Das pequenas decepções da vida adulta

Publicado: 15/04/2007 por BigDog em Não há o que não haja!, Nem fodendo...

pz_logo.jpgQuando eu era criança, adorava quando meus pais se dispunham a ir ao Parque Zoológico de Sapucaia do Sul/RS para passar o dia. Para mim, aquilo era praticamente uma selva: um lugar imenso, com muita vegetação e animais exóticos, absolutamente perfeito para alimentar a imaginação de qualquer fedelho. Na minha memória, caminhava o dia inteiro, de jaula em jaula, e sempre saía frustrado porque não tinha sido possível ver todos os animais. Aquilo era outro mundo, enorme, lindo, cheio de surpresas e fantasias. Qual não foi minha decepção este fim-de-semana quando, no papel inverso, fui ao parque passar o sábado. A começar pela entrada, que antes parecia uma trilha selvagem que se estendia por quilômetros mas que, vista com os olhos de um adulto, não passa de um caminho curto e esburacado até o estacionamento. Decepcionante como as jaulas ficam próximas entre si, o amplo espaço que eu tinha registrado na minha memória era apenas resultante do pequeno tamanho de minhas pernas. Sobre tudo isto, a evidente má conservação de jaulas, caminhos públicos (claro que neste quesito a presença do brasileiro médio, deixando para trás montanhas de detrito, dificulta muito) e dos espaços abertos. E, para falar a verdade, o leão me pareceu muito velho e meio desdentado. Este é o problema de se tentar reviver emoções da infância: quase sempre traz frustrações. Ainda lembro quando, todo emocionado, fui até a Casa de Cultura Mário Quintana para comprar as balas gasosas, um verdadeiro tesouro de sabor inconfundível e incomparável, que estavam sendo novamente produzidas no Café Concerto. Comprei um pacote grande e, avidamente, coloquei logo duas na boca. Tudo apenas para pensar: “mas que grande porcaria”…

Por isso o meu conselho: somente tente ressuscitar prazeres idílicos como este quando tiver a certeza de que, na imaginação de alguém, uma bela imagem de infância está se formando. Por que a sua, fatalmente, vai acabar.

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comentários
  1. Crânio disse:

    Faça como eu, que adorava meu Fiat 147 de brinquedo e que por infelicidade, tive ele destruído. Comprei um fiat 147 de verdade ano passado! Transforme seus sonhos de criança para tamanho adulto. Faça um safari na África ao invés de ir ao zoológico. Quanto as balas gasosas, não sei qual dica lhe dar…

  2. Felipe Wolfarth disse:

    No geral, eu acredito que as lembranças do passado não devem ser revividas da mesma forma como ficaram registradas na nossa mente.
    Com o passar do tempo, as emoções que outrora foram marcantes, tendem a perder o seu efeito pelo tão-só fato de que são superdimensionadas pelo no inconsciente cognitivo.
    Um exemplo: alguns antigos dizem maravilhas sobre o Inter da década de 70, que aquilo sim que “era time”, que ganhava de todo mundo, e coisa e tal… Na realidade, não era bem assim. A falta de adversários qualificados justamente em uma época (década de 70) de ascensão do “futebol força” rendeu ao bem organizado time do Inter meros 3 títulos nacionais em 5 anos. Ah… e perdemos feio nas Libertadores. Se assistirmos os jogos daquela época hoje, diríamos: “grande coisa esse time…”
    E isso vale para outras percepções que temos sobre diversos assuntos, tais como: governos, empregos, música, enfim, muitas coisas sempre vão parecer melhores se forem “antigas”.
    Para falar bem a verdade, a gente se engana muito com o presente. A nossa crítica é implacável com o que acontece “hoje” porque o normal é não se contentar com o que temos. Sempre se busca o melhor. Acho que é isso aí!

  3. BigDog disse:

    Foi isso que eu quis dizer, talvez o que a gente gostasse tanto na infância não fosse tão bom assim… Agora, meter ferro no time da década de 70, Alemão, beira o sacrilégio… hehehehe…

  4. Felipe Wolfarth disse:

    Hein?
    Na real, não meti pau no time tricampeão brasileiro. A verdade é que muitos arautos da antigüidade sempre recitam aquele time como o melhor da história do Inter. Pelo que eu já li e reli, o “Rolo Compressor” da década de 40 era bem melhor tecnicamente, mas eram tempos mui remotos…
    Claro que minha intenção não foi “dar de relho” no nosso time vitorioso dos anos 70, mas, acima de tudo, dizer que o time de 2005/2006 também era bom, tanto que ganhou o que aquele, bem como nenhum outro, havia ganho antes.
    Espero que os saudosistas de plantão esqueçam um pouco o time de 75/76 e pensem sempre em termos uma equipe que supere a de 2006…

  5. BigDog disse:

    Meu velho, entendi o que tu disseste antes, só estava de brincadeira… Claro que o time de 2005/06 vai ser muito mais lembrado do que qualquer outro (e dá para esquecer?). O da década de 70 teve o seu mérito, inquestionável, de tirar o Inter da rotina de ganhar campeonato gaúcho conquistando títulos nacionais. Agora, o de 2006 levou nosso glorioso clube para o mundo! Com gabiru e tudo!!!

  6. Felipe Wolfarth disse:

    Dá-lhe Gabiru!
    Ele ainda vai nos salvar no jogo de amanhã contra o Nacional!

  7. BigDog disse:

    Deus te ouça! Se o Gabiru fizer a diferença novamente, prometo que nunca mais falo mal dele!

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