Errado quem, cara pálida?

Publicado: 28/03/2008 por BigDog em Não há o que não haja!, Um muito sobre nada...

Um dia desses, indo para o trabalho, passei por um ex-colega do segundo grau que era considerado o mais promissor, o amigo de todos, enfim, ‘o cara’. Se tivesse vivido em um filme americano com baile de formatura no final – você sabe do que eu estou falando, vai dizer que nunca assistiu “A Garota de Rosa Shocking“? – certamente seria o rei do tal baile, o sujeito mais popular da escola. Da minha parte, sempre tive complexo de vira-latas, me achando inadequado para praticamente todos os tipos de situação, fossem sociais, esportivas ou ecumênicas. Com as meninas, então, uma verdadeira negação. Tenho páginas e páginas de linhas mal-traçadas para provar. Em um determinado período, cheguei a imaginar que nunca teria uma namorada e acabaria meus dias sozinho e infeliz, reclamando do leiteiro, do padeiro e de quem mais tivesse o infortúnio de bater à minha porta.

Meu horário de trabalho não é exatamente o que se pode chamar de madrugada, e nessa ocasião já passava bastante das nove da manhã, quando a maioria das pessoas já está em seus locais de trabalho há um bom tempo, fazendo todas aquelas tarefas que alavancam o progresso deste país, ou seja, lendo feed de notícias e tomando bules de café. E meu colega de bermuda, sobre um skate velho, parecendo em férias. Mais tarde, conversando com outro amigo em comum, fiquei sabendo que ele ainda mora com os pais, não concluiu nenhum curso superior e passa a maior parte do dia na academia. Ou seja, permanece na adolescência.

Essa postura pode ser encarada sob dois enfoques. O primeiro, e mais óbvio, é o senso comum, ou seja, a análise do comportamento da pessoa em relação ao que se espera dela na nossa massacrante sociedade capitalista. Nesse aspecto, é possível dizer que a vida dessa pessoa em particular é um total desastre, porque sem emprego, renda e responsabilidade o camarada não passa de um fracassado, e ponto final. Assim, é muito fácil dizer que as expectativas se frustaram e, num clichê medonho, que as promessas não se confirmaram. Em resumo, ser ‘o cara’ no colégio não te assegura nada, e até o mais esquisito e loser membro da turma pode conseguir alguma coisa melhor que você. O segundo – o que me preocupa – é o da vitória pessoal sobre a obviedade. Será mesmo que o fato de ainda permanecer na adolescência é uma mácula na vida da pessoa? Quero dizer, e se nós todos estamos errados, fazendo coisas que não queremos em horários que não nos apetecem, apenas para poder bater no peito e nos dizer produtivos e importantes? Não sei, mas as rugas no meu rosto e os cabelos já ficando prateados, sem falar na evidente falta de forma física, não são uma vitória pessoal muito evidente. Pode parecer bobagem se preocupar com este tipo de coisa, mas acho que o período em que se vive é muito menor do que aquele em que apenas se subsiste. Criamos paliativos, hobbies esdrúxulos e supostos prazeres da vida adulta, mas eu tenho certeza que queríamos, a imensa maioria, estar andando de skate sem maiores preocupações.

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