Qual a diferença?

Publicado: 01/05/2007 por BigDog em Isto é Brasil..., Populítica

Eu sou um sujeito tosco, verdadeiramente curto das idéias. Tenho uma imensa dificuldade para compreender coisas simples e gostaria muito que alguém me explicasse algum dia como funciona um isqueiro. Para mim, é um negócio de magia negra o camarada conseguir transportar um dispositivo destes no bolso sem se queimar. Mas eu me esforço, leio, procuro por notícias, enfim, tento compreender as coisas que me instigam, mesmo que este processo, no fim, só agrave o quadro de confusão mental em que estou imerso. Por exemplo, leiam este trecho, retirado do site oficial da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB/RS):

A deputada Manuela d´Ávila (PCdoB/RS), integrante do Comitê em Defesa do Banrisul apoia o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, que afirma que a inclusão do dispositivo de plebiscito no estatuto do Banrisul para venda do controle acionário é a prova que faltava de que a governadora Yeda quer privatizar a instituição. “Se não fosse isso, por que levar para o estatuto uma previsão que está na Constituição estadual?”, questiona o presidente do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo. O dispositivo foi aprovado na assembléia de acionistas, realizada na manhã desta segunda-feira, dia 30, no edifício-sede do banco, enquanto os bancários promoveram um ato de protesto que fechou a rua Caldas Júnior.

Ah bom, vender bancos estatais é prejudicial ao patrimônio público, porque o Estado se desfaz de parte significativa de seus bens e perde o controle sobre diversos aspectos necessários à regulação do mercado, tais com a fixação de tarifas por serviços bancários e a disponibilização de crédito a juros baixos a pessoas com pouca ou nenhuma capacidade de investimento. Entendi e concordo. Esse negócio de privatizar tudo que está sob o controle do Estado não traz tantos benefícios quanto se afirma e, da forma como foram feitas – especialmente nos governos dos senhores Antônio Britto e FHC -, tais privatizações viram uma grossa negociata com o dinheiro público, favorecendo-se “amigos do peito” e financiadores da campanha eleitoral dos governantes, enfim, uma atitude que não deveria ser suportada pela sociedade. É compromisso de qualquer governo verdadeiramente democrático preservar e gerir empresas construídas ao longo das décadas por milhares de pessoas, com presença em diversos setores da economia, tudo como forma de assegurar a prestação de serviços essenciais e capitalizar as atividades estatais. Mas eis que me deparo com a seguite notícia:

As verbas necessárias para atingir o investimento de R$ 500 bilhões em quatro anos, previsto pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje pela manhã, em Brasília, virão de estatais como a Petrobras e deverão partir da venda de ativos de bancos públicos como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A maior parcela deverá ser proveniente da iniciativa privada. (Invertia).

O curioso é que, mesmo procurando, não encontro uma viva alma que se oponha à venda de ações dos dois bancos sob o controle do governo federal. Agora não entendi mais nada: vender o BANRISUL é ruim, mas o BB e a CEF podem ir tranqüilamente para o vinagre? Por quê? Não é a mesmíssima situação? Não foi o PT e os diversos partidos da outrora denominada esquerda que sempre se opuseram – como estão se opondo, no caso do BANRISUL – às privatizações? Mestre Yeda e seus padawans* são entreguistas e canalhas ao destruir um patrimônio da sociedade gaúcha, mas Molusco I, o ébrio, pode passar os bancos federais nos trocos sem que ninguém o importune? Se a desculpa da necessidade de investimentos é suficiente para autorizar a venda, então não fica nossa venturosa governadora desculpada por proceder desta maneira, já que seu antecessor, Germano Rigotto, o sonolento, entregou a bodega praticamente quebrada? Para o PAC pode e para equilibrar as contas do RS não? Não sei, eu, como já referido, não entendo nada, mas gostaria muito de entender. Talvez um dia consiga. Por ora, está muito difícil.

* trocadilho infame e fora de hora, mas não fui o primeiro.

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comentários
  1. Felipe Wolfarth disse:

    Sem comentários.
    Tu escreveste com propriedade.
    Compactuo com tuas dúvidas.
    Sem maiores delongas, estamos sendo enganados!

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