Não teve preço

Publicado: 08/02/2008 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

BRASÍLIA – Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta sexta-feira, a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, decidiu deixar o governo para se defender das acusações de uso ilegal de cartões corporativos.

A ministra informou ao deixar o cargo que demitiu Carlos Eduardo Trindade, Subsecretário de Planejamento e Informação; e Antônio da Silva Pinto, assessor especial da ministra. Segundo Matilde, os assessores a teriam orientado a utilizar o cartão corporativo do governo para pagar despesas com viagens, alimentação e locação de carros para transporte.

Particularmente, acho que essa história toda do cartão corporativo decorreu simplesmente de um mero erro de avaliação da ex-ministra. A criação do Ministério da Igualdade Racial (nem sei se o nome está correto, mas você entendeu) é uma daquelas medidas meramente demagógicas tomadas pelos sucessivos governos para aumentar sua popularidade e assegurar alguns votos a mais nos próximos pleitos. É um mecanismo bem simples: pega-se uma questão em relação a qual ninguém poderá tecer nenhuma crítica (ou alguém pode ser contra o fim do racismo?) e cria-se um cabide de emprego qualquer, com meia dúzia de assessores e uma sala própria em algum lugar, pagando-se nababescos salários de CC a algum correligionário estrategicamente indicado para desempenhar a função. Via de regra, estas pessoas devem ficar quietas e, regularmente, apresentar alguma proposta ou material promocional de suas ações, apenas para serem lembradas e valorizar a indicação para uma posto de trabalho remunerado pela Viúva. O problema, é que dona Matilde resolveu fazer alguma coisa com seu ministério, e saiu país a fora gastando o que não devia em cartões corporativos fornecidos pela União, ao invés de assumir seu papel inócuo e dispensável. Sim, dispensável, ou não temos um Ministério da Justiça e uma Polícia Federal estruturados, inclusive com seções especializadas em assegurar a dignidade da pessoa humana? Ou já não temos o Ministério da Educação trabalhando em ações de inclusão dos negros nas universidades federais e assim, futuramente, no mercado de trabalho? Dona Matilde não reparou que sua função era meramente decorativa e eleitoreira. Só acho difícil acreditar na explicação de que “não sabia de nada, foram os assessores”. Qualquer criatura medianamente inteligente sabe que dinheiro público não deveria – veja bem, não deveria – ser esbanjado dessa forma.

Por outro lado, penso que não deve haver investigação criminal e tentativas de responsabilização da ex-ministra pelos atos praticados, ainda que, ao contrário do que o governo Molusco I apregoa, não se trate de mera questão ética, mas de crime, puro e simples. Dona Matilde não deve ir para a cadeia, em hipótese alguma, exclusivamente porque, frente ao mar de negociatas, desvios de dinheiro, corrupção e roubalheira, sua penalização terá o único condão de confirmar aquilo que seu ministério busca combater: o racismo. Afinal, não é uma das máximas perversas deste país que apenas vão presos os negros e os pobres?

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