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Vamos oficializar?

18/08/2009 BigDog 2 comentários

O que me espanta, na realidade, não são nem os fatos em si, mas a reação quase nula que se tem a partir do conhecimento deles. Se levadas ao pé da letra as acusações atuais, José Sarney é um coronel nordestino que usa a máquina pública para financiar seus projetos pessoais, emprega parentes e desvia dinheiro do orçamento a roldão. O PMDB é uma máquina fisiologista que se entranha em todo e qualquer governo eleito, embora todos estes neguem o fato com certa veemência. Yeda Crusius participou de esquemas e negociatas na DETRAN e no Banrisul, enriqueceu e comprou uma casa com recursos muito superiores a seus rendimentos. Os deputados e senadores voam a passeio para lá e para cá, com dinheiro do erário, além de mandar a família fazer turismo com estes mesmos recursos. Enfim, a casa está caindo por cima, mas estamos todos aparentemente anestesiados com tudo isso. Lembro como se fosse hoje do prazer de ver o governo Collor ter suas negociatas desbaratadas pelas revistas semanais, sendo exposto ao ridículo na mídia. Aquele quadro – tirando a patuscada dos ‘cara-pintadas’ – dava ares de renovação no País, parecia que estávamos chegando a um ponto de amadurecimento nas relações sociais e governamentais. Para mim, foi a última chance que tivemos de resolver as questões da lisura e da probidade na administração pública, porque na época alguém ainda se importava. Mas até isso foi manipulado, a grande mídia se apressou a se isentar de qualquer responsabilidade na eleição do Collor, e somente uma certa resistência e antipatia contra este no Senado fez com que o processo de impeachment seguisse adiante.

Verdadeiras ou não, as notícias atuais não repercutem, estamos todos assistindo passivos a um quadro grave de crise institucional, como se nada estivesse acontecendo. Fomos assimilando a idéia de que o sistema é assim mesmo, todas as denúncias de roubalheira são, invariavelmente, manobras eleitoreiras e, salvo se o camarada for filmado com a mão na massa – e ainda assim, com sua concordância, porque filmar escondido não vale – não se admite nada como prova efetiva da cafajestada. Como se mensaleiro fosse passar recibo do valor embolsado. Como se dona Yeda fosse dizer ‘olha, comprei a casa com dinheiro de campanha, mas danem-se, já tô eleita mesmo’. Enfim, até prova em contrário são todos inocentes, e assim permanecerão, porque nada mais é ‘prova em contrário’. Situação impensável, Collor, Renan e Sarney fecharam questão, formando uma nova tropa – esta sim, me parece ‘de elite’ – para se manter nos cargos e funções assumidas no Senado. Apesar de tudo indicar o contrário, parece que não houve mensalão mesmo, e era tudo uma criação da mídia para desestabilizar o Governo Federal. E, a todas essas, vamos ficando mais anestesiados, passivos e desencantados.

Por isso, quem sabe a gente oficializa? Sugiro a elaboração de uma lei assegurando às autoridades competentes, conforme sua área de atuação, a comissão de 10% (dez por cento) sobre todo e qualquer gasto público. Simples assim. Licitou, construiu, aprovou obra, arrecadou? Passa no caixa e pega a comissão. Pode parecer besteira, mas tenho certeza que assim economizaríamos dinheiro e seríamos poupados do teatro dos horrores que virou a política no Brasil. E com a vantagem de, com o ’seu’ garantido, não iria ter governante fazendo ouvidos moucos a apelos populares. Precisa de ponte, de posto de saúde, de escola? Claro, é para já. De qualquer forma, parece que moralidade pública, agora, é questão de acertar o quanto. Por que não tentar?

O monoteísmo é um erro

15/08/2009 BigDog 4 comentários

A busca da humanidade por uma explicação plausível para a vida, o universo e tudo mais sempre foi uma característica incessante. Desde que superamos os nossos parentes primatas e conseguimos nos comunicar e manter um registro, verbal ou escrito, de nossas experiências – e um certo senso crítico sobre elas -, tentamos encontrar algo que não faça da nossa existência no planeta uma coisa gratuita, sem nexo e sem destino. Acredito que um dos maiores medos, senão o maior, do homem é morrer e, bem, morrer. Acabou, ponto. Por isso, não havendo como, no início dos tempos, explicar até mesmo o mais simples fenômenos naturais, fomos desenvolvendo um pensamento mágico-mítico sobre forças sobrenaturais superiores. Devia ser muito complicado para as primeiras civilizações explicar coisas que as assustavam: o trovão, a chuva, o fogo, a neve, e por aí vai. Por isso, mitos e mais mitos, crenças em deuses diversos, cada um com seu caráter e humor próprios de domínio sobre um ou outro aspecto da vida no planeta. Deuses guerreiros, bondosos, vingativos, glutões, hedonistas, enfim, deuses para todos os gostos. Alguns destes mitos remontam a milhares anos antes da nossa era – marcada, diga-se de passagem, por outro mito religioso, mas sobre isso escrevo depois.

Durante milênios, as diversas civilizações e culturas acreditaram em seus próprios deuses, escolhidos a seu bel prazer. Babilônicos, sumérios, gregos, egípcios, nórdicos, romanos, cada um tinha seu panteão de divindades e cada uma delas atendia a um fim específico. Essas civilizações floresceram em meio a uma torrente de crenças diversas, cada uma adequada ao perfil do povo específico. Povos guerreiros sempre tinham com principal divindade algum deus da guerra, povos afetos às artes adoravam deusas da música, da pintura, do equilíbrio. Mercadores e navegadores tinham seus altares para divinos protetores das rotas marítimas e terrestres, porque seu único interesse era chegar logo ao destino e entregar suas mercadorias, retornando com o lucro respectivo, para então começar tudo de novo. Nessa promiscuidade, deuses casavam com humanos, coexistiam com outras raças e espécies de seres, tais como titãs, elfos, duendes, exus e por aí vai. E todos esses impérios floresceram, prosperaram, enriqueceram e tiveram sua apoteose, para depois serem dominados pelo império seguinte, o que acentuava ainda mais o quadro geral, na medida em que deuses e divindades ‘migravam’ junto com seus adoradores.

Do outro lado, do ponto de vista científico, é impressionante ver como tais civilizações antigas prosperaram e realizaram coisas que, com as técnicas da época, até hoje nos surpreendem. Ainda temos, para muitas destas realizações, a perplexa pergunta ‘como eles fizeram isso?’. Arrisco a dizer que os homens atuais, frente aos desafios que se apresentavam na antiguidade, sentariam e chorariam, sem ação, pondo fim à raça humana. Era preciso muita coragem e determinação para construir as coisas na base da força braçal, descobrir na tentativa e erro e apresentar os resultados. Hoje nos jactamos de todo nosso progresso, nosso conhecimento acumulado, mas quantos de nós efetivamente sabe de algo do que está acontecendo? Quase ninguém. Não é teoria conspiratória, é apenas um fato: o mundo cresceu demais, apesar da impressão de que está menor, com a comunicação globalizada e tudo o mais, mas o fato é que há níveis demais, complicações demais, oportunidades e negociatas demais.

E o que isso tem a ver com o monoteísmo? Tudo. Com o devido respeito a quem pensa o contrário, nós somos o que somos, retrógrados – sim, retrógrados, não confunda permissividade com liberdade, desleixo com tolerância, arrogância com sabedoria -, individualmente inferiores a nossos antepassados em termos de domínio do conhecimento geral acumulado pela humanidade, e perdemos, de um modo geral, o interesse pela descoberta, pela ousadia, confiando demais em ‘especialistas’ e esperando que empresas sem face resolvam nossos problemas, porque tudo o que vivemos, respiramos, acreditamos, se funda no legado de uma mancha indelével do homem na terra: a Igreja Católica Apostólica Romana e todos os seus renegados filhotes. Não que os católicos tenham criado o monoteísmo, antes haviam os judeus e seu deus único, Javé, e depois surgiram os muçulmanos, com Alá e seu Profeta, mas foram eles que o espalharam como uma doença por toda a humanidade, acirrando a intolerância e a ignorância como forma de dominação e submissão.

Sim, porque, no fundo, não há um único registro confiável do que seja a vontade deste Deus único que adoramos como alternativa exclusiva nos dias atuais. Na verdade, o que é dito como ‘vontade de Deus’ nada mais é do que a transcrição deturpada de supostos contatos com o Criador e das palavras de seu filho, Jesus Cristo, transcritas no novo testamento sem que – e aqui cito Harold Bloom – haja uma única destas linhas escrita por pessoas que conviveram de verdade com o personagem histórico. Tanto isso é verdade que a igreja primitiva promoveu concílios e discussões acirradas para eleger os evangelhos ‘autênticos’, ou seja, aqueles que deveriam fazer parte do catecismo oficial. Intuitivo deduzir que, tendo desprezado vários outros, somente os que se encaixavam ao padrão de comportamento eleito, escritos séculos depois da morte de Jesus, foram admitidos, tudo com vistas a legitimar reinados, ampliar poderes e impor a dominação aos povos. Em resumo, não se trata de verdade única, apenas a verdade escolhida, aquele que servia aos interesses.

E, desde então, vivemos com este estigma de uma sociedade concebida com o foco em um comportamento predeterminado e que asseguraria o acesso ao ‘reino dos céus’. E eu pergunto: como desconsiderar todas as outras possibilidades? Por que afastar o deus dos judeus ou dos muçulmanos – ou a compreensão dele, caso se considere que são todos o mesmo deus único e criador, coisa que não farei, por absoluta falta de embasamento – apenas por mentiras, intolerância e ganância? A dominação cultural e econômica decorrente do catolicismo é a mais hedionda da história, sem sombra de dúvidas. O colossal atraso imposto pela nova religião condenou a humanidade a uma idade das trevas duradoura demais, na qual se queimaram ‘bruxas’, derrubaram-se governantes honestos, manipulou-se o entendimento e a vida da população, extorquindo dela até o último vintém disponível. Uma brutalidade sem paralelo. Isso sem falar nos sub-produtos deste embuste: a pecha fixada em judeus de sujos e inconfiáveis, porque foram eles que mataram o Filho do Homem, o holocausto, a incomunicabilidade com o mundo árabe que, durante toda a idade média, esteve anos-luz à frente do catolicismo em termos de desenvolvimento científico e cultural. Nos dias atuais, tentando sobreviver, os católicos revêem algumas posições, querendo se modernizar, mas um pouco tarde demais, ao menos para as bruxas e cientistas condenados e executados como hereges. E para reverter o processo de inquestionável boçalidade que estabelecemos.

Por isso tudo, entendo que o monoteísmo seja um erro de concepção, uma forma de pensar opressiva e velhusca. Ainda hoje vemos os frutos disto tudo nas guerras disfarçadamente travadas em nome do Senhor – quando a briga, todo mundo sabe, é pelo petróleo – e na fundação de cultos evangélicos que tentam enriquecer à custa da ignorância do povo. Por mais que os católicos as repudiem, foram eles que prepararam o terreno para esta gente, hoje próspera, rica e lustrosa, mas que, de forma alguma, pode se eternizar. Assim como todas as formas de pensamento único e direcionado. Liberdade de credo tem que ser mais do que uma mera garantia escrita em constituições que ninguém lê. Deve ser a libertação de todo o modelo implantado, pelo nosso próprio bem.

O valor único

02/06/2009 BigDog 2 comentários

Para quem mora no Brasil, escândalo envolvendo dinheiro público é uma coisa absolutamente cotidiana. É passagem aérea para a família para cá, mensalão para lá, superfaturamento não sei mais onde, num círculo vicioso instalado há décadas e que, para falar a verdade, não sei se alguma geração vai chegar a banir. Reclamamos muito, de tudo, principalmente porque não são tomadas quaisquer medidas para coibir tais abusos. Nenhuma mesmo. Parece que mais sorte tem quem chega primeiro, quem consegue meter a mão na bolsa da viúva antes… Eu, particularmente, ando absolutamente cansado de tudo isso. Desde que me entendo por gente – mais ou menos uns três meses atrás – as coisas são assim, é pilantragem em cima de pilantragem, e já não tem nem mais graça falar disso. O mais dolorido é que esse comportamento reflete exatamente o das pessoas que colocam estas raposas para cuidar do galinheiro: o eleitor. E este, por sua vez, faz tudo o que faz porque tem uma única lógica na sua cabeça: o dinheiro!

Fenômeno mundial, o endeusamento da bufunfa faz com que as pessoas tomem atitudes cada vez mais tresloucadas, transformando o único valor que não está intrinsecamente ligado ao caráter no único válido. Em síntese, honestidade, lisura, lealdade, palavra, tudo isso são coisas absolutamente dispensáveis e irrelevantes. Apareça bem vestido e com um carro do ano, e ninguém vai se importar se isso tudo foi adquirido com dinheiro honesto ou com desvios e crimes. A influência do larjã é tão grande que cega as pessoas e faz com que algumas atitudes levianas e impensadas as conduza ao extremo: perder dinheiro! Algumas pessoas não se dão conta de que, ainda que possam ter um ganho imediato, isso representa uma perda no futuro, e não necessariamente um prejuízo para o suposto ‘lesado’. Mas não adianta, quando se trata de lucro, vendemos a mãe, desrespeitamos e prejudicamos amigos, colegas de trabalho, familiares e quem mais estiver na volta. Coisas que seriam absolutamente ilógicas passam a representar grandes metas na vida das pessoas. Perde até um pouco o sentido a velha frase feita de que os fins justificam os meios. Atualmente nem as finalidades práticas justificam o fim almejado. Triste viver esses tempos, em que somente a carteira se apresenta como importante. Pena.

Velho George!!!

ALL THINGS MUST PASS – George Harrisson

Sunrise doesnt last all morning
A cloudburst doesnt last all day
Seems my love is up and has left you with no warning
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away

Sunset doesnt last all evening
A mind can blow those clouds away
After all this, my love is up and must be leaving
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
None of lifes strings can last
So, I must be on my way
And face another day

Now the darkness only stays the night-time
In the morning it will fade away
Daylight is good at arriving at the right time
Its not always going to be this grey

All things must pass
All things must pass away
All things must pass
All things must pass away

A mãe de todos os vícios

31/03/2009 BigDog 2 comentários

Toda e qualquer virtude pode ser definida como o exato meio termo entre duas posturas opostas e antagônicas em uma determinada linha de comportamento. Assim como existem os perdulários, há os avarentos, cada conduta situada em uma ponta de um grande espectro de possibilidades. O centro, ou seja, o equilíbrio entre estas duas características, pode ser classificado como virtuoso. É bom e equilibrado o homem que, sem se descuidar do futuro e sempre sendo previdente, ainda sabe dedicar parte de seus ganhos para o lazer e outros prazeres hedonistas, auxiliando, finalmente, o próximo quando necessário e possível. O raciocínio vale para qualquer aspecto da vida humana. Não existe virtude no excesso, nenhum mérito na insuficiência. Pode-se afirmar, portanto, que o homem médio – assim entendido aquele que pauta suas condutas pelo equilíbrio entre posições eqüidistantes – é o homem bom, honesto, são.

De outra parte, na nossa cultura convencionou-se condenar a mediocridade como algum ruim, indesejável em todos os aspectos. O que poderia parecer um contra-senso, não fosse a análise mais acurada que pode ser feita sobre o ’saber’ popular. A mediocridade, como por nós definida, diz respeito àquela postura arrogante em relação a vida, que o brasileiro é mestre em adotar. Batemos no peito e estufamos o pulmão para falar sobre a nossa ignorância. Lemos poucos, e quando lemos são os Paulo Coelho e Lair Ribeiro da vida. Temos uma política corroída e pobre, mas é o nosso jeito ‘malandro’ de ver o gerenciamento da máquina pública. Acreditamos em qualquer bobagem que nos imponham, lemos ‘O Segredo’, fazemos terapia holística e tomamos florais de Bach adoidado. E continuamos sempre desbordando de qualquer boa conduta. Somos rudes, toscos, mal educados e ignorantes, mas temos muito orgulho disso! Por isso sempre acreditei que a mediocridade, tal como o brasileiro a definiu, é a mãe de todos os vícios. Fugir dela, portanto, e chegar à média, na verdadeira acepção da palavra, deve ser o objetivo de vida de todos nós.

Por isso o conselho: menos axé e mais cabeça aberta para ouvir outras coisas. Menos esperteza e mais preocupação com os deveres. Não proclame o direito que tens, procure ver se este direito pode ser exercido em prol dos que estão mais próximos. Não compre subwoofer, e se comprar não abra o capô de seu carro quando essa porcaria estiver ligada. Beba com moderação, de preferência não em locais públicos como praias e afins. Respeite o outro. Assim, tudo pode melhorar. Inclusive, por mais incrível que possa parecer, para você também.

Outra que ‘não pegou’.

29/01/2009 BigDog 1 comentário

E eis que, passados sete meses da publicação da chamada “Lei Seca”, aquela que estabeleceu a tolerância zero para o álcool no trânsito, com a fixação de multa de nada menos que R$ 957,70 e suspensão do direito de dirigir por um ano para os motoristas flagrados com até 6 decigramas de álcool por litro de sangue, e até dois anos de prisão para medições com valores superiores a este, o número de acidentes envolvendo motoristas alcoolizados voltou a crescer, apesar de uma sensível mudança no quadro no período imediatamente subseqüente à entrada em vigor da referida lei. Se, no início, sentiu-se uma significativa queda no número de atendimentos a vítimas de acidentes envolvendo motoristas embriagados, as ocorrências deste tipo na cidade de São Paulo em dezembro de 2008 aumentou em 39% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados pela Superinteressante (edição de fevereiro/2009). Não encontrei dados referentes ao Rio Grande do Sul, mas acredito que esse indicador paulista seja uma amostra relevante do quadro atual, muito similar ao existente anteriormente à lei.

Quando da edição da nova legislação, defendi a idéia de que os novos parâmetros fixados eram absolutamente despropositados, e beiravam ao absolutismo. Tive de ouvir as explicações de sempre, porque em tal lugar é assim, em outro assado, etc. Mas o fato é que nossa draconiana legislação se assemelha, apenas, àquelas de países notoriamente intolerantes em qualquer área, incluindo aí os muçulmanos – cuja proibição do uso de álcool é, antes de mais nada, um preceito religioso. Como não não pretendia impor a idéia a ninguém – a tolerância é fundamental à boa convivência -, deixei o assunto de lado, até mesmo porque, como todos sabem, a fiscalização foi arrefecendo, ninguém mais teve que soprar em bafômetro, as autoridades começaram a esboçar as mesmas desculpas de falta de pessoal e equipamentos, e o cerco foi afrouxando, até o ponto de retornar tudo ao estado inicial. Ou seja, estamos de volta ao caos no trânsito, com todo mundo bebendo e dirigindo à vontade, sem qualquer restrição e/ou medo das conseqüências.

O que me traz de volta ao ponto que sempre defendi: o que falta é fiscalização. Elaborar uma lei extremamente rigorosa pode ser salutar para os fins que se deseja atingir – embora, por vezes, o bom senso seja desnecessariamente sacrificado no processo – mas é somente com um Estado atuante na repressão às condutas indevidas que se obtém qualquer benesse da medida. Em outras palavras, já desgastadas pelo uso, digo e repito: a lei anterior era suficiente para evitar a maior parte dos acidentes, o que faltava, como volta a faltar, é atuação efetiva dos órgãos de controle. Na seqüência, podemos elaborar uma legislação dizendo que os bens do motorista alcoolizados ficarão indisponíveis por um ano, os impostos do infrator sofrerão um acréscimo de 10%, não importando sua origem ou instância. Ou, ainda, já que estamos rumando à absoluta falta de meios-termos, podemos determinar a amputação da orelha esquerda do camarada, e da direita em caso de reincidência. Nada vai resolver sem policiais, devidamente equipados, nas vias públicas.

Essa a triste realidade de nosso país: fazemos leis que ‘não pegam’. Como se fosse possível, numa ordem democrática relativamente estável, existir uma lei apenas para constar, uma legislação vigente mas totalmente ineficaz. Espero que, pelo menos no carnaval, essa degradante catarse de apetites desenfreados e abusos de todas as espécies, a fiscalização empregada no início da vigência da lei seca retorne, e nós possamos reiniciar mais um ano – sim, o ano só inicia depois do carnaval, isso é um fato – com a boa notícia de termos menos mortos nas estradas. Se bem que eu acho muito difícil.

Feliz ano novo!

Mensagem de ano novo – BigDog

Vai-te embora, 2008!

12/12/2008 BigDog 1 comentário

Deixem-me fumar, caramba!

10/12/2008 BigDog 2 comentários

Frank Zappa, gênio que era, uma vez respondeu, perguntado sobre o porquê permanecia fumando, se era radicalmente contra o uso de drogas, que para ele cigarros eram comida. As pessoas em São Francisco podiam ter teorias malucas sobre viverem para sempre, mas ele vivia sua vida fumando e bebendo aquela água preta que estava sempre em seu copo. Deu para entender o conceito? Não paro, e pronto… Respeito lugares públicos, gestantes, crianças, idosos e não-fumantes que manifestam vontade em não participar da minha auto-indulgência. No mais, me deixa fumar quieto. Sim, eu sei, faz mal, prejudica a saúde, aumenta a pressão, etc. Mas é TÃO bom… E, de mais a mais, na minha casa mando eu! Aquele abraço.

Na minha cabeça…

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De como tudo virou merda…

Quantas fotos você tem em seu perfil do orkut? E quantas realmente precisariam estar lá? Quantas necessitam de uma legenda de três linhas para que alguém possa ter uma vaga idéia do motivo pelo qual aquela imagem foi parar lá? Quantos contatos você tem no MSN? E com quantos você teria vontade de sentar em uma mesa de bar para uma conversa de verdade? Quando você vai comprar seu iPhone? E tem alguma idéia do que fazer com ele? Já ouviu pelo menos a metade dos discos que baixou? Tem alguma noção do que está acontecendo agora? Pelo menos ilustrativa, vai… Tem gente nascendo, morrendo, casando (né, seu Felipe?), separando, cagando e andando… Todos sem rumo, sem noção, sem sentido, sem nada… Eu, mais um.

A propósito, o Boteco Natalício realmente é o melhor de Porto Alegre. Disparado, sem nem graça… Chopp cremoso, a costelinha de porco com mel defumado (quer casar seu Felipe? Vai perder essa), a sobremesa de goiabada com queijo… Enfim, o melhor.

Projeto um disco por dia.

30/09/2008 BigDog 1 comentário

Pois é, completamos três meses sem nenhum requentado do cachorrão. Não que alguém tenha sentido falta do meu tradicional amontoado de asneiras, mas o caso é que eu gostava de escrever a coluna. Mas porque não escrevo, então? Simples, mesmice… Na verdade, estava um pouco estagnado em termos musicais, ouvindo muitas vezes os mesmos discos, de novo e de novo. Coisas da velhice que se aproxima à galope. Por absoluta falta de qualquer novidade, fui deixando meu espaço ir se perdendo, e mesmo agora, depois de três meses inteiros, não tenho muito o que escrever. Como também já não tenho saco de ficar esperando disco vir pelo fio do telefone nos P2P da vida, não há nada de novo no front… Para corrigir isso, resolvi encarar com bravura novos cardápios musicais. Eu, que sempre critiquei o tal de Orkut por ser um negócio totalmente inútil, finalmente descobri uma utilidade para o troço. O esquema é o seguinte: uma banda diferente por dia, um disco por vez. Não importa o estilo, a época, nada, o que importa, simplesmente, é não estar na lista dos mesmos de sempre. Nesse samba do crioulo doido, já passaram por aqui XTC, Killing Joke, Os Mulheres Negras, Hüsker Dü, The Ataris, Oingo Boingo, Helmet, Bad Brains, KC & The Sunshine Band, Wolf Parade e Spock’s Beard. Pode ser que, em breve, eu retome o requentado. Por enquanto, estou me divertindo horrores com a maluquice. Claro que não estou organizando nada, e a maioria dos arquivos vai para a lixeira imediatamente depois de terem sido ouvidos. Mas está legal…

Pré-sal. E agora, José?

24/09/2008 BigDog 6 comentários

Tenho lido muito sobre a discussão acerca do petróleo do pré-sal e todas as implicações políticas e econômicas decorrentes da exploração deste recurso natural. Pelo que entendi, a idéia de Molusco I, o engraxado, é fundar uma nova estatal dedicada exclusivamente à exploração das reservas, retirando da Petrobrás – hoje uma multinacional muito distante do ufanismo patriótico que a permeava quando de sua criação – a autorização para captar tais recursos, nacionalizando os lucros, que seriam revertidos para programas sociais. As alternativas mais aventadas para este modelo seriam, a exemplo do que fazem os países nórdicos, criar um fundo de investimento em instituições financeiras internacionais, somente liberando os recursos à medida em que a oferta de produtos e serviços se mostrasse compatível ou houvesse necessidade de gastos urgentes, ou destinar a produção exclusivamente ao consumo interno, estocando eventuais excedentes para momentos de crise de abastecimento.

Claro que a solução da questão está longe de ser pacificada, e quaisquer dos planos acima apontam para benefícios e deficiências que precisariam ser contornada. Minha opinião – sem qualquer embasamento, como sempre – é a seguinte: deixa o petróleo onde está!

Primeiro, porque a abundância de divisas decorrentes da exploração petrolífera se mostrou prejudicial em diversos casos, com países riquíssimos neste campo demonstrando falhas grosseiras em seus sistemas econômicos e sociais. Compreendo que a economia nacional está estruturada suficientemente bem para evitar que passemos a ser uma nação dependente exclusivamente dos recursos advindos da venda do óleo, não havendo indicativos que ocorrerá um abandono das demais fontes produtivas e o estabelecimento de oligarquias enriquecidas em detrimento de uma grande massa de necessitados e desempregados. Mas acredito que, assim como a escassez, a pujança também é difícil de ser administrada. Extraindo apenas o necessário ao consumo interno, obteríamos dois resultados positivos: longe de mãos ambiciosas, o petróleo não se tornaria um facilitador de aventuras econômicas impensadas, permanecendo em reservas ainda disponíveis para eventuais necessidades; e, auto-suficiente na questão energética, o país poderia reduzir o preço dos combustíveis e os custos da indústria, o que gera emprego, desenvolve a economia e fortalece a posição do país no mercado internacional.

Segundo, porque é fato que o modelo energético vigente demorará ainda algum tempo para ser mudado, talvez mais do que resistem as reservas atuais. Nesse caso, qualquer nação que ainda disponha de reservas consideráveis terá na manga um trunfo fortíssimo para negociações internacionais. Aqui eu falo, efetivamente, de chantagem. Ao invés de nos submetermos às regras alheias, podemos vir a ocupar a privilegiada posição de ditar tais regras, condicionando o fornecimento do produto a algumas exigências que só não são aceitas atualmente em razão de nossa posição sempre inferiorizada no cenário econômico. Claro que aqui temos o risco de sofrermos uma invasão armada, sob qualquer pretexto, mas se bem pensada e negociada, a alternativa não é de todo má.

Enfim, a questão é nova e ainda merece muito debate. O que me deixa satisfeito é que, ao contrário de outros tempos, não estamos pensando em gastar tudo em cachaça. Sinal de amadurecimento.

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‘Foi o 20 de setembro’… (Ênfase no FOI)

24/09/2008 BigDog 1 comentário

O Rio Grande do Sul, muito provavelmente, é o estado da federação que demonstra com mais clareza sua ligação com as tradições ancestrais de seu povo. Claro que a cultura popular é valorizada em todos os lugares, mas nós temos essa marca de nos orgulharmos das coisas que caracterizaram o ’ser’ gaúcho, e tendemos a eternizar o modo de vida dos antepassados como sendo a ‘autêntica’ cultura gaúcha. É extremamente delicado tocar nesse assunto, ainda mais sabendo que vou tomar um laço fenomenal aqui mesmo na casa – temos correntes tradicionalistas barbaridade entre nós – mas o fato que acho simplesmente ridículas e totalmente deslocadas algumas atitudes adotadas por parte da população que quer preservar as tradições, notadamente no mês de setembro, que culmina, no dia 20, com o aniversário da famosa ‘Revolução Farroupilha’, uma guerra civil que nós perdemos. Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que tenho muito orgulho de ser gaúcho. Até porque a opção quase concretizada seria ser catarina… Mas, enfim, gosto da franqueza, da hospitalidade e do jeito mais, digamos, ’simples’ de ser do nosso povo. Nos outros estados que visitei, sempre senti um certo distanciamento inicial ao qual não estou habituado. Para mim, muitas vezes é difícil quebrar este gelo, e a espontaneidade do gaúcho auxilia neste ponto. Claro que muito disso é mito, temos pessoas aqui extremamente antipáticas e que não se enquadram, de maneira nenhuma, no estereótipo do gaúcho, mas no geral somos receptivos – no bom sentido – e simpáticos. O que não tolero, sob nenhuma hipótese, é ter de assistir, pela milionésima vez, às mesmas demonstrações tacanhas de bairrismo, preconceito e apego ao que não mais existe – se é que um dia existiu.

Bairrismo porque, por mais incrível que possa parecer, frente a um quadro mundial de aglutinação de nações em grandes blocos econômicos, ainda tem gente que pensa no Rio Grande como um estado injustiçado, com vocação para nação independente, mas atrelado a um Brasil usurpador de nosso trabalho e ingrato com nosso esforço. Evidente que somos um dos estados mais destacados da federação, produzimos muito e bem, mas isso não quer dizer que os outros não o sejam, e que possamos prescindir de qualquer auxílio ou integração com eles. Assisti, atônito, a manifestações de desapreço ao Brasil e a reafirmação da doutrina do separatismo – afinal estávamos comemorando justamente uma insurreição que visava ao desligamento do governo brasileiro, para a fundação de uma nação autônoma. E isso simplesmente não faz o menor sentido. São quimeras decorrentes de um ideário subconsciente de que somos melhores e sobreviveremos sozinhos, contrariando toda a lógica de integração para fortalecimento que é a tendência mundial. Evidentemente, este cenário está mudando, passaremos por grandes alterações dos sistemas econômicos mundiais, impérios cairão – como sempre acontece – e é muito temerário apostar como será o futuro. Mas isso é apenas mais uma razão para não virarmos as costas a ninguém nessa hora.

Preconceito porque simplesmente não se toleram, no âmago do movimento tradicionalista gaúcho (MTG) quaisquer alterações do que eles definiram, a seu bel prazer, como culturalmente autêntico e representativo do povo gaúcho. O que ninguém parece se dar conta neste meio é que o mundo, por incrível que possa parecer, mudou muito desde a época em que foram concebidas as roupas, costumes, danças, enfim, a ‘cultura gaúcha’ que pretendem defender. Hoje em dia, quase ninguém desfila de bombacha pelas ruas, e os costumes ‘campeiros’ não fazem qualquer sentido quando a imensa maioria da população é urbana, vivendo como em todas as grandes cidades do Brasil e do mundo, obedecendo ao protocolo estabelecido no que se refere ao vestuário, aos costumes alimentares, à etiqueta, enfim, a maioria da população está conformada a um modo de ser mais urbano e cosmopolita. Além disso, o Rio Grande foi um estado colonizado por diversas etnias, todas com suas culturas e costumes, trazidos para cá, que acabaram por redefinir o que era ’ser gaúcho’ ao longo do tempo. Tentar congelar qualquer parte do passado, depurando o que tenha ocorrido depois, beira ao patético. Nesse contexto, fica difícil apreciar coisas como o tal ‘acampamento farroupilha’, onde um bando de marmanjos resolve brincar de homem do campo, montando cabanas de madeiras, nas quais permanecerão à toa bebendo o dia inteiro e, eventualmente, participando de algum tiroteio, afinal são todos ‘machos prá caralho’. O que parece passar batido é que o local do acampamento é atendido por luz elétrica, água encanada, linhas de ônibus, restaurantes e estacionamento pago. Muito rústico, portanto.

Finalmente, não se mostra mais viável defendermos idéias do passado, valorizando coisas sobre as quais pairam sérias dúvidas. Nossos heróis, cantados em prosa e verso, não eram seres sobre-humanos imunes à quaisquer sentimentos menores como cobiça, inveja, orgulho, etc. Ao contrário, há muito figuras lendárias tem sido questionadas em estudos históricos sérios, principalmente em relação às motivações e destinos da tal revolução. Nesse particular, é uma marca do gaúcho se enaltecer, contando bravatas e se vangloriando do que supostamente teria feito. Lógico que toda a história – até mesmo a que está acontecendo neste minuto – depende do ponto de vista a partir do qual é estudada, dos fatos divulgados e dos omitidos, podendo mudar conforme a vontade desse ou daquele setor. Isso é uma constante universal, muitas figuras de relevo foram forjadas no imaginário popular com os mais diversos interesses. O que nós precisamos, na verdade, é parar de acreditar que fomos os primeiros a fazer isto, os melhores naquilo, os mais destacados naquilo outro, e rever com frieza o passado, para poder entender o porquê de sermos assim no presente. E não vai ser criando leis sobre o ‘autêntico’ churrasco – invenção nossa e um dos poucos pratos admitidos como verdadeira culinária gaúcha -, que resolveremos isso. Alguém precisa dizer que a coisa mais lógica a se fazer com carne crua em um ambiente de poucos recursos é assá-la em uma fogueira, coisa que os neandertais já haviam descoberto. Enfim, viva o 20 de setembro e o Rio Grande do Sul, mas o verdadeiro, não o da ópera-bufa.

Parasitas da glória.

17/08/2008 BigDog 1 comentário

Michael Phelps ganhou hoje, em Pequim, sua oitava medalha de ouro nesta olimpíada, superando o lendário Mark Spitz, que havia amealhado sete ouros olímpicos nas olimpíadas de Munique, em 1972. Para se ter uma vaga idéia do tamanho do feito, basta dizer que, no presente momento, Phelps, sozinho, estaria à frente de países como Rússia, Itália, França, Ucrânia, Romênia, República Checa, Polônia e Canadá no quadro de medalhas. Isso sem falar nas delegações que conquistaram apenas um ouro, caso do Brasil. Sem ele, os EUA manteriam a segunda colocação no quadro geral, mas apenas no critério do desempate pelo número de medalhas de prata – seriam onze medalhas de ouro, o mesmo número da Grã-Bretanha. Claro que a constituição física de Phelps, com todas as vantagens anatômicas sobre as quais já se escreveu à exaustão por aí, lhe possibilitam um melhor desempenho em relação aos demais atletas. Mas este não é o ponto. Phelps chegou neste resultado esplendoroso não por causa da natureza, mas em razão de muito treino e disciplina, como, aliás, todo campeão olímpico.

E é exatamente este o caso do solitário herói brasileiro no ponto mais alto do pódio, César Cielo Filho. Atualmente morando e treinando nos EUA, certamente contando nos dias atuais com algum apoio financeiro de empresas e/ou bolsas de estudo, Cielo mostrou ao Brasil que com dedicação e esforço se conseguem resultados incríveis, como sempre acontece em toda a olimpíada. Bradam-se a plenos pulmões o tamanho da sua conquista, a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira, superando ícones como Gustavo Borges e Fernando Scherer. Cielo passa a ser, até o momento, o maior nadador brasileiro de todos os tempos em olimpíadas. Um feito extraordinário… PARA ELE!

Sim, apenas Cielo e sua família podem e devem comemorar esta vitória. Foi o esforço de seus pais que o levaram a treinar nos EUA, onde certamente aprimorou sua técnica e conseguiu se colocar entre os grandes do mundo. Foi o trabalho exclusivo e solitário do atleta dentro da piscina que o tornou o que é hoje. Eu fico extremamente irritado com a vinhetinha ‘Brasil-sil-sil-sil’ a cada medalha conquistada, como se nós tivéssemos alguma coisa a ver com as vitórias conseguidas pelos compatriotas. Se Cielo chorou no pódio e emocionou o público que assistia a premiação, podem ter certeza que aquelas lágrimas foram mais de saudade da família, alegria pela conquista, satisfação pela recompensa ao esforço, do que por ouvir o hino nacional e ver a bandeira do Brasil subindo. Mas a patuléia já associa: a emoção pelo feito conquistado, o amor pela pátria, o Galvão se rasgando em suas características patriotadas… Até quando teremos que aturar estas bobagens? Na volta ao Brasil – se é que vai haver, não sei dos compromissos do atleta nos EUA – certamente será convidado para subir a rampa do planalto com nosso garboso presidente, para dar entrevista no Jô Soares e talvez até seja recebido com festa no aeroporto, carro de bombeiros, etc. É engaçado imaginar que muito provavelmente, quando embarcou para viver em outro país, única maneira de ter acesso a condições decentes de treinamento, estavam apenas os pais e amigos no aeroporto a encorajar o atleta. Este é o Brasil, eternamente sugando a glória alheia, sem fazer nada para incentivar quem precisa e tem condições de ir além, apenas contando que a sorte ou o esforço individual façam alguma diferença. No caso de Cielo fizeram, o que só aumenta seu mérito. Mas o Brasil não tem nada a ver com isso!!!

Nunca antes na história deste país…

Uma das características comuns entre praticamente todos os governos ditatoriais ou autocráticos da história é a possibilidade de o governante editar, a seu alvitre, atos administrativos com força de lei. Na verdade, o fechamento do congresso nacional – ou seja qual for o nome da casa legislativa – é o sonho de consumo de quem quer que se aventure a gerir, sozinho ou com poucos aliados, uma nação. Recentemente, Hugo Chávez baixou, via ato do poder executivo, cuja designação venezuelana eu evidentemente desconheço, diversas medidas que haviam sido sumariamente rejeitadas em um plebiscito popular. A única medida que Chávez manteve na manga foi a possibilidade de sucessivas reeleições do presidente da Venezuela. De resto, todas as medidas – totalitárias e centralizadoras, evidentemente – foram impostas ao povo, que havia dito ‘não’ a elas nas urnas.

No Brasil, o expediente sempre foi utilizado nos governos ditatoriais que tivemos de enfrentar. Os Atos Institucionais dos governos militares eram sucessivamente editados, sem ser submetidos a uma verdadeira avaliação pelo congresso e, quando eram, esta casa era formada pela curriola fardada, o que transformava o ato em mera solenidade de chancela para as decisões do executivo. Na era Vargas tivemos diversos decretos presidenciais baixados indiscriminadamente, alguns deles vigendo até hoje, como a tão prosaica CLT e o Código Penal. Nada que não se justifique pela simples necessidade, um governo centrado em uma única figura, ou em um grupo de pessoas, depende fundamentalmente da capacidade de impor a vontade aos demais, sem possibilidade de contestação.

Com a Constituição Cidadã de 1988 – frouxos de riso, perdoem-me -, buscou-se evitar tal tipo de manobra, tolhendo ao presidente da república a possibilidade de decretar o que fosse de seu interesse sem qualquer limitação, reservando-se as medidas provisórias para casos de urgência ou relevância, e ainda assim determinando que fossem submetidas posteriormente à votação pelo congresso, com a possibilidade de rejeição do texto da MP e o retorno ao ’status quo’ anterior. Com o tempo, entretanto, tal mecanismo constitucional foi se mostrando ineficaz, porque os congressistas dificilmente votavam o teor da MP, que permanecia em vigor, em sucessivas reedições, como se lei fosse, gerando efeitos jurídicos irreversíveis, apesar de não ser esse o intuito do mecanismo. Para sanar tais distorções, emendou-se a constituição – quase um esporte nacional – para determinar uma nova série de previsões acerca das MPs, inclusive a impossibilidade de que se procedam às votações de quaisquer projetos enquanto restarem medidas pendentes de votação há mais de quarenta e cinco dias e a restrição das parcial das matérias que podem ser tratadas neste instrumento legislativo.

E essa era uma das principais críticas ao governo FHC: o excesso de medidas provisórias editadas, decorrente da flagrante vontade de ‘acertar’ a legislação conforme a necessidade do poder executivo. Cansei de ouvir e ler críticas e mais críticas sobre o assunto, que estava havendo uma ofensa ao processo democrático, yadda-yadda-yadda. Pois esta semana, sem muito alarde, excluindo uma ou outra notinha de pé de página em algumas publicações, Molusco I, o galanteador, quebrou o recorde de FHC. Enquanto este editou, nos oito anos de seus mandatos, 334 medidas provisórias, Lula, em apenas cinco anos e meio, já deixou seu jamegão em 335. Claro que isso poderia ser um problema, pois se o congresso rejeitasse de maneira reiterada esses atos, os efeitos jurídicos surgidos no período de sua vigência poderiam ocasionar discussões ferrenhas, a exemplo do que acontecia no governo FHC. Mas em tempo de mensalão – desculpem, esqueci que isso nunca ocorreu – as coisas ficam bem mais fáceis. Como eu sempre digo, os meios indicam os fins, que definitivamente não os justificam. Nunca antes na história deste país se esteve tão perto de uma autocracia com trejeitos de regime democrático. Não faço alarde, como tantos energúmenos por aí, mas as indicações são claras de que, reconduzido um petista à presidência – talvez o próprio Lula, esta hipótese ainda não está completamente descartada, apesar do que ele diz -, teremos algumas rupturas institucionais desagradáveis. E que nem eram aquelas que estavam no programa oficial do partido.

Um peso, uma medida

O Supremo Tribunal Federal decidiu, no dia 06 de agosto, que os candidatos que respondem a processos judiciais não deve ser impedidos de participar das próximas eleições municipais (notícia do site oficial). O pedido havia sido formulado pela Associação dos Magistrados do Brasil – AMB, que inclusive divulgou em seu site uma lista de todos os candidatos inscritos para o pleito que se encontram em tal situação ou, como popularmente referido, estão com a ‘ficha suja’. Pela decisão, que tem poder vinculante a toda a magistratura nacional e deve motivar a reforma de decisões dos TREs que indeferiram o registro de alguns candidatos, enquanto não houver decisão condenatória com trânsito em julgado, o candidato é considerado inocente e pode participar do certame. Parte da polêmica girava em torno da possibilidade de ser divulgada qualquer lista contendo os nomes dos candidatos indiciados e/ou denunciados por prática de crimes. Quanto a este ponto específico, o Ministro Ayres Brito ‘lembrou que uma coisa é a vida pregressa como condição de elegibilidade, outra é informação ao eleitor’ .

É um pouco complicado elogiar a posição do STF em alguns pontos específicos, especialmente nas decisões tomadas em processos de grande repercussão financeira para o governo federal, aquelas que envolvem uma grande massa de ações pendentes de julgamento. Perguntado a qualquer aposentado do INSS qual o opinião dele sobre a atuação da Corte Suprema, certamente se ouvirão uma série de impropérios e reclamações. Isso porque o Tribunal é imensamente condenscendente com a administração, revertendo, muitas vezes com base exclusivamente em argumentos políticos, jurisprudência adotada de forma uniforme em todas as cortes e instâncias do judiciário. Normalmente, são as instâncias inferiores que assumem o descrédito por essa mudança repentina nas expectativas dos cidadãos, que não compreendem como uma questão acolhida quase à unanimidade por juízes e desembargadores acaba virando pó aos olhos dos ministros. Mas isso é da regra do jogo, a última palavra é do órgão a quem a constituição incumbe de examinar esses temas em última instância. No caso de perrengas discutindo matéria constitucional, essa incumbência é do STF.

Ocorre que, desta vez, o STF se pautou com extrema competência, decidindo de forma técnica o que lhe foi requerido. Claro que para o eleitor é incompreensível como alguém, respondendo a processo por qualquer motivo, pode voltar a gerir a máquina pública – no caso das próximas eleiçoes, a municipal -, ainda mais quando as denúncias oferecidas contra os candidatos refiram-se exatamente à malversação de recursos públicos. É como colocar a raposa para cuidar do galinheiro, imagina o eleitor.

O caso é que está escrito na Constituição Federal, em todas as letras e da maneira mais clara possível, que ‘ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’ (inciso LVII do artigo 5º). Em outras palavras, somente é culpado aquele que tenha, após regular tramitação de processo judicial em que assegurados o contraditório e a ampla defesa, sofrido condenação irrecorrível. Isso vale para todos, para mim, para você, prezado leitor, e para os candidatos às eleiçoes. Claro que a condenação no curso do mandato pode implicar a perda do cargo, isso quando não se deslocam as competências para instrução e julgamento para instâncias superiores em razão de foro privilegiado ou, ainda, quando não se suspende o curso do processo em razão do cargo assumido. De uma forma ou de outra, se essas últimas situações ocorrerem, é em decorrência da legislação infra-constitucional, ou a interpretação que se faz dela. Por óbvio que muitos acusados buscam o abrigo de cargos públicos para tumultuar a tramitação de processos, evitar prisões ou obter benesses de tribunais mais flexíveis e distanciados dos fatos em si. Mais uma vez, regra do jogo político, em relação à qual, sem alterações legislativas profundas, pouco ou nada se pode fazer.

A melhor parte da decisão, contudo, é aquela que autoriza a divulgação de dados processuais envolvendo os candidatos, uma vez que essa, segundo afirmação do ministro Gilmar Mendes ‘é uma questão que há de se resolver entre essas entidades e os próprios candidatos e partidos’. Definitivamente, uma das decisões mais lúcidas já adotadas pelo STF. Se, por um lado, o candidato deve ter assegurado seu direito a participar das contendas eleitorais enquanto ainda não condenado, por outro o eleitor pode e deve ser informado acerca da implicação de seu candidato em ações judiciais, inclusive sendo-lhe franqueada a consulta aberta a dados de tais processos, sem quaqluer embaraço. Em suma, o que disse o STF foi que o dever de manter o candidato ‘A’ ou ‘B’ longe do galinheiro é do eleitor. Será que, finalmente, estamos caminhando para um jogo democrático aberto, maduro e confiável? Tenho minhas dúvidas, mas este foi um grande passo na direção certa.

Tem peixe grande na rede!

06/08/2008 BigDog 2 comentários

O COPOM, órgão do Banco Central responsável pela regulação da política monetária e cambial no Brasil, anunciou na semana retrasada um aumento da taxa básica de juros de 12,25% para 13% ao ano. Com a medida, o Brasil amplia a margem de ‘vantagem’ sobre o segundo colocado no ranking mundial de juros reais. Descontada a inflação oficial, a taxa de juros reais subiu para 7,2% ao ano, bem a frente da Austrália, o segundo colocado com 5,7% ao ano. Por mais antipática que possa parecer, a medida se mostrava necessária para refrear a subida inflacionária, motivada, principalmente, pela alta dos preços dos alimentos e do petróleo. As conseqüências de tal ajuste serão sentidas, fundamentalmente, no setor produtivo, que sofrerá o impacto direto do chamado ‘custo do dinheiro’. Tanto isso é verdade que a estimativa de crescimento do PIB para 2009 já foi ajustada para 3%, contra os 4,5% previstos inicialmente. Além disso, a sensível queda da bolsa de valores e do preço do dólar são efeitos diretos da alta da taxa de juros, porque grande parte do capital aplicado nestes investimentos de risco migrou para os mais seguros fundos bancários, agora melhor remunerados. Em suma, a idéia do governo federal é refrear a inflação desaquecendo a economia, paralisando ativos e apostando no menor consumo de bens e serviços.

Não tenho condições de saber até que ponto a decisão foi acertada. As questões econômicas nesse mundo ‘globalizado’ em que vivemos são sempre facas de dois gumes, e cabe aos administradores escolher o mal menor. Se o cobertor é curto, tem-se que optar por aquecer a cabeça ou os pés. A única coisa que tenho certeza é que muito pouco tem sido considerado no que se refere a outras medidas de ajuste. Não se fala em redução dos gastos públicos, redimensionamento do orçamento e adequação das tarifas públicas. Enfim, nem se considera o prometido enxugamento da máquina estatal. Na verdade, a regulação da taxa de juros tem sido o único trunfo do governo para manter a inflação sobre controle, bem assim para cumprir as metas econômicas a que se propõe. Como diria o Capitão Nascimento, estão colocando na ‘conta do Papa’. Como sempre foi e sempre será.

A esperança do governo federal era a abertura de novos mercados para nossos produtos primários na Rodada de Doha, um imbróglio que o Crânio explicou de maneira brilhante alhures. Com o fracasso das tratativas e a manutenção dos subsídios aos produtores agrícolas dos chamados países ricos enfraquece a pretensão, mas surge uma certa sobrevida ao setor produtivo, na medida em que mantidas as barreiras à entrada de produtos industrializados vindos de tais países. Em suma, o qüiproquó teve alguma vantagem, embora ínfima. O problema é que o agronegócio brasileiro continuará em desvantagem em relação ao mercado mundial. Não considero grande problema o sistema de subsídios implantados pelos EUA e pela Europa, porque acredito que cada país tem o direito de estabelecer sistemas de incentivo aos setores mais sensíveis, sem que isso caracterize qualquer ofensa à legislação comercial mundial. Não se trata de concorrência desleal, apenas de investir no que se acredita, como forma de fomentar a produção e acelerar o desenvolvimento de um determinado setor.

No lugar do presidente Molusco I, o convicto, estaria pensando em estabelecer sistemas de incentivo similares, buscando recursos para auxiliar no crescimento da produção agrícola. É bem verdade que já se adotaram medidas relevantes neste sentido, como o aumento da linha de crédito para pequenos agricultores, mas ainda falta muito para termos um sistema confiável. Mas o que fez nosso supremo mandatário? Transformou em ministério a antiga Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, criando 150 (CENTO E CINQÜENTA) cargos em comissão e mais 200 para servidores concursados – serão 400 no total – , o que custará à Viúva a bagatela de R$ 250 milhões, totalizando um orçamento anual de R$ 500 milhões. Tal excesso de cargos em comissão se deve ao estabelecimento de superintendências estaduais do mencionado ministério, que terá sua estrutura descentralizada, a exemplo do que ocorre com os órgãos de outras pastas. Na minha opinião, chega a ser indecente que frente a todo esse quadro, a única medida do governo federal seja criar mais um cabidão de empregos para lotar correligionários e tratar como moeda de troca em épocas de eleição. Ao que parece, não evoluímos nada na forma de tratar os graves problemas do país. Acho muito interessante que se incentive a pesca e o consumo de pescado, uma medida inclusive de saúde pública, na medida em que o consumo destes produtos em substituição à carne vermelha só pode fazer bem. Mas não é criando mais um monstrengo na estrutura do executivo que se alcançará este objetivo. Pode ter certeza, prezado leitor, que tem peixe grande nesta rede. Alguém arrisca os nomes e/ou partidos dos primeiros superintendentes estaduais?

Sócio Premiere Futebol Clube… A contragosto!

02/08/2008 BigDog 13 comentários

Motivado pela prometida arrancada do Internacional rumo à Libertadores 2009 – ano do nosso centenário -, assinei o serviço Premiere Futebol Clube da SKY em janeiro, na ilusão de que veria partidas emocionantes do colorado. Ledo engano, porque não tenho assistido praticamente nenhum jogo deste campeonato. As razões são simples: primeiro, não tenho tido tempo de ver futebol. Simples assim. Segundo, os jogos estão cada vez mais duros de assistir, somente colorados fanáticos agüentam o desempenho pífio do time, categoria na qual se enquadra nosso amigo Wolfarth. Em resumo, estão indo R$ 54,00 pelo esgoto todos os meses, e a reação mais coerente nesse caso seria cancelar de vez a bagaça e assistir os jogos que passarem na TV aberta, com um pouco de boa vontade. Só que, ligando para a central de atendimento do infeliz assinante SKY, descobri que tenho plano de fidelidade até novembro deste ano, o que me obriga a permanecer assinando o serviço, sob pena de pagar uma multa de R$ 299,00. Ora, até novembro são quatro meses, o que dará um valor total de R$ 216,00 a título de mensalidade do PFC. A solução, sem nem precisar pensar muito, é permanecer assinando o serviço, porque sai mais barato.

O que me irrita é cair nessas arapucas de fidelidade. Claro que fui avisado que deveria permanecer no plano até novembro, o caso é que na ocasião do primeiro atendimento o valor da assinatura mensal é repetido mais de mil vezes – para ressaltar a facilidade da proposta – enquanto que o da multa é dito somente uma vez, e bem rápido para o sujeito não se dar conta do que isso representa. Agi como um babaca, claro, assinando algo por impulso. Mas é muita picaretagem estabelecer relações com o consumidor nesses termos. Que diabos me levaria a pagar uma multa para cancelar um serviço que eu não quero mais? Qual o prejuízo da empresa, que já me cobra R$ 54,00 há seis meses para um total de, no máximo, cinco ou seis partidas? E nem me venham com o argumento de que eu ganhei “desconto” na assinatura do pacote, por isso o plano de fidelização. Todo mundo sabe que não há alternativa a esses pacotes prontos. O consumidor não pode simplesmente dizer “não, quero pagar o valor integral e não ficar fidelizado a nada”. E, de mais a mais, só o que eu pago de assinatura básica mensal já dava para transmitir todos os jogos e sobraria troco. O que se cobra de TV por assinatura neste país é um negócio escorchante, como todo preço praticado por monopólio. Sim, porque, além de monopolistas, a SKY e a Net funcionam num esquema quase mafioso, vide a recente briga com a MTV. Certo está o Alemão, que ainda acompanha os jogos no velho rádio AM. Com o futebol do nosso time, rádio transistorizado é luxo!

A evolução do pensamento cabeção, ou “cada vez pior”…

22/07/2008 BigDog 3 comentários

Eu tinha uma galinha que se chamava Marylou
Um dia fiquei com fome e papei a Marylou
Marylou Marylou
Tinha cara de babaca
Marylou Marylou
Botava ovo pela cloaca
Eu tinha uma vaquinha que se chamava Sara Lee
Um dia fiquei com fome e papei a Sara Lee
Sara Lee Sara Lee
Tinha cara de careta
Sara Lee Sara Lee
Botava leite pela teta
Marylou Marylou
Transava até com urubu
Marylou Marylou
Botava ovo pelo “Sul”

Mina
Seus cabelos é “da hora”,
Seu corpo é um violão,
Meu docinho de coco,
Tá me deixando louco.
Minha Brasília amarela
Tá de portas abertas,
Pra mode a gente se amar,
Pelados em Santos.
Pois você minha “Pitchula”,
Me deixa legalzão,
Não me sinto sozinho,
Você é meu chuchuzinho!
Music is very good! (Oxente ai, ai, ai!)
Mas comigo ela não quer se casar,
Na Brasília amarela com roda gaúcha, ela não quer entrar.
Feijão com jabá, a desgraçada não quer compartilhar.
Mas ela é linda,
Muito mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu docinho de coco!
Music is very porreta! (Oxente Paraguai!)
Pro Paraguai ela não quis viajar,
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci, ela não quer usar.
Eu não sei o que faço pra essa mulher eu conquistar.
Por que ela é linda,
Muito mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu chuchuzinho!
Eu te “i love youuuu”! pera ai que tem mai um pokinho de u “uuuuu” tcheeeee

É créu!
É créu neles!
É créu!
É créu nelas!
“Vambora, que vamo”!
“Vambora, que vamo”!
Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades…(2x)
A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu…(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu…(3x)
Número 2!
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!
Número 3!
Créu, créu, créu, créu…(3x)
Tá ficando dificil, hein?
Créu, créu, créu, créu (3x)!
Agora eu quero ver a 4!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu!
Tá aumentando mané!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Segura DJ!
Vou confessar a vocês
Que eu não consigo
A número 5
DJ!
Velocidade cinco
Na dança do créu!!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(6x)
Hahahahaha
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(8x)!
Prá dança créu
Tem que ter disposição
Prá dança créu
Tem que ter habilidade
Pois essa dança
Ela não é mole não
Eu venho te lembrar
Que são 5 velocidades…(2x)
A primeira é devagarzinho
Só o aprendizado.
É assim, oh!
Créeeeu…(3x)
Se ligou? De novo!
Crééééu…(3x)
Número 2!
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Continua fácil, né?
De novo!
Créu, créu, créu,
Créu, créu, créu!
Número 3!
Créu, créu, créu, créu…(3x)
Tá ficando dificil, hein?
Créu, créu, créu, créu (3x)!
Agora eu quero ver a 4!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu!
Tá aumentando mané!
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Créu, créu, créu, créu
Créu, créu, créu
Segura DJ!
Vou confessar a vocês
Que eu não consigo
A número 5
DJ!
Velocidade cinco
Na dança do créu!!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(6x)
Hahahahaha!
Créu-Créu-Créu-Créu
Créu-Créu-Créu-Créu…(8x)!
Hahahahaha!

Não tenho muito o que dizer sobre isso. Três letras de épocas distintas – anos 80, anos 90/2000 e a época atual -, com o pior que se produziu em termos de música popular brasileira. Rock, rock infantil e a grande massificação atual, o funk carioca. Pare, pense, e responda: aonde vamos parar? Será que haverá uma redenção? Ou daqui para frente é só ladeira abaixo? Se bem que eu acredito ser muito difícil encontrar algo pior que a “Dança do Créu”, mas eu já tinha pensado isso de “Dança da Motinha” e “Bonde do Tigrão” e perdi a aposta… Enfim, o fim se aproxima a galope, e ninguém faz nada para mudar. Aliás, todo mundo parece estar se divertindo horrores…