Requentado do Cachorrão – agosto/2007

Publicado: 09/09/2007 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

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Uh-oh! Headache!!! Tanto a fazer e tão pouco tempo. Tantas coisas pendentes e tão poucas soluções. Tanto a dizer e tanto cansaço para encontrar as palavras. Mais um mês se passou e muita correria. Cães sarnentos e loucos errantes. Terra do desperdício adolescente. Mais e melhores blues. Outro requentado saindo do forno. Menos ingredientes, mais confusão. Dá para aumentar o dia para 28 horas? O do Jack Bauer dura meses, não é justo. Uh-oh! Headache!!! Fiquei maluco? Talvez, mas Caê faz isso há anos e todo mundo acha genial.

IRON AND WINE – The Creek Drank the Cradle (2002)
Um sujeito se tranca em sua própria casa e fica compondo, usando seu violão e eventualmente um banjo ou uma slide guitar, gravando e produzindo, faixa a faixa, pequenas canções folks, coisas muito parecidas com o que faziam Simon & Garfunkel, Neil Young e Bob Dylan. Com a diferença que o camarada em questão, Sam Bean, não está nem um pouco preocupado em vender discos, porque já entendeu que nos dias atuais não adianta se preocupar com esse tipo de coisa. O que importa mesmo é cantar o que se gosta, do jeito que se quer. Tanta despretensão tem dois resultados previsíveis: uma grande porcaria ou algo belo e autêntico. Obra de arte? Às vezes, mas definitivamente não é o caso aqui. “The Creek Drank The Cradle” é um disco excelente para ser ouvido despretensiosamente, deitado na rede ou atirado embaixo de uma árvore. Relaxando, enfim. Música agradável, desencanada e sincera. E ainda tem gente que prefere o Jack Johnson. Nota 8 (sóbrio). Meio bêbado, 8,4.

JOE STRUMMER AND THE MESCALEROS – Global a Go-Go (2001).
Quando o The Clash começou a flertar com o reggae, ska e outros ritmos caribenhos, a malta punk londrina simplesmente enlouqueceu. A banda, que já tinha assinado com uma major, foi rotulada de “traidora do movimento”, bobagem sem fim que até hoje ecoa como ofensa irremediável. Vide a rixa do João Gordo com o bobalhão do Dado Dolabella. O que passou batido naquela oportunidade foi o mentor por trás daquela inovação do som punk e do rock como um todo. Depois do Clash, inúmeras bandas desbravaram novas possibilidades a partir da fusão com tais ritmos e estrutura musical. A lista é infindável e vai de Police a Paralamas do Sucesso. Créditos sonegados a Strummer, morto em razão de uma doença cardíaca congênita no ano de 2002 (e não de overdose, como dizem por aí). A verdade é que, com parcimônia, o uso desses elementos musicais acrescenta novas cores ao rock e pode ser extremamente agradável de ouvir. É o caso deste álbum, permeado de levadas de reggae e ska sem, contudo, ser tão chato quanto um álbum desses gêneros. Ou seja, os mescaleros acertaram a mão e cometeram um disco excepcional, que deveria ser melhor reconhecido. Particularmente, acho muito prazeroso ouvir uma banda tocando com gana e, ao mesmo tempo, se divertindo tanto. Não sei se é o efeito do mescal, mas o fato é que dá para sentir os sorrisos e olhares de cumplicidade que ecoam por todo o disco, como se toda a banda soubesse o que realizaria. Não dá para ignorar um álbum tão contagiante, instigante e atual quanto este. Pena Strummer ter morrido tão-logo encontrou, finalmente, o som definitivo que procurava. Coisas da vida. Nota 9,2.

CASIOTONE FOR THE PAINFULLY ALONE – Etiquette (2006).
Na década de oitenta era até engraçada a piada musical criada pelo Trio, que consistia na utilização de um tecladinho Casio como instrumento principal em todas músicas. Por trás do deboche daquela banda havia caras inteligentes que sabiam como criar coisas absurdamente pegajosas e impossíveis de serem esquecidas (dá-dá-dá, tarara-ra-ram…). Aqui, por outro lado, temos mais um sujeito recluso em sua casa mas que, ao invés de ficar mexendo em instrumentos musicais – teclado Casiotone é instrumento musical? – deveria ter-se trancado no banheiro com uma playboy, porque o resultado deste exílio musical foi uma retumbante porcaria. Sério, não há palavras para descrever um disco tão, mas tão ruim quanto este. Não sei como alguém pode ouvir essa porcaria e continuar feliz e confiante na vida e no ser humano. Um mundo que cria um negócio tão ridículo quanto este e os outros discos de Owen Ashworth, o onanista em questão, está definitivamente perdido e fadado à destruição. Nota 0,1 (porque eu estabeleci o critério de que não daria zero para ninguém).

BJÖRK – Volta (2007).
Eu não tenho mais saco para ouvir Björk. Simples assim. Tudo tem limite, até a criativa estranheza da islandesa. Ser moderno em algum ponto da história não autoriza uma pessoa a ficar, ad nauseam, cometendo sempre o mesmo disco, com as mesmas idéias. Chega uma hora que o entusiasmo some, o encanto se perde e o vigor desvanece. É exatamente o caso. Se você ficou deslumbrado com “Debut” e achou excelente “Post”, mas começou a desconfiar ali pelo “Homogenic”, saiba que não está sozinho. Há muitos de nós, enfarados e desconfiados. Um disco dispensável, gratuito e totalmente datado. Certamente pouca gente vai concordar comigo, insistindo em que se trata de um excelente álbum. Mas isso é causado unicamente por ser um disco da Björk, teoricamente inatacável, e pela vontade de parecer moderninho. Em outras palavras, chegou a hora de pendurar as chuteiras, amiga. Obrigado por tudo. Nota 2.

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