É pecado pensar assim?

Publicado: 11/05/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Lado B da vida, sempre indo na contramão. É assim que normalmente me sinto frente a manifestações populares de grande repercussão. Simplesmente não consigo optar pelo caminho do senso comum e isso, no mais das vezes, é extremamente desconfortável. Como agora, com a visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Ao que parece, todo mundo está feliz com o encontro de Sua Santidade com nosso supremo (des)mandatário, porque inegavelmente se trata de um momento importante, ainda que pelas razões erradas. De um lado, o líder religioso mais importante no país, uma vez que a maioria da população brasileira ainda responde ao IBGE que é católica, mesmo que destes a maior parte nem sequer lembre mais o que ser católico significa. Do outro, o presidente mais improvável da história, um metalúrgico que escapa por pouco do analfabetismo e que trouxe para o poder a esperança de uma enorme massa de desassistidos e desesperados. Assisti a pouco na televisão uma reportagem sobre as milhares de pessoas que, desde a chegada, fazem sacrifícios, se acotovelam e amontoam para ver Bento XVI. Quanto ao nosso presidente, ainda lembro da sua primeira vitória na eleição presidencial, aquele clima elétrico no ar, aquela sensação quase eufórica de “é agora”. Sem dúvida, duas pessoas fadadas a comandar as massas.

Contudo, olhando para fotos como esta acima, tudo o que consigo sentir é amargura e rancor. Na verdade, temos, de um lado, o representante máximo da instituição mais anacrônica e rançosa do planeta, cuja crença depende da aceitação de dogmas absurdos e do indispensável esquecimento de fatos inomináveis. Bento XVI é o Papa, mas, antes de tudo, é o chefe de uma camarilha de mercadores de ilusões que se apóiam na mais absoluta ignorância para vender – sim, VENDER – suas baboseiras para quem se dispõe a comprá-las. E olha que o preço não é barato. De culpa, mesmo, ele não tem nada de muito escabroso (que se saiba), a não ser o fato de manter em vigor bobagens como a proibição do uso da camisinha, mesmo em tempos da epidemia de AIDS mundo afora e, como se não bastasse, do descabido crescimento demográfico em países que não possuem condições sequer de manter a população já existente. O passado da igreja católica, evidentemente, não deveria ser imposto ao Papa atual, mas eu desconfio muito de um camarada tido como conservador numa instituição que é, por si só, uma das mais conservadoras da história. Os crimes cometidos, as mortes desnecessárias – ou você acredita em bruxas? -, a venda de lotes no céu, a repressão ao progresso científico em nome de crenças ultrapassadas, as orgias, a politicagem, a criação de obrigações religiosas com base exclusivamente em interesses comerciais obscuros, a omissão com a verdadeira causa dos pobres e escravizados, tudo isso sempre estará a pesar, queiram ou não, sobre o Sumo Pontífice, ainda mais quando não se percebe qualquer movimento de retificação dessas posturas, que poderiam começar discretamente, com o reconhecimento dos erros cometidos. Do outro lado, o maior estelionatário eleitoral conhecido. Enquanto faz festa para o Papa e aguarda ansioso o início do Pan-americano para divulgar a imagem de seu governo no exterior, Lula desvia a atenção da sua trupe, que segue enchendo seus bolsos com nosso dinheiro sem que ninguém mais reclame. E isso tudo vindo de um sujeito que chegou ao poder sob a promessa de iniciar a mudança do país, realizar obras, promover reformas sociais e políticas, enfim, tudo aquilo que fez a gente votar nele desde sempre. Chegando lá, todavia, muda-se o discurso, a ordem mundial é esta mesmo, não adianta tentar impor mudanças muito radicais porque isso somente trará problemas ao país e mais um monte de desculpas para lá de esfarrapadas. Resumindo, corrupto, demagogo, fraco e dissimulado (como seus antecessores, pois não?).

Em suma, lado B da vida. Aproveitem a vista do Papa e, se puderem, rezem pela absolvição do meu pecado.

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comentários
  1. Felipe Wolfarth disse:

    Não é pecado e eu concordo plenamente com a exposição.
    E digo mais: quem tenta impor algum tipo de ideologia, crença ou fé como sendo a única viável, a única que possui fundamento (mesmo incomprovado), seja por meio da espada, seja por persuasão emocional, com certeza esta pessoa (ou ente) está para acabar, um dia…
    Antes de mais nada, aprender a conviver com as diferenças e respeitar as liberdades individuais é o mínimo para que alguém (ou algo) sobreviva nos tempos hodiernos.
    E a Igreja Católica, com o devido respeito que esta instituição (ou seria empreendimento?) possui, faz por merecer a extinção lenta e gradual que experimenta nos últimos anos.
    Afinal de contas, para quê serve a Igreja, do ponto de vista institucional, seja qual religião for?
    Eu acredito em Deus e no poder espiritual do ser humano. E só. O resto é balela!

    Já com relação à Lula Molusco, o ébrio, um atentado viria a calhar…

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