Freio para a globalização?

Publicado: 14/07/2008 por Crânio em Um muito sobre nada...

A atual escalada dos preços do barril de petróleo, além de servir de desculpa para a inflação mundial, poderá servir de teste para a globalização. E será muito interessante de assistirmos, de camarote, a busca por alternativas energéticas que possibilitem a manutenção do modelo econômico mundial.

A globalização pode ser comparada ao fim dos modelos escravocratas do século XIX e crescente industrialização da Europa. Naquela época, buscava-se novos mercados para desafogar a produção da incipiente indústria, e uma das formas encontradas para aumentar o contingente de consumidores foi com a abolição da escravatura em vários países. Com a liberdade (?) e o trabalho (mal) remunerado, mais pessoas poderiam decidir o que fazer com o seu dinheiro. Com um pouco de marketing, pode-se fazê-las consumir produtos industrializados. Com um pouco de esperteza e má fé, costurava-se apoios políticos para liberar portos apenas para produtos importados de um determinado país ou criar leis que proibissem a instalação de indústrias em outros países, favorecendo os pioneiros da revolução industrial.

E o que isto tem a ver com os dias atuais?

O Petróleo é (ou era) uma das formas de energia mais baratas e de fácil logística, permitindo a movimentação de cargas de forma fácil e rápida. Ou então fornecendo energia para indústrias, comércio e principalmente residências, que com disponibilidade de energia podiam adquirir um sem fim de ítens, úteis ou supérfluos, realimentando o sistema industrial. Não obstante a utilização energética, a partir de meados da década de 50, adquiriu maior importância como matéria-prima para os polímeros termoplásticos e termofixos.

E a globalização procurou encontrar novos mercados para novos ou velhos produtos. Quase no mesmo estilo do século XIX, as empresas mais arrojadas partiram em busca de acordos comerciais, mudanças políticas e econômicas, para que mais pessoas pudessem consumir, aumentando -óbvio- seus lucros. Para isto, energia nas residências, um pouco de dinheiro e muito de crédito para camadas mais pobres. E fabricação nos países mais baratos, não importando a distância do mercado consumidor. E paralelo a este movimento mundial (que não tem 20 anos), ocorreram as consolidações, reorganizações e fusões de grandes empresas. Com isto, poucos grupos mundiais passaram a deter fatias muito grandes de poder sobre matéria-prima, energia, logística, possibilitando pouca margem para negociação.

Resultado de tudo isto: 20 anos após os primeiros movimentos mais claros da globalização, conseguiu-se inserir quase uma Europa inteira no mercado de consumo. Porém com menos empresas fornecendo produtos e apenas um planeta fornecendo insumos! E o estouro seria inevitável.

O petróleo continuará subindo, até porque ainda existe um longo caminho até encontrar-se soluções práticas e econômicas para substituí-lo. Porém não sei se a globalização resistirá a preços acima de US$ 300,00 o barril de petróleo. Aí talvez valha a pena voltar aos parques industriais menores, para atender o consumo de determinada região apenas. Isto porém revitalizaria os sindicatos, o que não é bom para o capitalismo…

A história ficará muito legal a partir de agora!

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