“Da glória à pindaíba em 100 dias” ou “Reflexos da empáfia pifferiana”

Publicado: 10/04/2007 por Wolfarth em Nem fodendo..., Tosco Futebol Clube

Inter, em 100 dias, vai do céu ao inferno

Eliminado do Gauchão e em má situação na Libertadores, clube vive um pesadelo pouco mais de três meses após ganhar título mundial.

PORTO ALEGRE – Dezessete de dezembro de 2006: o Inter derrotava o Barcelona por 1 a 0, em Yokohama, e conquistava o inédito Mundial de Clubes da Fifa. O maior título da história de 97 anos do Colorado. O Inter estava no céu. Nada podia ser maior do que o orgulho dos colorados. Mas dizem que o que é bom dura pouco e para a turma do Beira-Rio, durou apenas 106 dias. Mal na Copa Libertadores da América, pior ainda no Campeonato Gaúcho, o Inter deu vexame. Logo no dia em que completou 98 anos, 4 de abril, a equipe foi eliminada do Estadual, ao perder para o modesto Veranópolis por 2 a 1. Para tumultuar ainda mais o ambiente no Inter, a campanha do Gauchão entrou para a história como a pior do clube em 63 anos do torneio regional. Um nada honroso sétimo lugar. O assédio do Corinthians sobre o técnico Abel Braga e os protestos de torcedores em nada ajudam para a recuperação da equipe, que poderá ocorrer nesta terça-feira, quando o Inter enfrentará o Emelec, em Guayaquil, pela Libertadores. Somente uma vitória manterá a equipe viva na competição, sem depender de resultados paralelos. Uma derrota, e a casa colorada virá abaixo. Pelo menos dez jogadores terão contratos rescindidos, a fim de permitir ao clube recomeçar o trabalho para o Brasileirão – com estréia em 13 de maio, em casa, contra o Botafogo – e realizar novas contratações.

Time “B” fracassou no começo da temporada
Os problemas do Inter começaram ainda em janeiro, quando o clube decidiu escalar o time B no Gauchão. Os campeões no Japão voltariam de férias somente em 18 de janeiro, e o calendário marcava a estréia do clube no estadual para o dia 20 daquele mês. Enquanto o grupo principal realizava a pré-temporada em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha, o Inter B apanhava feio no Campeonato Gaúcho. Em 15 pontos disputados conquistou apenas quatro. O clube chegou a parar na zona de rebaixamento do torneio. Assim que a equipe principal estreou na competição, foi obrigada a recuperar os pontos perdidos pelo B.

Sem o zagueiro Fabiano Eller, que trocou o Inter pelo Atlético de Madrid, e sem reforços, a equipe de Abel Braga encontrou problemas no Estadual e na Libertadores. A questão “contratações” parecia motivo de controvérsia entre a direção e o técnico. Mesmo após os primeiros jogos, que já sinalizavam problemas para a equipe, a direção mantinha um discurso de pura soberba. “Não precisamos ir como desesperados ao mercado. Somos os campeões do mundo Fifa e temos jogadores de qualidade. Nossa política é de contratos longos. Por isso, não precisamos montar um time novo a cada temporada”, disse o presidente Vitório Piffero, alfinetando o Grêmio, que se reforçou com oito novos jogadores para 2007. “Estou tranqüilo quanto ao nosso desempenho na Libertadores e na seqüência do Gauchão, pois somos campeões do mundo e ninguém tem um jogador como Alexandre Pato”, acrescentou o dirigente. Já Abel Braga, talvez prevendo problemas nas duas competições, lamentava a falta de recursos: “O ano será ainda mais duro do que 2006 e perdemos qualidade. É só ver quem saiu”.

Clube só contratou Christian e Jean
Apenas duas contratações foram feitas para 2007: os atacantes Christian e Jean. O primeiro, repatriado ao Corinthians, após ser ídolo no Inter dez anos atrás e com uma polêmica passagem pelo rival Grêmio. Além disso, houve ciumeira no vestiário quando a imprensa divulgou que o centroavante ganharia R$ 100 mil mensais no clube, quase o mesmo salário de Fernandão – o maior do time, com R$ 110 mil -, sem que tivesse sido campeão mundial com o Inter.

O segundo, uma surpresa para todos, foi um pedido de Abel Braga. Segundo o técnico, Jean foi seu atacante na Ponte Preta de 2003, que lutou para evitar o rebaixamento no Brasileirão, e, por lealdade naquele período de dificuldades, Abel pensou que era a hora de o jogador receber uma nova chance em um grande clube. Mesmo Abel tendo ajudado Jean, este jamais provou ser capaz de ajudar o time.

De acordo com Abel, o Inter tentou, sim, realizar contratações, mas os pedidos sempre foram com valores muito elevados: “Estávamos com o – zagueiro – Antônio Carlos contratado, mas saiu na imprensa, e os empresários pediram o dobro. O pessoal acha que o Inter nada em dinheiro. Saiu o Sobis, mas o Inter tinha apenas 25%. Saiu o Rentería e o clube não tinha nada. O Bolívar foi o que entrou uma parcela maior, mas foi a transação mais barata. O Jorge Wagner estava livre”.

Sem um meio-campo forte, o Inter de 2007 é uma versão quase bizarra do time que conquistou a Libertadores de 2006. Abel Braga deixou Ji-Paraná, Pinga e Márcio Mossoró fora da lista de relacionados para a competição sul-americana, e ficou com poucas opções para o setor. Além disso, uma série de lesões dificultou a vida de Abel na montagem da equipe, principalmente, do meio-campo.

Ceará, Fernandão, Alex, Vargas, Wilson, Elder Granja, Rubens Cardoso, Clemer, Wellington Monteiro, Índio e Alexandre Pato foram as baixas nesses primeiros meses de 2007. Mas o técnico também inventou. Na derrota de 3 a 0 para o Vélez Sarsfield, em Buenos Aires, Abel Braga escalou um meio-campo com Michel e Adriano Gabiru no setor. O resultado diz o que foi o desempenho da equipe.

Abel não define esquema de jogo
Além disso, o treinador do Inter também não conseguiu definir um esquema tático para o time. Chegou a utilizar o 4-4-2, o 3-5-2, o 4-3-3 e até um esdrúxulo 4-2-4, embolando Fernandão, Christian, Pato e Iarley no ataque. A idéia sempre foi transformar um atacante em articulador, como ocorreu com Fernandão e Iarley. Porém, o primeiro a ser testado na função foi Gabiru, sem dar resultado.

“Creio que os nossos problemas mais graves até agora foram as lesões de jogadores importantes para o time e o fato de o time não ter ‘encaixado’. O Inter ainda não deu ‘liga’ em 2007”, disse o vice de futebol Giovanni Luigi.

Para o atacante Iarley, o problema do time está na cabeça e não nos pés: “Conversamos bastante e concluímos que estávamos jogando de salto alto. Precisamos nos lembrar que o Mundial já acabou faz tempo”. Já o capitão Fernandão, acredita que a falta de um foco específico prejudicou a equipe. “Tivemos que nos dividir entre o Gauchão e a Libertadores, o que não ocorreu no ano passado, pois conseguimos priorizar a Libertadores. Além disso, com jogos às quartas-feiras e aos domingos, não tivemos tempo para treinar nossas jogadas, para retomar nosso entrosamento do ano passado”, lamentou ele.

Um último diagnóstico sobre os problemas do Colorado na temporada veio do Estádio Olímpico, do técnico gremista, Mano Menezes. Segundo ele, o Inter deveria ter renovado o grupo de jogadores, a fim de evitar uma natural acomodação dos atletas, que no ano passado tiveram grandes conquistas.

Para surpresa geral, Abel Braga concordou com o colega. “O Mano é inteligente e tem razão, pois normalmente é assim. O São Paulo foi campeão da Libertadores e do Mundial, trocou cinco jogadores, deu uma reforçada boa, e ganhou o Brasileirão. Aqui, não trocamos tantos, mas nem por isso há acomodação. Meu time corre muito e isso não é coisa de quem está acomodado”, afirmou Abel.

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comentários
  1. Crânio disse:

    meu amigo Alemão
    Parabéns pelo texto. Em pouco tempo a Zero Hora irá aposentar o Vianey Carlet e colocá-lo no lugar. Só que gostaria de parabenizá-lo por comentários elogiosos ao nosso time, mas isto é impossível neste momento.

  2. BigDog disse:

    Um dos segredos do sucesso é colocar as pessoas certas nos lugares certos. Se eu fosse escrever qualquer coisa sobre futebol, iria sair uma grande porcaria de texto. Fórmula 1, então, é coisa sobre a qual eu só compreendo o conceito básico: tem que correr bastante para chegar na frente dos outros… E aí está nosso velho amigo Alemão, mais uma vez demonstrando seu conhecimento irretocável sobre o nobre esporte bretão. Nos textos abaixo, algumas análises detalhadas e extremamente bem escritas sobre o automobilismo, que eu roubei lá do Crânio (com o consentimento dele, lógico). Eu disse que nós deveríamos ter um blog, seus qüeras! Tô até pensando em fechar o meu de vez e passar toda a mobília para cá!

  3. Crânio disse:

    Não, mantenha o teu blog, que é o local para pensamientos e recuerdos particulares. Mas aparece cá neste galpão para um dedo de prosa, um mate, um trago… Já que o galpão foi tu mesmo que construiu, não sinta-se envergonhado de se aprochegar. Tu é o gerente deste bolicho!!!

  4. Crânio disse:

    E quanto aos conceitos básicos sobre F1, como diria o Fangio: “ganha-se corridas andando-se o mais lentamente possível na frente de todos”.

  5. Felipe Wolfarth disse:

    Agradeço os elogios vindos dos eloqüentes partidários deste mui valoroso sodalício.
    Folgo em dizer aos comparsas que, para mim, futebol é um assunto por deveras fácil de emitir opinião, tanto que o Wianey Carlet possui coluna diária no maior jornal do Estado. Outrossim, lamento admitir que não possuo a menor capacidade intelectiva para opinar sobre Fórmula 1, pois ainda não providenciei um upgrade no meu HD, de onde só retiro (parcos) conhecimentos jurídicos e futebolísticos. Na realidade sou um miserável na melhor acepção da palavra. Talvez um troglodita em vias de evoluir para “homo sapiens sapiens”, daqueles lá do Oco-do-Mundo…

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