Parasitas da glória.

Publicado: 17/08/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Um muito sobre nada...
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Michael Phelps ganhou hoje, em Pequim, sua oitava medalha de ouro nesta olimpíada, superando o lendário Mark Spitz, que havia amealhado sete ouros olímpicos nas olimpíadas de Munique, em 1972. Para se ter uma vaga idéia do tamanho do feito, basta dizer que, no presente momento, Phelps, sozinho, estaria à frente de países como Rússia, Itália, França, Ucrânia, Romênia, República Checa, Polônia e Canadá no quadro de medalhas. Isso sem falar nas delegações que conquistaram apenas um ouro, caso do Brasil. Sem ele, os EUA manteriam a segunda colocação no quadro geral, mas apenas no critério do desempate pelo número de medalhas de prata – seriam onze medalhas de ouro, o mesmo número da Grã-Bretanha. Claro que a constituição física de Phelps, com todas as vantagens anatômicas sobre as quais já se escreveu à exaustão por aí, lhe possibilitam um melhor desempenho em relação aos demais atletas. Mas este não é o ponto. Phelps chegou neste resultado esplendoroso não por causa da natureza, mas em razão de muito treino e disciplina, como, aliás, todo campeão olímpico.

E é exatamente este o caso do solitário herói brasileiro no ponto mais alto do pódio, César Cielo Filho. Atualmente morando e treinando nos EUA, certamente contando nos dias atuais com algum apoio financeiro de empresas e/ou bolsas de estudo, Cielo mostrou ao Brasil que com dedicação e esforço se conseguem resultados incríveis, como sempre acontece em toda a olimpíada. Bradam-se a plenos pulmões o tamanho da sua conquista, a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira, superando ícones como Gustavo Borges e Fernando Scherer. Cielo passa a ser, até o momento, o maior nadador brasileiro de todos os tempos em olimpíadas. Um feito extraordinário… PARA ELE!

Sim, apenas Cielo e sua família podem e devem comemorar esta vitória. Foi o esforço de seus pais que o levaram a treinar nos EUA, onde certamente aprimorou sua técnica e conseguiu se colocar entre os grandes do mundo. Foi o trabalho exclusivo e solitário do atleta dentro da piscina que o tornou o que é hoje. Eu fico extremamente irritado com a vinhetinha ‘Brasil-sil-sil-sil’ a cada medalha conquistada, como se nós tivéssemos alguma coisa a ver com as vitórias conseguidas pelos compatriotas. Se Cielo chorou no pódio e emocionou o público que assistia a premiação, podem ter certeza que aquelas lágrimas foram mais de saudade da família, alegria pela conquista, satisfação pela recompensa ao esforço, do que por ouvir o hino nacional e ver a bandeira do Brasil subindo. Mas a patuléia já associa: a emoção pelo feito conquistado, o amor pela pátria, o Galvão se rasgando em suas características patriotadas… Até quando teremos que aturar estas bobagens? Na volta ao Brasil – se é que vai haver, não sei dos compromissos do atleta nos EUA – certamente será convidado para subir a rampa do planalto com nosso garboso presidente, para dar entrevista no Jô Soares e talvez até seja recebido com festa no aeroporto, carro de bombeiros, etc. É engaçado imaginar que muito provavelmente, quando embarcou para viver em outro país, única maneira de ter acesso a condições decentes de treinamento, estavam apenas os pais e amigos no aeroporto a encorajar o atleta. Este é o Brasil, eternamente sugando a glória alheia, sem fazer nada para incentivar quem precisa e tem condições de ir além, apenas contando que a sorte ou o esforço individual façam alguma diferença. No caso de Cielo fizeram, o que só aumenta seu mérito. Mas o Brasil não tem nada a ver com isso!!!

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comentários
  1. Wolfarth disse:

    Concordo! No Brasil, a tendência é a de sempre a mídia e a “politicagem” se apropriarem dos feitos esportivos obtidos na esfera privada de atletas e equipes.
    A título exemplificativo, o que o governo tem a ver com o César Cielo e a seleção brasileira de futebol? Nada… absolutamente nada!
    E se formos analisar o desempenho dos atletas nacionais que competem nos Jogos Olímpicos em modalidades financiadas pelo dinheiro público, vamos ver que estes são uns coitados, uns pobres diabos que não conseguem sequer disputar as finais de suas categorias.
    Enquanto isso, os governantes ficam torcendo para outros “ouros” saírem para venderem suas imagens deturpadas.
    Enfim, o “país do futebol” é isso aí mesmo.

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