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Como anda seu sono?

Publicado: 17/06/2020 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Longe de ser a segunda maior população mundial, o Brasil é o segundo colocado, tanto em número de infectados pelo Covid-19 quanto em óbitos decorrentes da doença, em escala mundial. No ranking, apenas os EUA estão na frente nestes dois quesitos, por uma grande margem, embora sejam a terceira população do mundo. O Trump original e o tropical são, portanto, os piores líderes mundiais na condução das medidas de contenção e assistência médica na propagação da pandemia.

E você votou em um deles. Está tranquilo? Já morreu alguém da família ou entre os amigos? Já viu o horror da agonia lenta de quem luta para conseguir fazer algo tão simples quanto respirar?

Em suma, como anda seu sono?

A besta… Quadrada.

Publicado: 01/06/2020 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Recentemente, o ministro Celso de Melo, do STF, retirou o sigilo de parte das filmagens da fatídica reunião ministerial dia 22 de abril, apontada pelo ex-ministro Sérgio Moro como prova da intenção do presidente em interferir politicamente na Polícia Federal, que foram juntadas ao inquérito que apura tais acusações, aberto a requerimento do PGR Augusto Aras. Na dantesca filmagem, Biroliro, em postura de evidente afronta, informa que vai interferir, sim, onde quiser, e que se necessário substituiria até mesmo o ministro para atingir seus objetivos, tudo a confirmar a tese de Moro – que, saliente-se, possivelmente já havia sido alvo de pedidos com o mesmo conteúdo e, não tendo tomado qualquer atitude, de certa forma marcou sua leniência tácita com o total desmando que se tornou este governo -, tornando explícita a intenção de obstar investigações e obter informações privilegiadas sobre a atuação dos órgãos policiais.

Mas isso nem era novidade. Embora certa parcela da população ainda insista em defender esta monstruosidade que está no poder, todos que ainda mantém o cérebro em atividade já sabiam da atuação ilícita da família presidencial e da vontade do presidente de varrer toda a sujeira para baixo do tapete.

A mim, o que realmente choca é ver que, após pregar abertamente o armamento da população para que ajam como milícias federais, defendendo o governo da atuação de governadores e prefeitos, em verdadeira apologia por uma guerra civil, o Sr. Presidente, com a maior naturalidade, cita como pilar de seu governo a devoção religiosa e a observância dos preceitos cristãos.

Não parece razoável que qualquer pessoa minimamente observadora dos ensinamentos de Cristo coloque, na mesma fala, elementos de ódio e de aberto estímulo à violência. Tal perplexidade, por sorte, também é compartilhada por uma parte ainda lúcida das pessoas que cumprem aqueles preceitos como forma de vida. De exemplar clareza a manifestação de um velho amigo que sempre viveu e teve sua conduta pautada pela mensagem deixada por Jesus Cristo, que transcrevo com seu consentimento:

Nunca gostei deste Bolsonaro desde o dia que eu ouvi ele, e por isto perdi muitis amigos na igreja. Ele desperta o que há de pior nas pessoas. Lembro de uma passagem da Biblia em que se pergunta: “pode uma fonte jorrar agua doce e saloba juntas? Não.” Isto se referindo que ou se tem todos os atributos pacificos de um cristão ou não é cristão. Bah, eu teria uma lista extensa de versiculos… Mostrando que Bolsonaro é a besta… Quadrada. Ah, dizem q o anti-Cristo enganaria até os cristãos. Certo. Mas daí é encher muito a bolinha do Bolsonaro. Ele é muito burro para ser antucristo. Quando muito um pobre diabo.

Exemplar pensamento! Não se pode misturar loucura com devoção, fé com agressão e ódio com amor. Fui educado dentro de escolas católicas e, embora não professe esta fé, compreendo perfeitamente que não foi absolutamente nada disto que Cristo quis transmitir. Tomar Cristo como exemplo e, depois, sair pregando o contrário de tudo que ele quis transmitir parece, na melhor das hipóteses, hipocrisia da gorda. No caso de Biroliro é muito pior, porque, usando a fé de outros, segue procedendo da forma doentia que sempre adotou, marginalizando pessoas pelo simples fatos de serem diferentes ou de não pensarem da mesma forma. Não sou bom de versículos, mas tenho quase certeza que li em algum lugar que era para amarmos uns aos outros como Cristo nos amou. O que, infelizmente, é o que menos se faz neste governo.

Da Wikipedia:

Na mitologia grega, Panaceia (ou Panacea em latim) era a deusa da cura. O termo “panacéia” também é muito utilizado com o significado de remédio para todos os males.

Asclépio (ou Esculápio para os romanos), o filho de Apolo que se tornara deus da medicina, teve duas filhas a quem ensinou a sua arte: Hígia (de onde deriva higiene) e Panaceia. O nome desta última formou-se com a partícula compositiva pan (todo) e akos (remédio), em alusão ao fato de que Panaceia era capaz de curar todas as enfermidades.

Muito tempo depois da Grécia clássica e da transformação de sua mitologia em mero registro literário do alvorecer do pensamento humano, ainda temos, por mais curioso que possa parecer, pessoas crédulas na panaceia, na cura de todos os males com apenas um ou poucos medicamentos.

Foi em 2016, não há tanto tempo atrás, que o então deputado Jair Messias Biroliro consegui emplacar, após quase três décadas na câmara como parlamentar, uma lei cuja autoria lhe foi atribuída, ao lado de diversos outros parlamentares – inclusive Dudu Bananinha -, a de n.º 13.269, que autorizava o uso da fosfoetanolamina sintética no tratamento de pacientes diagnosticados com neoplasia maligna. Publicado em 13/04/216, o texto legal teve vida curtíssima, com o STF suspendendo, já em 19/05/2016, sua eficácia em decisão liminar na ADI n.º 5501. O processo ainda não foi definitivamente julgado, mas, ao que parece, o assunto está meio que caindo no esquecimento, inclusive porque, submetida ao crivo de testes clínicos sérios por instituições respeitáveis, a substância não demonstrou a incensada capacidade de curar todos os tipos de câncer.

E, com a devida licença, nem poderia ser diferente.

Somente um total déficit cognitivo leva uma pessoa, no gozo de suas faculdades mentais – ainda que limitadas -, a acreditar que, sem qualquer pesquisa séria e por mera “intuição” de um único pesquisador, que nem médico era e, mesmo assim, saiu distribuindo a esmo o composto,  pudéssemos ter esbarrado em uma cura quase milagrosa e praticamente indolor para um grupo de doenças – sim, câncer não é “tudo a mesma coisa” – que abala a humanidade há milênios. Esse mesmo déficit cognitivo induz a pessoa, desprovida de conhecimento e imbuída de um espírito de conspiracionismo propagado à exaustão por gente ainda menos capacitada e mais paranoica, a insistir cada vez mais em suas teorias, quase inviabilizando o convívio social.

Com a COVID-19, estamos vivendo a mesma realidade paralela. Enquanto os implacáveis fatos expõem milhares de pessoas sucumbindo à doença diariamente, sem que nenhuma instituição médica ou farmacológica tenha sequer arriscado sugerir a adoção de um ou outro tratamento como forma eficaz e definitiva de debelar a enfermidade, no Brasil já temos a pílula para a moléstia, a tal cloroquina, que, a exemplo da fosfoetanolamina, está sendo escondida da população por lobby da indústria farmacêutica, dos comunistas, dos reptilianos, dos incas venusianos ou qualquer outra entidade do mal que esteja povoando o imaginário dos usuários de WhatsApp que encaminham diariamente dezenas de mensagens, vídeos e denúncias uns aos outros, cegos, surdos e loucos para argumentos científicos e, em última análise, para o simples bom senso.

Curiosamente, o mesmo personagem está por trás da divulgação destas duas panaceias, e ainda assim seu séquito de seguidores segue implacável, inabalável, crente no messianismo de suas palavras quase sagradas.

Isso diz muito mais sobre o fim da civilização que se pode imaginar. Espero que algum dia possamos dar risada deste período de obscurantismo da nossa história, mas estou cada vez menos crédulo nesta possibilidade.

 

 

E hoje, Dr. Moro, que passou de herói a traidor em um passe de mágica para a ensandecida turba bolsonarista, publicou no Twitter uma indagação sobre o abandono da dignidade na vida política de nosso país.

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O problema, Dr. Moro, é que, quando se começa a aviltar frontalmente a Constituição e as leis em nome de um objetivo pessoal – ainda que corroborado por grande parte da população – se está autorizando que muitos outros façam o mesmo, porque os limites passam a ser os pessoais, e não aqueles escolhidos pelo constituinte e pelo legislador.

Vamos a um exemplo: imagine o senhor que algum juiz, cuja primeiríssima OBRIGAÇÃO é de se colocar em posição de neutralidade em relação às partes, atuando estritamente em razão da provocação destas – o tal princípio da inércia da jurisdição, lembra? -, começa a tramar com o ministério público táticas de atuação em processos criminais, escolhendo réus dentre aqueles que no futuro não possam ser seus “aliados” , indicando provas e postergando o recebimento de denúncias enquanto indica documentos a serem juntados aos autos para tornar mais robusta aquela mesma denúncia.

Imagine agora que este mesmo juiz, após condenar de forma estranhamente expedita um forte concorrente na eleição presidencial – que acaba por se tornar inelegível em razão daquele processo claramente maculado pela falta de parcialidade e isenção -, aceita o convite do eleito para integrar o ministério do novo governo e, no curso deste governo, tem divulgadas as provas, de sua própria lavra, sobre as reiteradas alegações de parcialidade e interferência no resultado dos processos, tornando quase inquestionável a total falta de ética em sua atuação profissional anterior.

Finalmente, após fazer vista grossa para notórios corruptos que passam a integrar o mesmo governo e de silenciar sobre investigações que levantam robustas provas sobre o envolvimento da família do presidente em atividades, digamos, de legalidade duvidosa, o tal juiz resolve posar de bom moço e sai do governo atirando para todos os lados, sem sequer se dar conta que sua inação em relação aos fatos que relata pode configurar o ilícito de prevaricação – talvez pela certeza na impunidade decorrente de seu status de “herói” -, especialmente em relação à agora quase inquestionável participação dos filhos do presidente na fábrica de notícias falsas que se tornaram as redes sociais, a custa de muito dinheiro público.

De quê este cidadão tem moral para reclamar?

Um ser. Humano?

Publicado: 29/04/2020 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Junho de 2019. Um funkeiro carioca, McReaça, conhecido pelo apoio ostensivo ao projeto de poder das milícias cariocas, agrediu covardemente sua namorada e, ato contínuo, se suicidou.

Jair Biroliro:

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Em dezembro de 2019, uma das filiais daquela empresa vendedora de cacarecos chineses pertencente ao patético Luciano Hang, o “véio da Havan”, teve a breguíssima estátua da liberdade de fibra de vidro que enfeita a entrada de suas lojas incendiada.

Jair Biroliro:

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Em abril de 2020, o sertanejo Gustavo Lima foi duramente criticado pela imprensa por ter promovido uma live em redes sociais claramente alcoolizado, durante a pior crise sanitária da história recente do mundo.

Jair Biroliro:

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Perguntado, em 28/04/2020, sobre as mais de 5.000 mortes decorrentes da pandemia do coronavírus no Brasil, declarou expressamente o Sr.Presidente:

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Esta é a pessoa eleita para o cargo máximo da política no Brasil. Se você apoiou, espero sinceramente que já tenha revisto sua decisão e se arrependido profundamente dela. Se ainda apoia, lamento informar, mas sua humanidade está rapidamente se desfazendo.

 

Em 2016, o ministro Gimar Mendes, do STF, suspendeu acertadamente os efeitos do decreto da então presidente Dilma Roussef nomeando o ex-presidente Lula para o cargo de chefe da Casa Civil. O eleitor médio de Jair Messias Biroliro aplaudiu a decisão do ministro, que se baseava no flagrante desvio de finalidade da nomeação. Dilma só queria assegurar a Lula o foro privilegiado para estancar sua iminente condenação no primeiro grau da Justiça Federal.

Mais que isso, o eleitor médio de Biroliro babou, urrou, estridentemente.

Hoje, este mesmo eleitor reclama da decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem em razão do flagrante desvio de finalidade, uma vez que há sérios indícios de que o atual presidente pretende, com a manobra, estancar o curso de inquéritos envolvendo os três patetas – Carluxo, Bananinha e 01 -, colocando um amigo da família para se encarregar da missão à frente da Polícia Federal.

O que o eleitor médio de Biroliro se nega a admitir é que escolheu exatamente a mesma corja, com o sinal trocado.

 

Recentemente nosso estimado presidente declarou que não via qualquer problema no trabalho infantil, citando que ele próprio trabalhou em plantações desde os oito ou nove anos de idade, e disto não decorreu qualquer problema para sua personalidade e/ou formação.

Vamos deixar de lado, para esta análise, a profunda desumanidade da proposição, já reconhecida como danosa ao desenvolvimento infantil na maior parte do mundo civilizado, bem assim a distorcida avaliação de si mesmo de Jair Bolsonaro, um sujeito com claros problemas psíquicos que clamam por tratamento urgente. Esqueçamos, também, que um irmão do presidente declarou no passado à revista Crescer que seu pai jamais teria autorizado que os filhos trabalhassem para não prejudicar seus estudos, o que contradiz frontalmente a fanfarronice de Bolsonaro. Sei que é difícil, mas vamos tentar ser objetivos.

Conforme as últimas pesquisas, o número de desempregados supera os 13 milhões, totalizando quase 12,5% da população economicamente ativa, e as pessoas subutilizadas chegam a 28 milhões. Ou seja, se não há emprego sequer para adultos, qual o sentido minimamente lógico em se propor – além de uma profunda desconexão com os mais elementares sensos de empatia e piedade para com a infância – que se coloquem crianças para trabalhar? Gritarão, rapidamente e em uníssono, os apoiadores deste lunático que “a culpa é do PT”! E com grande dose de razão, não se pode cobrar de um governo de apenas seis meses que tenha resolvido um problema que vem se tornando cada vez maior há mais de cinco anos.

Mas, definitivamente, podemos e devemos cobrar de um presidente coerência e sensatez, abertura a proposição de soluções ponderads e compreensão para com os outros. No entanto, até o momento só temos alucinações, preconceitos e análises completamente distorcidas da realidade. O rumo que tomamos é preocupante, as mais singelas amarras com o bom-senso e a civilidade está sendo perdidas em ritmo acelerado, e não me surpreenderei se, em breve, alguém ainda proponha abertamente o retorno da escravidão. É só o que falta, já que nem de crianças – CRIANÇAS – se tem mais pena.

Epílogo

Publicado: 08/05/2019 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

E o brasileiro sob Bolsonaro se converteu em um zumbi raivoso e preconceituoso, uivando em êxtase e escárnio, imbecilizado pelo WhatsApp, finalmente rumando, arma em punho, aplaudindo e se vangloriando, para sua completa destruição…

 

Recentemente o perfil oficial da Embaixada da Alemanha no Brasil publicou no Twitter um vídeo curto informando que, apesar do horror do holocausto, as crianças em seu país são desde cedo ensinadas sobre os sofridos detalhes de sua história.  Em uma parte do vídeo, a informação é que a ideia central desta educação precoce – na faixa de 13 a 15 anos – é “conhecer e preservar a história para não repeti-la”, evitando que em algum momento do futuro o renascimento do discurso nazista possa encontrar acolhida no pensamento de pessoas despreparadas para lidar com ele. Ainda conforme o vídeo, na Alemanha constitui crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas e fazer a saudação “Heil Hitler”.  (confira a íntegra aqui). Aos representantes de uma nação, certamente não deve ser uma tarefa fácil assumir, publicamente e sem qualquer maquiagem, o pior momento de seu passado, que inevitavelmente será para sempre lembrado pelo resto da humanidade como uma das maiores mazelas da história universal. Assumir uma posição franca e aberta com relação a um assunto certamente tão dolorido somente indica mais um dos motivos pelos quais, assimilando as lições daquele passado, a Alemanha se tornou a nação que é hoje.

Transcrevendo falas do Ministro das Relações Externas alemão, Heiko Mass, o vídeo nos informa que há preocupação e incentivo a que se combata o extremismo de direita na Alemanha, inclusive com a referência de que “quem protesta contra os nazistas não é de esquerda, mas normal”. E aí ocorreu o grande erro da Embaixada: tentar semear pensamentos em um solo tão pouco propício a gestá-los, o povo brasileiro. Em reação à lógica associação do movimento nazista e dos atuais neonazistas com a extrema direita – ponto que sequer se questiona entre historiadores alemães, segundo reportagem da agência DW Brasil -, uma verdadeira malta de iletrados brasileiros foi, dolorosamente para o resto de nós, manifestar orgulhosamente sua ignorância nas redes sociais, teimando, esperneando e “arjumentando” que o nazismo, na verdade, é uma ideologia derivada da esquerda.

Seria um movimento até mesmo engraçado e pitoresco se não fosse extremamente trágico e doloroso. Habitantes de um país que, há menos de três semanas, viu arder grande parte de sua história e, mais desgraçadamente ainda, fatia importante da história do resto do mundo, em um incêndio decorrente do mais absoluto descaso e desleixo com o próprio passado, com o conhecimento humano nas mais variadas áreas da ciência e da história, tentaram realmente ensinar história da Alemanha aos alemães. Patético. A origem de tal disparate, no Brasil, pode ser traçada diretamente ao suspeito habitual, o auto-intitulado “filósofo” Olavo de Carvalho (pérolas de sua sabedoria aqui), tendo sido repetida no lamentável livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo”, do jornalista Leandro Narloch, e, atualmente, sendo pregada por acéfalos do calibre do YouTuber Nando Moura. A manobra visa, primária e evidentemente, a associar todas as atrocidades da humanidade com os ditos movimentos de esquerda, fazendo parecer que no que se convenciona chamar de direita não há espaço para discursos extremistas, preconceituosos e discriminatórios, nem a eclosão de catástrofes da magnitude da vivenciada na Alemanha da segunda guerra. Não à toa, o discurso ganhou espaço nas redes sociais do deputado Eduardo Bolsonaro, em texto publicado ainda em abril/2015.

E é exatamente este o maior motivo de serem completamente alarmantes as manifestações ensandecidas dos brasileiros: ao que parece, não estamos mais dispostos a raciocinar, assumimos que devemos, com quaisquer meios, tirar de seus cargos os “comunistas” e “socialistas” que tomaram conta do país, não importando para isso que tenhamos que abdicar de qualquer coerência e bom senso. Não admitimos meios-termos. Não nos importamos com manifestações odiosas contra outros seres humanos, apenas estabelecemos que o “diferente” deve ser destruído, calar-se e viver uma vida sem direitos, de preferência sem incomodar o resto da sociedade. Não temos dívidas com os negros, afinal os próprios africanos se auto-escravizaram e os portugueses somente fizeram o transporte, sequer tendo pisado na África. Não devemos respeito a homossexuais, que devem ser espancados para “se ajeitarem” e sumirem da nossas vistas. Às mulheres, reservamos o papel de subalternas, com remuneração inferior pelo inconveniente de se ausentarem do trabalho para gerar e nutrir novas vidas, assinando carta branca para que os patrões resolvam estas questões como melhor lhes aprouver. Nossa justiça é a do mais forte, damos autorização para que a polícia mate indiscriminadamente, porque precisamos preservar nosso patrimônio e não somos obrigados a dar nenhum tipo de oportunidade a quem quer que seja. Errou, tem que pagar, de preferência com a vida. Um incômodo a menos. Devemos escorraçar os venezuelanos que, em desespero, vieram bater nas nossas portas, implorando por suas próprias vidas, visto que é sua culpa terem adotado linhas socialistas em seu governo. Que morram à míngua, eles e o resto da escória da humanidade. Não devemos ter empatia com ninguém e o egoísmo nos norteará para o caminho do bem.

A única esperança que me resta é que, daqui a talvez cem anos, alguém irá postar no equivalente às nossas redes sociais um material audiovisual informando que, apesar do triste momento que passamos nas primeiras três décadas do século XXI, aprendemos com a nossa história, revimos nossos abissais erros e estamos nos esforçando bravamente para não esquecê-los ou repeti-los. E isso sem que ninguém comente que, na verdade, Jair Bolsonaro foi um injustiçado e todas as falas odiosas a ele atribuídas foram criadas e manipuladas pela imprensa tendenciosa da época.

 

Pet Friendly?

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Não há o que não haja!, Um muito sobre nada...

Semana passada, depois de três meses e meio, fui obrigado a ir a um shopping. Sim, eu conto o tempo entre cada ida a shoppings. Meu recorde em todos os tempos é de oito meses e tenho muito orgulho disso. De qualquer forma, fui obrigado a ir em um destes estabelecimentos contra a minha vontade, porque me ameaçaram abertamente. Alguma coisa sobre comprar calças novas ou ficar solteiro de novo. Levei a sério…

Chegando naquele templo de futilidade e consumismo, reparei que havia pessoas andando com cachorros no colo e em coleiras, como se estivéssemos em algum parque ao ar livre. Achei bem estranho, nunca havia visto uma coisa destas. Perguntei sobre o assunto para uma vendedora na primeira loja em que entrei – o mais rápido possível, para poder ir embora – e ela me explicou que tinha ocorrido grande demanda popular para que as pessoas pudessem trazer seus “filhinhos” para o shopping, e assim foi feito.

Agora pesquisei um pouco mais e descobri que adotar essa atitude, para uma empresa, é ser “Pet Friendly”, ou seja, amiguinha dos animais. Aparentemente, a onda de tratar cachorros como pessoas, até mesmo filhos ou outros membros da família, ao invés de ser tratada como a grande epidemia de doença mental que é, virou motivo para atrair mais pessoas ao shopping. Se alguém está tão doente a ponto de não conseguir sair de casa por causa de um cachorro, o shopping resolve o problema e recebe de braços abertos aquele filho tão amado e tudo fica bem.

Menos para os desgraçados que, como eu, são obrigados a ir naquela merda e, agora, ainda têm que aguentar mijo e bosta de cachorro…

Ainda bem!

Publicado: 03/09/2018 por BigDog em Isto é Brasil..., Não há o que não haja!, Populítica

Hoje li um bando de comunistinha reclamando no Foicebook do incêndio em algum destes museus brasileiros, antro de comunismo, marxismo cultural e ideologia de gênero. O que se perdeu neste incêndio? Múmias egípcias? Estão de brincadeira! Os egípcios foram um povo herege que idolatrava imagens distorcidas de seres bizarros, meio homens, meio animais, e que mantiveram o povo escolhido em escravidão por séculos, impedindo a divulgação da palavra do Deus verdadeiro. Tem mais é que queimar todas estas relíquias religiosas demoníacas. E digo mais, enquanto não derrubarem aquelas pirâmides e todos os templos pagãos em homenagem a seres demoníacos a pobreza, a miséria e a ignorância não abandonarão aquele povo amaldiçoado!

O que mais queimou? Exemplares de animais, insetos, fósseis de dinossauros e de seres humanos? Tudo falsificação científica para convencer as pessoas da tal de teoria da evolução, quando todo mundo sabe qual a origem do mundo e como foi criado. Está tudo na Bíblia, mas estes cientistas comunistas insistem em contestar a palavra do Divino com essas teorias. Ainda bem que queimaram aquelas bizarrices que só podem ser artefatos forjados por pessoas com as piores das intenções, que querem conduzir nosso país a uma ditadura de esquerda e não estão lutando por nada além disso. Envenenam as mentes das crianças com ideias estapafúrdias que não se sustentam contra os claros e precisos ensinamentos do Bom Livro. Que queimem estes disparates!

Se duvidar, agora que o Brasil está prestes a se dedicar ao que realmente importa – agredir gays para os endireitar, liberar o porte de arma para que o cidadão de bem se proteja contra quem lhe agride e dar salvo conduto para policial fazer faxina em favela e outros bolsões de pobreza – criaram este incêndio para desviar as atenções. Não dá para duvidar de nada quando se está lidando como comunista! Mas é melhor JAIR se acostumando. BOLSOMITO 2018!

gentiliVocê provavelmente conhece Danilo Gentili, aquele “comediante” (?) “de direita” (???) que resolveu alavancar sua audiência ofendendo pessoas “de esquerda”, como ele mesmo qualifica, defendendo com unhas e dentes sua visão doentia de mundo. No entender do camarada, o mundo ainda se compartimenta em duas – e apenas duas – possibilidades, ou seja, ou se é conservador, defensor do livre mercado e católico ou se é comunista, pé-sujo e ateu. Uma simplificação idiota, evidentemente, na medida em que tais extremos há muito foram superados, e uma saudável mistura destas visões, pendendo ora para um lado, ora para outro, tem permeado a vida política e econômica de nações bem mais desenvolvidas que a nossa. Não bastasse tudo isto, recentemente este sujeito deplorável adotou uma atitude que me fez dar razão a uma clara representante do outro extremo deste espectro de imbecilidade dualista: a lamentável deputada federal Maria do Rosário, do PT/RS.

maria-do-rosario-nunes-diputada-brasilenaSim, Maria do Rosário é mais uma destas figuras com discursos embolorados e tendências à ampliação indevida de conceitos de direitos sociais e coisas do tipo. Não sei exatamente, e nem me interessa saber, qual o conteúdo da intimação/notificação/bilhete enviada ao humorista, e acho que qualquer um que tome partido incondicionalmente nesta briga tende a errar para um ou outro extremo. Mas uma coisa é certa: rasgar o documento, esfregá-lo “nas partes” e mandar de volta à remetente é uma atitude, para dizer o mínimo, infantil e desprovida de qualquer civilidade e urbanidade (video, para quem tem estômago, aqui). Há inúmeros instrumentos para Danilo contestar as imputações, inclusive nos meios de comunicação aos quais possui acesso. Uma conduta madura poderia, inclusive, apontar eventuais excessos e abusos da parlamentar, o que eventualmente iria colaborar para que, na próxima legislatura, menos gente daquele calibre consiga assentos no legislativo.

Ao invés disso, seguindo o exemplo de outro baluarte desta “nova direita” brasileira, o deputado Jair Bolsonaro – que, para quem não lembra, foi capaz de dizer que Maria do Rosário não “mereceria” ser estuprada por ser “muito feita” – preferiu adotar uma postura de moleque irresponsável, angariando simpatia automática das pessoas que ainda tem algum norte de educação e civilidade a uma parlamentar de atuação, no mínimo, inócua e equivocada. Verdadeiro tiro no pé.

Provavelmente nos últimos tempos você leu/ouviu frases muito similares a estas:

– O paciente João dos Anzóis tomou a fostoetanolamina por seis meses e ficou curado do câncer de próstata!

– O irmão do cunhado da minha tia pegou um táxi e foi ludibriado no troco, além do motorista não ter ligado o taxímetro, ter sido extremamente grosseiro e, para piorar, pego o caminho mais longo para aumentar o valor da corrida!

A estas afirmações se atribui o nome de evidências anedóticas, ou seja, evidências verificadas em um número baixíssimo de eventos – muitas vezes apenas um -, de maneira informal e normalmente por pessoas não-habilitadas a coletá-las. Geralmente, possuem forte apelo emocional e tendem a se integrar rapidademente ao imaginário popular. Mas não servem, de forma alguma, para estabelecer políticas de grande repercussão social, como a aprovação de medicamentos e a elaboração de políticas de mobilidade urbana. No máximo, servem para que elaboremos conclusões generalizadas e desvinculadas dos fatos, nem sempre salutares. Além disso, por seu próprio apelo e repercussão, tendem a ser lembradas de forma mais viva e dramática pelas pessoas. Ninguém comenta, por exemplo, sobre as pessoas que tomaram a mesmíssima substância e infelizmente sucumbiram ao câncer de qualquer maneira, nem das incontáveis corridas de táxi que fez durante a vida em que tudo correu exatamente como o esperado.

Para que se verifique a nocividade deste tipo de procedimento, basta pensar quantas vezes, ao longo da vida, tomamos decisões levados pela emoção – ou, como dizemos, “de cabeça quente” – e acabamos sendo imensamente prejudicados, findando por lamentar o fato de não termos escolhido outro caminho.

Nesta polêmica do Uber, é exatamente frente a isto que nos encontramos: por ter havido um caso grave de agressão a taxista em Porto Alegre, já somos todos contra a “máfia dos táxis” e plenamente favoráveis ao uso do aplicativo.

Mas um minutinho de reflexão traz algumas questões absolutamente relevantes. Por exemplo, é possível confiar inteiramente na iniciativa privada para regular um serviço de utilidade pública, sem a realização de estudos ou qualquer levantamento mais sério sobre a forma como tal serviço é prestado?Exemplos de serviços anteriormente privatizados que simplesmente não funcionam não precisam ser muito procurados. Aparentemente, o Uber verifica antecedentes criminais dos candidatos a motorista, mas num país em que o número de crimes solucionados é irrisório este procedimento assegura a isenção dos passageiros de qualquer risco? E mesmo que o motorista seja uma pessoa idônea, há a garantia de que os dados que trafegam no aplicativo são 100% seguros e impossíveis de serem rastreados por pessoas com interesse em saber a rota exata e os horários de deslocamento de determinada pessoa?

Por outro lado, a pressa dos vereadores de Porto Alegre em vetar o uso do serviço corrobora, e muito, outra idéia já fixada no imaginário popular, segundo a qual todo político é corrupto e está sempre participando de algum esquema. No fundo, qual a real intenção por trás de cada voto? Decidiram com base em dados relevantes e concretos? Possuem condições de apontar eventuais falhas no serviço que justifiquem a proibição? Não possuem nenhum interesse econômico na discussão?

Ninguém sabe concretamente, em nenhum dos dois casos. Como sempre, estamos decidindo coisas relevantes no escuro, não tomando o devido tempo para reflexões e discussões sérias. E este é o ponto: somos um país formado por pessoas que se recusam a raciocinar, simplesmente desprezando a competência técnica, com a crença em que nada de mal irá acontecer pelo simples fatos de agirmos assim. Do dia para a noite, somos todos médicos, engenheiros de minas, geólogos, especialistas em política do oriente médio e engenheiros de trânsito, aptos a dar opiniões definitivas sobre tudo. E, enquanto continuarmos agindo assim, não sairemos do buraco para o qual cada vez mais infelizmente rumamos. Mas só acho…

Passada a celeuma sobre a questão do ENEM envolvendo o texto de Simone de Beauvoir, resolvi parar um minuto para pensar sobre o assunto, depois de ter ignorado solenemente as manifestações doentias que li por aí. O parágrafo, textualmente, diz o seguinte:

“Niguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”

Se me permitem a imensa falta de modéstia, apenas lendo o excerto do texto, entendi perfeitamente que ele versa sobre o feminismo. Intui, inclusive, que a expressão “ninguém nasce mulher” se refere à definição da mulher na sociedade, ao papel que esta irá assumir perante os outros, e não à orientação sexual da “fêmea humana”, na definição da própria autora. Consegui, de forma completamente independente, ler o texto de forma isenta e verificar sobre o que ele versa, retirando o sentido que a autora pretendeu dar. Sou inteligente por demais, não?

NÃO!!!

Somente duas condições podem impedir que a pessoa extraia do texto acima transcrito seu exato sentido:

  1. Analfabetismo funcional, aquela condição tão comum na sociedade brasileira, que se caracateriza justamente pela inabilidade de, apesar de formar corretamente as palavras mediante sua leitura, formar uma seqüência lógica e racional a partir de qualquer manifestação escrita; e,
  2. Completa desonestidade intelectual, enfatizando uma figura de linguagem utilizada para embasar um discurso prévio de intolerância e radicalismo.

Infelizmente, há inúmeras pessoas que se enquadram na primeira hipótese, o que depõe negativamente acerca do sistema educacional brasileiro. Se uma pessoa prestes a ingressar na faculdade não conseguir, por seus próprios meios, intepretar um texto tão singelo, certamente estaremos diante de um déficit de preparação e aprendizado que, com todo o respeito, dificilmente pode ser corrigido em algum ponto.

Mas o mais preocupante são aqueles que se enquadram na segunda hipótese. Nestes, incluem-se, sem qualquer sombra de dúvidas, figuras execráveis da vida pública nacional, tais como Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro (se bem que quanto a este último tenho lá minhas dúvidas). O que fazem estes cidadãos é, basicamente, emprestar uma interpretação absolutamente distorcida do enunciado da questão antes transcrita, professando que esta demonstra claramente uma tendência dos órgãos estatais encarregados da educação de crianças e jovens a seguir o que eles mesmos denominam de “ideologia de gênero” ou “gayzismo”, que seriam ferramentas do Estado comprometer a “família tradicional” e, como última conseqüência, estabelecer uma ditadura comunista/socialista. Fazem isto, evidentemente, contando que a grande massa de funcionalmente analfabetos, repetirão “ad nauseaum” estes argumentos torpes e sentirão temor ou descontentamento com as políticas educacionais, pendendo a, para evitar a tal ditatura, entregarem seus votos e darem muito dinheiro aos envolvidos.

E este quadro, por si só, é preocupante. QUALQUER das duas hipóteses que enumero aponta, fatalmente, para um quadro sombrio no futuro da nação. Ou nos tornaremos uma nação de deficientes intelectuais, sobrevivendo com dificuldades aos desafios que o avanço das ciências e da tecnologia nos imporão, ou seremos todos pessoas arrogantemente tendenciosas a interpretar qualquer idéia divergente das pré-estabelecidas com base em preconceitos e irracionalidades, o que dá quase no mesmo.

Como a maioria das pessoas, não li os termos e condições de uso do Facebook e nem de nenhum outro serviço online, mas tenho quase certeza que não há neles qualquer obrigação do usuário emitir sua opinião sobre cada assunto de grande repercussão que surge.

Sendo assim, acaso não tivermos nenhum conhecimento médico, bioquímico ou farmacológico, nem feito pesquisa científica em qualquer área, que tal evitarmos sair praguejando por aí contra a indústria farmacêutica e repetindo, como papagaios, que o Brasil encontrou a cura do câncer, que tudo não passa de uma grande conspiração para desacreditar os pesquisadores brasileiros e que a fosfoetanolamina deve ser colocada nas prateleiras das farmácias ontem?

Igualmente, se nunca lemos o Corão nem temos conhecimentos suficientes sobre a situação política, social e econômica no Oriente Medrio, que tal não pregar, imediatamente, a morte de todos os muçulmanos como forma de alcançar a paz mundial?

Em último caso, na dúvida, que tal usarmos o bom e velho bom senso?

Se a frase “a indústria farmacêutica não quer a cura do câncer para continuar vendendo quimioterápicos” fizer algum sentido, que tal se colocar no lugar de um grande acionista de uma farmacêutica e se perguntar se um remédio que cura o câncer não poderia ser vendido por muito mais que um quimioterápico, aumentando o lucro? Que tal considerar que o câncer, infelizmente, é uma doença que costuma apresentar recidivas e seria muito mais interessante vender o medicamento para o mesmo paciente duas, três ou quatro vezes (lembre-se, todos os casos seriam curados, portanto sempre haveria esta possibilidade) ao invés de quimioterapia apenas uma? Ou ainda, conforme o resultado dos testes clínicos, estabelecer um tratamento com a droga mediante administração contínua para evitar recidivas, lucrando indefinidamente em cima de cada paciente?

Da mesma forma, se a tentação de dizer que é muita coincidência ocorrer um ataque terrorista islâmico toda vez que a população brasileira prepara uma manifestação importante contra um partido que quer estabelecer uma ditadura socialista/comunista no Brasil, que tal parar para pensar no motivo pelo qual um grupo religioso radical e extremista colaboraria com um partido que professa um sistema político e econômico que historicamente tem simplesmente varrido as religiões, inclusive de forma violenta, dos lugares onde passa?

Aparentemente, ao contrário do que a fala embotada e quase debochada, a expressão embasbacada e vazia e a evidente futilidade de tudo o que foi relatado, o vídeo produzido pela Veja São Paulo com o empresário Alexander de Almeida não se trata de uma brincadeira ou piada, retratando a triste realidade do enfocado. Os valores expressados no vídeo são os do verdadeiro Alexander, que não é um personagem, mas uma pessoa real, que vive e pensa exatamente daquele jeito. Demorei a aceitar isto, não podia conceber que alguém pudesse colocar tanta ênfase na própria miséria – sim miséria – como fez o rapaz, até que a própria Veja, frente à repercussão extrema do episódio, publicou uma notícia confirmando toda a história e demonstrando que, ao menos, checou os fatos antes de dar a notícia, como deve ser com qualquer órgão de impressa que se proponha a ser sério.

Então, esclarecida a celeuma, me sinto à vontade para escrever alguns pensamentos soltos sobre Alexander de Almeida. Farei isso por tópicos, para facilitar a leitura e agregar algum státis ao meu texto:

Alexander de Almeida

Alexander de Almeida: rei no camarote, bufão na vida.

 a) Alexander de Almeida é feio e desajeitado. Isso é bem óbvio para quem assistiu ao vídeo. As comparações como o Quico do programa infantil Chaves pipocaram na Internet e ficou muito evidente a falta de atributos físicos do camarada. Além disso, as imagens que retratam Alexander dançando e se divertindo a valer nos camarotes da vida são, para ser franco, patéticas. Eu sou péssimo para dançar, dificilmente me arrisco em uma pista de dança, a não ser que seja extremamente necessário, mas ao lado de Alexander não ficaria nem um pouco constrangido, porque dificilmente alguém poderia notar minha natural falta de graça ao lado de tão bizarra demonstração de (falta de) malemolência.

 b) Alexander de Almeida é burro. Tudo bem, o cara pode ter tido tino comercial amealhando fortuna em seu ramo de negócios – que, para ser sincero, sequer sabia que existia, mas é isso que difere o fracasso do sucesso, entender onde as oportunidades estão – mas qualquer um, no mínimo uso de suas faculdades mentais, não sairia por aí alardeando a própria riqueza se estivesse em débito com o fisco. Com a repercussão estrondosa do vídeo – que, se não era esperada por ele, só demonstra mais uma vez sua burrice –, Alexander tentou desmentir a Veja, revista veterana no mercado editorial que já derrubou presidentes e não ia deixar barato, levando o que pediu: a impiedosa confirmação de sua história. Mas o que aparentemente preocupa o Rei do Camarote é a atuação da Receita Federal. Segundo narra a revista, Alexander teria referido que tem medo do órgão “ir atrás dele”. Ora, amigo, se está devendo imposto, gasta teus R$ 50.000,00 por noite na moita. Convida a mulherada, paga o champanhe para todo mundo, anda com tua Ferrari, mas NÃO ALARDEIA. Já li por aí que Alexander ainda deve mais de R$ 50.000,00 – ou uma noitada – só de IPTU para a Prefeitura de São Paulo. Será que nem passou pela cabecinha oca de Alexander que isso tudo viria à tona? Já que o cara parece o Quico mesmo, vamos dizer em coro: “Dá zero prá ele, professor Girafales”.

 c) Alexander de Almeida é um camarada de sorte. Instituições financeiras sobrevivem, basicamente, de sua imagem de austeridade e credibilidade. O banco precisa passar ao público a certeza de que seu dinheiro está bem guardado e, ainda, que os 12% de juros ao mês no cheque especial são mesmo necessários para manter os depósitos de todos. Todo mundo sabe disto. Se um banco começa a dar sinais claros de descontrole nos gastos, o correntista vai lá tão rápido para sacar seus créditos que quase não dá tempo de se perceber o que está acontecendo. Sendo assim, somente a sorte pode ter feito que nosso herói de triste figura conseguisse amealhar patrimônio no meio sem que se questionasse seu estilo de vida hedonista e perdulário. Logo após demonstrar seus valores no vídeo, entretanto, o Banco Panamericano, segundo o próprio Alexander, descredenciou sua empresa. E os negócios podem, dependendo do quanto ainda vai ser lembrado o episódio, minguar até mais. Quando se envolveu com os travestis, Ronaldo Fenômeno perdeu muitos contratos de publicidade por conta da pouca disposição das empresas de ter sua imagem associada a este nível de patifaria. Talvez Alexander tenha dado um tiro no próprio pé ao tentar se destacar da multidão, simplesmente queimando sua imagem com os bancos e financeiras clientes de sua empresa, que certamente não querem sua imagem associada a de um bufão da noite.

 d) Alexander de Almeida não demonstra ter auto-estima muito alta, nem personalidade. De todos os “mandamentos” do vídeo, nenhum tinha qualquer relação com a personalidade do retratado, mas tão-somente com os seus bens e a forma como, utilizando-os, Alexander tenta desesperadamente se sobressair da multidão. Ou seja, ao que parece, Alexander não dá muito valor ao que é, mas sim ao que tem, uma clara demonstração de baixa auto-estima ou falta de confiança em si mesmo. O fato de querer ter sempre em seu camarote uma celebridade para “agregar” a suas roupas e carro é mais um indicativo disto. Acaso se considerasse uma pessoa interessante e sofisticada, ele não se preocuparia com o fato de acorrerem ou não “celebridades” a seus camarotes. O anfitrião, por si, deveria se bastar em um evento social, mas provavelmente Alexander não se acha à altura da tarefa. Por isso a roupa das melhores grifes – por sinal, vamos combinar, camisa xadrez verde tem até na C&A -, o carrão e a conta estratosférica. Sem eles, o fanfarrão provavelmente não se sente confortável ao divertir e entreter seus convidados. O que, por si só, já é lamentável. Finalmente, o simples fato de abrir mão de um gosto pessoal pela vodca em favor do champanhe porque dá mais “státis” indica que, além de tudo, Alexander não consegue impor sua personalidade. Beber o que os outros acreditam ser mais glamouroso é, no mínimo, anular-se um pouco.

Eu gosto de cachaça, mas champanhe é mais statis

Até tu, Muçum???

 e) Alexander de Almeida é um atolado. Sério, gastando R$ 50.000,00 por noite e até R$ 300.000,00 por mês, tudo o que Alexander tem para relatar, com um fingido ar de constrangimento, é que uma vez transou com uma mulher no banheiro de uma balada? Amigão, conheço uma rapaziada que com o orçamento bem mais modesto – digamos de R$ 20,00 até o infinito, tipo R$ 100,00 ou R$ 150,00 – já obteve resultados bem mais significativos. Sei do “causo” de um sujeito que, inclusive, sem dinheiro para entrar na balada, transou com uma mulher no lado de fora mesmo, em um canto mais escuro da avenida. Não vou dar mais detalhes, porque pode sujar para a rapaziada, mas Alexander, sinceramente, MUITO FRACO o desempenho…

 Enfim, embora algumas pessoas possam realmente ter inveja do Alexander, todo mundo que eu conheço ficou com PENA da futilidade, superficialidade e extrema imbecilidade do rapaz. Mais um dos tantos bufões que passarão pela vida deixando para trás não mais que um monte de dinheiro acumulado, sem nenhuma contribuição relevante e importante para os demais. Uma pessoa da qual ninguém sentirá falta. A não ser, talvez, os tantos que ele PAGA para serem seus seguranças, garçons e, porque não dizer, amigos…

Drogas, tô fora!!!

Publicado: 31/03/2011 por BigDog em Não há o que não haja!
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O consumo desenfreado de drogas causa danos irreparáveis no cérebro da pessoa, isso é um fato comprovado. Muita gente boa, no entanto, não se dá conta do mal que está fazendo a si mesma e simplesmente ignora as recomendações médicas e sociais, se enfiando em um mundo em que cada vez se chega mais baixo, até um ponto que praticamente não tem mais volta. Vejam o caso do velho Ozzy, por exemplo:

Ozzy no fundo do poço

Alguém precisa ajudar esse moço, sério!

Catraca Filmes apresenta: A Coisa Tá Preta 2, a história de luta e fé de um povo desesperado. Conheça a história por trás (no bom sentido) da torcida que inovou a forma de contagiar um estádio, criando a Analvalanche. Épico, tocante, triste. Um filme para toda a família. (Verifique a classificação etária, não nos responsabilizamos por cenas de rompimento anal).

Mais informações no site oficial.

E eu achando que DVD sobre a conquista da segunda divisão era o fim da várzea… Agora estão fazendo filme sobre a torcida. No 3, vão entrevistar os ambulantes que vendem comida na entrada do chiqueirão… Que fase, heinhô?

Começar de novo… Tudo???

Publicado: 14/01/2010 por BigDog em Isto é Brasil...

A imagem ao lado faz parte da campanha “Começar de Novo” do CNJ, destinada a cadastrar empresas dispostas a recolocar no mercado de trabalho ex-detentos que tenham encerrado o cumprimento das penas privativas de liberdade respectivas. O lado esquerdo representa o cidadão de volta ao trabalho, e o da direita retornando ao crime. Pode ser paranóia da minha cabeça, mas não parece que o esteriótipo do marginal está descambando para o racismo puro e simples? O trabalhador, todo limpinho, branquinho e barbeado contrasta com um criminoso de cor de pele mais escura, com barba por fazer e aparentemente sujo. Eu sei que o perfil do condenado no Brasil é este mesmo: preto e pobre. Colarinhos brancos e grandes golpistas raramente vão para a cadeira, por isso não teriam porque necessitar de uma vaga de trabalho após cumprirem suas penas. Mas um órgão como o CNJ não precisava deixar isso tão claro. Parece que o preconceito está tão arraigado que alcançou os escalões que deveriam lutar incessantemente para evitá-lo. Posso estar exagerando – não seria a primeira vez – mas acho que alguém do marketing institucional pisou feio na bola…

…nem menor.

Publicado: 06/12/2009 por BigDog em Tosco Futebol Clube
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No longínquo ano de 1983, o Grêmio Football Porto Alegrense, doravante denominado ‘eles’, jogou com o descaracterizado Hamburgo da Alemanha e, na prorrogação, sagrou-se campeão da Copa Intercontinental. Campeão do mundo – não vou discutir isso -, retornou para casa e cunhou a frase que, durante 23 anos, martelaria a cabeça dos colorados: “nada pode ser maior”. Doía como um cofre, caindo do terceiro andar e atingindo, em cheio, a cabeça. Campeão do mundo…

Corta para 2006. O campeonato, reorganizado pela FIFA e agora compreendendo os campeões dos cinco continentes, inclui o Sport Club Internacional, doravante denominado ‘nós’, entre os contendores. Após sofrer para eliminar o campeão africano, o Al-Ahly, somos dados com a zebra do campeonato e nos encaminhamos para ser o coadjuvante do título do Barcelona. Ninguém, em são consciência, nos proclamava como favoritos para a disputa, porque o time adversário contava com estrelas de nível mundial. Éramos um bando de índios assustados, deslumbrados, e francamente já havíamos cumprido nosso papel. Jogada a partida, saímos do Japão com a taça e o título de campeões mundiais. Maior que o deles? Menor? Tanto faz, o título é nosso.

Mas, de alguma maneira, continuavam a nos impingir a pecha de time menor, de bufões e intrusos, como se devêssemos nosso título à boa vontade de alguém, como se nossa conquista fosse menor. Claro, essa era a opinião deles, que permaneciam com empáfia e soberba, se proclamando os primeiros, os originais, os imortais… Nessa trilha, lançaram DVD comemorando a conquista da segunda divisão do campeonato brasileiro, uma coisa que efetivamente não deveria dar orgulho para ninguém. Nem a conquista da Copa Sulamericana os dobrou. Continuávamos sendo menores, campeões da segunda divisão da América – como se isto fosse menor do que a segunda divisão do Brasil.

Hoje, entretanto, me liberto de todo o ranço e vou dormir sabendo que sou maior. Entregar o jogo para o Flamengo, após simular alguma resistência – e, de fato, se tivesse jogado a sério, poderiam ter efetivamente batido o campeão brasileiro – foi a coisa mais baixa que eles poderiam fazer. Como se deles pudesse se esperar outra coisa. Não há indignidade, torpeza, vergonha, que eles não estejam dispostos a passar. Hoje, enfim, eu sei. Grêmio: nada pode ser… MENOR. Parabéns, e boa sorte na Copa do Brasil 2010. Que foi tudo que conseguiram arrumar este ano.