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Pois é, depois de quatro longos meses, estou começando a chegar no chamado “peso ideal”. Não me perguntem coisas como IMC, porcentagem de gordura e outros que tais. Não sei, não quero saber, e só não tenho raiva de quem sabe porque o instrutor da academia é um cara muito bacana, que dá uma força legal quando é preciso e sabe tolerar a indignação de um gordo em recuperação. Dito isso, posso assegurar que me sinto melhor depois de tanto peso perdido. Mais leve, dormindo melhor, e todas aquelas vantagens que o povo malhado te atira na cara quando quer te convencer que tu precisas urgentemente iniciar uma atividade física, porque o sedentarismo mata, yadda-yadda-yadda. Só que isso tudo não reflete absolutamente nada no humor da pessoa. Aquele papo de endorfina é tudo conversa, não se deixe enganar. Eu só me sinto de melhor humor quando transgrido a dieta e caio de boca num belo chesse bacon com maionese. E batata frita para acompanhar, que ninguém é bobo. Em resumo, isso tudo é lenda, viu? O exercício físico realmente melhora a condição de vida da pessoa, o sujeito se sente melhor, com mais disposição – se o Alemão estivesse escrevendo isso já iria falar na paudurescência – mas é absolutamente inútil quando se trata de mudar o estado de espírito da pessoa. A menos que você consiga se tornar uma daquelas portas de academia, que riem até de tropeço e só conseguem articular duas ou três frases com sentido. Aí, sim, você irá se divertir. Do contrário, encare com muita paciência.

No mais, só gostaria de saber quem vai me indenizar no final da vida por todas as tranqueiras que eu deixei de comer. Recusar uma bela picanha deve tirar o camarada pelo menos uns dois dias antes do purgatório.

Triglicerídeos são uma forma de gordura que circula na corrente sanguínea e é armazenada no tecido adiposo do corpo. O nível alto de triglicerídeos está associado a um aumento no risco de doenças do coração, especialmente em conjunto com colesterol alto e outros fatores de risco. Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não é só uma dieta com excesso de gordura que causa um aumento no nível de triglicerídeos. O excesso de carboidratos (especialmente açúcares) e calorias em geral fazem a concentração de triglicerídeos no corpo aumentar. (fonte: Corpo Perfeito)

E eis que depois de anos de muito abuso da comida farta, gordurosa e apetitosa, o corpo resolveu reclamar, indicando um nível de triglicerídeos muito acima do normal. E lá me fui pegar dieta com nutricionista para baixar o dito-cujo. O problema é que só dieta não adianta, o camarada precisa fazer atividades físicas para ajudar o organismo a se livrar do tal entupidor de veias. Não é mole abrir mão de pão branco – o Santo Graal de todo gordo -, massas e, ai meu Deus, pizza, mas é muito pior ser forçado a fazer exercício. Falando sério, eu simplesmente abomino ficar fazendo força à toa, sem produzir nada de útil. Se você caminhar durante uma hora em uma velocidade constante de 5 km/h, terá percorrido exatamente a distância de zero metros se considerado o ponto de referência e partida, sua casa. Mas, como também não quero partir para uma melhor tão rápido, lá fui eu caminhar nas férias. Consegui, incrivelmente, reduzir cerca de três quilos durante este período, o que é muito bom, se considerarmos que normalmente o camarada come muito mais e com mais prazer nas férias. Só que na volta não me adaptei muito à caminhada nas ruas da cidade, isso sem falar nos dias de chuva. Então, me inscrevi em uma academia para fazer os benditos exercícios todos os dias, mesmo odiando, mesmo me achando um idiota. A única saída é baixar audibooks e podcasts para o iPod e ouvir durante o exercício, o que pelo menos faz com que aquela maldita hora diária não seja uma total perda de tempo. O que mais me incomoda, na verdade, é ouvir falar em “treino”. O instrutor, um rapaz bem simpático, está sempre dizendo que eu estou fazendo treino de adaptação, que depois vai elaborar um treino definitivo com base nas minhas características e necessidades. Pelo amor de Deus, treino significa, intrinsecamente, a preparação para algo que se vai fazer depois. Eu não estou treinando para nada, só quero perder peso e baixar os triglicerídeos. Não, me recuso a treinar. Estou é me martirizando, isso sim. Agora, vou avisando: nem me venham com papo de parar de fumar! Só quero viver um pouco mais que a expectativa atual, não ser canonizado! Saudável, ma no troppo!!!

Você tem fome de quê?

Publicado: 29/07/2007 por BigDog em Chef Charlatão.

Eu sou um camarada que adora comer. Não necessariamente comer bem, sou fascinado por uma botecagem e por tranqueiras como hamburger e pizza. Mas, de vez em quando, gosto de experimentar restaurantes novos e, eventualmente, pilotar um fogão para a família e os amigos. E quando vejo um sujeito como Gordon Ramsay vociferando em seu programa que o importante são ingredientes locais frescos e uma quantidade planejada de tempero, apenas os suficientes para destacar e acompanhar o sabor do ingrediente principal, começo a imaginar que estou indo no caminho certo. Na real, acho que mais de cinco ingredientes principais – excluídos, claro, aqueles coadjuvantes, como o alho, cebola, tomilho, e por aí vai – já é frescura da grossa. Ou alguém aí vai negar que uma bela carne bem preparada com pouco mais que sal e alho, acompanhada de um molho simples mas bem elaborado e uma boa porção de carboidrato – arroz, aipim, batata, o que for – é uma refeição digna dos deuses? Portanto, se o quesito é comer bem, o importante é o prazer da refeição, e não a quantidade de palavras em francês usadas para descrever o prato. Atualmente, as dicas que tenho a passar são mais ou menos essas.

Modinha da vez, o Outback é uma casa de steaks cuja proposta é servir carnes selecionadas com acompanhamentos à altura. Mas, na verdade, seria um excelente boteco, não fosse o preço. Digo isso porque a batata frita, o chopp e a cebola empanada – típicos piriris de boteco – são divinos. A batata é uma ode ao colesterol, coberta com requeijão, cheddar e bacon frito. Uma delícia, é claro. A cebola empanada é um crime, servida com um molho espetacular de páprica e mostarda e o chopp, em quantidade pra lá de justa, chega sempre na temperatura ideal, não importa a estação. Só que a comida, em si, é sofrível. Sinceramente, comer carne crua e sem sal por 40 mangos não dá! Certamente, em casa você faz melhor. A salada de camarão é um insulto, pelo preço, uma vez que mandam meia dúzia dos bichinhos em uma tigela de alface. Uma picaretagem, definitivamente.

Para quem gosta de comida árabe, o Al Nur, na Av. Protásio Alves, é uma boa pedida. Comida honesta e caprichada, principalmente o quibe, a kafta e os charutinhos (não me perguntem o nome em árabe, não faço a menor idéia), servidos em quantidades generosas no rodízio. Tudo isso acompanhado pela excelente cerveja artesanal Coruja, apesar do preço salgado.

Pois foi lá no Al Nur, jogando conversa fora, que eu disse que um dia queria ter um restaurante chamado “Confraria do Arroz”, servindo apenas pratos preparados com esse maravilhoso ingrediente, tais como o nosso tradicional carreteiro e alguns risotos e paellas. Pois não é que a Marta veio com um papo de que isso já existia, o Tutto Riso, na Rua Dinarte Ribeiro? Inconformado, fui conferir e tive de dar o braço a torcer. Idéia arquivada, meu restaurante já existe. E está sendo maravilhosamente bem administrado, por sinal. Preços acessíveis em um ambiente simples e agradável. A comida? Meu Deus, é de comer ajoelhado rezando uma Ave Maria. Recomendo o risoto sardo, com pernil de ovelha, vinho tinto, ervas e queijo parmesão. Para acompanhar, nada de muito vinho que os caras mordem é por aí. Enfim, meu restaurante está lá e é excelente!