Requentado do Cachorrão – junho e julho/2007

Publicado: 29/07/2007 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

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É, passaram-se dois meses desde o último requentado, e não consegui sequer explicar os motivos da minha ausência momentânea do meio blogueiro. Excepcionalmente este final-de-semana, com alguma folga, tive tempo para colocar em ordem alguns pensamentos soltos e publicar alguns textos (mais ou menos) decentes. O que acontece é que estou no meio de um verdadeiro turbilhão de trabalho. Depois de muitos anos fazendo uma função, finalmente obtive o reconhecimento necessário e fui designado para exercê-la em caráter permanente e exclusivo. Ou seja, finalmente faço o que mais gosto, sozinho, por minha conta e risco. Tenho uma sala só para mim, onde reina o silêncio e tudo fica organizado do meu jeito. Claro que com isso tudo vem uma responsabilidade gigantesca, mas o caso é que não tenho medo da responsabilidade. Minha vida profissional está muito melhor agora, apesar de estar lutando de maneira quase insana para colocar o serviço em dia. E isso não é fácil, já que o atraso é de mais de quatro meses agora. Fico feliz com essa média, entretanto, porque quando fui designado havia coisas a fazer desde setembro/2005. Poucas, mas havia. Assim, dá para imaginar que não tenho tido tempo nem disposição para ouvir muita música. Quero mais é chegar em casa e dormir. Mas deu para curtir uma ou outra coisa, que eu indico abaixo.

THE SMASHING PUMPKINS – MACHINA II / The Friends and Enemies of Modern Music (2000).
Durante as gravações do álbum “MACHINA / The Machines of Gods”, Billy Corgan ambicionava lançar outro CD duplo, algo tão bombástico quanto “Mellon Collie and the Infinite Sadness”. A banda estava a pleno vapor, o baterista Jimmy Chamberlain havia retornado e, com sua formação original, os Pumpkins tentavam retomar sua veia criativa e o sucesso de crítica e público obtidos com os trabalhos anteriores à saída de Jimmy. Mas, preocupada com a vendagem ridícula do demasiadamente soturno e irregular álbum “Adore”, a gravadora da banda não se dispôs a arriscar o lançamento de um disco que poderia tanto ser um retorno triunfal quanto um fiasco absoluto. Por isso, “Machina” foi um CD simples e as sobras de estúdio guardadas para um futuro lançamento, ou como parte integrante do disco original ou como um novo CD. Como as vendas também não foram satisfatórias, a Virgin resolveu rescindir definitivamente o contrato dos Pumpkis, e Billy, magoado e ressentido, fez o impensável: lançou, de forma independente, a continuação do último disco em vinil, sendo três compactos e um álbum duplo. Destes, foram produzidas apenas vinte e cinco cópias, distribuídas a amigos pessoais e fãs ardorosos da banda, com a instrução de que o material fosse, na medida do possível, disponibilizado para o maior número de fãs possível. Esta é a mítica deste MACHINA II / The Friends and Enemies of Modern Music, que contêm no próprio título a impressão final de Corgan e da banda sobre as grandes gravadoras. Os arquivos mp3 podem ser adquiridos facilmente na rede, e eu recomendo esta fonte aqui. Vale a pena? Não sei, ouça e tire suas próprias conclusões. Claro que o material é tosco, algumas faixas não chegaram sequer a ser finalizadas, a mixagem é sofrível e a transposição do vinil para os arquivos digitais certamente cobrou o seu preço. Mas algumas idéias musicais são bem interessantes, e vale a pena pelo menos ouvir algumas vezes. Destaques para “Vanity”, “Lucky 13” e a versão inicial de “Try try try”, que eu até prefiro em relação àquela oficialmente lançada em CD. Enfim, diversão assegurada para quem gosta da banda e ainda não conseguiu adquirir o Zeitgeist. Nota 6, pelo esforço.

BELLE AND SEBASTIAN – Dear Catastrophe Waitress (2003).
O Belle and Sebastian você conhece, é aquela banda indie queridíssima da crônica musical e do povo “moderninho”. Não gosto nem desgosto, para mim todos os discos dessas bandas de rock fofo soam iguais, e entre si os discos do Belle são tão parecidos que não dá sequer para dizer qual é qual. Na verdade, compre qualquer um, que dá na mesma. Por que escolhi este aqui? Simplesmente porque traz a música mais tocante e inspirada da banda, “If She Wants Me”, uma baladinha com uma levada soul e um tecladinho totalmente retrô ao fundo, daquelas músicas que te fazem relaxar, e na fase atual da minha vida estou precisando muito dar uma relaxada. Por isso ouço ocasionalmente os discos da banda, principalmente durante o expediente para acalmar os ânimos. Enfim, nada demais, deve haver pelo menos umas cem bandas dos anos 60, de quem eles copiam tudo descaradamente, muito melhores do que isso. Pelo menos com alguma paixão e pegada, coisa que o Belle and Sebastian decididamente pasteurizou nos seus álbuns. Enfim, trilha sonora para uma tarde de sol no parque ou para uma viagem de elevador. Não mais que isso. Nota 4.

ART BLAKEY AND THE JAZZ MESSENGERS – Caravan (1962).
Verdadeiro manual sobre o que fazer – ou não fazer – com um par de baquetas na mão. Art Blakey é, sem qualquer sombra de dúvidas, um dos grandes gênios do jazz, sua técnica e percepção musicais são incomparáveis, influenciando legiões de bateristas até hoje. Transitando entre estilos tão variados quanto Big Band (“Moanin'”), Free Jazz (“A Night in Tunisia”) e Traditional (“At the Cafe Boehmia”, volumes I e II) ele e os Jazz Messengers se converteram em verdadeiras lendas. Esse álbum traz Curtis Fuller (trombone), Freddie Hubbard (trompete), Wayne Shorter (sax tenor), Cedar Walton (piano) e Reggie Workman (baixo), uma das mais notáveis encarnações da banda. Indispensável para quem gosta do gênero e fundamental para entender o porquê de o jazz ter ficado tão afastado do grande público atualmente. Simplesmente não dá para transmitir isso via FM, a turma EMO simplesmente promoveria um suicído em massa, concluindo irremediavelmente que suas vidas não têm mesmo qualquer sentido. O que seria até um alívio, livrando o mundo de um pessoal pernóstico que acha que inventou a roda trocando os tempos das músicas de vez em quando e compondo em tons mais baixos que o usual. Esse disco, meninos, traz estruturas nem um pouco convencionais, frases absurdamente rápidas nos solos, mudanças de andamento a toda hora, enfim, um disco extremamente complexo, mas nem por isso menos prazeroso de se ouvir. Tentem, não custa nada. Se você se interessa por bateria, então, não pode deixar de ouvir a obra do velho Art (posteriormente o muçulmano praticante Abdullah Ibn Buhaina), uma verdadeira pérola em um universo já tão povoado de baluartes, como Elvin Jones, Buddy Rich, Ed Blacwell e, atualmente, Jack DeJohnette e Marvin “Smitty” Smith. Indispensável. Nota 9,5.

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