Mordendo a língua

Publicado: 31/05/2008 por Crânio em Fórmula 1

É sempre útil e aconselhável pensar antes de falar.

Muitas pessoas (incluso este que escreve estas mal traçadas linhas) têm a propensão a fazer críticas, muitas vezes severas, à respeito de tudo e todos. Não importando classe econômica, raça, sexo ou religião, a crítica é algo deveras democrático (aliás, é parte da democracia), mas pode-se notar que em muitos casos converge para algo prazeroso por quem faz críticas, é quase um orgasmo a cada crítica mais ácida proferida. Eu diria que é um dos esportes nacionais.

O mundo é pequeno e gira muito (a frase correta é mais completa e bagaceira).

Nas críticas esquecemos que nos giros deste planeta, podemos encontrar o mesmo ponto do criticado… e fazer igual!!! Ou então seremos cúmplices de situações semelhantes ao criticado outrora. E agora, o que explicar “lá em casa”???

Este preâmbulo é direcionado ao Sr. Nelson Sottomayor Piquet. Um dos maiores pilotos da fórmula 1 de todos os tempos. Tri-campeão mundial, 24 pole-positions, 23 vitórias, reconhecido por ser exímio acertador de carros, ótimo estrategista em corridas, sabendo dosar velocidade e constância. E também reconhecido por declarações bombásticas e um certo distânciamento da imprensa, só aceitando falar com jornalistas especializados. Tudo bem, escutar perguntas idiotas é dose.

Tudo que você disser poderá ser utilizado contra sua pessoa.

Certa feita ele falou que Airton Senna era um filhinho de papai, movido a “paitrocínio”, que só teve sucesso porque a sua carreira foi gerenciada desde o início. Até não faltou com a verdade, mas era um pouco dor de cotovelo, pois ele, Nelson Piquet, apesar de oriundo de família com boa situação financeira, precisou mostrar serviço para chegar ao topo. Meteu a mão na massa, trabalhou como mecânico em boxes de corrida, foi para a Europa com dinheiro contado e outras histórias bem legais que valorizam suas conquistas. Mas acho que ele gostaria de ter uma história com menos dificuldades, tal qual o Senna.

Aí, eis que começa a aparecer para o automobilismo Nelson Ângelo Piquet. Filho do tri-campeão, colocado em equipes montadas pelo pai, desde as categorias de base até a GP2 (categoria de “acesso” a F1, com carros muito semelhantes e custo estimado em US$ 10 milhões por ano). Isto sim que é “paitrocínio”. Claro que o Nelsão não colocou todo dinheiro; sua visibilidade trouxe muita grana para as equipes montadas por ele para o seu pimpolho. E até que o guri correspondeu, ganhando diversos campeonatos e chegando ao vice-campeonato da GP2, onde perdeu para um tal de Lewis Hamilton….

Chegou a hora tão sonhada pelo papai de ver seu filhinho num carro de fórmula 1. Primeiro o guri desdenha a oferta da então Spyker (hoje Force India). Seria perigoso, estrear em uma equipe pequena, sem recursos; poderia manchar sua carreira (diferente de seu pai…). Pouco depois, por intermédio de seu pai, consegue uma vaga de piloto de testes da Renault. Perfeito!!! Nada melhor do que um ano de estágio numa grande empresa antes do início efetivo dos trabalhos; tempo suficiente para adaptar-se a cultura da empresa, das pessoas, do tipo de trabalho, dos desafios.

Chegou a hora do início efetivo dos trabalhos. E os resultados não apareceram como esperados. Para piorar, na comparação básica, o companheiro de equipe é muito mais rápido. E a fritura é inevitável. Com uma responsabilidade enorme, o jovem piloto com sobrenome famoso não consegue entregar para a equipe resultados satisfatórios. E a mídia cobra, a pressão aumenta e seu chefe Briatore normalmente não perdoa.

Não adiantou gerenciamento, paitrocínio, apoio, melhores equipes, ajuda da mídia. Faltou aquilo que sobra nos poucos agraciados a pilotar e vencer num fórmula 1: braço!!!

E o papai Nelson terá que morder a língua. E cuidar nas próximas declarações.

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