Só bebendo.

Publicado: 14/07/2008 por BigDog em Cultura nunca é demais!, Nem fodendo...
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Não gosto muito de filmes de super-heróis, especialmente porque o roteiro é sempre uma variação sobre aquela manjada história do grande problema a ser resolvido, com um arquiinimigo que descobre a fraqueza do herói no meio do caminho e quase o tira completamente de ação, mas no final tudo dá certo, com todos vivendo felizes para sempre. Foi por isso que me interessei em assistir Hancock, um filme com uma proposta diferente: o herói em questão é um alcoólatra inveterado, que causas prejuízos incalculáveis para resolver as crises com criminosos, mais atrapalhando que ajudando. Por isso, é odiado por todos e perseguido pela justiça. Claro que no final iria rolar uma reabilitação, Hancock deixaria de ser um bebum gambá dependente químico – ou qualquer outro jargão "politicamente correto" que se aplique ao caso, não vou quebrar a cabeça com isso – mas este final açucarado certamente não retiraria a possibilidade de boas tiradas cômicas no decorrer do filme. Ao menos foi o que imaginei.

Ledo engano… O filme não consegue decolar nem para um lado, nem para o outro. Não chega a ser hilário, mas também não é uma história clássica de super-heróis, que certamente agradaria aos fãs do gênero. Quando você sai do cinema achando que poderia ter feito melhor, mesmo não sendo roteirista, mesmo sendo um camarada medianamente inteligente – ou, visto do outro ponto de vista, medianamente burro – é porque algo está definitivamente errado. Não sei se é influência da era politicamente correta em que vivemos, mas diversos ganchos são perdidos, possibilidades não são exploradas. O filme tinha tudo para ter tiradas de humor mais corrosivas, detonando situações incômodas do dia-a-dia moderno-corporativo-dinheirista, caprichando mais nas bobagens cometidas pelo protagonista sob o efeito do goró, enfim, não sendo tão policiado do ponto de vista da nova ordem moral reinante. Na verdade, a única piada realmente engraçada do filme é escatológica e gratuita, e faz o sujeito rir apenas para não perder o dinheiro do ingresso. Para não entregar o roteiro, direi apenas que é anatomicamente impossível de acontecer. Sobre a parte da reabilitação, então, não dá nem para falar. Totalmente dispensável.

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