Começou a temporada de reprodução do pardal!

Publicado: 11/02/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Não há o que não haja!

Recentemente, foi apresentado pelo Ministro da Justiça, Tarso Genro, um pacote de alerações nas regras do Código Brasileiro de Trânsito, que incluem o aumento do valor das multas, a alteração de categorias de infrações, a tipificação de alguns crimes de trânsito – entre eles, ser flagrado duas vezes no mesmo ano em velocidade 50% (cinqüenta por cento) superior ao limite máximo permitido na via – e outras medidas de menor impacto. Pretende, assim, reduzir o número de acidentes nas estradas brasileiras, sob o pretexto de que há uma escalada irrefreável de vítimas nessas ocorrências. Algumas destas medidas já se encontram em vigor, por força de medida provisória editada pelo Supremo (des)Mandatário. Todos os dias, vemos manchetes e mais manchetes divulgando o aumento do número de acidentes, de mortos e feridos, e somos levados a pensar que vivemos uma verdadeira selva nas estradas. Mas será que é isso mesmo? Eu acho que não necessariamente.

De fato, toda essa celeuma diz respeito ao aumento do número absoluto de vítimas em acidentes. “Em 2005 tivemos tantas vítimas, mas em 2006 foram mais “x” por cento, num total de tantas”. Posso estar errado, mas não há como fazer que em um ano ocorram menos acidentes com vítimas – em números absolutos – do que o anterior, pelo simples fato de que, ano a ano, as montadoras colocam no mercado milhares de novos veículos, sem que os antigos sejam retirados de circulação na mesma proporção. Ora, se temos apenas no Rio Grande do Sul mais de 200.000 carros a mais em circulação por ano, é evidente que os acidentes, com ou sem vítimas, vão aumentar, porque se trata de mera questão estatística. O que importa é o número relativo, ou seja, a porcentagem de vítimas por grupo de automóveis, não parece lógico? Só que essa estatística, embora exista, nunca é divulgada porque não atende aos interesses arrecadadores dos órgãos fiscalizadores do trânsito. Se você quer mesmo saber, o número de vítimas fatais e não-fatais no Rio Grande do Sul vem diminuindo proporcionalmente ano a ano, ou seja, não há um incremento da violência no trânsito, apenas um aumento do próprio trânsito. Não sou eu quem está afirmando, é o próprio DETRAN/RS!

Claro que não estou aqui defendendo a falta de fiscalização e de punição aos motoristas infratores. O que não dá para suportar é que, passados os feriados prolongados de natal, ano novo e carnaval, quando a Polícia Rodoviária Federal fez um esforço maciço no combate aos abusos – o que é de todo elogiável -, o que irá sobrar disso tudo é o novo pardal instalado na estrada, registrando automaticamente a velocidade de todos os carros e autuando em série os motoristas incautos que passam sem perceber sua presença. Beneficiando, em última análise, quem conhece bem o caminho e sabe aonde “tirar o pé” para evitar a multa. Nos demais trechos, pode andar a qualquer velocidade, bêbado, ultrapassando por qualquer lado, falando no celular, que ninguém irá ver. Esse é o fim que se espera: aumentar a arrecadação com o mínimo de trabalho, com o argumento cínico de que não podemos continuar tolerando a batalha do trânsito. A indústria da multa tem um marketing muito poderoso.

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