Requentado do Cachorrão – maio e junho/2008

Publicado: 12/06/2008 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

Agora vai! Peço desculpas aos leitores pela ausência temporária, mas isso se deveu a fatores inevitáveis e alheios à minha vontade. Corre à boca pequena uma notícia de que a ABRIC vai passar por uma mudança radical, os acadêmicos estão alvorotados. Sabe como é, velho não gosta que mexam com suas coisas. Enquanto a notícia não estoura, vamos a mais um requentado, com toda aquela malemolência nagô que é característica destes maviosos textos. Agora vai!

TELEVISION – Marquee Moon (1977)
Dizer que o pessoal que tocava no CBGB na década de 70 revolucionou a música moderna é chover no molhado. Ramones, Talking Heads, Blondie, e mais um monte de artistas que se destacaram no cenário pop daquela década, e também das seguintes, são ícones da cultura pop/rock de todo o mundo. Apesar disso, de todos, o Television parece ser o mais relegado ao esquecimento. Mas não deveria! Claro que a produção dos caras é escassa, se resumindo a uns poucos discos, mas isso não quer dizer nada. Gravar uma obra com “Marquee Moon” é muito mais importante e significativo do que lançar, um após outro, discos medíocres, como fazem outras bandas por aí. Não é o caso aqui, evidentemente. Poderia começar escrevendo que é um disco punk, mas não seria totalmente verdade. Na real, é muito mais do que isso, porque as melodias são inspiradíssimas, os arranjos muito bem feito e as guitarras… Bom, as guitarras são um caso à parte. A dobradinha Richard Lloyd/Tom Verlaine é daquelas que merecem destaque em qualquer lista que se elabore sobre o assunto. O trabalho deles é magistral, e por vezes chega a parecer que um ser iluminado está tocando apenas uma guitarra com quatro mãos, ou coisa que o valha. Se você sempre quis entender o que significa “complementar” outro instrumento, aprenda com esses caras. A faixa título é um caso à parte, daquelas músicas que te fazem ter vontade de sair dirigindo sem rumo por horas a fio. Imperdível! Nota 8,5.

RADIOHEAD – Hail To The Thief (2003)
São tempos estranhos, caro leitor. Usar frases batidas às vezes é a única saída para alguma situação constrangedora. Então lá vai: em terra de cego, quem tem um olho é rei. O Radiohead lançou excelentes discos no passado, virou modinha falar bem dos caras, especialmente entre o povo modernoso e descolado. Agora, convenhamos, este disco não faz jus à fama da banda. Quero dizer, se alguém for conhecer o trabalho de Tom Yorke e Cia. por “Hail to the Thief”, benzadeus… Uma pessoa relativamente isenta sobre o cenário musical atual, ao ouvir falar do Radiohead, não pode pegar este álbum para ouvir, pois fatalmente irá pensar: o que vai ser dessa gurizada? Sério, um disco bem comum, sem nada que justifique metade – que metade, um terço -, da pagação de pau para os queridinhos da intelectualidade. E olha que eu estou sendo parcimonioso na crítica, afinal de conta não pega bem falar mal do Radiohead. Mas que dá vontade, isso dá! Ô disco sem vergonha. Fico pensando se vou ouvir o último, que, ao que consta, estão dando de graça pela internet. Se for do calibre desse, não, muito obrigado! Nota 4.

R.E.M. – Document (1987)
O disco que tirou o R.E.M. dos cafundós da Geórgia e do circuito alternativo/morto de fome das “College Bands” e os levou direto para o estrelato mundial, com o (re)lançamento de “Green” e do arrasa quarteirão seguinte “Out Of Time” pela Warner Bros. Eu sempre gostei muito da banda, acho que mesmo gravando por uma ‘major’ os caras conseguem manter alguma identidade musical e integridade para com o seu público, o que não é pouca coisa. Agora, se você ouvir este disco, vai inevitavelmente sentir que algo se perdeu. É evidente a gana e o tesão da banda tocando pedradas como “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)” e “The One I Love”, dois de seus hinos, até os dias atuais. Tá, a produção não é lá essas coisas, uma ou outra passagem soa meio “solta”, mas o que interessa, aqui, é conhecer a gênese daquela que viria a ser uma das maiores bandas do planeta. Coisa que não vai ser ouvida em nenhum trabalho posterior, isso eu asseguro. Ouça sem medo, que esse é garantido. Nota 8.

PRIMUS – Pork Soda (1993)
Eu tenho bronca do Primus porque mais da metade dos ignóbeis que querem negar o fato de que Geddy Lee é o melhor baixista de todos os tempos vêm me esfregar o tal de Les Claypol na cara. Fatos são fatos, e sobre eles eu não discorro. Les Claypol é um excelente baixista, de uma técnica incomum e invejável, mas isso não quer dizer absolutamente nada quando se toca em uma banda tão cabeçona e desconjuntada quanto esta. Sério, ao ouvir este disco você fica o tempo todo na expectativa que a afinação dos instrumentos e o aquecimento acabem logo para que os caras comecem a tocar. Só que isso não acontece, e lá pelas tantas o camarada tem vontade de atirar o CD player ou qualquer outra fonte de onde esteja saindo essa coisa medonha na parede. Para nunca mais juntar. Não se engane com papos de “minimalismo”, “atonia” e outras histórias que inventam para justificar esta coisa hedionda. Desculpa de peidorreiro é soluço. Dói ouvir isso, de verdade. Nota 2, e olhe lá.

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comentários
  1. Felipe Wolfarth disse:

    Gostei das críticas. Contundência com doses de ironia, aliado à experiência na acústica de inúmeras bandas e tendências.
    Parabéns, Cachorrão! O teu requentado mata à pau e está cada vez melhor!

  2. Crânio disse:

    Falar em requentado, quando vamos requentar um rango para uma assembléia da Abric???

  3. BigDog disse:

    A situação é a seguinte: terças e quintas o ABRIC Convention Center está liberado para receber sua seleta casta de acadêmicos. Só preciso de confirmação com 48 horas de antecedência para providências de copa, este tipo de coisa. Acho muito bom que role uma assembléia logo, temos que pôr o papo em dia! Abrasssss por trás (nos dois).

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