Requentado do Cachorrão – janeiro e fevereiro/2008

Publicado: 17/02/2008 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

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É não é que, sendo obrigado a fazer exercícios, o camarada acaba ouvindo muito mais música? Sim, porque ou é isso ou assistir a Ana Maria Braga, participando de acaloradas discussões sobre calorias, massa magra, percentual de gordura e aquele bendito biscoito recheado que você comeu escondido no dia anterior. Muito clara a escolha, certo? O mais legal nessa situação é escolher discos novos ou aquelas pérolas esquecidas, para que a mente se sinta satisfeita (re)encontrando algum prazer enquanto o corpo padece. Quando vi, estava pronto para voltar a escrever o requentado, que mesmo atrasado – e desde quando requentado tem hora? – volta em 2008. Aproveite!

SUGAR – Copper Blue (1992)
Nascido das cinzas do Hüsker Dü, uma das bandas que inspirou o pessoal do grunge no fim dos anos 80 e início dos 90, o Sugar é um projeto pós-carreira solo do vocalista/guitarrista Bob Mould, com David Barbe no baixo e Malcolm Travis na bateria. Desde o final do Hüsker Dü, Mould andava meio raivoso e ressentido, lançando discos erráticos que, certamente, quase ninguém ouviu. Particularmente conheço apenas uma ou duas músicas desta fase, e já está mais do que bom. Com o Sugar a idéia era colocar as peças no lugar, diminuindo o tom agressivo dos trabalhos anteriores, certamente um amadurecimento musical e pessoal. O grande problema desta retomada foi ter sucedido à onda grunge, com o Nirvana e seu onipresente “Nevermind” à frente. Se o Sugar tinha uma proposta mais madura e bem resolvida, o público pareceu preferir o grito gutural e desesperado de Cobain e companhia. Por isso, este álbum ficou meio perdido na poeria do tempo, o que não deixa de ser um mérito. Na minha opinião, um disco excelente, que vale ser ouvido muitas e muitas vezes. Sobrevive com facilidade ao teste do tempo e ainda soa atual, moderno e instigante. O mesmo não se pode dizer de seus contemporâneos. Ou alguém ainda tem paciência para ouvir “Smells Like Teen Spirit”? Eu, fora! Nota 8,7.

THE SUGARCUBES – Life’s Too Good (1990).
Se você não lembra, antes de ser essa megastar queridinha do povo hype e modernoso, Björk foi vocalista de algumas bandas islandesas, entre elas o K.U.K.L., que chegou a ter algum reconhecimento na Europa, e o Sugarcubes, esta sim uma banda arrasa-quarteirão, vendendo milhões de discos e aparecendo em grande escala na mídia, especializada ou não. Foi maravilhoso ver e ouvir pela primeira vez aquela artista exótica e linda (tudo bem, na adolescência é difícil não achar qualquer mulher linda) cantando, com toda a força de seu pulmão, melodias estranhas e certamente deslocadas do que estávamos habituados a ouvir. Além disso, a banda tinha uma postura provocativa que chamava atenção, principalmente nas letras amalucadas e surrealistas. “Deus”, assim mesmo, em latim, é uma das faixas mais descaradas do pop mundial, lançando farpas contra as instituições políticas e os governos que as adotavam ou seguiam. Às vezes a banda erra feio na mão – caso das faixas “Blue Eyed Pop” e “Sick For Toys” – e nem a voz e o encantamento primitivo de BJörk salva a pátria. Isso sem mencionar a tortura que é aturar o vocalista/trompetista Einar Örn, um sujeito que deveria ter ficado lavando pratos em algum café de beira da estrada na Islândia. Na média, dá para se divertir com o disco, embora algumas de suas idéias já tenham sido exploradas à exaustão na carreira solo da Björk. E eu simplesmente não tenho mais paciência para a Björk. Nota 6,5.

MORPHINE – Cure For Pain (1993).
Um grupo que mescla blues e jazz em arranjos tipicamente roqueiros, tocados por baixo, saxofone e bateria, merece, definitivamente, respeito. O Morphine apresentou essa proposta, posteriormente chamada “low rock” no início década de 90 e foi aclamado pela crítica quase que instantaneamente. Não é para menos, porque os dois primeiros discos da banda (“Good” foi o primeiro, lançado em 1992) são daquelas poucas coisas que se pode chamar de “inovadoras” nos dias que correm. Sim, meninos, a som do Morphine é algo único, que dificilmente será repetido ou melhorado. Todos eram músicos talentosíssimos, e o baixo melódico de Mark Sandman, vocalista da banda, chega a soar quase terno em algumas passagens, uma qualidade que eu só havia visto antes no velho Macca. Como era de se esperar, o sucesso com o público foi ínfimo, e a banda, afundando nas drogas, noitadas e bebedeiras, foi perdendo seu rumo até que Sandman caiu morto por um ataque cardíaco durante um show na Itália. A banda rapidamente se dissolveu e deixou para trás os cacos do que pode vir a ser uma lenda. No futuro, talvez os novos roqueiros vejam na proposta sofisticada e jazzy do Morphine uma saída para a estagnação do gênero como um todo. Até lá, ouça esse álbum e tenha esperança! Nota 9.

PORCUPINE TREE – Lightbulb Sun (2000).
Acho que foi no primeiro Requentado que escrevi sobre o álbum “Fear of a Blank Planet”. Na verdade, não escrevi, pedi licença ao leitor para dizer putaqueosparil! Isso porque aquele disco pode ser elogiado por horas, com todos os chavões e lugares comuns da crítica musical, de pungente e inovador, a melódico e pesado, coeso, etc… Não quis gastar o tempo do leitor, portanto. Impressionado com aquele petardo, fui exercer o velho hábito de percorrer a história das bandas de trás para frente, ou seja, normalmente vou atrás dos discos mais antigos e, só depois, formo opiniões. No caso do Porcupine Tree, devo dizer que a pesquisa deve terminar por aqui. Se “In Absentia” (2002) e “Deadwing” (2005) são bem legais de se ouvir, embora não se comparem com “Fear”, o mesmo não pode ser dito deste aqui. E, para poupar o leitor, vou ser econômico mais uma vez: evite! Disco com percussão e cordas indianas só o “Sgt. Peppers”, e isso porque é o “Sgt. Peppers”. O resto é petulância. E tenho dito. Nota 3.

No início falei em novidades, mas agora me dei conta que só constou velharia. Na verdade, tá difícil, viu?!?! Ou eu estou ficando velho e mal-humorado. Ou é falta de açúcar refinado e pão branco… Em qualquer caso, era o que tínhamos para o momento. Até março.

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