Tem peixe grande na rede!

Publicado: 06/08/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica
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O COPOM, órgão do Banco Central responsável pela regulação da política monetária e cambial no Brasil, anunciou na semana retrasada um aumento da taxa básica de juros de 12,25% para 13% ao ano. Com a medida, o Brasil amplia a margem de ‘vantagem’ sobre o segundo colocado no ranking mundial de juros reais. Descontada a inflação oficial, a taxa de juros reais subiu para 7,2% ao ano, bem a frente da Austrália, o segundo colocado com 5,7% ao ano. Por mais antipática que possa parecer, a medida se mostrava necessária para refrear a subida inflacionária, motivada, principalmente, pela alta dos preços dos alimentos e do petróleo. As conseqüências de tal ajuste serão sentidas, fundamentalmente, no setor produtivo, que sofrerá o impacto direto do chamado ‘custo do dinheiro’. Tanto isso é verdade que a estimativa de crescimento do PIB para 2009 já foi ajustada para 3%, contra os 4,5% previstos inicialmente. Além disso, a sensível queda da bolsa de valores e do preço do dólar são efeitos diretos da alta da taxa de juros, porque grande parte do capital aplicado nestes investimentos de risco migrou para os mais seguros fundos bancários, agora melhor remunerados. Em suma, a idéia do governo federal é refrear a inflação desaquecendo a economia, paralisando ativos e apostando no menor consumo de bens e serviços.

Não tenho condições de saber até que ponto a decisão foi acertada. As questões econômicas nesse mundo ‘globalizado’ em que vivemos são sempre facas de dois gumes, e cabe aos administradores escolher o mal menor. Se o cobertor é curto, tem-se que optar por aquecer a cabeça ou os pés. A única coisa que tenho certeza é que muito pouco tem sido considerado no que se refere a outras medidas de ajuste. Não se fala em redução dos gastos públicos, redimensionamento do orçamento e adequação das tarifas públicas. Enfim, nem se considera o prometido enxugamento da máquina estatal. Na verdade, a regulação da taxa de juros tem sido o único trunfo do governo para manter a inflação sobre controle, bem assim para cumprir as metas econômicas a que se propõe. Como diria o Capitão Nascimento, estão colocando na ‘conta do Papa’. Como sempre foi e sempre será.

A esperança do governo federal era a abertura de novos mercados para nossos produtos primários na Rodada de Doha, um imbróglio que o Crânio explicou de maneira brilhante alhures. Com o fracasso das tratativas e a manutenção dos subsídios aos produtores agrícolas dos chamados países ricos enfraquece a pretensão, mas surge uma certa sobrevida ao setor produtivo, na medida em que mantidas as barreiras à entrada de produtos industrializados vindos de tais países. Em suma, o qüiproquó teve alguma vantagem, embora ínfima. O problema é que o agronegócio brasileiro continuará em desvantagem em relação ao mercado mundial. Não considero grande problema o sistema de subsídios implantados pelos EUA e pela Europa, porque acredito que cada país tem o direito de estabelecer sistemas de incentivo aos setores mais sensíveis, sem que isso caracterize qualquer ofensa à legislação comercial mundial. Não se trata de concorrência desleal, apenas de investir no que se acredita, como forma de fomentar a produção e acelerar o desenvolvimento de um determinado setor.

No lugar do presidente Molusco I, o convicto, estaria pensando em estabelecer sistemas de incentivo similares, buscando recursos para auxiliar no crescimento da produção agrícola. É bem verdade que já se adotaram medidas relevantes neste sentido, como o aumento da linha de crédito para pequenos agricultores, mas ainda falta muito para termos um sistema confiável. Mas o que fez nosso supremo mandatário? Transformou em ministério a antiga Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, criando 150 (CENTO E CINQÜENTA) cargos em comissão e mais 200 para servidores concursados – serão 400 no total – , o que custará à Viúva a bagatela de R$ 250 milhões, totalizando um orçamento anual de R$ 500 milhões. Tal excesso de cargos em comissão se deve ao estabelecimento de superintendências estaduais do mencionado ministério, que terá sua estrutura descentralizada, a exemplo do que ocorre com os órgãos de outras pastas. Na minha opinião, chega a ser indecente que frente a todo esse quadro, a única medida do governo federal seja criar mais um cabidão de empregos para lotar correligionários e tratar como moeda de troca em épocas de eleição. Ao que parece, não evoluímos nada na forma de tratar os graves problemas do país. Acho muito interessante que se incentive a pesca e o consumo de pescado, uma medida inclusive de saúde pública, na medida em que o consumo destes produtos em substituição à carne vermelha só pode fazer bem. Mas não é criando mais um monstrengo na estrutura do executivo que se alcançará este objetivo. Pode ter certeza, prezado leitor, que tem peixe grande nesta rede. Alguém arrisca os nomes e/ou partidos dos primeiros superintendentes estaduais?

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comentários
  1. Wolfarth disse:

    Eu me preocupo muito com a economia. Mas, ultimamente, tenho me frustrado demais com tudo isso e as respostas às indagações mais simplórias são extremamente desagradáveis.
    Tudo cheira a podre e o negócio é explodir tudo e começar o país do zero.
    Não tem solução. Casa com alicerce precário não fica em pé. Esse é o Brasil.

  2. Crânio disse:

    Pois se vossa excelência não se preocupa com os subsídios americanos e europeus, eles se preocupam com os nossos, e vivem tentando escrafunchar as poucas coisas possíveis de se fazer para proteger os mercados nacionais….

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