Agora, só à bala.

Publicado: 13/09/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

canalheiros.jpgO povo brasileiro recebeu um recado muito claro no dia de ontem. Esse recado veio da mais alta casa legislativa do país, o Senado Federal, cujas funções institucionais incluem a cassação do mandato do presidente da República em caso de impeachment, a sabatina de ministros indicados para o Supremo Tribunal Federal e do indicado para presidente do Banco Central, a aprovação de matérias de relevante interesse nacional, entre tantas outras de vital importância para o funcionamento do sistema político. Em uma palavra, nos disseram os senadores desta legislatura: DANEM-SE. Alguns até colocaram um ponto de exclamação no final da curta e dura sentença, porque tiveram o topete de defender publicamente a absolvição de Renan Calheiros de todas as acusações que lhe foram imputadas e, salvo ledo engano meu, estão mais que comprovadas. Outros, mais cautelosos e se aproveitando da votação secreta, se limitaram a votar contrariamente ao relatório da comissão de ética, mas nem por isso deixaram de assinar embaixo a missiva que nos foi remetida. A partir de hoje, estão absolutamente liberadas todas as maracutaias, negociatas com dinheiro escuso e a promiscuidade com a iniciativa privada. Enfim, acabou-se o tão falado e pouco definido “decoro parlamentar”. Ao que tudo indica, não haverá mais punições por condutas incondizentes com o cargo relevante por eles ocupado, e está autorizada a total falta de parâmetros éticos e morais. Tal descalabro já havia sido sinalizado por ocasião da absolvição de inúmeros deputados mensaleiros, inclusive com direito à “dança da pizza”, como ficou conhecido aquele tresloucado rebolado da ex-deputada (com a graça de Deus) do PT Ângela Guadagnin.

Não sou daqueles que defendem a idéia de que o país vive o pior momento de sua história no que se refere à corrupção desenfreada que assola todos os níveis e esferas de governo. Tenho plena consciência que inúmeros desses escândalos agora sob os holofotes são decorrentes de décadas de planejamento e implementação. Alguns desses esquemas remontam ao tempo das capitanias hereditárias e talvez sejam praticamente impossíveis de quebrar. A exposição atual decorre, única e exclusivamente, do fato de o PT ter deixado a oposição, de onde exigia, engendrava e fazia acontecerem, atos de fiscalização explicita, tais como CPIs e afins, que só não eram praticamente permanentes em razão da obstrução dos então partidos governistas. E, sob vaia, os deputados e senadores do PT acusavam resultados espúrios, falta de interesse na apuração dos fatos e arranjos políticos para que responsabilidades não fossem apuradas. Agora, subtraída essa força fiscalizadora, o que nos resta? Nada. O PT está fazendo um papelão histórico, simplesmente porque age de acordo com códigos de conduta que sempre condenou. Senadores do partido foram articuladores da absolvição do presidente do Senado, principalmente Ideli Salvati (PT/SC), que atuou em prol de Renan quase tão fielmente quanto este – macaco velho e escolado no jogo dessas trapaças – tentava evitar a cassação do presidente Collor. E tudo isso por quê? Simplesmente porque Renan, na qualidade de presidente do Senado Federal, provavelmente tem na palma da mão diversos ocupantes de cargos de alto escalão do governo Molusco I, o infindável, que certamente ordenou à sua tropa de choque a defesa do comparsa.

Não se engane, prezado leitor, por trás de tudo isso há muito mais do que sonha nossa vã filosofia. Escapar impune é apenas o primeiro deboche de Renan Calheiros. Para evitar outro vendaval como o provocado pelo deputado Roberto Jéferson, teremos que assisti-lo, ainda, presidindo o Senado como se nada tivesse acontecido e rindo muito à nossa custa. Pessoalmente, acho que ele não passa de um pobre coitado, um dos tantos nanicos morais que o eleitorado brasileiro faz questão de deixar ingressar em um ambiente ao qual definitivamente não deveriam pertencer: a alta cúpula da administração federal. Não tenho a menor dúvida de que qualquer outro senador exerceria as funções de presidente do Senado com igual ou superior desempenho. Mas não é esse o caso. O que realmente importa é que, comparsas que são, todos eles permaneceram inertes, esfíngicos em seus cargos. E nós que nos danemos. Às armas, que é o que nos resta. O sistema democrático que todos sonharam – quase um natimorto – está definitivamente sepultado.

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comentários
  1. Felipe Wolfarth disse:

    Esse é um belo tema para a próxima assembléia da ABRIC.
    Democracia? Prefiro um militar… Será mesmo?

  2. Felipe Wolfarth disse:

    Falando nisso, que horas no dia 19 ?

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