Cuidado com as companhias, meu filho.

Publicado: 05/06/2008 por BigDog em Um muito sobre nada...

Conselho antigo e batido dado por nossos pais, dificilmente é assimilado na época apropriada, normalmente sendo relegado àquela zona gris do nosso intelecto em que costumamos guardar as coisas óbvias que sabemos ser verdade, mas sobre as quais acreditamos que não precisaremos pensar. Quando nos damos conta, estamos ilhados em uma situação nada agradável por conta da nossa constante desobediência aos conselhos paternos – e aqui me refiro quase que com exclusividade aos ensinamentos das mães, estas eternas obstinadas em nos guiar. Por pensar que das nossas companhias sabemos nós, às vezes deixamos de lado pessoas que realmente valeria a pena ter por perto para optar pela presença de gente que não mereceria estar ao nosso lado. Não quero aqui pregar o esnobismo, a postura do “eu sou melhor”, mas o caso é que, infelizmente, existem pessoas com um caráter pior do que o nosso – assim como outras o tem bem melhor – das quais deveríamos manter distância. Em resumo, quem anda com gente chinelona, cedo ou tarde é obrigado a passar por alguma chinelagem. ¹ E o que fazer quando isso ocorre? Agir com dignidade e galhardia, ignorando possíveis agressões que tentem nos infligir, tolerando o intolerável. Até porque, neste eterno jogo de dados que é a vida humana, toda ação menos nobre acaba gerando uma reação adversa para o agente. São favas contadas. Algumas dívidas são de longo prazo, e só o tempo é capaz de apresentar a oportunidade apropriada para cobrá-las. Às vezes, décadas. Mas que elas surgem, isso é inevitável. Além disso, cercar-se dos verdadeiros amigos, aquelas pessoas que, com a graça de Deus, se colocam no nosso caminho e teimosamente tentam melhorar nossa existência. Eles existem, às vezes são poucas, mas sempre há com quem contar. Por isso – outro conselho paterno – é importante cultivar o relacionamento com esses abençoados. Feliz de quem os tem sempre por perto, prontos e decididos a ajudar. Com tudo isso, fica mais fácil seguir em frente. E, por vezes, até é possível aceitar com alegria o que nos fazem com a intenção de grave ofensa. Manter o nível é bem complicado, mas indispensável. Por isso o conselho, que já deve ter sido repetido inúmeras vezes por pais e mães: cuidado com as companhias. Selecione e – em conseqüência – viva melhor!

¹ – Do gauchês moderno, significa atitude ou situação não-condizente com a normalidade, com o bom-senso. Aquelas situações em que se pode afirmar “poderia ter ido dormir sem esta”.

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comentários
  1. Aline disse:

    A despeito da óbvia necessidade de mantermos sempre à mão, em alguma gavetinha do cérebro, os ensinamentos dos nossos pais (“EM CASO DE EMERGÊNCIA, APERTE O BOTÃO VERMELHO”, sabe?!), às vezes mantemos pessoas não muito legais por perto por termos a ilusão de poder melhorá-las, torná-las mais parecidas conosco mesmo. E é muito difícil reconhecer quando estamos diante de um caso perdido. Além disso, acho que os ‘chinelões’ acabam tendo sua importância, para nos mantermos atentos aos comportamentos que devem ser evitados e darmos o devido valor aos amigos de verdade.

  2. Felipe Wolfarth disse:

    Cachorrão… não esquenta. Tu tens teu lugar no meu coração, sem qualquer restrição.

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