Matéria paga?

Publicado: 25/02/2007 por BigDog em Mundão da internet, Não há o que não haja!

Gosto muito da revista Superinteressante, que leio praticamente desde o lançamento. Fui assinante por um tempo, depois passei a comprar esporadicamente nas bancas quando a matéria de capa ou algum outro assunto era do meu interesse e, finalmente, mais por preguiça de procurar as edições nas lojas, voltei a assinar há cerca de um ano e tenho recebido todos os números regularmente. Sei que a revista trata alguns assuntos de maneira superficial e que, muitas vezes, veicula matérias francamente tendenciosas, mas ainda assim acho que ela é uma boa fonte de informações gerais sobre assuntos que, de outra maneira, eu não iria pesquisar de forma nenhuma. Claro que isso não faz de mim nenhum expert, mas atualmente existe tanta gente escrevendo sobre o que evidentemente não entende – vide a vexatória enxurrada de opiniões de blogueiros sobre a pendenga jurídica entre a Ciccarelli e o YouTube, em que todos, virtualmente, defendiam coisas como “liberdade de expressão”, citando inclusive a Constituição Federal, sem sequer dominar qualquer conceito jurídico sobre o que estavam escrevendo, confundindo liminar com recurso, recurso com ação, e por aí vai – que não me envergonho mais de escrever asneiras sobre o que não entendo. E, de mais a mais, isso aqui é um blog, portanto, é apenas a minha opinião e não deve ser levada muito mais a sério do que isto.

Mas, voltando à Superinteressante, na edição deste mês vi uma coisa que fatalmente vai levar ao cancelamento da assinatura. Nas páginas 12-13 saiu o anúncio da Microsoft sobre a substituição do Linux pelo Windows nos sistemas da empresa Sucos Dell Valle, aquela mesma campanha que já encheu a paciência por aí – certamente você já viu algum banner em algum lugar navegando pela internet. Eu, sinceramente, não faço a menor idéia do que isto representa, não sei se a Sucos Dell Valle vai ter tanto benefício com o que fez, nunca cheguei há mais de dois metros de um sistema Linux. O fato é que, como anunciante, a Microsoft pode publicar o anúncio que quiser na revista, porque isto é publicidade e vai de cada um, com o conhecimento e a vivência que tem, tirar suas próprias conclusões.

O problema é que lá nas páginas 23-24 está uma matéria – agora jornalística, ou seja, “conteúdo” da revista – sobre o lançamento do iPhone, com a chamada “A Apple não inventa nada”. O mote da matéria é que a Apple simplesmente pega tecnologias existentes e “enfeita” com designs arrojados, para que vendam muito. Diz a matéria:

Afinal, na prática, o iPhone é um celular que tem câmera embutida, acesso à internet e tocador de mp3 – coisa que já existe aos montes nas lojas … A resposta é simples e define a própria Apple: em toda a sua história, a empresa não inventou nenhum aparelho genuinamente novo … Veja o exemplo do iPod. Antes dele, a maioria das pessoas nem sabia o que era mp3 – mesmo existindo diversos tocadores do tipo no mercado. (Superinteressante, edição 236 – fev/2007)

Pegou a mensagem? Não posso citar mais matérias assim, porque não vou procurar nas edições antigas, é claro, mas faz muito tempo que a Super está evidentemente tentando arranhar a imagem da Apple. Faz meses que não sai um único equipamento da Apple, ou compatível com estes, na coluna Super Fetiche Tech, que mostra os lançamentos tecnológicos mais empolgantes – seja pela inovação que trazem ou pela praticidade do que se propõem a fazer.

Quanto à alegação de que já haviam tocadores de mp3 no mercado antes do iPod, eu posso dar meu testemunho. Antes do iPod, eu adquiri um Nomad Jukebox de 6 GB, que era o máximo que se conseguia na época. Fiquei feliz com o aparelho quando o adquiri, é lógico. Levava centenas de músicas para cima e para baixo, o que era muito prático e conveniente. Junto, comprei um sistema de caixas de som para discman da Sony, que permitiam que eu conectasse o Nomad e o ouvisse onde quer que eu estivesse. E havia, é claro, os fones de ouvido, de boa qualidade e que proporcionavam uma experiência agradável. Com o tempo, entretanto, fui começando a me cansar do aparelho. Pesado, enorme – maior que os discman comuns – e movido a pilhas recarregáveis que em pouco tempo começaram a perder a capacidade de recarga e passaram a durar apenas duas horas ou menos. Para gerenciar o conteúdo da biblioteca, um software horroroso, desenvolvido pela Creative, que fazia mais confusão do que organizava os arquivos, e demorava demais para ripar qualquer CD e transferir seu conteúdo para o player. Para transportar tudo, as caixas de som inclusive, só de carro, porque carregar toda aquela tralha na mão era praticamente impossível. Resultado: o Nomad – que custou uma pequena fortuna – ficou atirado em um canto pegando poeira enquanto eu me lamentava por ter comprado aquilo. Na prática, para mim, a era mp3 começou, efetivamente, com o iPod, quer a Superinteressante goste ou não. Hoje carrego 20 GB de arquivos para todo o lado, no bolso, sabendo que minhas baterias vão durar pelo menos oito horas, sem recarga. o iTunes me permite facilmente definir os critérios de classificação das músicas, editando tags e agrupando conteúdo, que depois é automaticamente transferido para o iPod quando ele é conectado ao PC. Tudo muito rápido e prático. A Apple certamente não inventou o mp3 ou o conceito de tocador, mas com toda a certeza o tornou viável e acessível às massas, o que é muito mais importante do que tudo. Ferdinand Porsche também não inventou o motor a explosão ou a linha de montagem, mas alguém duvida que é dele a maior contribuição para a indústria automobilística?

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