Tradição serve para algo?

Publicado: 10/04/2007 por Crânio em Fórmula 1

Com o passar do tempo, somos constantementes flagrados utilizando aquelas palavras no início de uma sentença: “-No meu tempo…”!!! Sinal de apego e resistência às inexoráveis mudanças que o tempo faz com tudo e todos, além é claro de uma valorização exacerbada daquilo que nós, mais experientes (e carecas, com cabelo branco, bro…ops!) já vivenciamos nesta vida.

Li à pouco a notícia de que o Bernie Eclestone quer uma fórmula 1 com 20 etapas, que vai passar por Cingapura, Abu Dhabi, India, Russia, Emirados Árabes….além das já atuais Malásia, China, Bahrain, Turquia. Para piorar, a França está saindo fora, a Alemanha está na corda-bamba e Silverstone precisa resistir bravamente aos ataques do Bernie. Só falta tirarem Monza do calendário…

“- No meu tempo…”.

Não digo no meu tempo, porque o tempo nunca foi meu, e de ninguém. Mas na terceira e quarta décadas da fórmula 1, atingiu-se o que eu considero o campeonato ideal: 14 etapas, começando em janeiro ou fevereiro, com um mês de férias em julho e terminando em novembro. Não haviam corridas todos os finais de semana. E os países que abrigavam as etapas tinham algum significado histórico-romântico para esta categoria.

Argentina, terra do pentacampeão Fangio; Mônaco imprescindível; França é o lugar onde começaram as corridas de automóveis; Inglaterra é o berço da fórmula 1; Alemanha e sua forte indústria automobilística (e as mais belas pistas); Itália e a Ferrari. Claro que alguns países se encaixavam aí para completar o certame, mas países com tradição automobilística e pilotos razoáveis e até mesmo campeões.

Só que o tempo e as leis anti-tabagistas empurraram a F1 em outras direções, rumo à locais sem tradição automobilística. A F1 chegou à países que não conseguem formar pilotos nem para carrinho de supermercado, para correr em pistas ultra modernas mas que não oferecem nenhuma emoção para o público (exceção ao traçado da Turquia, o único que o Tilke acertou), além do excesso de corridas.

Tudo que é demais, se não vier com um forte apelo, acaba por enjoar. E o apelo da F1 atualmente anda fraco. Não existe o ingrediente da imprevisibilidade, de motores estourando, além da atuação dos pilotos ser ditada pelas câmeras (”sorria e não rode nem saia da pista, você está sendo filmado e transmitido para todo mundo, ao vivo”).

As categorias que tentaram crescer demais estão agonizando (F-Indy e Champ Car presented by bagaças-car). A F1 que quer reduzir custos também deveria pensar em não ser tão gananciosa, admitindo uma pequena queda na sua receita. Para não tornar-se enjoativa. E respeitar um pouco as tradições.

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comentários
  1. BigDog disse:

    Viu só como este negócio de lei anti-tabagista estraga tudo?

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