Imprevisibilidade

Publicado: 12/04/2007 por Crânio em Fórmula 1

Peço a gentileza aos meus abnegados leitores que tenham paciência comigo.

Vou martelar nesta tecla por um bom tempo. Até que eu tenha “escrafunchado” este tema até o último dos argumentos e possibilidades.

A “tecla” é: a F1 tornou-se muito previsível, e por isto está chata.

Eu não sou muito partidário da expressão: ” no tempo do Senna que era bom”. Bom o cac…(piiiii). Talvez o ano mais previsível da história da fórmula 1. De 16 GPs, a Mclaren ganhou 15! E só não ganhou todos por barbeiragem do Senna (pior que é vero, quem quiser saber mais, é só pedir que eu escrevo). Mas para quem torcia para o Senna, realmente era muito bom: 50% de chance de comemorar uma vitória.

Mas comecemos pelo ano da graça de 2007.

Vários dias de testes na pré-temporada. Nem me dei ao trabalho de contar quantos dias, sei que foram muitos. Isto depois de já testaram os bólidos em túneis de vento, de realizarem simulações computacionais, de testarem todos os equipamentos à exaustão porque, se precisa aguentar uma corrida, faça com que a bagaça dure três corridas, para não apresentar quebras na frente do público.

Chegaram ao cúmulo de realizar três dias de testes na Malásia uma semana antes do GP!!! Isto que terão dois dias de treinos na programação do final de semana de GP. Para tanto trabalho, precisa-se de muita gente (em torno de 300 funcionários em equipes de primeira linha). E como esta brincadeira consome muita grana, as equipes de ponta possuem orçamentos que beiram os US$ 500 milhões ao ano!!!

Claro que, ao término da corrida, fora o erro do Massa e a quebra do Nico Rosberg, o resultado foi quase uma confirmação total dos treinos da semana anterior. O GP tornou-se uma mera apresentação.

Vamos retroceder no tempo e chegar na década de 60.

Bruce Mclaren monta uma equipe de fórmula 1. Não sei se ele comprou um chassi ou construiu (não vou procurar detalhes agora…), mas sei que ele montou a equipe com “meia-dúzia” de funcionários. Sem túnel de vento (nem se sonhava com isto na época), sem muitos testes (para fazer testes precisa de grana, precisa abastecer carro, trocar pneus, trocar peças mecânicas com desgaste, etc,etc, etc…), só muita vontade e um ótimo conhecimento mecânico. Tem corridas que ele nem consegue participar por não ter carro disponível (deve ter destruído o carro nos treinos e faltou peça para consertar…).

Ano de 1983. A equipe Brabham, nas mãos do midas Bernie Eclestone, ganha o campeonato mundial pilotos, contando com aproximadamente 40 funcionários e um orçamento de US$ 12 milhões. Não tinham túnel de vento nem super-computadores para simulação, mas testaram o carro prá caramba. Para dar o título à Nelson Piquet, a Brabham ganha apenas 4 corridas, quebra em inúmeras, chega na zona de pontuação em algumas. Resumo da história: mesmo com os imprevistos de quebras e acidentes, Piquet torna-se campeão, porque seus imprevistos foram menores que o da concorrência.

2004. A fórmula Schumacher está um saco!!! Nada contra o Tedesco mas, como o carro dele não quebra, só ele ganha!

2005. Ingrediente novo; é proibido a troca de pneus. Ah, agora vamos ver quem é que sabe andar no limite da velocidade e do carro. Sim, tem que aprender a poupar o conjunto, precisa chegar com o carro em razoáveis condições ao final. Isto é o que acontecia até meados da década de 80; o piloto precisava poupar o equipamento, saber a hora de atacar, saber a hora de defender, saber a hora de perder posição mas ao menos chegar ao final. Isto porque, em um carro não muito testado (e por isto não muito confiável), as falhas ocorriam e o desgaste sempre afetava o desempenho ao final da corrida.

Só que acharam inseguro e voltaram aos pit-stops completos em 2006. Pronto, retiraram um dos poucos itens de imprevisibilidade aleatório, que atingia à todos democraticamente.

Sim, existe o imprevisível hoje. Pouco mas ainda existe. O motor do Massa precisou ser trocado e ele perde dez posições. Tudo bem, só que este novo motor não vai estourar no meio da corrida. Só acontecem problemas com equipes pequenas, que não tem tempo nem dinheiro para testar. O desgate de pneus é algo que atinge à todos, sem discriminação, nivelando a disputa.

Para melhorar as corridas, vermos mais disputas na pista, e até mesmo mostrar mais a qualidade dos pilotos, é necessário criar elementos de imprevisibilidade. A redução dos testes seria o início; o fim das trocas de pneus seria ótimo!!!

ps: continuarei em outro post a contar mais detalhes dos imprevistos que davam emoção às corridas de F1.

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comentários
  1. BigDog disse:

    Ô meu, essa moleza vai acabar! Deixa de ser preguiçoso e posta logo nos dois blogs… A propósito, quem, em nome de Deus, é o Tedesco?

  2. Crânio disse:

    Tedesco é todo alemão!!! No caso, o Michael Schumacher.
    Não coloco nos dois porque espero a censura oficial liberar o texto!!! Ou será que posso escrever qualquer merda e mandar???

  3. BigDog disse:

    Ma que censura, meu? Desde quando essa bagaça tem censura! Solta o verbo, tchê!

  4. Felipe Wolfarth disse:

    Crânio. Concordo com a tua exposição de fatos. A Fórmula 1 ficou previsível e certinha demais. Acho que as trocas de pneus devem acabar.

  5. Crânio disse:

    Ah Felipe, finalmente apareceu para dar amém aos meus garranchos digitais!!

  6. Felipe Wolfarth disse:

    Ah… e eu não sou tedesco, apesar da origem germânica. Talvez eu seja um ostrogodo ou mesmo um suevo. A minha árvore genealógica não é muito clara a ponto de definir a qual povo germânico eu pertenci. Mas tedesco eu não sou!

  7. Crânio disse:

    Pode também ser um Godo ou Visigodo… Mas acho que vc é um Mongol da Mandchuria, infiltrado na civilização teuto-brasileira, a fim de levar informações para Kublai Kham, que pretende impretar uma ofensiva contra estas plagas gaudérias, a fim de completar a criação do mundo de Xanadu (putz, que viagem…é isso que dá escrever à 1h da madrugada…)

  8. BigDog disse:

    Ôpa, Xanadu é comigo mesmo!!!! hehehehehe…

  9. Felipe Wolfarth disse:

    Crânio… acho que tu tá bebendo muita Schmidt!

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