A Era Fernandão (2004-2008)

Publicado: 20/06/2008 por Wolfarth em Não há o que não haja!, Tosco Futebol Clube

Fernando Lúcio da Costa chegou ao INTER em junho de 2004, aos 26 anos de idade, para disputar uma vaga no ataque do clube, na posição de centroavante. Até então, tratava-se de um jogador de bom porte, formado pelo Goiás e com passagem razoável de 3 anos por clubes franceses (Toulouse e Olympique Marseille), mas sem qualquer status de craque ou mesmo de jogador diferenciado. Na verdade, Fernando Carvalho já era fã do atleta desde os tempos em que o mesmo defendia o clube goiano e resolveu que era hora de trazê-lo.

Lembro que a torcida o recebeu com certa parcimônia, pois o clube vivia um processo de renovação e muita indefinição, apesar da conquista do tricampeonato gaúcho naquele ano. Porém, logo no seu primeiro jogo pelo INTER, um Gre-Nal no Beira-Rio, válido pela 14ª rodada do Brasileirão de 2004, Fernandão entrou no 2º tempo e marcou de cabeça o gol 1000 dos Gre-Nais, colocando seu nome de forma definitiva na história do clube, já na largada.

E Fernandão não ficou só nesse gol. Fez outros 12 gols no Brasileirão daquele ano e tornou-se em pouco tempo o líder e o expoente técnico do INTER. Fez jogos memoráveis, principalmente em Gre-Nais daquele mesmo ano, marcou gols belíssimos (o de bicicleta contra o Coritiba em 2004, por exemplo) e conduziu o precário time Colorado à uma vaga na Copa Sul-Americana, a despeito de ter permanecido grande parte do campeonato nas posições inferiores da tabela.

Enfim, a Era Fernandão começou muito bem, tanto que naquele mesmo ano de 2004 o Grêmio foi vencido pelo INTER em 5 dos 7 Gre-Nais disputados, tendo terminado na derradeira posição do Brasileirão (24º lugar), o que o relegou à Segundona, com louvor.

Já em 2005, com o planejamento do clube mais consolidado, Fernandão manteve-se em posição destacada, como goleador e ídolo inconteste do time, liderando o clube no vice-campeonato brasileiro, cujo título foi injustamente “tomado na mão grande” pelo Corinthians, ajudado pelo STJD e pela CBF. Mesmo assim, o desempenho do clube foi louvável e a vaga na Libertadores estava garantida para o ano seguinte.

Sem dúvida alguma, o ano de 2006 foi o mais vitorioso, emocionante, imprevisível, heróico e memorável da história quase centenária do Sport Club Internacional, graças à Fernandão & cia. Pessoalmente, eu investi muito no clube e coloquei muita fé na conquista da Libertadores da América. Compareci aos 7 jogos válidos pelo torneio que foram disputados no Beira-Rio. Vi atuações soberbas do time e vivi emoções que jamais esquecerei. Foram dias incríveis, nos quais o time liderado pelo capitão Fernandão parecia imbatível. Lembro bem da semifinal, contra o Libertad (PAR), jogo duríssimo. O placar de 0 x 0 mantinha-se desde o jogo de ida e o 1º tempo da partida de volta havia acabado. A torcida, naquele impasse, apoiava na expectativa de sair o gol e, ao mesmo tempo, não levar um gol que seria fatal. Instantes antes do início do 2º tempo, com os jogadores de ambos os times posicionados para o reinício do prélio, os alto-falantes tocaram um derradeiro incentivo: “U U U U, terror, Fernandão é matador”. Não sei o que se passou na cabeça do capitão, mas ele resolveu jogar mais e conduziu o time à finalíssima com bravura e um gol decisivo.

A conquista da América pelo INTER revelou ao mundo um jogador que foi sendo moldado para exercer uma liderança técnica e emocional sem qualquer contestação. Fernandão incorporava o clube. Era o coração do time. Jamais vi um jogador ter sua imagem tão relacionada à algum clube como Fernandão-INTER. Não que ele seja um craque, um jogador com técnica apurada. Mas sua presença em campo dava outro temperamento ao time e um verdadeiro treinador presente dentro das 4 linhas.

No fim do ano, muito embora tenha feito um Mundial de Clubes apenas razoável, Fernandão foi o responsável indireto pelo título de Campeão do Universo. No vestiário do Estádio de Yokohma, fez uma palestra que até hoje ecoa na cabeça daqueles que ouviram. Machucou-se na final contra o Barcelona e em seu lugar entrou o predestinado Adriano Gabiru. Ergueu o troféu mais cobiçado pelos clubes envolto à uma atmosfera gélida e fantástica, permeada pelas almas de gerações de Colorados que ambicionavam tal façanha.

A despeito dos inúmeros períodos em que ficou impossibilitado de jogar por contingência de lesões musculares, Fernandão teve um ano de 2007 bastante apagado, mas sua imagem prosseguiu vigorosa e imaculada.

Voltou com tudo em 2008, já com sua fama em nível mundial arraigada, liderando o INTER na vitória histórica contra a temida e festejada Internazionale (ITA) na Copa Dubai. No Gauchão, foi responsabilizado pela imprensa marrom e gremista pela derrota no primeiro jogo contra o Juventude, fato que só aumentou a sua sede por vitória no jogo de volta, no qual o INTER teve a coragem de atacar de forma incessante e frenética a ponto de enfiar 8 gols nas redes do Juventude, sendo 3 gols dele.

Minha intenção não é a de fazer uma descrição das conquistas de Fernandão pelo INTER, mas sim prestar uma homenagem àquele que foi, sem dúvida alguma, o jogador mais importante da história do clube. Não quero desmerecer a qualidade técnica de Tesourinha e de Falcão, a liderança de Figueroa e os inúmeros títulos de Valdomiro, além de outros craques que já listei em tópico anterior. Todos eles ajudaram a contruir aquilo que podemos chamar de uma “Nação Colorada”. Fernandão faz parte dessa história, mas sua contribuição foi superior em virtude do momento em que o clube vivia em 2004. Foram anos que mudaram o perfil e a imagem do clube perante o seu torcedor, divulgando feitos relevantes pelo país, pelo continente e pelo mundo.

Por tudo isso, Fernandão, o período de 2004 a 2008 tem o teu nome. Foi a Era Fernandão. A torcida Colorada te idolatra, te venera como um deus. A torcida Colorada te ama, te ama de verdade, como à um amigo querido, por toda a felicidade proporcionada em momentos infinitamente fantásticos.

P. S.: Fernandão disputou 180 jogos e marcou 72 gols envergando a gloriosa camisa do INTER. Conquistou a Libertadores da América de 2006, o Mundial de Clubes FIFA 2006, a Recopa Sul-Americana 2007, a Copa Dubai 2008 e os Campeonatos Gaúchos de 2005 e 2008.

Um dia ele voltará. Com certeza!

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comentários
  1. BigDog disse:

    A maior qualidade do Fernandão, na minha opinião prá lá de modesta, é a firmeza e serenidade com que ele assumiu a liderança do time do Inter. Uma coisa natural, um líder incontestável, que nos guiou às maiores conquistas de nossa história. Inesquecível e insubstituível. Vai fazer muita falta!

  2. Crânio disse:

    O Fernando que o Fernando achou. Fernandão foi escolha pessoal de Fernando Carvalho, que imaginou um time para conquistas mundiais e sabia que este time precisaria de um líder. Não podemos negar a estrela de Fernandão, que ao chegar ao Inter, marcou o gol 1000 dos grenais. Concordo com BigDog a respeito da liderança natural na equipe. E isto só se conquista com atitudes corretas que fazem com que a equipe o respeite.

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