Eu perdi o meu medo da chuva

Publicado: 28/04/2008 por Wolfarth em Não há o que não haja!, Um muito sobre nada...

Confesso que saber é um fardo pesado demais, do ponto de vista existencial.

É certo que a ignorância não é uma dádiva ou condição que deva ser perpetuada pelo ser humano, principalmente porque o conhecimento garante algo mais do que a simples sobrevivência, pois possibilita a compreensão científica, cultural e política, estado que faz do indivíduo um cidadão apto a integrar uma sociedade que inclui aqueles que possuem capital ou que sabem sobre algo.

Portanto, não invejo aqueles que nada sabem ou que sabem pouco, principalmente porque entendo que sou um privilegiado por saber bastante sobre os mais variados assuntos, deixando-me sempre mais motivado para saber ainda mais sobre coisas que desconheço. É indescritível a sensação de se descobrir algo novo ou de ter idéias com base na sapiência pura. Um privilégio de poucos.

No entanto, o meu dilema é o de saber que o conhecimento traz consigo uma carga de frustrações, tristezas e revoltas diante da minha impossibilidade de resolver muitos dos problemas que existem e que possuem fácil resolução. E esse paradoxo do saber e estar/ser impotente é que aflige o meu ser.

Agora eu pergunto: o matuto, o ignorante que sabe pouco, quiçá somente sobre o seu humilde ofício, é feliz dentro de sua masmorra existencial? Creio que sim.

E eu, carregando os fantasmas de milhares de gerações por via do conhecimento, trago comigo um fardo pesado que  também será passado para outros seres humanos que, dentro de suas insignificâncias, saberão muito e serão igualmente frágeis para resolver seus problemas, caminhando lado a lado com a loucura.

O certo é que não sabemos se a “realidade” existe ou se é apenas um estágio para uma outra dimensão, uma espécie de plano que não é existencial, mas que é o lugar para onde levaremos o conhecimento de uma forma que seria inexplicável para quem ainda está “neste plano”.

Só assim para que eu me conforme com a mesmice do saber. Caso a ignorância não fizesse diferença em relação ao conhecimento, a existência seria animalesca e nos reduziríamos à vegetais. A evolução do pensamento é perigosa. Não sei onde a humanidade pode chegar…

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comentários
  1. BigDog disse:

    A consciência da própria impotência é um dos maiores fardos de se ter algum conhecimento. O importante é saber que, por maior que ela seja, não está dentro dos limites de nossas forças mudar tudo o que não está certo neste mundo. Feliz da pessoa que consegue se situar tão bem frente a este problema, exatamente como fizeste. Parabéns pelo texto.

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