Eu não gosto de ONG

Publicado: 18/02/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Outro dia recebi uma mala direta de uma ONG pedindo doações para ajudar a eliminar o problema dos animais de rua. Com todo o respeito que mereçam as pessoas que, voluntária e desinteressadamente, trabalham nestas organizações por puro idealismo, devo dizer que eu não dou um centavo para ONG nenhuma, sob nenhum pretexto. Eu não gosto de ONG, acho o fim da picada existir o chamado “terceiro setor” e não quero nem saber quais são os objetivos que movem essas iniciativas. Ok, você deve estar pensando que eu sou maluco – e não vai estar errando muito – mas deixa eu dar a minha opinião.

Primeiro, acho que qualquer iniciativa que conte com aporte de dinheiro público para funcionar é uma grande porta aberta para a picaretagem. Tudo bem, existe inúmeros grupos bem intencionados que trabalham por puro diletantismo fazendo algo que acreditam ser importante para resolver um ou outro problema social. Mas o fato é que, conforme reconhecido no próprio site da ABONG, uma das principais fontes de captação de recursos das ONG consiste no estabelecimento de parcerias com o setor público. E todo mundo sabe que no Brasil dinheiro público é sinônimo de dinheiro sem dono, que pode ser usado para qualquer finalidade sem a menor preocupação ética/moral. Se o Estado não se mobiliza para resolver problemas de sua área de atuação, não deve ser despejando dinheiro em entidades cujas pessoas não almejam lucros – até certo ponto, porque tem muita gente empregada em ONG ganhando bons salários – que a questão fica resolvida. É mais ou menos como reconhecer a incompetência e passar adiante a batata quente, alegando que o problema foi resolvido. E acho que ninguém que não seja do meio pode apontar uma forma eficiente de fiscalização da aplicação destes recursos. Ou seja, se deixarem a bolsa da Viúva no banco do parque, cedo ou tarde alguém vai levar.

Segundo porque, mesmo quando não é o caso de dinheiro público envolvido, acho que os objetivos das ONG nem sempre se justificam e, em certos casos, podem gerar problemas maiores do que aqueles que buscam resolver. Já vi ONG para cuidar de animais de rua, ensinar computação básica e até para divulgar a “cultura popular”, ensinando a crianças as batidas dos axés e timbaladas da vida, com a desculpa de que isso as mantêm fora das ruas e da influência de traficantes e bandidos. Mas uma vez com todo o respeito, o Brasil não precisa de mais percussionistas e digitadores. Precisamos, urgentemente, de conhecimentos de informática avançada, matemática aplicada, biologia e medicina de ponta, enfim, precisamos formar profissionais capacitados e competitivos para enfrentar os desafios científicos de igual para igual com os demais países do mundo. Cada nova criança saída de uma ONG com um certificado de operador de computador é mais um desempregado em potencial e a atuação da entidade só colaborou para empurrar o problema para a frente. Aliás, como tudo neste nosso Brasilzão de meu Deus.

Os argumentos contrários são muitos, como não poderia deixar de ser, e vão desde “pelo menos estão fazendo alguma coisa” até “não dá para resolver tudo ao mesmo tempo”. Concordo com o fazer alguma, mas que pelo menos seja na direção correta. Não dá mais para tapar buraco com besteiras, precisamos de reformas profundas em todos os níveis, inclusive na zona que virou o erário. Sem isso, sinto muito, mas não vai ter ONG que resolva!

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