Vai chover enxofre!

Publicado: 30/06/2008 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...
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Calma, nada de previsões apocalípticas. Embora a civilização como conhecemos esteja fazendo água de forma quase incontrolável e o fim pareça estar cada vez mais próximo, a motivação para o título vem da seguinte constatação: eu não gostei de um disco do Rush, e estou meio cabreiro com a postura atual da banda – pausa para soarem as trombetas e ser aberto o primeiro selo. Antes de mais nada, vamos colocar as coisas em perspectiva: acho Caress of Steel um disco muito irregular, embora seja o primeiro esboço das composições épicas e elaboradas que viriam a seguir; ouço Presto com uma certa reserva, embora encontre algumas pérolas neste álbum, músicas que certamente marcarão para sempre minha vida; e não sou muito fã de Power Windows, para mim o pior da fase ‘eletrônica’ da banda. Fora isso, nunca reclamei de nada, e coloco pelo menos três discos do Rush – Moving Pictures, 2112 e Hemispheres – entre os melhores de todos os tempos. Dito isso, vamos aos fatos.

Sempre detestei banda que vive do passado. Sabe aquele tipo de artista decadente, caidaço, que fica gravando e regravando versões ao vivo das mesmas músicas que algum dia fizeram sucesso? Ou então as várias reencarnações de bandas geniais que não rendem nem 10% do que faziam quando estavam em seu auge, como por exemplo o Pink Floyd sem Waters e Wright, e por aí vai. Fora os simulacros de bandas impossíveis de serem retomadas, como o The Doors, que atualmente se apresenta sem Morrison – por óbvio – e com algum rastaqüera qualquer nos vocais, o que não dá sequer para chamar de ‘The Doors’. Enfim, artistas e/ou bandas que sobrevivem exclusivamente do nome que construíram ao longo de sua carreira, mas que já deveriam ter pendurado as chuteiras a horas.

O Rush, por outro lado, sempre foi uma banda que buscou novos horizontes, que não se acomodou jamais, evoluiu e retornou às raízes, tudo com uma naturalidade reservada apenas aos gênios. Parte da minha admiração – na verdade, veneração – pela banda veio daí, do fato de comprar um disco dos caras, colocar para tocar e simplesmente não acreditar que aquela música tivesse sido composta pelos mesmos músicos que fizeram o disco anterior. Uma total perplexidade quanto à capacidade de inovação e de mudar os rumos. Juntar a bunda após cada novo álbum, em resumo. Claro que isso é uma impressão minha, alguém que não seja fã vai questionar ponto por ponto o que eu escrevi, mas gosto musical é como futebol, religião e política, não se discute.

Passado o hiato de cinco anos sem gravar, em decorrência dos trágicos acontecimentos na vida de Neil Peart, o Rush retornou com tudo: disco novo (o excelente Vapor Trails), mega-turnê mundial, inclusive com passagem pelo Brasil – pausa para secar as lágrimas da lembrança – e aclamação pelo novo trabalho. Enfim, o Rush estava de volta. Na seqüência, o CD/DVD do histórico show do Maracanã, a gravação de um disco de covers para comemorar o trigésimo aniversário – supostamente as músicas que eles tocavam quando ainda eram iniciantes -, a turnê dos trinta anos – mais um DVD ao vivo – e a gravação de Snakes & Arrows, para mim a pièce de résistance do guitarrista Alex Lifeson (acredito que tenha comentado sobre isso no meu primeiro requentado, mas não me recordo muito bem do que escrevi). Até aí tudo maravilhoso. Os fãs mais ferrenhos estranharam a quebra do antigo esquema quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, mas tudo era festa, estávamos de bem com a vida, ainda mais com o presentão que foi Replay 3X, com três shows de épocas diversas, remasterizados e lançados em DVD. Agora, a parte ruim: saiu o CD ao vivo da turnê ‘Snakes & Arrows’, bisonhamente intitulado ‘Snakes & Arrows Live’. Foi aí que o caldo entornou… Será que, com o perdão da heresia, o Rush está numa de arrecadar? Será que os caras estão passando por dificuldades financeiras? Meu Deus, venham para o Brasil que eu asseguro pelo menos uns 500 malucos que não se importariam de assistir um show por semana por pelo menos dez anos seguidos. Mas não caiam nessa de lançar CDs ao vivo um após o outro. Esse novo não tem absolutamente nada que justifique o lançamento. Sinto dizer isso, mas, além das músicas novas tocadas ao vivo – o que poderia esperar mais algum tempo, não são clássicos ainda e nem sequer agradam a todos os fãs de maneira uniforme -, apenas os sucessos de sempre. Claro que executados à perfeição, claro que geniais, mas é apenas outra versão ao vivo, coisa que aficcionados por Rush simplesmente amam, porém que saem relativamente baratas. Não vou dar opiniões definitivas, isso aqui é apenas um pensamento solto. Negro como a noite, triste como uma missa de réquiem, mas apenas um pensamento.

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comentários
  1. Wolfarth disse:

    Quanto drama, Cachorrão!
    Pois aí tu percebe que não existe nenhuma banda perfeita nesse mundo…
    Eu gosto de Rush, mas sou fã de mais de uma centena de bandas, pela diversidade em si. Hoje eu não conseguiria dizer qual seria a minha preferida. E muito disso se deve às dicas do teu Requentado, que é o post sazonal mais esperado por mim neste espaço.
    Vou dar uma sugestão: ouça a banda Boston. É som dos anos 70 e é bem rock.

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