Vamos oficializar?

Publicado: 18/08/2009 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica
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O que me espanta, na realidade, não são nem os fatos em si, mas a reação quase nula que se tem a partir do conhecimento deles. Se levadas ao pé da letra as acusações atuais, José Sarney é um coronel nordestino que usa a máquina pública para financiar seus projetos pessoais, emprega parentes e desvia dinheiro do orçamento a roldão. O PMDB é uma máquina fisiologista que se entranha em todo e qualquer governo eleito, embora todos estes neguem o fato com certa veemência. Yeda Crusius participou de esquemas e negociatas na DETRAN e no Banrisul, enriqueceu e comprou uma casa com recursos muito superiores a seus rendimentos. Os deputados e senadores voam a passeio para lá e para cá, com dinheiro do erário, além de mandar a família fazer turismo com estes mesmos recursos. Enfim, a casa está caindo por cima, mas estamos todos aparentemente anestesiados com tudo isso. Lembro como se fosse hoje do prazer de ver o governo Collor ter suas negociatas desbaratadas pelas revistas semanais, sendo exposto ao ridículo na mídia. Aquele quadro – tirando a patuscada dos ‘cara-pintadas’ – dava ares de renovação no País, parecia que estávamos chegando a um ponto de amadurecimento nas relações sociais e governamentais. Para mim, foi a última chance que tivemos de resolver as questões da lisura e da probidade na administração pública, porque na época alguém ainda se importava. Mas até isso foi manipulado, a grande mídia se apressou a se isentar de qualquer responsabilidade na eleição do Collor, e somente uma certa resistência e antipatia contra este no Senado fez com que o processo de impeachment seguisse adiante.

Verdadeiras ou não, as notícias atuais não repercutem, estamos todos assistindo passivos a um quadro grave de crise institucional, como se nada estivesse acontecendo. Fomos assimilando a idéia de que o sistema é assim mesmo, todas as denúncias de roubalheira são, invariavelmente, manobras eleitoreiras e, salvo se o camarada for filmado com a mão na massa – e ainda assim, com sua concordância, porque filmar escondido não vale – não se admite nada como prova efetiva da cafajestada. Como se mensaleiro fosse passar recibo do valor embolsado. Como se dona Yeda fosse dizer ‘olha, comprei a casa com dinheiro de campanha, mas danem-se, já tô eleita mesmo’. Enfim, até prova em contrário são todos inocentes, e assim permanecerão, porque nada mais é ‘prova em contrário’. Situação impensável, Collor, Renan e Sarney fecharam questão, formando uma nova tropa – esta sim, me parece ‘de elite’ – para se manter nos cargos e funções assumidas no Senado. Apesar de tudo indicar o contrário, parece que não houve mensalão mesmo, e era tudo uma criação da mídia para desestabilizar o Governo Federal. E, a todas essas, vamos ficando mais anestesiados, passivos e desencantados.

Por isso, quem sabe a gente oficializa? Sugiro a elaboração de uma lei assegurando às autoridades competentes, conforme sua área de atuação, a comissão de 10% (dez por cento) sobre todo e qualquer gasto público. Simples assim. Licitou, construiu, aprovou obra, arrecadou? Passa no caixa e pega a comissão. Pode parecer besteira, mas tenho certeza que assim economizaríamos dinheiro e seríamos poupados do teatro dos horrores que virou a política no Brasil. E com a vantagem de, com o ‘seu’ garantido, não iria ter governante fazendo ouvidos moucos a apelos populares. Precisa de ponte, de posto de saúde, de escola? Claro, é para já. De qualquer forma, parece que moralidade pública, agora, é questão de acertar o quanto. Por que não tentar?

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comentários
  1. cranio disse:

    Boa idéia, mas acho que irão colocar uma emenda:
    -fica-se destinado a margem de contribuição aos portadores de vagas executivos, legislativos ou judiciários envolvidos na transação dos valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no valor de 30% do total destinado no orçamento.

    10% é muito pouco magnata!!!!

  2. Wolfarth disse:

    Eu penso que o brasileiro é um tipo estragado, influenciado pelo paternalismo arcaico introduzido por meio de técnicas de neurolinguística desde que é alfabetizado ou, talvez, pelos costumes useiros e vezeiros que grassam na cultura de malandragem da patuléia.
    Quem é honesto? Quem é correto? Ah… é aquele pangaré que não tem carro, nem casa, que trabalha feito um mouro, de sol a sol.
    O modelo a ser copiado sempre é aquele que dá resultado, à qualquer custo.
    Aquele que é direito sofre de preconceito. O marginal não pega cadeia. O ladrão é herói.
    Pobre do nosso país, que relega aos seus patrícios uma herança maldita que deteriora suas ações e impossibilita uma reação categórica à injustiça.
    Pobre Terra de Santa Cruz, que é vilipendiada pelos seus próprios filhos, contaminados pela corrupção endêmica e pelas facilidades de viver lesando o próximo.
    Pobre Brasil, “país do futuro”, nação sem passado, que se mutila no presente, sobrevivendo pestilento à sanha vulturina dos seus governantes.

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