Nada substitui o talento

Publicado: 01/02/2007 por BigDog em Não há o que não haja!

Para quem não sabe, eu mantenho uma página – ou canal, como eles preferem – no YouTube, basicamente com vídeos do Rush. Quando comecei, achei que não iria dar muito certo, era muito difícil que mais um fã da banda disponibilizando vídeos online chamasse a atenção. Mas, como fiz um bom trabalho na organização da página, mantendo atualizadas as tags de procura e, na medida do possível, enviando apenas arquivos com boa qualidade de áudio e vídeo, acabei tendo muitos visitantes, depois assinantes e, por fim, parceiros. Hoje, colaboro com alguns bons sites sobre o Rush, entre eles o Rush Is A Band, do Ed Stenger, que montou o excelente Rush TV no seu blog e passou a usar com muita freqüência o material que eu disponibilizo na rede.

Pois foi lá no site do Ed que eu conheci o P.E.A.R.T. – acrônimo para Pneumatic and Electronic Actuated RoboT, ou robô atuado pneumática e eletronicamente -, uma máquina criada por Frank James Graffagnino, engenheiro elétrico de Lafayette, Louisiana, um sujeito que estava insatisfeito com as baterias eletrônicas disponíveis no mercado. O conceito de Graffagnino é simples: criar um sistema computadorizado para controlar diversos motores pneumáticos que disparam no tempo certo, atingindo uma peça de uma bateria acústica convencional com uma baqueta montada neste braço pneumático. Ou seja, um robô que toca bateria, pretensamente como um humano faria. O P.E.A.R.T. em ação pode ser visto no vídeo abaixo:

Se você se interessa pelo funcionamento destas coisas, as explicações técnicas estão disponíveis aqui. Pelo que entendi, o sistema funciona a partir de um arquivo MIDI que é analisado pelo software desenvolvido por Frank e monta o conjunto de comandos necessários para que cada motor hidráulico se movimente no momento preciso. Tudo muito inteligente, o conceito é magnífico e os esforços de engenharia e programação empreendidos para fazer tudo funcionar demonstram conhecimento técnico bem assim da média. Mas, se você assistiu ao video, notou que tem alguma coisa errada, certo? Sem querer parecer pretensioso nem nada, mas eu acredito que o sistema está longe de ser perfeito e precisa de muito trabalho e aprimoramento.

Primeiro, porque o sistema funciona com um arquivo gerado usando o protocolo MIDI, o que significa que alguém com conhecimentos musicais – ao menos teóricos – teve, utilizando um programa de edição sonora e uma interface de entrada, que “tocar” a faixa pretendida utilizando um instrumento virtual de percussão ou coisa similar. Além disso, o software do P.E.A.R.T. teve que ser desenvolvido por seu criador, o que certamente não tomou pouco tempo e exigiu uma carga de conhecimentos profundos de programação, seja lá qual tenha sido a linguagem utilizada. Tudo isto para fazer funcionar um baterista robô. Na minha opinião, valia muito mais a pena esse povo ter aprendido a tocar bateria. É difícil, toma tempo, exige determinação, mas isso o pessoal envolvido no projeto já provou que tem. E se a solução para o problema do timbre pouco realista das baterias eletrônicas e drums machines disponíveis no mercado tinha de ser digital, não seria melhor investir no desenvolvimento de um novo módulo mais realista? A programação envolvida e o conhecimento musical necessário é exatamente igual nos dois casos.

Segundo, porque, sejamos francos, a performance do P.E.A.R.T. é muito, digamos assim, artificial. O robô não usa acentuação, ghost notes, repiques, e o resultado final, apesar de metricamente perfeito – o que não é de estranhar, visto que se trata de uma máquina -, é extremamente desagradável de se ouvir. No vídeo, você percebe que o som da bateria – que, diga-se de passagem, estava desafinada – parece uma metralhadora, um tá-tá-tá-tá-tá-tá, um negócio medonho. E, apesar da homenagem no nome, um ser eletrônico tocando um instrumento “humano” ainda perde, de longe, para o homem tocando um instrumento eletrônico. Duvida? Preste atenção no PEART original tocando no set eletrônico no começo deste solo:

Eu só vou me emocionar, mesmo, no dia em que inventarem a E.L.V.I.N. ou a B.L.A.K.E.Y.. Por quê? Veja abaixo.

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