Requentado do Cachorrão – abril/2008

Publicado: 13/04/2008 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

Se você já leu um requentado antes, provavelmente já deve estar cansado de tanta explicação sobre excesso de trabalho, cansaço permanente e todo o tipo de desculpa que eu acabo criando para não escrever de maneira inteligível e consistente. Não vou enrolar muito este mês, portanto. Foi difícil escrever este requentado, porque não estou exatamente inclinado a comentar discos. Quero mais é dar dicas, e seja o que Deus quiser. Vamos lá?

THE POGUES – Rum, Sodomy and the Lash (1985)
Um disco de música folk irlandesa poderia ter tudo ser uma coisa bem aborrecida e praticamente ninguém, em sã consciência, procuraria um negócio destes para se divertir, correto? Pode até ser, mas no caso deste álbum, por mais estranho e bizarro que possa parecer, a verdade é que o som do Pogues é muito interessante de se ouvir. Parte disso se deve à agressividade natural da banda, característica do movimento punk, mas com bem mais entusiasmo e talento. Na verdade, o crédito da beleza, paixão e energia deste disco em comparação com o primeiro da banda, “Red Roses For Me” se deve à produção de Elvis Costello, que declarou na época que seu trabalho foi muito mais ficar quieto, tentando captar a “glória dilapidada” da banda. Enfim, um disco não só sobre bebedeiras e fanfarronices irlandesas, mas também sobre histórias e personagens do submundo. Vale a pena conferir, mesmo que a primeira vista a idéia não agrade. Nota 7,5.

NATALIE MERCHANT – Tigerlily (1995)
Eu sempre gostei muito da voz da Natalie Merchant, que acho extremamente harmoniosa e madura. Não conhecia o trabalho dela como compositora, até mesmo porque só havia ouvido o Unplugged do 10,000 Maniacs e mais uma ou outra coisa da banda. E foi a performance de Natalie em “Because The Night” da Patti Smith – arrepiante e definitiva – que havia me pego de surpresa. Agora, elas continuam, e muito positivas. Não sabia, por exemplo, que Natalie é uma exímia pianista. O fato é que este álbum é estarrecedoramente belo. Simples assim. Sério mesmo, passa uma tranqüilidade meio melancólica que dá imenso prazer de ouvir. Ainda não assimilei muito bem todas as músicas, mas o fato é que a experiência musical é muito satisfatória. Sabe quando você acaba de ouvir um disco e quase que imediatamente quer colocar do início, para ouvir tudo de novo? Este é “Tigerlily”. Uma das descobertas mais agradáveis dos últimos tempos, comprado, literalmente, a troco de banana em uma loja de discos que estava fechando aqui em Porto Alegre. Imperdível para curtir acompanhado. Nota 8,75.

NEW MODEL ARMY – Thunder And Consolation (1989)
O New Model Army é uma banda punk, mas no bom sentido da coisa. Digo isso não para ofender, mas o caso é que tem muita gente por aí se intitulado punk, quando na verdade apenas não sabe tocar. Esses caras não, são extremamente bem entrosados e tocam um som simples, sem, contudo, ser simplório e/ou tacanho. Não é a toa que a banda está há tanto tempo na estrada, sendo extremamente respeitada nos circuitos underground, seja pela força das suas posições políticas, seja pela imensa identificação com a classe operária, da qual são todos oriundos. “Thunder e Consolation” foi, durante muito tempo, uma verdadeira “touca” na minha vida, porque o máximo que eu havia conseguido era uma fita cassete – no tempo que isso ainda existia – muito mal gravada por um colega de aula. Apesar da forma tosca de ouvi-lo, o álbum marcou muito a minha vida e meio que definiu o que eu iria ou não gostar depois. Só fui ouvir o disco inteiro e sem chiados depois de uma visita à Galeria do Rock em São Paulo, onde consegui a versão original da obra, com direito a CD bônus. E valeu cada centavo. Um senhor disco, com destaque para as faixas “Green And Grey” (que eu ouço sem parar) e “Vagabonds”. Muito bom e indispensável para quem quer entender o que aconteceu no mundo antes do “movimento” grunge. Nota 8.

HOOTIE AND THE BLOWFISH – Hootie And The Blowfish (2003)
O Hottie And The Blowfish já foi uma banda muito influente e reconhecida, especialmente no circuito do College Rock, aquele rock feito por e para universitários nos Estados Unidos. Já surgiram dessa forma inúmeras bandas, a mais famosa delas o R.E.M., que até assinar com uma major gravava seus discos pela pequena IRS, sediada em Athens, terra natal da banda. Depois você já sabe, portanto não preciso dar maiores detalhes. No caso do Hottie, entretanto, os caras simplesmente não conseguiram fazer a transição do meio acadêmico e intelectualóide para o mainstrem. Embora contratados pela Atlantic e fazendo muito dinheiro, a ponto de passar o maior tempo jogando golfe e freqüentando o jet-set, o que havia de positivo em discos como “Cracked Rear View” e “Musical Chairs” – refrões poderosos cantados em coro e belas melodias – está se transformando, aos poucos, em um demérito da banda, que quer fazer isto o tempo todo e acaba, com o perdão da expressão, enchendo o saco do ouvinte. Este disco é o pior da banda que eu já ouvi, e duvido muito que vá me interessar por outro. Se você não tinha a boa impressão da banda que eu carregava antes de cometer a besteira de colocar esta bolachinha no CD player, certamente irá achar intragável de cara. Evite, portanto. Nota 3, sem choro nem vela.

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comentários
  1. Crânio disse:

    como faço para escutar estes discos? tens alguma indicação de site em que possa escutá-los ou vou ao emule?

  2. BigDog disse:

    Faz assim: vamos marcar churrascos com mais freqüência, e a gente ouve durante a carninha amiga… Que tal?

  3. Crânio disse:

    masssss ahhhhhhhh
    feitoooooooo

  4. Felipe Wolfarth disse:

    Feito! Assembléia da ABRIC já! Cervejada em nóis! É nóis na fita, mano!

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