Competitividade, emoção, dinheiro. O quê escolher?

Publicado: 15/05/2008 por Crânio em Fórmula 1

O fato mais negativo da corrida turca não apareceu nas câmeras de TV. Aliás, eles raramente apareciam na TV. Mas eles estavam lá nas últimas 39 corridas anteriores ao GP turco. Tinham um verdadeiro lugar de honra nas últimas filas do grid. Vez em quando davam o ar da graça ao estourarem um motor, andarem pela grama ou verem acenadas bandeiras azuis. Acho que ninguém viu mais bandeiras azuis que eles.

Criada como equipe satélite da Honda ao final de 2006, a Super Aguri não teve super-poderes (trocadilho ruim!!!) e sucumbiu. A falta de dinheiro interrompeu a vida desta jovem equipe, que tinha a aparência das equipes “garagem” da década de 80 – dada as devidas proporções. Orçamento 10 vezes inferior ao das grandes equipes compensado por um espírito esportivo 100 vezes superior. Em 2007 conseguiu a proeza de andar na frente da própria Honda, e talvez isto tenha magoado muito os diretores esportivos desta (ou envergonhado). Então a Honda decidiu cortar a ajuda financeira…mas estranhamente não deixou ninguém ajudar, pois haviam grupos interessados em absorver a equipe, administrá-la e mantê-la em atividade. Mas a Honda, como matriz, preferiu ver sua filial ir a falência. No mínimo, estranho.

E o grid da fórmula 1, que no início deste ano deveria ter 24 carros (Prodrive, que a FIA liberou e depois vetou. Vai entender!!??) ficará com 20. É pouco. Para a “principal” categoria do automobilismo é muito pouco. Com poucos carros no grid, há poucos cockpits disponíveis para pilotos novatos tentarem a sorte e mostrarem as suas habilidades. Com poucos carros no grid qualquer acidente já esvazia a corrida.

A fórmula 1, a partir de meados dos anos 90, fez a opção pelo dinheiro. Aos poucos foi trazendo grupos automobilísticos para dentro dos boxes. E foi banindo os garagistas. BMW, Renault e Honda eram fornecedores de motores durante a década de 80, época que mostrou uma categoria extremamente competitiva e razoavelmente imprevisível, o que dava ainda mais emoção às corridas.

Talvez os acidentes ocorridos naquele trágico GP de San Marino de 1994 tenham definido esta opção da Fórmula 1 pelo dinheiro. Grandes grupos automobilísticos não gostariam de estarem relacionados a tragédias em competições e certamente investiriam no desenvolvimento de carros mais seguros. E teriam dinheiro para isto, ao contrário das equipes independentes.

Pesquisas de mercado também mostraram que apenas fornecer motor não gerava retorno de mídia. Ter o nome da equipe seria muito mais vantajoso. Mas apenas para quem conseguir andar na frente! Ou será que a Ford, Chevrolet, Hyundai ou outra grande montadora terá orgulho em exibir seus carros na 25º e 26º posição? Giancarlo Minardi, Enzo Osella, Guy Ligier, e mais recentemente, Alain Prost e Jackie Stewart não tinham este problema. Mas os seus patrocinadores começaram a ter, e não quiseram mais investir. E eles também sucumbiram.

Talvez seja apenas um reflexo da sociedade, que atualmente só valoriza a vitória, não aceitando mais o prazer do desafio e da paixão. Pragmatismo puro e capitalista. Tudo bem, a fórmula 1 sempre foi capitalista; mas está ficando muito chata!

Será que o capitalismo é tão chato assim?

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comentários
  1. BigDog disse:

    respondendo, atrasado, à pergunta do título: dinheiro, que o resto a gente negocia…

  2. Crânio disse:

    Tá, e tu quando vai escrever algo??? Tá só eu e o Alemão e alimentar o blog???
    Abraço

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