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Há cerca de duas semanas atrás, estava eu a ler os “classificados” do jornal ZH de domingo. Depois de procurar algo na seção de vagas oferecidas (sim, estou procurando algo melhor, por mais que 99% das pessoas achem que onde estou é muito bom), resolvi olhar a seçao de negócios e oportunidades. É o local do classificados onde se negociam empresas -lojas, indústrias, serviços. Como tenho um interesse especial por reciclagem de plástico, fui direto a seção negócios-indústria. Ali um anúncio que me chamou atenção; dizia o seguinte:

– Vendo empresa de reciclagem completa, extrusora, moinho, aglutinador. Com clientes e fornecedores. Motivo: passei em concurso público.

!!!

Sempre se pensou em que o empresariamento seria o ápice da carreira profissional, mas as dificuldades e o retorno inerentes a atividade empresarial são inferiores ao setor público, ainda mais se esta noticia se tornar verdadeira:

Os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovaram hoje uma proposta de revisão dos salários dos servidores do Poder Judiciário que pode representar um aumento real de 80,17% nos contracheques dos funcionários.
Pela proposta, um analista em início de carreira, que hoje ganha R$ 6.551,52, passará a receber R$ 11.803,66. Os que já estão no final da carreira terão seus salários reajustados de R$ 10.436,12 para R$ 18.802,40. O menor salário, de auxiliar em início de carreira, subirá de R$ 1.988,19 para R$ 3.582,06. Os valores foram divulgados na Internet pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União no Distrito Federal (Sindjus DF).
A proposta ainda precisa passar pelo crivo dos ministros do STF, que se reunirão no próximo dia 15 em sessão administrativa para avaliá-la. Em seguida, o projeto terá de ser encaminhado ao Congresso Nacional para votação. (site estadão 8/10/09).

Aí entendi melhor porque o dito cidadão está tentando repassar sua empresa. Em vez de só pagar impostos, chegou o momento de aproveitar um pouco destes.

Nada contra os vogons, mas algo está desequilibrado…


Executivo da France Telecom sai, depois de 24 suicídios na empresa
Do Valor OnLine
SÃO PAULO – A operadora francesa France Telecom anunciou hoje a saída de seu vice-presidente, Louis-Pierre Wenes, após uma onda de suicídios de trabalhadores verificada na empresa nos últimos meses.
O executivo será substituído por Stéphane Richard, ex-vice-presidente das operações internacionais, também cotado para assumir a liderança da empresa em 2011, no lugar do atual presidente-executivo Didier Lombard.
Os sindicatos culpam a restruturação da companhia realizada por Wenes pelos 24 suicídios ocorridos no quadro de funcionários da France Telecom, em cerca de 20 meses. O plano de modernização envolveu mudanças nas funções dos trabalhadores dentro da empresa, além da cobrança de novas metas.
A empresa, em contrapartida, afirma que esta taxa de suicídio não é incomum para uma companhia de seu porte.
(notícia do site G1 05/10/09)

Isto é a parte prática, ou como diriam os auditores de ISO 9000, as evidências objetivas das políticas ditas voltadas aos recursos humanos, a valorização das pessoas, ao investimento no capital humano. Isto é o que está escrito no mural de 9 entre 10 empresas. O maior bem de uma empresa são seus funcionários. Ou ao menos aqueles que sobreviverem.

Ou, segundo os comentários de colegas, ao ouvirem mais um plano de reestruturação da empresa: “Quem ficar vai ficar bem!”

Brasileiro é apaixonado por automóvel.

Esta máxima criada por alguma agência de propaganda para a Ipiranga é tão genial que já está no ar há uns 10 anos. Realmente, não importa a condição econômica do brasileiro, o que ele mais almeja é um carro. Claro, quem pode mais, deseja modelos mais luxuosos; quem pode menos deseja o popular basicão; e quem pode menos ainda deseja apenas um usado para incrementar depois.

Mas eis que uma das maiores reclamações recai exatamente sobre o preço dos automóveis. Que o brasileiro não tem a possibilidade de comprar carros melhores devido aos altos preços, que uns dizem que é devido aos impostos (eu discordo), as elevadas margens de lucro das montadoras (concordo em parte) ou ao próprio mercado que paga o preço que pedem (concordo: lei de oferta e procura).

Como não há uma concordância sobre o tema, deixo minhas sugestões para redução dos preços dos automóveis vendidos e/ou fabricados na terra brasillis:

  1. Eliminação do sistema indicador de direção (vulgo pisca-pisca): entre sistemas elétricos e comandos, além da montagem no automóvel, sem falar no desenho de faróis e lanternas que poderiam ficar mais simples, acredito que a redução no preço do veículo ficaria entre R$ 200,00 e R$ 500,00.
  2. Eliminação de espelhos retrovisores: esta mudança representaria economia de R$ 500,00 a R$ 1.500,00, dependendo se é com controle elétrico ou manual. Eliminação também do retrovisor interno!

Como vimos, estas duas alterações poderiam reduzir o preço de um veículo basicão em no mínimo R$ 700,00, deixando o glorioso, imutável e honesto Fiat Mille com preço de R$ 19.300,00, uma redução de 3,5% sobre o preço de tabela atual, ou 3 folhinhas a menos no “carneirinho” BV ou ABN-Aymoré.

Claro, o melhor seria a redução dos preços sem a eliminação destes itens. Porém a utilização destes itens é ignorado pela imensa maioria dos motoristas. Porque cobrar de algo que o uso é apenas eventual ou restrito???

O brasileiro é apaixonado por automóvel, só não sabe utilizá-lo corretamente.

Hoje o mundo é muito pequeno. Aquele velho bordão “eta mundão véio sem porteira” poderia ser trocado para “eta mundinho véio sem porteira”. Realmente, não existem mais porteiras; o sistema de comunicação atual possibilita estarmos em vários locais ao mesmo tempo, interagindo com pessoas dos mais diversos locais, compreendendo suas culturas e modos de vida. E o mundo ficou pequeno; a China está a um click, o Nepal está em detalhes no Google Earth, o Botsuana também! E os meios de transporte são razoavelmente rápidos e seguros para, caso você tenha dinheiro suficiente, levá-los a conhecer in loco tudo isto, e não apenas nas janelas do Windows (trocadilho infame).

Mas tentaremos imaginar o mundo ocidental do século XIII…

O mundo era plano…

Existiam dragões e outros seres ruinzinhos no final do plano mundo (mundo plano deve ser chato..outro trocadilho). Não existiam cursos de línguas, não existiam sistemas de transportes confiáveis ou rápidos e principalmente: não se sabia quem estava além do horizonte! Os povos tinham pouco contato; os obstáculos naturais -grandes rios, lagos, mares, cadeias montanhosas- eram os limites entre povos que muitas vezes, nem chegavam a se conhecer. Com estas limitações, desenvolviam-se de formas muitas vezes bastante diferentes, costumes diferentes, línguas certamente diferentes. As limitações não eram só de ordem técnica (transporte), também existiam as limitações dogmáticas culturais devido as imposições culturais católicas.

Mas eis que um cara, sim ele foi ou ainda é o cara, resolve desbravar este mundo. Nicola Polo, comerciante de Veneza, e seu primo Mafeo, saem em busca da terra de Cipang e outros lugares míticos, que se ouviam falar nos contatos com os povos do Oriente Médio. Saem em busca de riquezas (sim, um dos motores da evolução e combustível das descobertas: dinheiro…valor único?!?) e as encontram. Não só na forma de especiarias, ouro e prata. Encontram sociedades com organização muito avançada em relação aos ocidentais, industrias, sistemas comerciais, tecnologia. Também se deparam com povos mais primitivos e muitos perigos. Mas conseguem realizar um trabalho formidável de relações públicas, servindo como embaixadores voluntários do ocidente, que acabam conseguindo retornar ao ocidente após nove anos de viagens e descobertas neste novo mundo. Êita espírito empreendedor!

Em 1271 Nicola e Mafeo retornam ao ocidente, para relatar as suas descobertas e tentar, junto ao Vaticano (??!!) apoio para nova viagem. Nicola aproveita e leva seu filho Marco (este também é o cara) nesta nova viagem ao oriente.

Marco Polo acabou mais notabilizado que seu pai e seu tio pois relatou esta fantástica viagem no “Livro das Maravilhas”, escrito enquanto estava na prisão, e de inegável valor para o ocidente. É difícil imaginar como este trio de loucos e diferentes ocidentais ganharam a confiança de Kublai Can, grande guerreiro e imperador Mongol (que dominava todo o leste e sul da Ásia nesta época). Marco inclusive foi nomeado embaixador do Grã Cã em uma das províncias. Normalmente este era um cargo dos filhos do Grã Cã, mas Marco Polo também conseguiu este feito!

Só para ilustrar os ganhos desta viagem para o ocidente, lá os Polo tiveram contato com o papel moeda, a pólvora, as industrias de seda, o carvão mineral, tecnologia naval de ponta (as naus orientais desta época eram 5 vezes maiores que as naus dos descobridores ibéricos…dois séculos após!).

Muitas vezes, a forma de entrar em contato com os povos era na forma de guerras e poder para subjugá-los. Nicola, Mafeo e Marco Polo atuaram de forma totalmente diferente. Levaram a fé cristã sem a espada, trouxeram tecnologia e riquezas sem derramar sangue, aprenderam novas idéias e plantaram as primeiras sementes do renascimento na Europa. Certamente os relatos da aventura e das descobertas dos Polo levaram um sopro de imaginação produtiva e criativa para um ocidente absorto em dogmas religiosos e travado em suas aspirações de evolução.

Eu acredito que o renascimento começou desta louca aventura. Mas pouco fala-se dos Polo nas aulas de história.

E se você tem pretensões de igualar o que os Polo trouxeram para a humanidade em sua época, monte uma nave espacial no fundo do seu quintal e saia pelo espaço a desbravar novos povos e novas culturas. Mas volte para nos relatar!

Entre as várias características e peculiaridades da fórmula 1, uma que chama a atenção é a capacidade de sobrevivência em meio a crises e, mais interessante ainda, a capacidade de criar e antecipar tendências.

Na década de 50, uma década após a 2 guerra mundial, na falta de competidores e grana para tocar a competição, os grids de fórmula 1 foram preenchidos com carros de fórmula 2 (que equivaleriam aos atuas GP2). Como a coisa não melhorou, reduziram a capacidade dos motores e, os carros de fórmula 2 passaram a ser fórmula 1. E o grid encheu.

Esta era uma época de reconstrução, e os carros que enchiam as ruas eram de baixa cilindrada, simples, econômicos. A fórmula 1 adaptou-se ao momento.

No final da década de 60, já em pleno crescimento após a guerra, a fórmula 1 alterou o regulamento e duplicou a capacidade dos motores passando de 1,6 litros para 3,0 litros, criando mais emoção nas corridas (e mortes também). No cenário econômico, a população européia já estava devidamente motorizada com Fuscas, Fiats 500, Mini Morris e outros mini carros. Começaram então a investir em carros de maior cilindrada, esportivos. O objeto de desejo não era mais o carro, e sim o carro mais potente. A fórmula 1 acompanhou a tendência.

Nos anos 70, a fórmula 1 viveu a fase das experiências em desenho aerodinâmico. Carros com desenho em cunha, facilitando o fluxo do ar e ganhando em estabilidade. Na vida real, com a crise do petróleo, as montadoras passaram a desenhar seus carros visando à economia de combustível, e utilizaram vários conceitos e estudos da fórmula 1.

Década de 80. Carros de F1 mais curvos e simples…automóveis passam a adotar linhas curvas.

Década de 90. Carros de F1 com maior tecnologia embarcada…logo chegando aos carros de rua.

2000. Carros de F1 com muita preocupação em segurança. Carros de rua acompanham e tem seus desenhos visando máxima segurança dos ocupantes (observem em carros de fórmula 1 do início da década de 90 e atuais a distância do piloto até a extremidade dianteira do carro. Observem o mesmo nos carros da década de 90 e atuais; isto é muito importante para a segurança dos ocupantes do veículo: quanto maior à distância, teoricamente mais seguro).

Agora a fórmula 1 se debate em brigas e discussões para reduzir custos. Começaram reduzindo tecnologia embarcada, simplificando desenho aerodinâmico dos carros, padronizando itens complexos e caros.

Em 2009, todas as equipes apresentaram seus carros de forma simples, diretamente nos autódromos. Nada de salões com luzes estroboscópicas, caviar, champanhe.

E acompanhando este movimento, muitas montadoras desistiram de participar de salões de automóvel mundo afora.

Mas a briga continua e a idéia é reduzir custos. A FIA quer simplificar mais ainda os bólidos de F1, barateá-los, padronizá-los. Será quase um F1-tubaína.

…e o Tata Nano está chegando aí.

…enquanto isso, Renault e Bajaj (empresa indiana) já estão nos detalhes finais de seu carro ULC (ultra low cost ou muito pé-de-boi).

Se a F1 está novamente antecipando tendências, acho que o mundo ficará mais simples. E talvez mais barato.

Um Pouco de Pensamento Ecológico

Publicado: 11/07/2009 por Crânio em Uncategorized
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Na minha nova vista panorâmica, posso contemplar o Rio dos Sinos. É uma visão que me atormenta, pois mostra o quanto nossa sociedade não está preparada para viver neste planeta. Estamos no inverno, e o rio deve estar (pelas marcas escuras nos pilares da ponte nova) uns dois metros abaixo de seu nível normal. Sim, há uma estiagem atualmente. E não se pode culpar só o aquecimento global por esta estiagem. Segundo o meteorologista Eugênio Hackbarth, estamos começando um ciclo de baixas precipitações pluviométricas. É da natureza do planeta, temos que aceitar.

Mas se tivéssemos um pouco mais de zelo para com a natureza, certamente o rio estaria em situação menos dramática. Os desmatamentos em morros e beira de rios, a eliminação dos banhados para utilização imobiliária. O crescimento desenfreado e desordenado das cidades e de seus sistemas paralelos e de apoio (agricultura, industrias), não entendeu que um rio é muito mais que um curso de água que pode levar dejetos adiante (!!!) e fornecer água. Um rio é alimentado por vários arroios, é auxiliado por seus banhados, os arroios são alimentados por vertentes. Estas vertentes estão nos morros, junto a mata, em pequenos “fios d´agua”, que juntam-se e formam o rio que nos sustenta. São milhares destes fios d´agua; é a união que faz a força!

Mas desmatamos e acabamos sumindo com vários destes pequenos pontos de absorção-retenção-liberação controlada de água. No momento de estiagem não há nada para liberar; no momento da chuva não há sistema para reter, não há banhado para absorver e controlar o rio, impedindo-o de entrar na cidade. E quando um grupo de ecologistas conscientes tenta impedir alguma obra que irá danificar o meio-ambiente, sempre aparecem aqueles que fazem chacota destes ambientalistas, que acham que ecologia só trava o progresso. O importante é o “progresso” e o dinheiro (valor único!) que ele traz.

Mas como será o progresso sem água?

Já não agüento mais! Tudo que acontece no mundo (mundo: desde a esquina da sua casa até os confins do Turcomenistão) é culpa da -segundo Jornal Nacional- maior crise econômica de todos os tempos.

Se o pipoqueiro tropeça, vira as pipocas no chão e, por isto, vendeu menos pipocas no dia, a culpa é da crise financeira mundial. Se repatriarmos jogadores em fim de carreira é porque os times estrangeiros não estão investindo… devido a crise financeira mundial. Se cair a venda de galochas… crise financeira mundial.

Como o mundo ainda não acabou, principalmente graças a algumas cabeças pensantes ainda existentes, fiquei sabendo de uma informação que compartilho com os colegas acadêmicos e leitores em geral: a crise financeira de 1981 (lembram??…sim, vocês já eram nascidos, não adianta mentir), foi muito maior que a atual. Foram quatro anos de recessão mundial após uma década de choques do preço do petróleo (saiu de US$ 4,00 o barril para US$ 40,00), sendo que na época a OPEP fornecia 70% do petróleo consumido no mundo. Esta mudança nos preços corroeu a balança de pagamentos de diversos países, que entraram em default (falência, entre eles Brasil, que na época saiu atrás do FMI). No total, 39 países “quebraram”. Com a quebra dos países, os investimentos estatais que respondem de 20% a 40% do consumo de um país, caíram drasticamente, levando a quebras generalizadas. Junto a isto, a inflação no mundo estava um pouco fora de controle (25% ao ano nos EUA, 100% ao ano no Brasil, 10% ao ano na Europa – ganhamos de todos!!!).

Como resultados, vendas globais de automóveis caíram drasticamente (Brasil queda de 30%, EUA 20%), demissões em massa e o surgimento do neoliberalismo.

Como a quebra foi devido ao Estado, nada melhor do que tirar o Estado de cena e deixar o caminho livre para a iniciativa privada, que saberia melhor posicionar-se frente as mudanças do mercado, não sobrecarregando os pobres pagadores de impostos com ineficiências governamentais.

Quase 30 anos após, nova crise financeira. Só que agora, gerada e parida pela iniciativa privada. E o Estado precisou ir em socorro da iniciativa privada para que o trem não descarrilasse totalmente. Investimentos incorretos, expectativas de ganhos, contabilização de expectativas de ganhos como lucros, fraudes contábeis, fusões esdrúxulas, tudo pelo maior lucro e satisfação dos acionistas. Mas não deu certo e os contribuintes estão pagando a conta novamente.

E agora. O Estado falhou uma vez e criou-se o neoliberalismo. O Neoliberalismo falhou. Qual será o próximo modelo?

Em todas as relações da humanidade, e em toda sua história, há um ponto em comum: a necessidade da demonstração de poder.

Nas relações pessoais, sociais, políticas, trabalhistas, conjugais, esportivas e o que mais se imaginar, temos a necessidade de demonstrar poder ou saber quem está no poder.

Estas demonstrações ocorrem de diversas formas: força, inteligência, velocidade (astúcia?), riqueza, informação.

Na demonstração de poder queremos centralizar as atenções e os esforços do meio em nossa direção. O respeito, o dinheiro, as facilidades são os frutos desta atenção. Subjugamos para captar (e cooptar) a energia do meio em nossa direção. Tendo-se mais energia, tornamo-nos mais fortes e com isto perpetuamos a relação poder-vassalagem.

Ao retirar energia do meio e direcioná-la em apenas um foco, damos espaço para outras energias. O vassalo, ao direcionar sua energia construtiva para alguém (aquele que o subjuga) e não obtendo retorno igualmente construtivo, abre espaço para energias destrutivas. Começam com simples pensamentos (ódio, vingança, etc) por sentirem-se desamparadas e evoluem para formas concretas de violência física. Retirar a matéria para preencher a troca de energia.

Por não entender o porque de retirar/perder riqueza material, e querendo acabar com este tipo de atitude de algumas pessoas ou ao menos coibir criando punições a quem realizar este tipo de ato, a sociedade entra em um conflito sem fim, pois a causa não é atacada.

E, na minha vã filosofia, isto existe em TODAS as relações da sociedade.

Aos 6 anos, o labrador Skeeter é bacharel em direito. No início de novembro, ele recebeu o diploma honorário da Universidade de Baylor, no estado americano do Texas, após acompanhar durante dois anos e meio todas as aulas exigidas para se graduar.
Ela convive com o animal desde 2004. “Ele me ajuda a pegar objetos, já que tenho dificuldades para manipular canetas, por exemplo”, conta Amy.
O diploma da escola de direito da Baylor dá ao cão o título de “dog’tor”, um trocadilho entre os termos “doctor” (doutor, em inglês) e “dog” (cão).
Skeeter, segundo seus colegas de curso, era um participante ativo das aulas. Ele ficava quieto pelo menos durante a maior parte das preleções dos professores, mas rosnava ou latia quando alguém falava por muito tempo.
Ao contrário de sua dona, o cão não deve prestar exame da ordem dos advogados do Texas. “Ele está satisfeito com o diploma”, brinca Amy.

As perguntas para meus amigos (a partir de agora não sei se ex-amigos!) Felipe e Cachorrão:

Será que ele teria lugar no mercado de trabalho aqui?

Será que passa no exame da OAB?

Ele deve saber fazer uma “peticão”?

Difícil é eles encontrarem um cachorro que tenha recebido diploma de Tecnólogo em Polímeros. Nem cachorro sarnento se disporia a fazer este curso (já me adiantando as possíveis críticas).

O presidente e executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, disse hoje que a empresa está tomando todas as medidas para evitar um pedido de concordata. “A empresa usará todas as fontes de financiamento possíveis para evitar a concordata”, disse em uma conferência por telefone após a empresa anunciar os resultados do terceiro trimestre. Wagoner advertiu sobre as “graves conseqüências” para a economia americana se a GM tivesse que se proteger dos credores.

A maior montadora dos EUA em receita está colocando quase todas as esperanças na ajuda do governo norte-americano e no corte de custos. A empresa informou que está concentrada em aumentar sua precária liquidez por meio de um corte de custos que deve lhe render uma economia de US$ 5 bilhões.

Sem a ajuda do governo ou um aumento nas vendas, a GM disse que sua liquidez alcançará os níveis mínimos exigidos no final deste ano, depois de gastos de US$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre. Wagoner disse à rede de notícias CNBC que espera que o Congresso dos EUA tome medidas para apoiar o setor automotivo nas últimas sessões legislativas do ano. A GM informou hoje prejuízo líquido de US$ 2,54 bilhões no terceiro trimestre.

Este é o país do livre mercado, do estado mínimo, do sonho americano. Este é o país que muitos formadores de opinião daqui usam como padrão, bradando (e às vezes vociferando) para mudanças que nos aproximem do modelo americano.

“Pequeno” reflexo de uma postura totalmente avessa ao direcionamento mundial. De um gerenciamento focado no próprio umbigo e que não levou em consideração que os mastodônticos automóveis produzidos por esta empresa para seus alienados consumidores locais não tinham qualquer possibilidade de sobrevida em um mundo globalizado e em constante mutação (odeio esta frase mas é bem apropriada).

Acho melhor é nos distanciarmos um pouco deste modelo… e vivas ao Tata Nano!!!

Os sobreviventes não serão os mais fortes tampouco os maiores, e sim aqueles com melhor capacidade de adaptação.

Quase futebol

Publicado: 08/11/2008 por Crânio em Fórmula 1

O ano da graça de 2008 foi premiado com uma das melhores, quiçá a melhor, decisão do campeonato mundial de Fórmula 1. O campeonato, desde o início, já mostrava que este ano a competitividade voltaria a níveis decentes e a imprevisibilidade retornava, melhorando o espetáculo.

Depois de muito tempo, voltamos a ver motores explodindo nas últimas voltas, disputas internas nas equipes, novos vencedores (3 este ano), e até uma nova equipe vencedora. Nas 18 etapas, foram 7 pilotos diferentes a cruzar em primeiro a linha de chegada e 4 diferentes equipes a vencer uma etapa. Comparação, nos “anos Schumacher” a média era 4 pilotos e 3 equipes diferentes alternando-se na vitória.

O campeonato mostrou-se aberto desde a sua metade, onde viu-se que Ferrari não teria uma vantagem tão grande e que outras equipes poderiam, a partir de estratégia ou braço de piloto, reduzir a diferença em relação a Ferrari e McLaren. E as etapas finais mostraram que o campeão seria definido nos detalhes. Quando digo detalhes, leia-se acerto na escolha de pneus, no ajuste do carro, na estratégia de corrida.

Mas o final do campeonato parece que, ou inspirou-se no futebol (que é uma eterna caixa de surpresas) ou algum roteirista de suspense resolveu ditar os rumos da prova. E o resultado é que tivemos “dois campeões” num espaço de 20 segundos. Impressionante.

1117 voltas e a decisão ficou para a última volta; 28h38´41 segundos de corrida, e passados 20 segundos do final da última etapa e ainda não tínhamos certeza de quem seria o campeão. O campeonato foi decidido ao apagar das luzes, em apenas 0,02% do tempo de disputa. Nos últimos 0,02%!

Não foi a mangueira pendurada na etapa de Singapura; talvez o motor explodido na Hungria. Quem sabe os desastrados GPs da Inglaterra e da Malasia que tiraram o campeonato de Felipe Massa. Não tiraram porque ele chegou a ser campeão, por 20 segundos ele foi campeão. Pena que só por 20 sagundos.

Pois, eis que uns tempos atrás, nosso acadêmico e nubente Alemão nos apresentou o seu Tertuliano e sua história.

Fiquei curioso para saber como sua descendência estaria nos dias atuais. Chafurdando aqui e ali, consegui encontrar um dos filhos “das macegas” do seu Tertuliano: Jesmison. Criatura assaz esperta e ligada no mundo moderno, apesar de sua vida simples ligada ao campo.

Dono de “uns equitare de terra” na divisa de Coronel Bicaco e Bossoroca, vivia da criação de galinha, de onde ganhava dinheiro vendendo ovos, reprodutores, galos de rinha, galinha preta para despacho e tudo mais que se relacionava ao distinto gallus domesticus.

Sempre muito atento às conversas no povoado, para estar bem informado e não passar por grosso cada vez que ia entregar seus produtos, Jesmison foi adequando seu negócio as necessidades do mercado, pois muito ouviu falar em concorrência, qualidade, cliente (coisa que pra ele é como as piguanchas o chamam lá na zona), e todo este vocabulário dos bolichos modernos.

Assim acabou por desenvolver um tipo especial de ovo. Mudando o jeito de criar as galinhas, com ração e cuidados especiais, conseguiu um tipo de ovo que passou a ser apreciado pela Dona Hermecinda, que fazia bolos e quitutes especiais e pelo seu Getulio, que preparava panquecas e xis especiais no seu pé-sujo(*).

A fama se espalhou rápido e trouxe a reboque mais clientes. Jesmison que não era bobo lembrou da questão de oferta e procura e resolveu usar um dos aprendizados lá do povoado: aumentou os preços!

Dona Hermecinda e seu Getulio ficaram brabos, mas pagaram, afinal o produto era bom. E os novos clientes nem se importaram, pois não conheciam o preço antigo e estavam maravilhados com a qualidade do produto.

Vendendo para outros mercados (este nome estranho para outros bolichos em outros povoados), acabou fazendo mais fama e aumentando ainda mais a freguesia (que era como preferia chamar os clientes…coisa de maloca). Passou a ganhar muito dinheiro e viu que sua atenção às conversas na cidade lhe rendeu algo de útil.

Tudo acontecia muito rápido. Aumentou o aviário, comprou equipamentos, tinha funcionários, fez empréstimos no banco (era visível seu nervosismo na primeira vez que sentou na frente do gerente…ele nunca se imaginou falando de igual com um engravatado). Chegou até a usar gravata, com um nó torto que ele fez, para ir outras vezes ao banco e sentir-se como um homem de negócios e não como um simples criador de galinha.

Um dia o gerente do banco lhe fez uma proposta de sociedade. Era irrecusável!!! Ganharia dinheiro suficiente para comprar 10 vezes o que ele já tinha. Não entendeu porque tanto dinheiro mas não recusou. E a cada dia mais ovo e mais dinheiro!

Um ano depois o mesmo gerente, e agora sócio, lhe propôs vender ações da “empresa” (aquele antigo galinheiro) na bolsa de valores. Aí foi difícil para o Jesmison entender; bolsa, pedaço da empresa, sociedade anônima, não saber quem era sócio seria muito complicado. O Claudionor era sócio porque era gerente do banco, se tornou seu amigo, ajudou bastante. E ademais ele conhecia até o avô do Claudionor antes de entrar no banco pela primeira vez, só não conversava com ele pois se sentia um pouco inferior diante de alguém estudado e engravatado. Mas o sócio lhe convenceu e ganharam mais dinheiro ainda. Todos queriam um pedaço do “galinheiro” do Jesmison!

Jesmison estava rico como nunca imaginara…mas não perdeu a cabeça e poupou muito, investiu em terras, comprou alguns prédios lá no povo e não esbanjou muito. Quando muito uns presentinhos para uma chinoca mui linda que ele conheceu em São Borja. Mas preferia era deixar o dinheiro na guaiaca e não investia em ações de outras empresas como o seu “primeiro sócio” fazia.

E com tanto dinheiro, Jesmison largou o trabalho no “galinheiro”, que passou a ser administrado por pessoal com estudo, alguns engravatados, que faziam de tudo para a empresa dar ainda mais dinheiro. E conseguiam; cada vez que Jesmison visitava a empresa eles mostravam uns papéis cheios de riscos e traços (demorei a descobrir que eram gráficos) que mostravam que ele estava ganhando ainda mais dinheiro.

Este pessoal com estudo e engravatado, no entanto, acabou por esquecer alguns cuidados na redução de custos, não seguiram a receita original do Jesmison e a empresa começou a declinar, não conseguindo a mesma qualidade e produtividade. Agravado pela crise internacional, as ações da empresa começaram a declinar. Tragédia com ato final, as galinhas pararam de colocar ovos, devido a um medicamento que tentaram aplicar para aumentar a produção.

E assim quebrou o galinheiro do Jesmison; muita gente ficou desesperada, muitos perderam dinheiro. Menos o Jesmison, que guardou muito bem o que ganhou com o suor do seu rosto aliado ao seu estudo informal nas conversas do povoado.

Como o Jesmison vivenciou muita coisa nestes últimos anos e, por ser alguém que aprendeu muitas coisas ao seu jeito, não me contive e perguntei, na opinião dele e resumidamente, porque o galinheiro quebrou. A resposta, depois de um pigarro e um olhar ao longe:

– Contaram com o ovo na sambica da galinha.

Voltando.

Após um período de reclusão em locais ermos e distantes, fazendo reflexões sobre a busca essencial e após a desilusão de descobrir que a resposta fundamental é 42, retorno ao mundo das gentes de blogs, antes que o patrão me demitisse por abandono de emprego e para partilhar um pouco das descobertas transcendentais de um ermitão de metrópole.

O melhor deste meio tempo é ver a história acontecendo na frente de nossos olhos, dia-a-dia, e poder acompanhá-la de uma forma radical até, esmiuçando-a, procurando todos os detalhes relacionados, todas as formas de apresentação. Espero ver esta história nos livros, e também espero vê-la transcrita de uma forma menos “direcionada” do que hoje é apresentada a todos nós.

A “Crise financeira dos mercados”, é talvez o reinício da história contemporânea. Eric Hobsbawn teria dito, na queda do muro de Berlim, que ali estava decretada o fim da História, talvez por não termos mais o suposto bem contra o suposto mal. No atentado de 11 de setembro de 2001, o mesmo disse que ali era o reinício da história. Talvez porque ali voltávamos ao eterno combate do bem contra o mal (não importando quem vocês acham que é o bem e quem é o mal; eu ainda não tenho opinião formada a respeito!).

Não gosto muito desta visão simplista de mundo, muito cultuada pelo sistema capitalista, de maniqueísmo esteorotipado. Dos desenhos animados, às novelas, ao futebol, esportes em geral, cinema holiudiano e diversas outras formas de expressão que envolvam o consciente e o subconsciente coletivo são direcionadas a forma maniqueísta de entender o mundo. É assim que a história foi escrita e a aprendemos através dos livros didáticos.

Agora, neste momento e em vários momentos destes últimos dois meses, vemos a história transcorrer segundo à segundo, imagens, reportagens e comentários que estarão nos livros de história. Só que os livros didáticos de nosso tempo escolar apresentavam história de algo que não presenciamos. Agora estamos presenciando e podemos julgar e criar a nossa idéia de história. Em quais meios de comunicação você obtém informações sobre a crise? Em quem acreditar? Como compreender o que está ocorrendo e o que pode ocorrer?

Aqui no Brasil tenta-se criar um pânico; lá fora já existe o pânico. E o sistema mundial entrará em profunda crise de identidade a partir de agora, pois aquilo que era a maravilha, o belo, o ópio de todos, é exatamente o que ocasionou o problema. Com um agravante: uma meia dúzia de cinco ganharam, e muitos perderam. Só que desta vez até aqueles que ganhavam acabaram perdendo. E eles viram o que durante muitos anos acontecia ao largo deles: bilhões de pessoas perdem para que alguns ganhem. Perdem não só dinheiro, perdem dignidade, direito a vida, ao sonho, a cidadania. Estes que agora entraram para o time dos perdedores, é somente na questão financeira direta; apostaram e perderam. Mas certamente não gostaram.

Dentre tantos perdedores, um está passando em branco: o estado nacional. “Nunca antes na história deste mundão véio sem porteira” o estado nacional se mostrou tão fraco perante o capital; governates são apenas expectadores à mercê da vontade expeculativa de poucos abastados. A farra de papéis que enriqueceu alguns, criou sonho de enriquecimento em outros, mostrou-se uma grande armadilha à soberania de governos e governantes. Em nome da liberdade de mercados, baniu-se a atuação reguladora do estado. Retorno à selvageria, porém tecnocratizada e estabelecida legalmente e marketicamente, já que todos os formadores de opinião a defendiam.

O livre mercado mostrou-se uma criança de 3 anos de idade, que esboça sua independência, quer e chora por sua independência. Mas na primeira traquinagem que dá errado corre chorando pelos pais. E o estado precisou socorrer aqueles que sempre ganhavam e agora perderam. Qual a utilidade do estado? Porque cargas dágua eu pago impostos?

Num churrasco da ABRIC, após muitas cervejas, tive a iluminção que me fez vaticinar que o comunismo iria retornar através dos EUA…fui apedrejado mas não recuei. De uma certa forma acertei, pois a intervenção do estado para socorro aqueles que forçaram a selvageria corresponde, até o presente momento, a cerca de 25% PIB deles. Ao mesmo tempo, alguns governantes pedem ao governo comunista de Pequim ajuda para salvar o capitalismo (a China tem reservas de trilhões de dólares-verdadeiros e não virtuais- que poderiam “oxigenar” a economia mundial). Mudanças de cadeiras: quem era bom fez o mal, quem representava o mal precisa salvar o bom, já que este fez o mal mesmo achando quesempre fazia o bem, e quem faz o mal pode agora fazer o bem, mesmo que este bem seja para perpetuar o mal. Não entendeu? Ótimo, neste sistema atual nada é para ser entendido e sim para repetir as frases bestas do Jornal nacional.

Mas não se fie só no jornal nacional. Procure informações de outras vertentes pois a história não pode ser contada só pelo vencedor, principalmente quando não sabemos quem será o vencedor.

Mudando a fotografia

Publicado: 23/07/2008 por Crânio em Tosco Futebol Clube

Vou incursionar por terras até então habitadas com grande dignidade, habilidade e conhecimento pelo meu grande amigo Felipe Alemão Wolfarth. Na verdade, estou escrevendo para que ele nos dê sua iluminada opinião sobre o atual momento do colorado.

Acompanhando a movimentação de contratações e vendas do S.C. Internacional, me vem a pergunta: será que esta mudança de fotografia trará o resultado desejado?

Iarley, Fernandão, talvez Guinazu, saíram do time. Gustavo Nery, Rosinei, D´Alessandro, Daniel Carvalho estão chegando. Saem jogadores vencedores e eternizados no coração dos torcedores. Chegam (ou retorna) jogadores de seleções nacionais, também vencedores. Mas serão jogadores em posições aos quais o Inter necessita de reforços? E possuem o espírito, a gana por vitórias? Ou estão chegando para aumentar suas contas bancárias?

Até agora a atual direção parecia mais preocupada com a reforma do Beira-Rio. Espero que Vitório Píffero, agora com a consultoria de Fernando Carvalho, preocupe-se mais com o futebol, dê um direcionamento ao time, dê metas mais ousadas a este grupo. E cobre o atingimento destas metas. O grupo anterior cumpriu o seu objetivo com louvor. Este que se desenha possui predicados para atingir objetivos igualmente grandiosos. E certamente terá uma torcida muito motivada, pois sabemos que é possível ser campeão, desde que o time esteja motivado.

Frases soltas são ruins

Publicado: 23/07/2008 por Crânio em Um muito sobre nada...

Não gosto muito dos telejornais brasileiros pois acho que são veículos destinados a desinformação da população. Não tenho mais acesso a TV paga e agora descobri que a internet também não ajuda muito na informação. A não ser que “cavoquemos” muito o lixão até encontrar algo útil.

Tentando acompanhar mais uma rodada de negociações da agenda Doha (mais conhecida como Rodada Doha, pois nesta cidade começaram as rodadas de negociações), encontrei uma série de matérias, em diversos sites, criticando a frase do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em que ele compara a postura dos países ricos em relação a globalização e o marketing nazista

“Essa é uma frase sob medida para aqueles que não querem fazer sua parte em agricultura”….”Isso me recorda Goebbels”

Aí reproduziram só o final da frase…pronto! Muitas otoridades ficaram ofendidas, desqualificaram o Ministro, alguns tentaram colocar panos quentes. Mas o estrago já estava feito, tal a quantidade e direcionamento das matérias nos sites, sempre desqualificando a frase do ministro brasileiro e dando mais espaço ao comentário dos ofendidos.

(Quando o presidente americano chamou a tríade Irã, Iraque e Coréia do Norte de “Eixo do Mal”, lembrando a 2º Guerra Mundial, não deram espaço aos ofendidos pela frase. Mas devem existir muitas pessoas que não concordam com esta frase)

Na verdade, o problema da Rodada Doha é muito mais complexo do que a frase de Celso Amorim, a dor dos ofendidos ou algo que a nossa vã imaginação tenta alcançar.

Os EUA e a UE possuem sistemas de subsídios agrícolas que beiram os US$ 100 bilhões de dólares por ano. Subsídios estes que eles estão esperneando muito para cortar, pois garantem a manutenção de uma classe agrícola produtiva e rica. Mas sem subsídios não se sabe qual será o futuro destes. Ao mesmo tempo eles querem que todos os países do mundo abram os contratos públicos para concorrência internacional, além da liberalização do comércio de produtos industrializados. Brasil e muitos outros países têm em seus contratos públicos uma forma de garantir espaço para empresas nacionais na economia. O nó é grande e enquanto alguns tentam desatar muitos continuam a apertá-lo.

Hoje, na lista de produtos agrícolas, a UE tem 40% de ítens em que ela não aceita liberalizar o comércio. Eles acham que açúcar e arroz não são produtos tropicais, logo querem proteger seus produtores. Se eles precisam proteger, é porque não são produtivos; não são produtivos porque estes produtos não são para climas temperados!

É muito interessante a postura do G20 (grupo de países em desenvolvimento, capitaneado por China, Brasil e India), barrando as propostas pouco decentes dos países ricos. Eles notaram que precisam ganhar tempo para adaptarem-se e concorrerem em menor desigualdade com países ricos. E os países ricos precisam urgentemente de novos mercados para seus produtos e empresas. Ou correm o risco de verem suas empresas migrarem para os países em crescimento.Mas os países do G20 sabem que o capital produtivo irá procurar os países mais rentáveis se a Rodada Doha não se definir.

Há o risco de que alguns países busquem acordos bilaterais e enfraquecerem a abertura do comércio mundial. Mas é do jogo. E o jogo é pesado e os países em desenvolvimento precisam entrar para ganhar, pois as definições desta rodada irão nortear todas as legislações mundiais a respeito de comércio exterior. E definições não muito boas hoje tornar-se-ão muito danosas amanhã.

Na verdade, o que os países ricos querem da globalização é o comprometimento do “ovo com bacon”. Eles irão fazer a parte da galinha, cedendo o ovo. E aos países em crescimento, como o Brasil, é esperado a parte de comprometimento do porco…morrer para ceder o bacon.

Parabéns para Glock, porrada para Kovalainen

Publicado: 21/07/2008 por Crânio em Fórmula 1

(inspirado na música Porrada – Titãs)

Grande Prêmio da Alemanha, ano da graça de 2008, 10º etapa do campeonato mundial de fórmula 1; circuito mutilado de Hockenheim. País do chucrute, salsicha e do maior piloto de todos os tempos.

Pela enésima vez afirmo e confirmo que a FIA deveria proibir testes coletivos das equipes de fórmula 1 em autódromos utilizados em etapas do campeonato mundial de F1. Como a FIA não escuta ou lê o que escrevo, o GP alemão corria o risco de transformar-se na mais sonolenta corrida do ano. Uma semana antes as equipes tiveram 3 dias para testarem seus carros. E o resultado da corrida estava a copiar os testes.

A sorte do público foi o infortúnio de Timo Glock. Ao menos o seu infortúnio foi na hora e local exatos para mudarem o panorama da corrida. O acidente da Toyota de Glock, na metade da prova (ou seja, no momento crucial de definição de estratégias de corridas), e na mureta dos boxes, deixando muitos pedaços de seu carro sobre a pista, ocasionou a entrada e permanência do safety-car por 7 voltas, embaralhado totalmente a disputa pela vitória. Parabéns Glock, se é para fazer m…, que faça na hora e local corretos.

O desembaralhar mostrou que existe um piloto combativo na F1 de hoje. Hamilton, caindo para 5º após seu pit-stop, em 10 voltas voltou a liderança, com ultrapassagens na pista. Mas com uma ajuda providencial de seu companheiro de equipe Heiki Kovalainen, que não fez menção alguma de dificultar ou travar disputa com o número 1 da equipe (contratos são contratos, ele é o número 2…). Heiki era o único que dispunha de carro para dificultar o caminho de Hamilton para a vitória. Mas não fez nada mais do que 1 volta à sua frente, permitindo-lhe a passagem de forma assaz cortês. Deixou assim de dar mais emoção à corrida; porrada para Kovalainen!

BMWs com desempenho inferior ao esperado. Luciano Burti comentou que o problema é aerodinâmico (?). Como eles podem ter problemas aerodinâmicos se é o carro com mais dispositivos, chifres, aletas, asas, penduricalhos e traquitanas aerodinâmicas? Toro Rosso com desempenho acima do esperado, graças ao melhor piloto alemão do momento, Sebastian Vettel. Restante na média do esperado. Menos Nelson Angelo Piquet.

Sou critico contumaz de Nelson Angelo. Acho que ele chegou a F1 muito mais por sobrenome e paitrocínio que por méritos próprios. Porém a sorte (e bota sorte nisto) sorriu para ele nesta etapa. Largando em 17º certamente não almejou mais do que chegar ao final da corrida e quiçá marcar um ponto. Mas a suspensão traseira da Toyota de Glock (que ao quebrar sozinha ocasionou o acidente), possibilitou a Nelson Piquet até mesmo liderar a corrida. Aliás, comportou-se de forma muito correta e regular ao andar em 1º e depois em 2º lugar. E chegou a um pódio merecido não só pela sorte (a sorte acompanha os bons), mas pela consistência e regularidade na metade final da prova. Tomara que ele deslanche e silencie minhas criticas.

No frigir dos ovos, o campeonato começa a pender para Lewis Hamilton. A McLaren encontrou o caminho no desenvolvimento do carro enquanto a Ferrari perdeu o caminho. E Hamilton está “sozinho” em sua equipe, enquanto a Ferrari tem o atual campeão e um postulante ao título. Pena que a BMW não está conseguindo alcançar os líderes para aumentar ainda mais a emoção do campeonato. E tomara que a FIA não permita mais testes coletivos. Por que nem sempre terá alguém disposto a dar porrada em muro para aumentar a emoção de uma corrida.

Simples assim

Publicado: 17/07/2008 por Crânio em Um muito sobre nada...

“Continuamos, como antigamente, formando médicos, engenheiros, advogados, e não cidadãos. A educação superior deve ser encarada como um direito à cidadania, e não como uma chave de ingresso no mercado de trabalho, como acontece”
Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ, durante a 60ª Reunião Anual da SBPC

(e humildemente completo, dizendo que formam-se técnicos e não cidadãos)

Ou na música O Haiti é aqui (Gil e Caetano) “ninguém é cidadão”.

Eis a razão de nossos problemas. Não somos cidadãos na plenitude de sua definição. Vivemos em comunidades porém somos egocentristas. Não imaginamos o quanto nossos atos irão influenciar ou modificar -para o bem ou para o mal- o meio onde vivemos.

Pensar dói, pensar é difícil, pensar é chato, pensando perdemos tempo para realizações concretas, pensar é careta.

Dos garis que jogam sujeira no já sujo Dilúvio, de todos nós que passamos sinais vermelhos, que não separamos o lixo, que não fazemos panelaço na frente dos legislativos municipais (que é de onde surgem muitos de nossos problemas), de presidentes que não tomam ações condizentes com seus cargos. E por aí vai um sem número de exemplos que podem ser descritos para ilustrar e escancarar que o problema somos nós. Sim, NÓS! Eu, você e não os outros. Os outros também têm culpa no cartório, mas não nos isenta da nossa parcela de culpa.

Confúcio simplificou, criando duas categorias: o homem vulgar e o cavalheiro. As diferenças entre estas duas classes são várias, mas uma das diferenças citadas é conceitual: “O cavalheiro, à vista de uma vantagem a ser obtida, deve pensar e agir conforme o que é correto”. Mais uma vez, com humildade complemento: “com o que é correto para a sociedade”. Acredito que 99,99% das pessoas sejam vulgares, inclusive eu.

E volto àquela frase de Lou Marinoff (Pergunte a Platão), simplificando mais um pouco a questão: “Apesar de toda evolução tecnológica de nossa sociedade, ainda nos comportamos da mesma forma de quando vivíamos nas cavernas”. Sim, vivemos em cavernas tecnológicas e ainda temos instintos de neanderthais. E os estragos que ocasionamos são maiores a cada dia.

Ao menos estes estragos ficam a cada dia mais aparentes, e ao menos nos indignamos. Talvez mudemos com o tempo. Ou não.

Devido as manifestações de meus nobres colegas bloguísticos ao post sobre o petróleo e a globalização, resolvi discorrer mais um pouco sobre o tema.

BigDog citou os problemas existentes em alguns países exportadores de petróleo, tais como miséria e má distribuição de renda. No entanto, estas mazelas já existiam aqui muito antes da nossa auto-suficiência em petróleo.

A indústria de extração de petróleo pode ser um multiplicador ou um concentrador de rendas. Os países árabes, devido a acordos comerciais e políticos com seus antigos aliados-donos-colonizadores, direcionaram-se ao modo concentrador de renda. Deixaram todo o trabalho de exploração, fornecimento de insumos (peças, engenharia) a cargo de empresas estrangeiras. E estas pagam royaltes ao governo. E só o governo e alguma meia dúzia de cinco funcionários árabes da linha de produção ganham algum (ou muito dinheiro).

Os países nórdicos (Noruega, Inglaterra) que possuem boas reservas de petróleo no mar, não tem o problema de concentração de renda. Pois a engenharia e todos os insumos (plataformas, maquinário, peças de reposição, mão-de-obra qualificada) são próprios. Eles não são bobos; por quê desperdiçar toda a riqueza do petróleo comprando o que precisa para extrais o petróleo?

O Brasil estava parado neste quesito. Ou remando para trás, pois a privatização da Petrobras era certa no tucanato. Felizmente o atual governo não privatizou e ainda revitalizou esta empresa. E só estamos batendo recordes de descobertas devido ao apoio à indústria naval (para construção de plataformas) e as indústrias de fornecimento de sistemas e engenharia (temos algumas empresas brasileiras líderes em tecnologia de equipamentos para extração de petróleo). Nosso modelo não é o concentrador, pelo menos no governo do "mutilado".

Quanto a energia em si, até que o Brasil possui um sistema bastante flexível. Sistemas hídricos, carvão, petróleo, biocombustíveis, gás. Mas todos eles serão insuficientes para atender o crescimento econômico dentro do modelo atual. E a fabricação de produtos tornar-se-á cada vez mais cara devido ao custo da energia. E também o transporte dos produtos irá encarecer (por isso a globalização está em xeque). Esta será a equação: manter o sistema atual com custos elevados, ou desmontá-lo (retornando ao de três décadas atrás) e preparar-se para os efeitos colaterais?

Mas uma notícia legal.

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=57285

Isto corrobora com minhas idéias de descentralização. Talvez eu esteja com o foco certo.

Acho que ele também gosta de Fórmula 1!!!

Publicado: 14/07/2008 por Crânio em Fórmula 1

E eu que tinha pensado em reduzir o tom das críticas em relação ao Felipe Massa….

Correr na chuva é difícil. Já corri de kart (aluguel, tranqueirinhas lentas e divertidas!) na chuva e, dado as dificuldades que enfrentei, tentei imaginar um Fórmula 1 na chuva… Se a 60km/h a visualização da pista e dos adversários era um mero exercício de imaginação, a 300km/h precisa-se ter uma imaginação assaz fértil, rápida, e de sorte! Mas não sou profissional do volante então, minhas críticas pouco importantes ao Felipe Massa.

Felipe Massa, após uma corrida cerebral e perfeita na França, mudou do vinho para a água e, em Silverstone, conseguiu brindar a todos os espectadores e torcedores da F1 com uma apresentação digna de principiante. A quantidade de erros, a própria falha em ajustar o carro não levando em consideração a possibilidade de chuva e a posição final de corrida, tendo levado 2 voltas de Lewis Hamilton demonstram que ainda há um bom caminho a trilhar para que Felipe Massa torne-se um piloto campeão sem contestações. A sorte dele é que existe um certo nivelamento de erros em seus mais próximos desafiantes, e isto lhe permite, após algumas bobagens no campeonato, ainda ser o líder.

Mas este campeonato está contando com a ajuda niveladora do Ilustríssimo Senhor São Pedro, popularmente conhecido como "gerenciador do tempo e clima". Em 9 etapas disputadas até agora, a chuva esteve presente em 3 delas, o que ajudou no comparecimento do Sr. Imprevisível de Almeida aos autódromos. E nesta corrida em Silverstone, o agraciado foi Rubens muito criticado Barrichello, que mantendo-se na pista e andando o mais rápido que o seu carro permitia, conseguiu chegar ao glorioso terceiro lugar.

E assim, na metade do campeonato, há 3 pilotos dividindo a liderança em pontos e bobagens. E mais 3 pilotos só espreitando e esperando para cometer menos bobagens que estes, nas próximas nove etapas. Um ótimo campeonato, muito disputado, tanto em pontos como em barbeiragens!

Freio para a globalização?

Publicado: 14/07/2008 por Crânio em Um muito sobre nada...

A atual escalada dos preços do barril de petróleo, além de servir de desculpa para a inflação mundial, poderá servir de teste para a globalização. E será muito interessante de assistirmos, de camarote, a busca por alternativas energéticas que possibilitem a manutenção do modelo econômico mundial.

A globalização pode ser comparada ao fim dos modelos escravocratas do século XIX e crescente industrialização da Europa. Naquela época, buscava-se novos mercados para desafogar a produção da incipiente indústria, e uma das formas encontradas para aumentar o contingente de consumidores foi com a abolição da escravatura em vários países. Com a liberdade (?) e o trabalho (mal) remunerado, mais pessoas poderiam decidir o que fazer com o seu dinheiro. Com um pouco de marketing, pode-se fazê-las consumir produtos industrializados. Com um pouco de esperteza e má fé, costurava-se apoios políticos para liberar portos apenas para produtos importados de um determinado país ou criar leis que proibissem a instalação de indústrias em outros países, favorecendo os pioneiros da revolução industrial.

E o que isto tem a ver com os dias atuais?

O Petróleo é (ou era) uma das formas de energia mais baratas e de fácil logística, permitindo a movimentação de cargas de forma fácil e rápida. Ou então fornecendo energia para indústrias, comércio e principalmente residências, que com disponibilidade de energia podiam adquirir um sem fim de ítens, úteis ou supérfluos, realimentando o sistema industrial. Não obstante a utilização energética, a partir de meados da década de 50, adquiriu maior importância como matéria-prima para os polímeros termoplásticos e termofixos.

E a globalização procurou encontrar novos mercados para novos ou velhos produtos. Quase no mesmo estilo do século XIX, as empresas mais arrojadas partiram em busca de acordos comerciais, mudanças políticas e econômicas, para que mais pessoas pudessem consumir, aumentando -óbvio- seus lucros. Para isto, energia nas residências, um pouco de dinheiro e muito de crédito para camadas mais pobres. E fabricação nos países mais baratos, não importando a distância do mercado consumidor. E paralelo a este movimento mundial (que não tem 20 anos), ocorreram as consolidações, reorganizações e fusões de grandes empresas. Com isto, poucos grupos mundiais passaram a deter fatias muito grandes de poder sobre matéria-prima, energia, logística, possibilitando pouca margem para negociação.

Resultado de tudo isto: 20 anos após os primeiros movimentos mais claros da globalização, conseguiu-se inserir quase uma Europa inteira no mercado de consumo. Porém com menos empresas fornecendo produtos e apenas um planeta fornecendo insumos! E o estouro seria inevitável.

O petróleo continuará subindo, até porque ainda existe um longo caminho até encontrar-se soluções práticas e econômicas para substituí-lo. Porém não sei se a globalização resistirá a preços acima de US$ 300,00 o barril de petróleo. Aí talvez valha a pena voltar aos parques industriais menores, para atender o consumo de determinada região apenas. Isto porém revitalizaria os sindicatos, o que não é bom para o capitalismo…

A história ficará muito legal a partir de agora!