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
– Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
– Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
– Você não entende porque a colocaram lá;
Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!

O problema é que Lula Molusco, o Ébrio, não foi colocado num poste simples. O poste em que ele está tem comida, telefone, frigobar, microfone e um bando de gente cuidando para que ele não caia…

Uma das coisas mais legais para se fazer em um grupo de amigos, quando todo mundo já está naquele vale de torpor induzido pelo excesso de comida e bebida, é levantar uma tese completamente absurda, baseada em fatos de validade duvidosa, e esperar para ver a discussão se formar. É engraçado, porque todo mundo sabe que tu estás brincando, mas, dependendo da seriedade e veemência com que a tese é defendida, acabam ficando em dúvida se devem ou não rebater teus argumentos. No fim, está todo mundo empenhado em comprovar a total falta de sentido daquela idéia estapafúrdia, o que leva a um maior consumo de bebidas e, conseqüentemente, a um acirramento da discussão. O ponto de parar com isto, por óbvio, é aquele no qual as pessoas começam a fazer declarações definitivas e ameaçam ir embora. Essa é a hora de trocar de assunto.

A tese maluca que eu vinha defendendo nos últimos tempos era a de que Fernando Collor de Mello é um dos maiores injustiçados da história política brasileira. Pense bem: Collor renunciou ao cargo de Presidente da República para tentar evitar a cassação de seus direitos políticos em um processo de impeachment que tinha como fundamentos a) a falta de declaração de US$ 5 milhões captados na campanha pelo infame PC Farias, tendo sido criada a famigerada “Operação Uruguai” para justificar a origem de tal quantia, que se comprovou posteriormente tratar-se de um empréstimo forjado, com documentos elaborados e assinados após a descoberta do dinheiro pela CPI; b) um Fiat Elba recebido sabe-se lá a troco de quê; c) uma reforma na Casa da Dinda, com direito a cascata artificial e tudo; e d) algumas falcatruas cometidas por seus Ministros de Estado na gestão dos Ministérios e pela Primeira Dama, Rosane Collor, à frente da LBA.

Fernando Henrique Cardoso, que ficou no cargo por oito longos e intermináveis anos, sofreu, neste período, acusações de ter se beneficiado de caixa dois em campanha, vendeu estatais a empresários amigões a preço questionável, teve que contornar diversos escândalos de corrupção de seus colaboradores, patrocinou a vergonhosa compra de votos no atacado para a aprovação da emenda constitucional que assegurou sua reeleição, e teve seu filho envolvido numa denúncia de superfaturamento para a organização do estande do Brasil na feira de Hannover, uma espécie de Expointer sem o cheiro de estrume, no montante de US$ 8 milhões.

Molusco I, o parvo, que nos aborrece com o segundo mandato, participou diretamente, embora negue com a maior naturalidade, do maior escândalo político desde a redemocratização do Brasil, o chamado esquema do mensalão, que, além de tudo, transformou a corrupção em algo sistêmico, regrado e institucionalizado. Pelas contas da CPMI, pelo menos 150 deputados participaram do esquema e houve a apuração de fatos suficientes para a cassação de pelo menos uns vinte, que foram hipocritamente absolvidos pelos seus pares, inclusive com direito à dança de comemoração em pleno plenário, patrocinada pela Deputada Federal Ângela Guadagnin. Analisando friamente, a R$ 30 mil por mês para cada deputado, o mensalão representou um desvio do patrimônio público na casa de R$ 4,5 milhões mensais. Afora isto, denúncias de corrupção nos Correios, o desvio de dinheiro público para a confecção de material de campanha, o Lulinha sendo erigido à condição de sócio de uma das maiores empresas de telecomunicações do país, a Telemar, numa sucessão de operações duvidosas que o tornaram milionário da noite para o dia, a bordo de sua empresa, a G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, que foi constituída com um patrimônio social de R$ 100 mil, mas cujo capital não foi sequer integralizado pelos sócios no ato de fundação. Ou seja, uma empresa com patrimônio zero passou a milionária (mais de US$ 5 milhões) sem que ter produzido nada que justificasse isto.

Em todos os casos antes referidos, por óbvio, aplica-se o axioma já famoso no patuá, “fora o que a gente não ficou sabendo”.

De tudo isso, é fácil concluir que Collor, o único punido, possa ser considerado uma vítima, um pobre infeliz que mereceria o perdão e deveria ser alvo de um pedido formal de desculpas. Eu sei, a tese é absurda, mas é aí que está a graça da brincadeira.

Corta para Brasília, 15.03.2007. Passado o período de suspensão de seus direitos políticos e eleito Senador da República pelo estado das Alagoas, Fernando Collor de Melo sobe ao púlpito do plenário do Senado Federal para fazer seu primeiro pronunciamento no cargo, um discurso intitulado “O Resgate da História”, que em si é uma cantilena enfadonha sobre todos os abusos legais e regimentais sofridos no processo de impeachment, perpetrados por aqueles que queriam se vingar pela derrota nas urnas, ou seja, a mesma tese persecutória em que ninguém jamais acreditou, mas que fez com que o Senado parasse novamente para ouvi-la. Em suma, uma total perda de tempo. Mas os apartes são verdadeiras pérolas, que merecem ser lidas com muita atenção. (O texto integral do discurso, com os apartes, está disponível aqui)

Disse o Senador Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas:

Senador Fernando Collor, percebo que V. Exª, polêmico como é e tendo ressurgido na cena política como ressurgiu, talvez tenha colocado muitos Colegas nossos em dúvida: aparteio? Não aparteio? É bom para mim? Não é bom para mim? Eu, por outro lado, não saberia impor nenhum limite à liberdade do meu mandato que não os limites da lei, da Constituição, do Regimento Interno da Casa, do decoro parlamentar. Gostaria, portanto, de dar meu depoimento de Líder do PSDB e de brasileiro que viveu os momentos descritos por V. Exª. E digo-lhe que não vou entrar no mérito das acusações feitas ao Governo de V. Exª. Reconheço que V. Exª pagou um preço muito alto em um País onde ninguém paga preço algum quase nunca, ou nunca!

Então o testemunho que eu queria dar é que V. Exª, primeiramente, não ofereceu a resistência que podia ter oferecido. Volto a dizer, não entro no mérito das acusações, jamais acusaria V. Exª, mas algumas delas me pareciam graves, em função dos fatos que chegaram ao meu conhecimento. V. Exª apenas – e isso é um mérito sim – não resistiu, como poderia ter resistido, dentro dos poderes que este nosso presidencialismo torto propicia aos Presidentes da República. Nós vimos depois. Se V. Exª tivesse tido, por exemplo, uma relação mais “aberta” com certos setores do Congresso, talvez tivesse concluído o seu mandato. Se V. Exª tivesse, na verdade – e vou usar uma expressão que foi, corriqueiramente, banalizada -, relações menos republicanas com certo segmento do Congresso, V. Exª teria, certamente, ido até o fim do seu mandato. Vou aqui secundar o Presidente Lula – não sou eu que estou inovando, não estou inventando nada; aliás, tenho uma frustração na minha vida de não ser capaz de inventar nada; tudo que eu digo alguém já disse, tudo que eu faço alguém já fez -, que disse que V. Exª estava anistiado, seja pela justiça – e aí leia-se também o preço pessoal, familiar, psicológico que V. Exª pagou -, seja pela manifestação do povo das Alagoas. Essa foi a expressão do Presidente Lula. Eu, então, vejo V. Exª como um Senador, como os demais.

Na mesma linha, o Senador Epitácio Cafeteira (PTB/MA) sustentou que

…vivi muito durante todo o meu trajeto, mas há coisas de que não nos esquecemos. Lembro-me de que, em uma das camisetas que V. Exª usava para fazer cooper, estava escrito que “o tempo é o senhor da razão”. Isso é absolutamente certo. V. Exª esperou. Primeiramente, foi julgado e inocentado pelo Supremo. Continuou sua luta. Agora, o povo das Alagoas lhe dá o mais alto cargo do Legislativo brasileiro: Senador pelas Alagoas. Congratulo-me com V. Exª, exatamente, pela obstinação, no sentido de usar a tribuna do Senado, nesta Casa, em que o mandato de V. Exª foi cassado, para, também daqui, ter a oportunidade de levar ao Brasil toda a história da cassação de seu mandato. Repito: congratulo-me, portanto, com V. Exª. Sou um homem feliz, porque tenho a oportunidade de ser o Líder de um ex-Presidente que nunca se esqueceu de dar ao povo a demonstração do que foi seu Governo e da injustiça que sofreu.

Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará, aproveitou o ensejo para consignar que:

Hoje, quero fazer uma constatação – acho até que não é o momento adequado para colocar em julgamento o mérito das questões, até porque V. Exª vive um novo momento – por haver vivido os dois momentos como presidente do PSDB. Repito: sem fazer qualquer julgamento de mérito, nem em nenhum momento apresentar qualquer sentimento de arrependimento pela forma como o PSDB se conduziu naquele momento – isso pode até ser revisto um dia. Quero fazer uma constatação inevitável: sem dúvida alguma, o comportamento da classe política brasileira, da sociedade brasileira como um todo, principalmente das chamadas elites brasileiras, mudou radicalmente em relação a denúncias quando feitas no seu Governo e quando feitas recentemente. Novamente, repito: não estou fazendo qualquer julgamento de mérito nem daquela época, nem da de agora. Apenas faço uma constatação de quem viveu esses dois momentos como presidente de Partido. Denúncias que me pareceram graves à época foram vistas com absoluto rigor, e, como V. Exª disse aqui, em determinados momentos, com tamanho rigor que, inclusive, atropelaram formalidades legais. Vivi, agora, momentos em que denúncias também foram feitas – novamente, não estou julgando se com fundamento ou não -, e com absoluta tolerância por parte da chamada elite brasileira, a elite intelectual. Lembro-me de que alguns artistas, algumas pessoas públicas que, em determinados momentos, ousaram ter posições favoráveis a V. Exª quando Presidente da República foram praticamente queimadas diante da opinião pública. Hoje, não; hoje, vejo declarações de grandes artistas dizendo que “isso faz parte da política”, “isso é assim mesmo”, ou seja, dando um enfoque completamente diferente do daquela época. Não sei se o Brasil mudou, para melhor ou para pior – também não é o momento de discutirmos isso -, não sei se o Brasil evoluiu ou involuiu; não sei se era preconceito, pelo fato de V. Exª, apesar de ser um homem nascido de família abastada, ter vindo de fora do establishment de poder tradicional do País; não sei se por causa da região, ou se foi, realmente, uma grande evolução que houve neste País, mas foi diferente.

O importante é que – a meu ver – não vale discutir o mérito neste momento, porque V. Exª pagou um preço muito alto diante de todas essas circunstâncias. Talvez V. Exª tenha sido o homem público da História recente do País que pagou o mais alto preço por eventuais erros cometidos – se é que os cometeu.

O Senador Aloízio Mercadante, do PT de São Paulo, após explicar que, ao contrário do afirmado por Collor, integrou a CPI por motivos ditados por sua consciência política e na luta pelo estabelecimento de uma democracia livre da corrupção, tratou do tema nos sequintes termos:

No início do mandato, apesar de muitas divergências – é inegável que as dificuldades eram imensas, a margem de manobra muito pequena, e não havia muito espaço para a política econômica de um novo governo -, V. Exª tratou de temas difíceis. Em um balanço, depois de tanto tempo, eu diria que algumas coisas foram importantes para a construção futura da História do Brasil. Mas eu estava do outro lado. Não compartilho com aqueles que consideram que o trabalho da CPI ou o impeachment se deveram à falta de uma relação republicana entre o governo e o Congresso. Eu estava na dimensão republicana do meu mandato, daquilo que eu pensava que era o meu mandato.

Fui Líder de um Governo que viveu acusações graves, como foram mencionadas aqui. Sou militante de um partido que sofreu acusações e denúncias graves, que todos aqui acompanharam. Mas esse sentimento de apurar as coisas, de exigir a verdade, de exigir a transparência é uma virtude democrática que tem que ser preservada e valorizada. A maturidade democrática vai permitir que o Brasil saiba corrigir as injustiças, que não cometa, eu diria, o açodamento, às vezes, de um denuncismo que pouco constrói. Mas, ao mesmo tempo, não podemos olhar para a História sem considerar que os erros têm de ser identificados, apurados e punidos com rigor. V. Exª pagou um preço muito alto e reconstruiu sua vida na disputa democrática, mas, assim como V. Exª tem a convicção do mandato que construiu, eu tenho orgulho de ter participado daquela CPI, de ter lutado pelo que lutei.

Como se vê, o que antes era uma conversa de bêbado, agora é a posição oficial de muitos dos Senadores deste país. Fernando Collor de Melo está perdoado, foram-lhe pedidas desculpas formais por todo o sofrimento que ele passou, e agora é recebido como legítimo representante do povo das Alagoas para integrar uma das Casas Legislativas do país, em igualdade de condições com os demais eleitos pelo voto popular. Ou seja, ao invés de fazer o lógico, que é punir quem atualmente pratica atos do mesmo tipo daqueles que levaram Collor à renúncia, subverte-se a ordem das coisas e se readmite no clube o antes crápula corrupto, como se nada tivesse acontecido. E você, prezado leitor que me acompanhou até aqui, pode se juntar a nós, os que um dia sonharam com um país justo, em que reinasse a honestidade e a busca pelo bem comum, e ir às ruas novamente, como os cara-pintadas do passado. Mas desta vez, certamente teremos que usar uma maquiagem de palhaço.