Requentado do Cachorrão – maio/2007

Publicado: 10/06/2007 por BigDog em Ando ouvindo., Solta o som...

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Olá, fãs do esporte, bem vindos a mais um requentado do Cachorrão, edição de maio/2007. Como você sabe, esta coluna não é crítica musical sobre os últimos lançamentos, muito menos uma fonte de novas informações. Ou vocês acham que eu vou ouvir Artic Monkeys, Mika e Snow Patrol? Eu fora! Na verdade, este mês tentei escrever aleatoriamente quando ouvia um disco legal, mas não funcionou muito bem dessa maneira, porque eu sempre escuto os mesmos discos e tenho uma certa tendência a falar melhor deles do que realmente são. E ninguém mais quer ler sobre o quanto o Sgt. Pepper’s é genial ou o Moving Pictures é perfeito. Por isso, sobrou pouca coisa e a maioria é de velharias inacreditáveis. Noves fora, o que pode ser publicado é o que segue.

THE WHO – Who’s Next Remastered (1995).
Sim, eu ainda escuto The Who, a banda mais rock’n’roll e feia da história. Rock’n’roll porque os caras tinham uma atitude de roqueiro de verdade, quebrando tudo, palco, quartos de hotel e a cara dos outros membros. Feia, porque… Bom, basta olhar qualquer foto da banda para entender. Esse disco, na verdade, começou como uma ópera-rock, no estilo de “Tommy”, mas como ninguém além de Pete Townsend entendia o conceito por trás do espetáculo, acabou virando apenas um álbum. Qualifico como “apenas” um álbum exclusivamente porque não seguiu o conceito inicial da banda para o projeto, mas se trata de um dos melhores discos de rock de todos os tempos! Se você ainda não ouviu “Baba O’Rilley” deve fazê-lo imediatamente! A começar pela hipnótica introdução com aquele loop de teclado maluco, os acordes fortes de piano e a introdução da bateria, mais parecendo uma manada de búfalos desembestados, a faixa é um clássico absoluto! Aliás, uma das grandes vantagens dessa versão remasterizada é poder ouvir Keith Moon espancando seu kit com um vigor impressionante. Não sei como os engenheiros de som conseguem isto, mas a bateria foi totalmente recuperada e é, como não poderia deixar de ser, afinal se trata de Keith Moon, avassaladora. Mexa-se, prezado leitor, que este é imperdível! Nota 9.

FRANK ZAPPA – Joe’s Garage Acts I, II & III (1979).
Escrever qualquer coisa sobre um disco de Frank Zappa sempre causa algum problema, uma vez que os fãs mais radicais do mestre são para lá de xiitas e não admitem que se diga uma única heresia ou bobagem sobre sua obra. Mas, como o negócio aqui são só os meus palpites furados, vamos lá! Em primeiro lugar, esqueça toda a baboseira do “The Wall” e seu delirante mundo comandado pelo regime criado por um roqueiro maluco e traumatizado por sua mãe super-protetora. Isso é coisa do Roger Waters, o grão-mestre onanista. Na vida real, as coisas acontecem exatamente como ocorreram com Joe e sua banda. Do início na garagem de sua casa (daí o nome, catzo!) até a total perda de suas referências e da namorada Mary, que o abandona durante uma turnê da banda “Toad-O” e comete todo o tipo de abusos (inclusive participar de um concurso de camisetas molhadas com as fãs mais entusiasmadas), Joe contrai uma impronunciável doença venérea (do assento da privada, diz ele…), e se volta para a religião como sua tábua de salvação. No final, após ser preso por quebrar uma máquina de fazer sexo, Joe perde sua sanidade mental ao descobrir que a música havia sido proibida e passa a imaginar solos de guitarra alucinados enquanto trabalha em uma loja de Muffins. Tudo isso embalado por ferrenhas críticas sociais a tudo e todos, especialmente às mocinhas católicas mais “recatadas”, como a querida Mary. Musicalmente, é tudo aquilo que se pode esperar de Frank Zappa: uma exploração quase exaustiva de ritmos, timbres e compassos, que a princípio afugenta o ouvinte “FM” – você conhece, são os que compram discos do Artic Monkeys -, mas, depois de algumas audições começa a se revelar uma obra de arte única, que efetivamente é. De quebra, o impagável narrador da história, “The Central Scrutinizer” – na verdade a voz do próprio Zappa -, que sussura suas advertências e observações cáusticas por todo o disco, e o melhor solo de Zappa na minha opinião, “Watermelon In Easter Hay”, justamente o último solo de guitarra imaginário de Joe. Mais um da lista dos imperdíveis! Nota 9,2.

TAPES’ N’ TAPES – The Loon (2006).
Se o Forrest Gump tivesse uma banda e gravasse um disco, certamente seria este. Simplesmente porque é impossível deixar de perceber que os caras do Tapes’ n’ Tapes têm um QI muito abaixo da média, mas, mesmo assim, conseguem atingir momentos absolutamente únicos, criando coisas que sua tacanha normalidade certamente não conseguiria. Será que, como Forrest, a banda também não se dá conta de suas realizações, considerando como resultado normal aquilo que outras bandas só conseguem com muito esforço e trabalho? Referências musicais? Sei lá, acho que nem eles sabem. Arrisco dizer que eu ouvi uma guitarra copiada do Joey Santiago aqui, uma bateria meio Abe Laboriel Jr. acolá, mas não posso dar certeza. Na dúvida, ouça. Mas prepare-se para ficar confuso. Nota 5 até segunda ordem, apenas suficiente para a aprovação.

NEW ORDER – Get Ready (2001).
Dizem que uma pessoa jamais deve confessar um grande defeito em público, porque, além de deselegante é extremamente constrangedor. Dessa maneira, não deveria estar escrevendo sobre este disco, mas o fato é que eu ouço e gosto do New Order. Também deixo a tampa da privada levantada e bebo leite direto da caixinha. Nada é perfeito, certamente que eu também não, como diria Geddy Lee. Voltando ao assunto, este álbum do New Order não traz quase nada de novo, o mesmo pop eletrônico com algumas texturas de rock e uma ou outra boa linha de guitarra/baixo. De resto, o mesmo padrão de sempre dos caras que inventaram a “música para dançar”. Se você, prezado leitor, se retorce em alguma pista de dança ou rave ao som eletrônico, repetitivo e impessoal, saiba que deve isso a turma do New Order, que após o trágico suicídio de Ian Curtis, deixou a linha soturna e melancólica do Joy Division de lado e decidiu colocar os paetês para chacoalhar. Um álbum comum, portanto, mas com um diferencial: a participação de Billy Corgan, que até canta sua visão adolescente e desiludida da vida em “Turn My Way” (“I don’t wanna be like other people are / Don’t wanna own a key, don’t wanna wash my car / Don’t wanna have to work like other people do / I want it to be free, I want it to be true”). Por isso, há alguns momentos mais reflexivos e outros bem mais roqueiros, o que talvez desagrade aos fãs mais antigos da banda. Eu gostei, azar… E, de mais a mais, é só mais um álbum do New Order, não vai mudar nada nem ser relevante para ninguém, caramba! Divirta-se, portanto. Nota 6.

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