Almanaque do Planeta Diário

Publicado: 05/04/2008 por BigDog em Ler é uma perca de tempo

Antes de se tornarem os idiotas da piada de gaúcho gay e do baiano vagabundo, Hubert e Reinaldo, do Casseta e Planeta editavam, juntamente com Cláudio Paiva, um jornalzinho que era um tanto quanto marginal em sua época, o Planeta Diário, fazendo um humor escrachado e muito mais fértil do que o atual material apresentado em rede nacional via plim-plim. Na era pré-internet, em plenos anos oitenta, não havia muitas opções de entretenimento e consumíamos o que chegava às mãos, especialmente as publicações do Angeli – quem nunca comprou uma Chiclete com Banana que atire a primeira pedra -, Glauco, Laerte e a Circo, um combo de diversos cartunistas nacionais, capitaneados pelo Luiz Gê. Na verdade, acho que não só a falta de opções fazia com que o material publicado tivesse uma melhor qualidade, mas também o fato de estarmos saindo de um processo longo e doloroso de censura criou uma certa demanda reprimida de gente que buscava a sátira não apenas pela risada, mas também para aliviar as tensões da crise econômica e política que sucedeu ao pessoal da farda. Nesse contexto, as piadas totalmente non-sense do planeta diário eram puro deleite para quem queria dar algumas risadas às custas do próprio sofrimento. Claro que já naquele tempo havia muita besteira gratuita, mas ela até fazia sentido, porque antes não havia sequer a possibilidade de colocar um apelido em algum político sem correr o risco de ter de ir prestar explicações nos órgãos de censura. Hoje, entretanto, algumas coisas que provocavam gargalhadas soam um pouco ingênuas até, puro reflexo da pouca familiaridade dos humoristas com um quadro de total liberdade de opinião. Lendo esse almanaque, você vai descobrir que existe vida inteligente adormecida em algum canto do Casseta e Planeta, que talvez um dia volte à tona. Vai saber também que o cantor Nelson Ned chegou a integrar o grupo Menudo, que em um determinada disputa eleitoral candidatos epiléticos se debateram na TV e que a falta de ovos no mercado causou desespero em diversos puxa-sacos de plantão. Enfim, um amontoado de bobagens, a maioria sem o menor sentido, porém bem mais engraçado do que o gaúcho gay e o baiano vadio.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s