O problema, Dr. Moro, são sempre os limites.

Publicado: 05/05/2020 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

E hoje, Dr. Moro, que passou de herói a traidor em um passe de mágica para a ensandecida turba bolsonarista, publicou no Twitter uma indagação sobre o abandono da dignidade na vida política de nosso país.

moro

O problema, Dr. Moro, é que, quando se começa a aviltar frontalmente a Constituição e as leis em nome de um objetivo pessoal – ainda que corroborado por grande parte da população – se está autorizando que muitos outros façam o mesmo, porque os limites passam a ser os pessoais, e não aqueles escolhidos pelo constituinte e pelo legislador.

Vamos a um exemplo: imagine o senhor que algum juiz, cuja primeiríssima OBRIGAÇÃO é de se colocar em posição de neutralidade em relação às partes, atuando estritamente em razão da provocação destas – o tal princípio da inércia da jurisdição, lembra? -, começa a tramar com o ministério público táticas de atuação em processos criminais, escolhendo réus dentre aqueles que no futuro não possam ser seus “aliados” , indicando provas e postergando o recebimento de denúncias enquanto indica documentos a serem juntados aos autos para tornar mais robusta aquela mesma denúncia.

Imagine agora que este mesmo juiz, após condenar de forma estranhamente expedita um forte concorrente na eleição presidencial – que acaba por se tornar inelegível em razão daquele processo claramente maculado pela falta de parcialidade e isenção -, aceita o convite do eleito para integrar o ministério do novo governo e, no curso deste governo, tem divulgadas as provas, de sua própria lavra, sobre as reiteradas alegações de parcialidade e interferência no resultado dos processos, tornando quase inquestionável a total falta de ética em sua atuação profissional anterior.

Finalmente, após fazer vista grossa para notórios corruptos que passam a integrar o mesmo governo e de silenciar sobre investigações que levantam robustas provas sobre o envolvimento da família do presidente em atividades, digamos, de legalidade duvidosa, o tal juiz resolve posar de bom moço e sai do governo atirando para todos os lados, sem sequer se dar conta que sua inação em relação aos fatos que relata pode configurar o ilícito de prevaricação – talvez pela certeza na impunidade decorrente de seu status de “herói” -, especialmente em relação à agora quase inquestionável participação dos filhos do presidente na fábrica de notícias falsas que se tornaram as redes sociais, a custa de muito dinheiro público.

De quê este cidadão tem moral para reclamar?

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