Arquivo da categoria ‘Não há o que não haja!’

O Rio Grande do Sul, muito provavelmente, é o estado da federação que demonstra com mais clareza sua ligação com as tradições ancestrais de seu povo. Claro que a cultura popular é valorizada em todos os lugares, mas nós temos essa marca de nos orgulharmos das coisas que caracterizaram o ‘ser’ gaúcho, e tendemos a eternizar o modo de vida dos antepassados como sendo a ‘autêntica’ cultura gaúcha. É extremamente delicado tocar nesse assunto, ainda mais sabendo que vou tomar um laço fenomenal aqui mesmo na casa – temos correntes tradicionalistas barbaridade entre nós – mas o fato que acho simplesmente ridículas e totalmente deslocadas algumas atitudes adotadas por parte da população que quer preservar as tradições, notadamente no mês de setembro, que culmina, no dia 20, com o aniversário da famosa ‘Revolução Farroupilha’, uma guerra civil que nós perdemos. Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que tenho muito orgulho de ser gaúcho. Até porque a opção quase concretizada seria ser catarina… Mas, enfim, gosto da franqueza, da hospitalidade e do jeito mais, digamos, ‘simples’ de ser do nosso povo. Nos outros estados que visitei, sempre senti um certo distanciamento inicial ao qual não estou habituado. Para mim, muitas vezes é difícil quebrar este gelo, e a espontaneidade do gaúcho auxilia neste ponto. Claro que muito disso é mito, temos pessoas aqui extremamente antipáticas e que não se enquadram, de maneira nenhuma, no estereótipo do gaúcho, mas no geral somos receptivos – no bom sentido – e simpáticos. O que não tolero, sob nenhuma hipótese, é ter de assistir, pela milionésima vez, às mesmas demonstrações tacanhas de bairrismo, preconceito e apego ao que não mais existe – se é que um dia existiu.

Bairrismo porque, por mais incrível que possa parecer, frente a um quadro mundial de aglutinação de nações em grandes blocos econômicos, ainda tem gente que pensa no Rio Grande como um estado injustiçado, com vocação para nação independente, mas atrelado a um Brasil usurpador de nosso trabalho e ingrato com nosso esforço. Evidente que somos um dos estados mais destacados da federação, produzimos muito e bem, mas isso não quer dizer que os outros não o sejam, e que possamos prescindir de qualquer auxílio ou integração com eles. Assisti, atônito, a manifestações de desapreço ao Brasil e a reafirmação da doutrina do separatismo – afinal estávamos comemorando justamente uma insurreição que visava ao desligamento do governo brasileiro, para a fundação de uma nação autônoma. E isso simplesmente não faz o menor sentido. São quimeras decorrentes de um ideário subconsciente de que somos melhores e sobreviveremos sozinhos, contrariando toda a lógica de integração para fortalecimento que é a tendência mundial. Evidentemente, este cenário está mudando, passaremos por grandes alterações dos sistemas econômicos mundiais, impérios cairão – como sempre acontece – e é muito temerário apostar como será o futuro. Mas isso é apenas mais uma razão para não virarmos as costas a ninguém nessa hora.

Preconceito porque simplesmente não se toleram, no âmago do movimento tradicionalista gaúcho (MTG) quaisquer alterações do que eles definiram, a seu bel prazer, como culturalmente autêntico e representativo do povo gaúcho. O que ninguém parece se dar conta neste meio é que o mundo, por incrível que possa parecer, mudou muito desde a época em que foram concebidas as roupas, costumes, danças, enfim, a ‘cultura gaúcha’ que pretendem defender. Hoje em dia, quase ninguém desfila de bombacha pelas ruas, e os costumes ‘campeiros’ não fazem qualquer sentido quando a imensa maioria da população é urbana, vivendo como em todas as grandes cidades do Brasil e do mundo, obedecendo ao protocolo estabelecido no que se refere ao vestuário, aos costumes alimentares, à etiqueta, enfim, a maioria da população está conformada a um modo de ser mais urbano e cosmopolita. Além disso, o Rio Grande foi um estado colonizado por diversas etnias, todas com suas culturas e costumes, trazidos para cá, que acabaram por redefinir o que era ‘ser gaúcho’ ao longo do tempo. Tentar congelar qualquer parte do passado, depurando o que tenha ocorrido depois, beira ao patético. Nesse contexto, fica difícil apreciar coisas como o tal ‘acampamento farroupilha’, onde um bando de marmanjos resolve brincar de homem do campo, montando cabanas de madeiras, nas quais permanecerão à toa bebendo o dia inteiro e, eventualmente, participando de algum tiroteio, afinal são todos ‘machos prá caralho’. O que parece passar batido é que o local do acampamento é atendido por luz elétrica, água encanada, linhas de ônibus, restaurantes e estacionamento pago. Muito rústico, portanto.

Finalmente, não se mostra mais viável defendermos idéias do passado, valorizando coisas sobre as quais pairam sérias dúvidas. Nossos heróis, cantados em prosa e verso, não eram seres sobre-humanos imunes à quaisquer sentimentos menores como cobiça, inveja, orgulho, etc. Ao contrário, há muito figuras lendárias tem sido questionadas em estudos históricos sérios, principalmente em relação às motivações e destinos da tal revolução. Nesse particular, é uma marca do gaúcho se enaltecer, contando bravatas e se vangloriando do que supostamente teria feito. Lógico que toda a história – até mesmo a que está acontecendo neste minuto – depende do ponto de vista a partir do qual é estudada, dos fatos divulgados e dos omitidos, podendo mudar conforme a vontade desse ou daquele setor. Isso é uma constante universal, muitas figuras de relevo foram forjadas no imaginário popular com os mais diversos interesses. O que nós precisamos, na verdade, é parar de acreditar que fomos os primeiros a fazer isto, os melhores naquilo, os mais destacados naquilo outro, e rever com frieza o passado, para poder entender o porquê de sermos assim no presente. E não vai ser criando leis sobre o ‘autêntico’ churrasco – invenção nossa e um dos poucos pratos admitidos como verdadeira culinária gaúcha -, que resolveremos isso. Alguém precisa dizer que a coisa mais lógica a se fazer com carne crua em um ambiente de poucos recursos é assá-la em uma fogueira, coisa que os neandertais já haviam descoberto. Enfim, viva o 20 de setembro e o Rio Grande do Sul, mas o verdadeiro, não o da ópera-bufa.

Motivado pela prometida arrancada do Internacional rumo à Libertadores 2009 – ano do nosso centenário -, assinei o serviço Premiere Futebol Clube da SKY em janeiro, na ilusão de que veria partidas emocionantes do colorado. Ledo engano, porque não tenho assistido praticamente nenhum jogo deste campeonato. As razões são simples: primeiro, não tenho tido tempo de ver futebol. Simples assim. Segundo, os jogos estão cada vez mais duros de assistir, somente colorados fanáticos agüentam o desempenho pífio do time, categoria na qual se enquadra nosso amigo Wolfarth. Em resumo, estão indo R$ 54,00 pelo esgoto todos os meses, e a reação mais coerente nesse caso seria cancelar de vez a bagaça e assistir os jogos que passarem na TV aberta, com um pouco de boa vontade. Só que, ligando para a central de atendimento do infeliz assinante SKY, descobri que tenho plano de fidelidade até novembro deste ano, o que me obriga a permanecer assinando o serviço, sob pena de pagar uma multa de R$ 299,00. Ora, até novembro são quatro meses, o que dará um valor total de R$ 216,00 a título de mensalidade do PFC. A solução, sem nem precisar pensar muito, é permanecer assinando o serviço, porque sai mais barato.

O que me irrita é cair nessas arapucas de fidelidade. Claro que fui avisado que deveria permanecer no plano até novembro, o caso é que na ocasião do primeiro atendimento o valor da assinatura mensal é repetido mais de mil vezes – para ressaltar a facilidade da proposta – enquanto que o da multa é dito somente uma vez, e bem rápido para o sujeito não se dar conta do que isso representa. Agi como um babaca, claro, assinando algo por impulso. Mas é muita picaretagem estabelecer relações com o consumidor nesses termos. Que diabos me levaria a pagar uma multa para cancelar um serviço que eu não quero mais? Qual o prejuízo da empresa, que já me cobra R$ 54,00 há seis meses para um total de, no máximo, cinco ou seis partidas? E nem me venham com o argumento de que eu ganhei “desconto” na assinatura do pacote, por isso o plano de fidelização. Todo mundo sabe que não há alternativa a esses pacotes prontos. O consumidor não pode simplesmente dizer “não, quero pagar o valor integral e não ficar fidelizado a nada”. E, de mais a mais, só o que eu pago de assinatura básica mensal já dava para transmitir todos os jogos e sobraria troco. O que se cobra de TV por assinatura neste país é um negócio escorchante, como todo preço praticado por monopólio. Sim, porque, além de monopolistas, a SKY e a Net funcionam num esquema quase mafioso, vide a recente briga com a MTV. Certo está o Alemão, que ainda acompanha os jogos no velho rádio AM. Com o futebol do nosso time, rádio transistorizado é luxo!

– Bom dia! Por acaso o senhor é o “Seu Tertuliano”?

– Sô eu mesmo! E se tu for oficial de justiça ou fiscal do IBAMA pode ir dando meia volta e picando a mula, porque senão leva um pranchaço ou um tapão nos cornos!

– Calma, Seu Tertuliano! Sou jornalista!

– Jornalista? Mas o que diabo tu faz aqui nesse campo?

– Eu me informei e descobri que o senhor é uma lenda viva nos anais campeiros!

– Buenas… eu não tenho mais piolho na cabeça e não quero saber de papo de pederasta! Arre!

– Nada disso, Seu Tertuliano! Vim entrevistá-lo, conversar…

– Ocha… se é só pra isso, se aprochega vivente! Tome assento! Aceita um mate?

– Sim.

– Pois diga o que tu qué porque tenho muita lida pra hoje mesmo!

– Seu Tertuliano, fale um pouco sobre a sua pessoa…

– Óia… me chamo Tertuliano Caré. Nasci em Cacequi, lá pelos idos de 1927 e servi o exército em 1945, depois da guerra. Estudei só até o segundo ano primário…

– Puxa… mas então o senhor está com 81 anos. Nem parece…

– Pois tô são de lombo e de casco. Ainda como carne gorda e coalhada. Bebo uma guampa de canha todo dia e marco gado. Subo em árvore e ando a cavalo. E se vejo uma prenda, perco os critério…

– Mesmo?

– Tô le dizendo. Quando não tenho mulé por mais de 10 dias, sobra pra égua… aquela ali, pastando perto da figueira…

– Ah… inclusive esse é um dos motivos que me levaram a vim entrevistar o senhor… fiquei sabendo que o senhor é famoso por suas aventuras sexuais…

– Arre! As putaria que fiz na vida até que foram boas. Mas nem tudo o que dizem é verdade. Começaram a inventar côsas a meu respeito quando fui obrigado a sair de Quaraí.

– Sério? Por que o senhor teve de deixar a cidade?

– Ah… essa é uma longa história!

– Mas me conte, Seu Tertuliano…

– Pois bem, vou contar. Faz uns 20 anos que moro nessas terras. Antes, eu vivia em Quaraí. Comecei minha vida com um bolicho. Eu vendia de tudo, desde rapadura e mortadela até caninha e adaga. Lá se jogava o jogo do osso e carteado. Os gaudério se divertiam barbaridade…

– … o senhor era casado? Tinha filhos?

– Nunca me casei. Só fui amigado com uma chinoca, a Honorina, mas ela morreu de bexiga em 1959. Que Deus a tenha! E filhos eu não sei quantos eu tive, porque eu só cobria mulé casada. Mas isso eu le conto despues…

– Tudo bem. O senhor pode continuar a falar de sua vida em Quaraí…

– Ah… sim! Eu comecei a ganhar alguns uns pila com o bolicho e tive que comprar outras guaiacas pra guardar os cobres. Naquele tempo, gastava muito com as piguanchas! Era uma por noite! Me diziam pra botar os troco no banco, côsa e tal, mas eu não confiava nisso. Como eu tava com plata demás, comprei umas terras e comecei a plantar arroz. Deixei o bolicho com um agregado…

– E o senhor ganhou mais dinheiro?

– Que nada! Teve uma seca braba que acabou com todo meu negócio. Daí eu pensei: ainda bem que ainda tenho o bolicho! Entonces, descobri que o agregado sumiu com as mercadoria e com toda a féria de vários mêis… o safado tinha fugido pra Porto Alegre. Mandei até um araponga atrás. Depois de um tempo, o detetivo achou o lacaio e me avisou. Me fui pra capital e dei uma sumanta de rabo de tatu no desgranido. Me parece que ficou alejado. Só sei que voltei pra Quaraí sem meus pila, mas com a honra lavada…

– E depois?

– Buenas, despues, como eu tinha poca côsa, tive que vendê o bolicho pra um turco que veio do Uruguai. Era uma época difícil pra todo mundo. A cada mêis, o dinheiro que eu tinha na algibeira não valia mais nada. Falavam numa tal de inflação, que fazia o dinheiro não valê nada e as côsa sempre custava mais. Fiquei sem nada. Tive que me virá e comecei a roubar gado. No começo, era fácil. Eu atravessava a frontera com uns peão e ia pro interior de Artigas. Lá a gente encostava um Ford velho, enchia de boi e se mandava de volta pra Quaraí.

– Então o senhor foi abigeatário?

– É… foi uma época complicada… senão morria de fome. Pelo menos eu comia um churrasco por dia. Depois que os castelhano nos descobriram, fui conhecê o capeta, o demo mesmo…

– Me explique isso, Seu Tertuliano…

– Pois é. Eu fui torturado. Me fizeram côsas que até Deus duvida. O cú véio, até hoje não aperta mais… mas deixa pra lá isso. Fui condenado e fiquei preso no Uruguai uns 2 anos. Quando saí, resolvi que nunca mais roubaria gado. Decidi que seria peão de estância. A vida era dura, mas eu tinha onde morá e comida no prato. Nos dias de inverno, meu poncho ficava duro de geada, mas eu acordava suado.

– E o senhor levou essa vida até quando?

– Bah… em seguida eu me cansei e voltei pra cidade. Eu ficava muito tempo sem prenda. Barranquear novilha não dava pra fazer todo dia… Consegui um emprego de segurança de baile. Côsa mui simples: se acontecia briga, eu e os vigia entrava no salão e afastava os índio vadio. Se percisasse, a gente batia de relho ou de porrete. Até se dizia na época que “quem briga na Bailanta do Licurgo acaba torto, preso ou morto”.

– E o senhor era violento nesses bailes?

– Óia… eu posso le dizê que era bastante respeitado por todos. Mas os forasteros que não me conheciam e brigavam, não voltavam nunca mais: uns por medo, outros porque morriam.

– E depois?

– Buenas, eu fiquei bastante famoso. Era o segurança mais temido da cidade. Eu dançava com muita china no baile e depois fazia ticau atrás do galpão. O problema é que um dia eu acabei fornicando com a filha do delegado, sem saber que ela era de menor. Tinha só 15 anos! A la fresca! A guria tinha uns tetão e nem virgem era! Uma mulé feita! Foi um furdunço na cidade quando o delegado descobriu tudo. Tive que me esconder na casa de um parente em Piratini para escapar da cadeia.

– O senhor ficou quanto tempo em Piratini?

– Poco tempo. Um ano depois o delegado foi morto num tiroteio com contrabandistas e pude voltar pra Quaraí. Entonces, a Bailanta do Licurgo já tinha sido fechada. Demorei a ter outro emprego. Acabei aceitando o serviço de coveiro.

– Até isso o senhor fez, Seu Tertuliano?

– Pois é. O brabo era aguentar o fedor dos defunto e choro de carpideira. Enterrei muita gente: bandido, criança, político, milico e até padre. Em algumas noite, eu via alma penada e barulhos estranhos no cemitério. Mas eu não tinha medo. Acabei saindo desse emprego e fui convidado a concorrer a vereador pelo partido da oposição.

– E como foi a eleição?

– Um fiasco! Ganhei só 11 votos. Mas mesmo assim meu partido foi vencedor nas eleição e o novo prefeito me convidou pra ocupá um cargo de confiança. As minha tarefa não eram tão simples: eu era o responsável pelas licitação do município.

– Como foi a sua atuação?

– É… aconteceram umas côsa que a gente não pode divulgá, sabe como é… mas posso le adiantá que o tal de Ministério Público investigô todo mundo e até cadeia uns companheiros pegaram. Teve também uns causo com meio ambiente e o IBAMA processô à torto e à direito. Só sei que eu não tinha responsabilidade nenhuma, não sei o que aconteceu, mas abriram uma conta num banco pra mim. Fui ver e tinha muito dinheiro. Quase tudo eu tive que dar pra um companheiro do partido e me sobrou uns pila que serviram pra comprá essas terra que tu tá vendo e todo esse gado que pasta pelo campo a fora…

Beijing 2008

Publicado: 28/07/2008 por Wolfarth em Não há o que não haja!

Faltando 10 dias para a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing 2008, já existe bastante movimentação em torno do grandioso evento. E, como não poderia deixar de ser, a ABRIC também vai apresentar tópicos relacionados aos jogos disputados na China, por intermédio do acadêmico infra-assinado.

Acredito que a China, como país mais populoso do mundo, merece recepcionar esse acontecimento. Os chineses têm dinheiro, disposição e organização. Claro que os orientais estão cheios de problemas, principalmente como relação ao meio ambiente, direitos civis e esbulho do Tibete. Mas a China é uma potência esportiva e chegou o momento dos Estados Unidos serem destronados no quadro de medalhas.

Com relação ao Brasil, país do futebol e do vôlei (nem tanto assim, haja visto as recentes derrotas em ambos os esportes), vai competir em 28 das 34 modalidades em disputa, sendo considerado favorito a medalha de ouro em poucas categorias. Os Jogos Pan-Americanos de 2007 foram positivos para muitos atletas brasileiros adquirirem experiência e o gosto pela vitória. Mas competir contra El Salvador, Haiti, Bolívia e atletas norte-americanos de segunda classe é uma coisa. Agora, o páreo será contra China, Alemanha, Austrália, Rússia e contra os americanos world class. Dificuldade máxima.

Penso que a conquista de 6 ou 7 medalhas de ouro pelos atletas brasileiros poderá ser considerado um excelente resultado, pois até hoje o país conseguiu o máximo de 5 medalhas de ouro em um mesmo evento, no caso, em Atenas 2004. Em alguns esportes o Brasil poderá se dar bem, tais como o vôlei, natação, vôlei de praia, judô, futebol, vela, hipismo e ginástica olímpica. O resto é especulação pura.

Beijing 2008 será a 26ª Olimpíada da história moderna e muito se fala em quebra de recordes, de boicote à cerimônia de abertura por parte de alguns governantes e até de doping de atletas. Mas, como diria o Barão de Coubertin, o importante é competir. Ah, e também assistir à esportes que só recebem atenção da mídia a cada 4 anos.

Pena que não será tão fácil para os incautos e vassalos acompanharem os jogos, pois existe um fuso horário de 11 horas de diferença entre China e Brasil. Haja insônia!

Todos os dias úteis me desloco na parte da manhã para meu local de trabalho, em São Leopoldo, e sempre utilizo a BR-116 para fazer o trajeto de quase 15 quilômetros de distância.

Até aí, tudo bem. Porém, o que tem chamado minha atenção ao longo desse itinerário é algo incrível. Em Sapucaia do Sul, mais precisamente no trevo que se forma a interseção da BR-116 com a RS-118, existe uma grande área tomada de uma pastagem, que muitos referem ser “macegas”, “capoeira” ou mesmo “mato”. E nesse terreno, há muitos anos que sempre venho observando que 3 ou 4 cabeças de gado pastam sossegadamente.

Pois é. Nesse trevo de acesso, que fica à direita de quem se desloca no sentido POA-São Leopoldo, existe alguém (ou serão alguns?) que estabeleceu sua moradia naquele local, uma área pública, de domínio da União e do Estado, e começou a criar gado. Sim, o sujeito é agropecuarista em um dos trevos mais movimentados do estado do Rio Grande do Sul.

Aí eu pergunto: como é possível tal situação, na qual alguém mora e cria gado numa interseção de rodovias em zona urbana? Será que ninguém se deu conta do risco que existe caso um dos bovinos se desprenda das amarras que instalaram em seu pescoço e invada a rodovia? O que o Poder Público está esperando para agir e acabar com o agronegócio que esse sujeito desenvolve em uma área estatal?

Realmente, isto é o Brasil.

Momento “NÃO”

Publicado: 23/07/2008 por Wolfarth em Não há o que não haja!

Começo pedindo escusas aos demais acadêmicos pela falta de artigos de minha autoria nos últimos dias. Estou vivendo um momento conturbado, sem muita inspiração, possivelmente potencializado pela TPM (Tensão Pré-Matrimônio).

São muitas coisas a serem vistas, contatos com pessoas, visitas, contratos, enfim, uma gama de situações de ordem prática que vão aparecendo por contingência da opção por mim escolhida. Opção esta que considero acertada, diga-se de passagem. Mas depois do casório tudo muda e a inspiração retorna.


Eu tinha uma galinha que se chamava Marylou
Um dia fiquei com fome e papei a Marylou
Marylou Marylou
Tinha cara de babaca
Marylou Marylou
Botava ovo pela cloaca
Eu tinha uma vaquinha que se chamava Sara Lee
Um dia fiquei com fome e papei a Sara Lee
Sara Lee Sara Lee
Tinha cara de careta
Sara Lee Sara Lee
Botava leite pela teta
Marylou Marylou
Transava até com urubu
Marylou Marylou
Botava ovo pelo “Sul”

Mina
Seus cabelos é “da hora”,
Seu corpo é um violão,
Meu docinho de coco,
Tá me deixando louco.
Minha Brasília amarela
Tá de portas abertas,
Pra mode a gente se amar,
Pelados em Santos.
Pois você minha “Pitchula”,
Me deixa legalzão,
Não me sinto sozinho,
Você é meu chuchuzinho!
Music is very good! (Oxente ai, ai, ai!)
Mas comigo ela não quer se casar,
Na Brasília amarela com roda gaúcha, ela não quer entrar.
Feijão com jabá, a desgraçada não quer compartilhar.
Mas ela é linda,
Muito mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu docinho de coco!
Music is very porreta! (Oxente Paraguai!)
Pro Paraguai ela não quis viajar,
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci, ela não quer usar.
Eu não sei o que faço pra essa mulher eu conquistar.
Por que ela é linda,
Muito mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu chuchuzinho!
Eu te “i love youuuu”! pera ai que tem mai um pokinho de u “uuuuu” tcheeeee

É créu!
É créu neles!
É créu!
É créu nelas!
“Vambora, que vamo”!
“Vambora, que vamo”!
Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades…(2x)
A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu…(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu…(3x)
Número 2!
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!
Número 3!
Créu, créu, créu, créu…(3x)
Tá ficando dificil, hein?
Créu, créu, créu, créu (3x)!
Agora eu quero ver a 4!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu!
Tá aumentando mané!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Segura DJ!
Vou confessar a vocês
Que eu não consigo
A número 5
DJ!
Velocidade cinco
Na dança do créu!!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(6x)
Hahahahaha
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(8x)!
Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades…(2x)
A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu…(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu…(3x)
Número 2!
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!
Número 3!
Créu, créu, créu, créu…(3x)
Tá ficando dificil, hein?
Créu, créu, créu, créu (3x)!
Agora eu quero ver a 4!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu!
Tá aumentando mané!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Segura DJ!
Vou confessar a vocês
Que eu não consigo
A número 5
DJ!
Velocidade cinco
Na dança do créu!!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(6x)
Hahahahaha!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(8x)!
Hahahahaha!

Não tenho muito o que dizer sobre isso. Três letras de épocas distintas – anos 80, anos 90/2000 e a época atual -, com o pior que se produziu em termos de música popular brasileira. Rock, rock infantil e a grande massificação atual, o funk carioca. Pare, pense, e responda: aonde vamos parar? Será que haverá uma redenção? Ou daqui para frente é só ladeira abaixo? Se bem que eu acredito ser muito difícil encontrar algo pior que a “Dança do Créu”, mas eu já tinha pensado isso de “Dança da Motinha” e “Bonde do Tigrão” e perdi a aposta… Enfim, o fim se aproxima a galope, e ninguém faz nada para mudar. Aliás, todo mundo parece estar se divertindo horrores…

Um período de férias, quando o camarada está em um estágio de cansaço físico e mental quase insuportável, pode ser a melhor coisa a se fazer. No meu caso, estou aproveitando para colocar um monte de coisas em dia. Mais tempo para fazer as coisas que normalmente não teria tempo, mais cuidado com a vida pessoal. Enfim, puro hedonismo.

Já havia visitado várias vezes o Perólas do Orkut, mas nunca havia tido tempo de avaliar detalhadamente os posts, ainda mais que para acessar o próximo post é necessário dar uma nota para o que se está visualizando. Ontem, munido de alguma curiosidade mórbida e em ritmo de vadiagem remunerada, resolvi dar notas compatíveis com as imagens, para conhecer melhor o site. Poderia dar nota 1 para todos os posts apenas para seguir lendo o blog, mas acho que não é interessante tomar esse tipo de atitude, já que a iniciativa é justamente avaliar o nível da participação brasileira no site de relacionamentos. Em relação ao qual eu tenho uma certa resistência, quero deixar bem claro. Tenho perfil no Orkut apenas para não ficar totalmente fora da órbita e manter contato com alguns velhos amigos que há tempos não vejo ou reencontrar outros dos quais não tinha mais notícia. Mas não adiciono uma viva alma que eu não conheça efetivamente. Sabe aquela coisa ‘fui teu colega na quarta série primária, lembra de mim? Me add aí’. Se eu não lembrar, nada feito.

O caso é que eu não consigo rir do que vejo no site. Simples assim. Sinto uma tristeza tão grande, uma revolta com o sistema educacional, uma preocupação com a falta de bom senso/bom gosto e com a total falta de referência do povo brasileiro, estampadas naquelas imagens. Claro que são as pérolas, o crème de la crème da burrice e do mau gosto. Não representam, de forma nenhuma, a sociedade brasileira como um todo. Mas mesmo assim é difícil saber que tem gente que não sabe escrever sequer o mais básico, que não tem a menor noção e/ou pudor, que faz bobagem, pratica crimes, adota atitudes ofensivas, fotografa e ainda publica no tal de yakult. Imagine um antropólogo de uma universidade estrangeira que vá fazer um estudo sobre o povo brasileiro e tem alguma preocupação com a interação social via redes da web. Se souber português, vai chegar a conclusão que somos todos uns imbecis, não merecemos mesmo ter mais do que temos, e chega até a ser surpreendente que não sejamos uma das nações mais pobres, miseráveis e doentes do mundo. A amostragem é pequena, claro, mas ainda assim é uma amostragem. Fiquei deprimido, para falar a verdade.

Quer ter uma pálida idéia do que eu estou falando? Dá uma olhada e veja se dá para dar risada disto.


Varrendo a sujeira para dentro do Arroio Dilúvio
Um grupo de garis fez ontem o que jamais se esperaria de profissionais responsáveis pela limpeza de Porto Alegre.
Os trabalhadores descartaram o resultado da varrição em pleno Arroio Dilúvio, já castigado pela imundice dos esgotos de uma parcela da Capital.
Imagens captadas pelo fotógrafo de Zero Hora Arivaldo Chaves comprovam o erro dos garis, que prestam serviço para o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Eles foram fotografados por volta do meio-dia de ontem no cruzamento entre as avenidas Ipiranga e Erico Verissimo, no bairro Azenha. Usando uniformes da Cootravipa, empresa contratada pela prefeitura, eles despejavam sujeira dentro do Dilúvio. Carregavam com eles vassouras, carrinhos, pás e cones usados para sinalizar o trânsito nos locais onde varrem.
– Não podem fazer isso, está errado. Pretendemos notificar e multar a empresa – afirmou o supervisor de operações do DMLU, Adelino Lopes Neto.

É o final dos tempos, com toda a certeza. Então o camarada recebe um salário – baixo, com toda a certeza, mas ainda assim um salário – para realizar a limpeza da cidade e, com preguiça de empurrar o carrinho cheio até um local apropriado para o descarte do lixo coletado, simplesmente atira a sujeira no arroio, sem o menor pudor, em plena luz do dia e com todo mundo passando. Claro que a empresa deve ser multada, e em um valor muito elevado. Essas licitações por menor preço – ou maior ‘faz me rir’, você sabe do quê eu estou falando – acabam nisso: contratados absolutamente relapsos, certos que receberão sua parte da bolsa da Víúva no final do mês, prestando um serviço de qualidade duvidosa. Sim, porque se o gari é culpado pelo ato, também a empresa, que deveria fiscalizar o trabalho de seus empregados e esmerar-se para que ele se desse da melhor maneira possível. Mas não, contrato com o erário não é para ser cumprido, apenas (bem) cobrado. Como diria aquele comentarista de telejornal, “isso é uma vergonha”!

Deu guru!

Publicado: 16/07/2008 por BigDog em Mundão da internet, Não há o que não haja!

O leitor mais atento deve ter notado que, temporariamente, os quinze últimos posts aqui da casa saíram do ar. Por uma incompetência atroz deste que vos escreve, uma operação de importação do contiúdo (como diria o Briza) aqui do site para posterior importação lá no ‘Projeto Gente Grande’ acabou resultando nesta catástrofe. Para sorte, tinha feito backup dos posts até o do crocodilo assassino do Burundi, e pude recuperar os textos até essa data sem problemas. Como os meus textos posteriores, assim como os do Crânio, estavam salvos no Zoundry Raven, também deu para recuperar as postagens posteriores de nossa lavra – ainda que tenha me custado um deslocamento até a casa dele, onde não pude tomar nenhuma cervejinha, porque estava dirigindo, apesar de estarmos ambos em férias – e, pela graça de Deus, o Alemão não tinha escrito mais nada! Aliás, seu Felipe, traz o notebook no churras de amanhã para a gente instalar e configurar o Raven para o senhor. Muito melhor e mais prático que o Word, além de servir para essas eventualidades. Enfim, todos os textos foram recuperados, mas, infelizmente, os comentários se perderam. Desculpem a barbeiragem. Voltamos com nossa programação normal.

Um dia desses eu estava assistindo vídeos no YouTube, sem qualquer finalidade específica, só por curiosidade, até que me deparei com este:

Trata-se de uma filmagem independente (aparentemente), contando breve histórico de Gustave, um crocodilo-do-nilo que vive no Burundi, pequeno país da África central. Segundo consta, o réptil tem 6 metros de comprimento, mais de 900 kg e cerca de 60 anos de idade, tendo devorado mais de 300 seres humanos às margens do Rio Rusizi, que desemboca no famoso Lago Tanganica.

A enormidade do animal, classificado como o maior crocodilo já visto na África, deve-se ao seu gosto peculiar por carne humana, hábito que desenvolveu na época em que a ditadura militar do Burundi jogava os inimigos do regime no habitat de Gustave.

Evidentemente, a National Geographic já fez máterias sobre o “jacaré” em sua programação. Mas o mais incrível é que foi rodada uma produção bastante criticada sobre o crocodilo para o cinema, chamada “Primitivo”, no qual o réptil é superdimensionado e visto como um pesadelo. Não vi o filme, mas boa coisa não deve ser.

Para encerrar, comentando o vídeo que assisti, só posso dizer que o crocodilo realmente existe, não é um monstro de outro mundo, age instintivamente como os outros répteis e está fazendo o seu papel: se alguém se bobear e cair na sua área, ele devora.

Creio que não vai ser fácil conseguir capturar viva essa lagartixa!

Acabei de travar uma batalha com um cavalo de tróia sacana que queria arregimentar meus dados pessoais para enviar a algum endereço de mail, de onde certamente seriam utilizados para me lesar em algum aspecto, quase que certamente no financeiro. A origem? Um arquivinho *.ppt que veio anexado em um e-mail recebido. Não vou dizer quem foi o remetente da mensagem, mas posso assegurar que eu não abro essas coisas, em hipótese nenhuma. Não adianta enviar *.ppt ou *.pps para mim, com pensamentos profundos e edificantes de algum obscuro filósofo tibetano, ou sobre o valor da amizade, yada-yada-yada, que eu não tomarei conhecimento do conteúdo. Vai tudo direto para o lixo. O problema é que esse sacana se auto-executou com a simples abertura da mensagem, rodando suas rotinas sem vergonhas para amealhar informações confidenciais de pobres incautos. É por essas e por outras que eu renovo minha assinatura eletrônica no banco a cada utilização e formato completamente o HD do computador com alguma freqüência. Claro que não adianta, já dei uma de usuário “dois-dentes” e caí num golpe desses, mas, pelo meu perfil, o banco acreditou imediatamente na minha versão – sim, tem esperto que tenta dar calote simulando crimes eletrônicos – e repôs o dinheiro.

O que me leva a pensar, seriamente, é sobre a utilidade do PowerPoint. Sério, todas as vezes que fui submetido ao conteúdo gerado por esse programa, das duas uma: ou uma sensação de sono profundo ou uma desconfortável descrença na raça humana. Quando utilizado para fins profissionais, o software tem se revelado, salvo raríssimas exceções, a pior muleta para gente sem nada a dizer. Se o camarada precisa utilizar “recursos visuais” para explicar o seu ponto de vista, ou para passar algum ensinamento, certamente não vai ser a projeção de uma telinha colorida, com tópicos soltos e desconexos, muitos sobre os quais o sujeito não tem absolutamente nada a acrescentar, que vai resolver o problema. Quando aplicado para fins ‘sociais’, então, o programa é o próprio quadro da dor sem moldura. Juntar um monte de imagens fofas com uma música melada ao fundo, passando mensagens de caderno da Hello Kitty, deveria ser proibido por lei. Ou então gerar o banimento permanente do usuário do meio virtual. Algo assim: o sujeito houve a campainha, vai atender, e é uma agência especializada em coibir o uso do PowerPoint. “O senhor enviou o arquivo ‘miguxo.ppt’ para todos os contatos de sua lista e, infelizmente, algumas delas prestaram queixas. Vamos apreender seu computador, cortar sua linha telefônica, suspender sua assinatura de TV a cabo e trancá-lo no banheiro por duas horas, para que o senhor reflita melhor antes de fazer outra bobagem destas”. Eu seria o primeiro a ligar para o “denuncie PowerPoint” quando criassem o serviço.

Acredito que a maior parte das pessoas pensa que, com o passar do tempo, o amadurecimento é capaz de dar maior capacidade de encarar e resolver os problemas, de vencer desafios e perceber o mundo da forma como ele se apresenta. Enfim, há um aperfeiçoamento do ser humano do ponto de vista emocional, social e intelectual.

Afora o envelhecimento físico, a pessoa adquire novos hábitos e, por via de regra, muda completamente seu perfil em questão de poucos anos. A maneira de encarar a vida é diferente, pois passa a pensar menos individualmente, planejando sua rotina em função de um número maior de pessoas (mulher, filhos, netos, etc) e tomando decisões mais abrangentes.

O crescimento pessoal do indivíduo é interessante. Todos os novos valores que ele passa a incorporar exige a eliminação de “pesos extras” que carrega consigo. E dentro desse pacote encontram-se condutas, hábitos e, até mesmo, pessoas. Sair da escola, entrar na universidade, trocar de emprego, brigar com a namorada, ter filho(s), tudo isso é suficiente para trazer mudanças substanciais na vida de uma pessoa. A sucessão de experiências boas e ruins gera toda uma carga que vai se acumulando e tornando o modus vivendi do camarada uma lenta e gradual evolução. Claro que existem exceções, muitas sendo classificadas como patologias crônicas. Mas a regra é essa.

Na infância, na adolescência, na idade adulta e na velhice, cada indivíduo tem determinados comportamentos que agradam e/ou desagradam algumas pessoas, não significando que alguém que não simpatizasse com o sujeito na infância vá continuar com o mesmo sentimento depois de 20 ou 30 anos. A menina que adorava o estilo maluco do guri na adolescência vai achá-lo um porre quando se encontrarem com 30 anos de idade. Tudo é relativo na questão do crescimento pessoal e isso é muito, muito interessante.

Sim, porque seria maçante demais para um ser ficar estagnado e não ter qualquer novidade para contar, não poder compartilhar experiências ou mesmo surpreender com novas atitudes. A questão não é tentar agradar à todos, mas poder ser uma pessoa interessante para muitos em diversos momentos da vida, pouco importando que alguns não aprovem ou não simpatizem contigo.

Apenas quero compartilhar essas convicções que tenho momentaneamente, concluindo que crescer é exteriorizar o pensamento a ponto de ser útil não só a si mesmo, mas pelo menos para mais uma pessoa.

Andei lendo sobre o Big Bang, astronomia e astrofísica. Considerei tudo muito bom e pude saciar a minha curiosidade acerca de alguns temas que me inquietavam. Porém, muitas perguntas ficaram sem respostas e, quem sabe, jamais serão respondidas.

Como sei que a confusão campeia neste humilde espaço cibernético, vou apresentar algumas das indagações que tenho, na intenção de promover um debate, caso seja do interesse dos acadêmicos e dos leitores deste humilde blog:

1 – Segundo cálculos dos astrônomos, o universo comportaria, no máximo, 16 planetas com vida inteligente, dentre eles a Terra. Será possível que nenhum destes planetas tenha tentado estabelecer contato conosco até hoje ?

2 – Uma vez que não há a certeza de que o universo seja infinito, mas sim de que o mesmo está em expansão constante, o que poderá acontecer quando a energia que move o crescimento do universo se acabar ?

3 – Considerando que o universo é aquilo que conhecemos, ou seja, o espaço onde há aplicação das leis da física, seria possível a existência de outro(s) universo(s) ?

4 – Caso existam outro(s) universo(s), haveria um meio de localizá-los ?

5 – Realizando uma espécie de interação científica-religiosa, uma vez que a ciência, por si só, não explica muitos fenômenos já experimentados por seres humanos, pode-se dizer que outro(s) universo(s) sejam locais para onde iremos ao morrer ?

6 – Levando em conta que somos todos feitos de poeira cósmica, a qual deu origem às galáxias, estrelas e planetas, com tudo isso originado do ponto inicial denominado Big Bang, não seria lógico deduzir que o homem um dia conseguirá viajar pelo espaço manipulando corretamente os elementos básicos da criação ?

7 – Antes do princípio do universo que conhecemos, os cientistas dizem que existia o nada absoluto, nem mesmo havendo o “tempo”. Não é pretensioso demais para a ciência deduzir que sequer um ser superior (DEUS) existisse para dar início à tudo ?

Bom, acho que é isso. Boa confusão a todos!

Comecei a escrever na ABRIC, que no início era apenas um papo de bêbados num dos tantos churrascos com os outros dois ilustres acadêmicos, principalmente porque gostaria de expôr algumas idéias de modo mais abrangente. Depois, com o desenrolar da brincadeira, continuei fazendo questão de participar, porque é um grande prazer compartilhar idéias com o Felipe e o Crânio. Ler o texto desses caras, então, é um deleite pessoal. Todos os dias, acesso o site pelo menos umas duas vezes, só para conferir se não surgiu nada de novo daquelas cabeças iluminadas. Não, não faço isso para aumentar artificialmente a estatística do blog, até mesmo porque minha própria visita não é contabilizada pelo sistema do wordpress. Enfim, estou aqui para me divertir, dizer o que quero da maneira que me aprouver.

Mas eis que, cansado de tanto ler na ‘blogosfera’ – alguém podia pensar um termo melhor, pois não? – brasileira que o leitor é burro, indolente e preguiçoso, bem assim que quem está ganhando dinheiro com blog é uma criatura simplesmente genial que nos faz o favor de compartilhar sua sabedoria, resolvi comentar este post do Fim da Várzea, mais um dos milhares de textos reafirmando que nós, que não somos gênios, não vamos ter vez no ‘mercado’ do blog. Tomei laço lá mesmo e, ainda, aqui. Não que eu me importe, mas já que enfiei a mão no vespeiro, tenho algumas coisas a acrescentar, ainda mais porque, ao contrário do que sempre fiz, respeitando todo mundo que já passou pela ABRIC, fui sumariamente ridicularizado. Já que estamos no baile, vamos dançar esta.

Não acho errado ganhar dinheiro com blog. Talvez um dia, se a situação se apresentar, até venha a fazer isso, se bem que aqui teremos que dividir tudo por três, o que já complica. Só quis demonstrar que nem sempre o blog surge com essa intenção, pode ser que alguém blogue o resto da vida sem ganhar nada por isso, apenas pelo prazer de fazer algo em que acredita. Enfim, cada um na sua. Nós temos, sim, uma audiência que seria desprezada por muito problogger, mas não por gente que está começando agora. Não dá para generalizar dizendo que números ridículos são assim considerados por qualquer um. Se o sujeito inicia o blog imaginando que terá umas cem visitas mensais e acaba com mil, vai ficar mais do que satisfeito. E para muito problogger, isso seria simplesmente a insolvência. Mil visitas por mês não pagam o leitinho das crianças. O difícil é quando alguém lê tudo o que tu escreve e pessoaliza. Tem muita gente desesperada, sim, para aparecer, para começar a ganhar dinheiro. Não disse isso de ‘A’ ou ‘B’, por isso não preciso responder se há ou não desespero aqui ou acolá.

Agora, a parte que mais me incomodou: se não houvesse tanta resistência a pessoas novas com idéias distintas, porquê o laço? Quero dizer, se não se pode discordar das verdades absolutas escritas por aí, então está confirmada a tese. Eu penso diferente, e pronto! Há, sim, resistência a admitir novos blogueiros nos meios estabelecidos. E não é dando link ou citando textos daqui ou dali que se chega lá. Não vou ficar pagando tributo para quem quer que seja para conseguir meu espaço. E também não me importo se Vossa Senhoria, ou qualquer outro medalhão, acha que não fiz por merecer. Tentei, na melhor das boas intenções, participar de um blog ‘estabelecido’ e só quebrei a cara. Coisa que dificilmente voltarei a fazer. Se estou aqui fazendo o papel do coitadinho, estou mais tranqüilo com minha consciência do que assumindo o arrogante papel do ‘eu estou certo’. Quem lê o que escrevo vai ser respeitado, e se escrever besteira em caixa de comentário vai ser recusado. E pronto. Não vou chamar o leitor de ignorante, burro e salsinha, apenas porque ele não concorda comigo. Essas polêmicas artificiais só servem como chamariz para audiência, porque todo mundo se sente tentado, vez ou outra, a sentar o laço em alguém. Quanto mais arrogante e intolerante, melhor, porque aí as polêmicas crescem, assim como a visitação diária – ops, desculpe, esqueci que o que interessa são os leitores de feeds – e o lucro. Em suma, prefiro ser rotulado de coitadinho do que de pretensioso. Inclusive porque não estou ganhando nada por isso, ao contrário dos autor das críticas, que faturou algum cada vez que você, prezado leitor, clicou no link que incluí no texto.

Fernando Lúcio da Costa chegou ao INTER em junho de 2004, aos 26 anos de idade, para disputar uma vaga no ataque do clube, na posição de centroavante. Até então, tratava-se de um jogador de bom porte, formado pelo Goiás e com passagem razoável de 3 anos por clubes franceses (Toulouse e Olympique Marseille), mas sem qualquer status de craque ou mesmo de jogador diferenciado. Na verdade, Fernando Carvalho já era fã do atleta desde os tempos em que o mesmo defendia o clube goiano e resolveu que era hora de trazê-lo.

Lembro que a torcida o recebeu com certa parcimônia, pois o clube vivia um processo de renovação e muita indefinição, apesar da conquista do tricampeonato gaúcho naquele ano. Porém, logo no seu primeiro jogo pelo INTER, um Gre-Nal no Beira-Rio, válido pela 14ª rodada do Brasileirão de 2004, Fernandão entrou no 2º tempo e marcou de cabeça o gol 1000 dos Gre-Nais, colocando seu nome de forma definitiva na história do clube, já na largada.

E Fernandão não ficou só nesse gol. Fez outros 12 gols no Brasileirão daquele ano e tornou-se em pouco tempo o líder e o expoente técnico do INTER. Fez jogos memoráveis, principalmente em Gre-Nais daquele mesmo ano, marcou gols belíssimos (o de bicicleta contra o Coritiba em 2004, por exemplo) e conduziu o precário time Colorado à uma vaga na Copa Sul-Americana, a despeito de ter permanecido grande parte do campeonato nas posições inferiores da tabela.

Enfim, a Era Fernandão começou muito bem, tanto que naquele mesmo ano de 2004 o Grêmio foi vencido pelo INTER em 5 dos 7 Gre-Nais disputados, tendo terminado na derradeira posição do Brasileirão (24º lugar), o que o relegou à Segundona, com louvor.

Já em 2005, com o planejamento do clube mais consolidado, Fernandão manteve-se em posição destacada, como goleador e ídolo inconteste do time, liderando o clube no vice-campeonato brasileiro, cujo título foi injustamente “tomado na mão grande” pelo Corinthians, ajudado pelo STJD e pela CBF. Mesmo assim, o desempenho do clube foi louvável e a vaga na Libertadores estava garantida para o ano seguinte.

Sem dúvida alguma, o ano de 2006 foi o mais vitorioso, emocionante, imprevisível, heróico e memorável da história quase centenária do Sport Club Internacional, graças à Fernandão & cia. Pessoalmente, eu investi muito no clube e coloquei muita fé na conquista da Libertadores da América. Compareci aos 7 jogos válidos pelo torneio que foram disputados no Beira-Rio. Vi atuações soberbas do time e vivi emoções que jamais esquecerei. Foram dias incríveis, nos quais o time liderado pelo capitão Fernandão parecia imbatível. Lembro bem da semifinal, contra o Libertad (PAR), jogo duríssimo. O placar de 0 x 0 mantinha-se desde o jogo de ida e o 1º tempo da partida de volta havia acabado. A torcida, naquele impasse, apoiava na expectativa de sair o gol e, ao mesmo tempo, não levar um gol que seria fatal. Instantes antes do início do 2º tempo, com os jogadores de ambos os times posicionados para o reinício do prélio, os alto-falantes tocaram um derradeiro incentivo: “U U U U, terror, Fernandão é matador”. Não sei o que se passou na cabeça do capitão, mas ele resolveu jogar mais e conduziu o time à finalíssima com bravura e um gol decisivo.

A conquista da América pelo INTER revelou ao mundo um jogador que foi sendo moldado para exercer uma liderança técnica e emocional sem qualquer contestação. Fernandão incorporava o clube. Era o coração do time. Jamais vi um jogador ter sua imagem tão relacionada à algum clube como Fernandão-INTER. Não que ele seja um craque, um jogador com técnica apurada. Mas sua presença em campo dava outro temperamento ao time e um verdadeiro treinador presente dentro das 4 linhas.

No fim do ano, muito embora tenha feito um Mundial de Clubes apenas razoável, Fernandão foi o responsável indireto pelo título de Campeão do Universo. No vestiário do Estádio de Yokohma, fez uma palestra que até hoje ecoa na cabeça daqueles que ouviram. Machucou-se na final contra o Barcelona e em seu lugar entrou o predestinado Adriano Gabiru. Ergueu o troféu mais cobiçado pelos clubes envolto à uma atmosfera gélida e fantástica, permeada pelas almas de gerações de Colorados que ambicionavam tal façanha.

A despeito dos inúmeros períodos em que ficou impossibilitado de jogar por contingência de lesões musculares, Fernandão teve um ano de 2007 bastante apagado, mas sua imagem prosseguiu vigorosa e imaculada.

Voltou com tudo em 2008, já com sua fama em nível mundial arraigada, liderando o INTER na vitória histórica contra a temida e festejada Internazionale (ITA) na Copa Dubai. No Gauchão, foi responsabilizado pela imprensa marrom e gremista pela derrota no primeiro jogo contra o Juventude, fato que só aumentou a sua sede por vitória no jogo de volta, no qual o INTER teve a coragem de atacar de forma incessante e frenética a ponto de enfiar 8 gols nas redes do Juventude, sendo 3 gols dele.

Minha intenção não é a de fazer uma descrição das conquistas de Fernandão pelo INTER, mas sim prestar uma homenagem àquele que foi, sem dúvida alguma, o jogador mais importante da história do clube. Não quero desmerecer a qualidade técnica de Tesourinha e de Falcão, a liderança de Figueroa e os inúmeros títulos de Valdomiro, além de outros craques que já listei em tópico anterior. Todos eles ajudaram a contruir aquilo que podemos chamar de uma “Nação Colorada”. Fernandão faz parte dessa história, mas sua contribuição foi superior em virtude do momento em que o clube vivia em 2004. Foram anos que mudaram o perfil e a imagem do clube perante o seu torcedor, divulgando feitos relevantes pelo país, pelo continente e pelo mundo.

Por tudo isso, Fernandão, o período de 2004 a 2008 tem o teu nome. Foi a Era Fernandão. A torcida Colorada te idolatra, te venera como um deus. A torcida Colorada te ama, te ama de verdade, como à um amigo querido, por toda a felicidade proporcionada em momentos infinitamente fantásticos.

P. S.: Fernandão disputou 180 jogos e marcou 72 gols envergando a gloriosa camisa do INTER. Conquistou a Libertadores da América de 2006, o Mundial de Clubes FIFA 2006, a Recopa Sul-Americana 2007, a Copa Dubai 2008 e os Campeonatos Gaúchos de 2005 e 2008.

Um dia ele voltará. Com certeza!

Eu não sou um camarada muito ligado em chimarrão, apesar de esta ser a bebida “oficial” aqui do Rincão da Grossura. Até, eventualmente, tomo um ou dois quando a situação se apresenta, uma roda de amigos ou um churrasco em família. Agora, no dia-a-dia, não tenho o hábito de acordar já de mate em punho, como fazem milhões de gaúchos. Acredito que atualmente exista um componente muito grande de modismo no tal chimarrão. Nos parques aos finais-de-semana o que mais se vê é gente que simplesmente passa a vida enfiado dentro de apartamento, seja por comodidade ou por medo da violência urbana, trabalhando em ritmo e com sistemas globais, desfilando com seu porta-chimarrão – que aqui, como tudo, tem outro nome, a “mateira” -, com direito à garrafa térmica, cuia e a erva em si. Para mim, não serve, acho uma coisa meio forçada, um falso apego à tradições que há muito tempo não representam o modo de vida do povo gaúcho. Ou alguém aí já andou a cavalo, marcou gado, assou churrasco em vala no chão? Duvido muito. Em todo o caso, este é um hábito comum, e arraigado na cultura de muitos de nós. Já vi gente, plena praia em Florianópolis, desfilando de cuia na mão, para mim o máximo da bobagem, uma vez que isso representa, exclusivamente, uma demonstração deslocada e desnecessária de gauchismo exacerbado. Quando vou à praia, a última coisa que eu quero é uma bebida quente e amarga. Prefiro, se o quesito for amargor, uma cervejinha bem gelada, para acompanhar petiscos à base de frutos do mar e coisas assim.

E eis que alguém do departamento de marketing da Dado Bier resolveu unir esses sentimentos: uma cerveja elaborada a partir da erva mate! Por mais estranho que possa parecer, o produto está sendo comercializado em vários supermercados e bares/restaurantes de Porto Alegre e região metropolitana. Dia desses, saboreando uma bela pizza de shitake com alho-poró da Sálvia (recomendadíssima!), cai na besteira de experimentar a tal iguaria. Besteira porque o produto é muito ruim, mesmo! Na verdade, não tem nem gosto de cerveja, nem de chimarrão, do qual só somos lembrados por uma sensação extremamente amarga após a ingestão da beberagem. Para quem me conhece não precisaria nem dizer, mas logicamente fiz o teste da meia-dúzia. E a cervejota restou amplamente reprovada! O pior, contudo, ainda estava por vir: um misto absurdo da moleza e sonolência típicas da cerveja, com uma certa sensação de vigília proporcionada pela cafeína presente na erva mate. Ou seja, a Dado Bier Ilex não se presta nem como uma boa cerveja, nem para satisfazer o gosto dos apreciadores do chimarrão.

Por isso, acredito que o pessoal do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho deve estar muito aborrecido com este desperdício da preciosa erva mate gaúcha. Concordo com eles em gênero, número e grau, embora o que me preocupe seja o desperdício de lúpulo e cevada.

Sempre me interessei pelos termos de pesquisa que os leitores utilizam nos motores de busca para chegar aqui no blog. No início, ficava estupefato com algumas buscas, não conseguia compreender como alguém podia utilizar os termos “sexo”, “liquidificador”, “fanta uva” e “pingüins” ao mesmo tempo, mas depois acabei acostumando com a bizarrice humana. Achava até engraçado quando algum internauta desavisado aportava por aqui após perguntar ao Google – como se este fosse um oráculo, pronto a responder qualquer dúvida – coisas do tipo “como faço para depilar minha genitália?”. Claro que isso também tem um lado positivo, porque o argumento “como faço para baixar os triglicerídeos” já trouxe muita gente para este artigo que escrevi, embora ele não seja a resposta adequada à pergunta. Mas, pelo aumento significativo de leitores diários, acredito que essas pessoas acabam gostando do blog, o que nos interessa. Não importa como arregimentar leitores, o que importa é que eles fiquem cativos. Ontem, depois de tanto tempo e já calejado, alguém conseguiu me surpreender com a pesquisa abaixo:

Fiquei intrigado, me perguntando se era comigo. Mas depois concluí que não poderia ser, afinal de contas, se o camarada me conhece a ponto de se preocupar com a minha religião, basta mandar um e-mail que eu respondo: é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Sétimo Dígito, minha próxima picaretagem quando as lides internéticas se encerrarem. Só aceitaremos, conforme o nome está dizendo, fiéis dispostos a fazer doações de valores com sete casas decimais. Serão pouquíssimos devotos, mas a doação de um já vai dar para viver uns bons anos sem maiores problemas. Por isso, não nos preocuparemos com o número, e sim com a qualidade. Em troca, atendimento espiritual especializado e com atenção exclusiva, porque um cliente que está pagando mais de um milhão merece cafézinho, massagem no pé – vou contratar alguém para fazer, se o fiel for homem – e toalhinha quente. A doutrina? Bom, isso a gente dá um jeito…

Sem brincadeiras, é claro que o leitor estava pesquisando sobre o deus Anubis. Nesse caso – ajudando o Google a superar a torpeza humana – a resposta está aqui.

As águas vão rolar…

Publicado: 13/05/2008 por Wolfarth em Não há o que não haja!

Há algum tempo se discute sobre o problema que o planeta terá no futuro (próximo) com a escassez ou falta crônica de água potável. Fala-se muito em preservar mananciais, em evitar o desperdício, em renovação dos corpos hídricos, enfim, todos expõem o assunto mas poucos enfrentam uma alternativa que poderia resolver o problema de forma determinante e eficaz: a dessalinização da água do mar.

Como foi dito no tópico abaixo, de lavra do ilustre Crânio, temos tecnologia suficiente e variada no mundo, que é utilizada para diversas finalidades, úteis, necessárias e supérfluas, bastando esforço e investimento de alguns bilhões de dólares (ou euros) para criar um mecanismo que possibilite a retirada de água dos oceanos e tratamento para torná-la apta ao consumo industrial, agrícola e humano.

Tenho conhecimento de que existem dois processos de dessalinização já utilizados: a antiga e ainda utilizada “evaporação e recondensação da água” e a recente “osmose reversa”, que é a filtração molecular da água salobra.

Peculiaridades à parte de cada um dos processos, os quais evitarei explicar, é sabido que ambos vêm sendo empregados em locais onde não é possível a obtenção de água potável, como por exemplo em ilhas áridas, submarinos, navios, plataformas petrolíferas e em lugares onde os poços vertem água salobra.

O grande problema é que os dois processos são viáveis apenas para dessalinização de pequenas quantidades de água salgada, não havendo notícias de que tenham servido para tornar potável milhares de metros cúbicos de água pestilenta.

Por isso, a grande sacada deste século será a criação de uma tecnologia que permita uma dessalinização rápida, segura e barata de hectolitros de água oceânica. Aliado à isso, também seria conveniente descobrir uma forma que permita evitar a contaminação do solo com o sal que será decantado dessa água, um tremendo entulho ecológico. E que ninguém venha me dizer que ele servirá para salgar o churrasco dos índios de cá!

A princípio, a energia que serviria de propulsora do sistema dessalinizador teria de ser “limpa”. Como a energia elétrica é muito cara (e será cada vez mais rara) e a energia nuclear não pode ser considerada boa para tanto, a alternativa seria a energia eólica.

Com absoluta certeza, em pouco mais de 20 anos muitos países da África e do Oriente Médio necessitarão dessa inovação sob pena de suas populações morrerem de sede, migrarem para outras paragens, ou mesmo travarem guerras para controlar mananciais aqüíferos.

A saída é a dessalinização. Quem descobrir um meio para fazê-la em larga escala, salvará o planeta da seca.

Se resolvessemos fazer uma lista das melhores coisas da vida, algo bem ao estilo dos tablóides ingleses, encontraríamos muitas esquicitices e algumas unanimidades. E acredito que entre as unanimidades estariam amigos e cerveja.

Amigos não servem apenas para dividir nossos problemas ou pedir dinheiro emprestado. Bons amigos (ou melhor AMIGO) são aquelas pessoas que sabem discordar do seu ponto de vista sem criar constrangimentos. E fazendo isto, nos ajudam a melhorar a forma de encarar assuntos, problemas, circunstâncias, momentose outros “quetais”. E claro, cerveja é sempre um ótimo acompanhamento para uma conversa!

Buenas, em uma das tantas cervejadas filosóficas ou assembléias da ABRIC, adentramos o tema do perfil industrial brasileiro. Entre tantos pensamentos e argumentos utilizados no debate estavam que os produtos desenvolvidos neste país são de baixa intensidade tecnológica, que os itens mais tecnológicos são importados, que não se investe em tecnologia, que os chineses é que estão certos, que o Steve Jobs é o cara,e por aí vai.

Até contra-argumentei de que o governo atual atua, mesmo que timidamente, para reveter este quadro; que é do conhecimento deste governo estas limitações do nosso parque industrial (inclusive citei frase do diretor da Cientec em que ele compara o preço de nossas exportações com o preço de nossas importações, ou seja 1kg de soja e “1kg de computador”, genial!!!). Somos um país muito agrícola e um pouco industrial. E quase nada tecnológico.

Como toda discussão de boteco (e as assembléias da ABRIC são um boteco retocado) não chegamos a acordos ou conclusões. E fiquei pensando no assunto.

Claro, à toda hora todos querem trocar de celular. Todos querem o iPod mais moderno, o iPhone mais moderno, o iRaios mais sofisticado, mais chamativo, mais…mais..sei lá, o importante é consumir e ter. E quanto mais caro for a traquitana que você comprar, mais um empresário irá lucrar. Para ser caro, precisa ter funções novas, mais espaço de memória, mais versatilidade, interatividade, conectividade e outras tantas palavras que cairam numa vala comum dos comerciais e que geram valor agregado (ou percebido) ao produto. Ou seja, torna ele mais caro.

Não discordo que muitos itens são uns verdadeiros achados e que facilitaram muito a vida moderna. O celular e a internet transformaram a sociedade. Qualquer pessoa com mais de 35 anos (me entreguei) sabe muito bem a dificuldade para obter informações há 20 anos atrás e a facilidade -que vulgariza- de hoje. Os aparatos tecnológicos democratizaram os meios de expressão, abrindo novos caminhos para muitos apresentaram suas habilidades (quem poderia imaginar, há 20 anos atrás que eu estaria escrevendo um texto que alguém em qualquer lugar do mundo pode ler?).

Com o crescimento de China, India, e até Brasil (sim, os pobres estão virando classe média para horror dos ricos), somados à riqueza crescente de alguns países do Oriente Médio e a necessidade que nós consumidores temos de que nos apresentem coisas que facilitem a vida, a industria de bens tecnológicos descartáveis de consumo (expressão criada agora por Crânio) é certamente a com maiores possibilidades de crescimento, podendo gerar muita riqueza e alguns empregos. Mas será que devemos nos ater somente à eles?

A atual crise dos alimentos, que gera discussões mundo afora (alguns colocando culpa nos biocombustíveis, outros no aquecimento global, mais alguns nos subsídios agrícolas e por fim, nos pobres, que agora estão comendo!), abre espaço para a discussão sobre intensidade tecnológica e necessidade prática.

Alguém come celular, iPhone ou iPod?

Existem muitas possíveis razões para a atual crise dos alimentos. Mas uma certeza: o tiro certo dos governos militares ao criarem a Embrapa.

O governo militar, que veio para afastar qualquer possibilidade de existir um governo semelhante ao da União Soviética no Brasil, copiou em muito os governos “comunistas” ao criar um sem-fim de estatais. E uma delas, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), muito ajudou a colocar o país na vanguarda tecnológica da produção de alimentos, aumentando a produtividade agropecuária, desenvolvendo e democratizando tecnologia agrícola.

Como produção agrícola não é mais uma roça e sim algo muito sério, desenvolveu-se por reboque, ma série de serviços tecnológicos agregados ao setor agropecuário. De implementos com controle e automação aos softwares de gerenciamento, temos uma indústria de valor agregado destinado ao agrobusiness (odeio esta palavra, mas todos usam), com geraçaão de tecnologia e empregos aqui no Brasil. E que certamente muitos países terão que importar para resolver seus problemas.

Porque além dos amigos e da cerveja, precisamos de comida também.