Um Pouco de Pensamento Ecológico
Na minha nova vista panorâmica, posso contemplar o Rio dos Sinos. É uma visão que me atormenta, pois mostra o quanto nossa sociedade não está preparada para viver neste planeta. Estamos no inverno, e o rio deve estar (pelas marcas escuras nos pilares da ponte nova) uns dois metros abaixo de seu nível normal. Sim, há uma estiagem atualmente. E não se pode culpar só o aquecimento global por esta estiagem. Segundo o meteorologista Eugênio Hackbarth, estamos começando um ciclo de baixas precipitações pluviométricas. É da natureza do planeta, temos que aceitar.
Mas se tivéssemos um pouco mais de zelo para com a natureza, certamente o rio estaria em situação menos dramática. Os desmatamentos em morros e beira de rios, a eliminação dos banhados para utilização imobiliária. O crescimento desenfreado e desordenado das cidades e de seus sistemas paralelos e de apoio (agricultura, industrias), não entendeu que um rio é muito mais que um curso de água que pode levar dejetos adiante (!!!) e fornecer água. Um rio é alimentado por vários arroios, é auxiliado por seus banhados, os arroios são alimentados por vertentes. Estas vertentes estão nos morros, junto a mata, em pequenos “fios d´agua”, que juntam-se e formam o rio que nos sustenta. São milhares destes fios d´agua; é a união que faz a força!
Mas desmatamos e acabamos sumindo com vários destes pequenos pontos de absorção-retenção-liberação controlada de água. No momento de estiagem não há nada para liberar; no momento da chuva não há sistema para reter, não há banhado para absorver e controlar o rio, impedindo-o de entrar na cidade. E quando um grupo de ecologistas conscientes tenta impedir alguma obra que irá danificar o meio-ambiente, sempre aparecem aqueles que fazem chacota destes ambientalistas, que acham que ecologia só trava o progresso. O importante é o “progresso” e o dinheiro (valor único!) que ele traz.
Mas como será o progresso sem água?
Grande iniciativa, Crânio!
Não podemos mais admitir o uso desenfreado dos recursos naturais que ainda dispomos apenas para manter a máquina do consumismo em funcionamento.
Se cada um não fizer sua parte no controle do que ainda resta de recursos, TODOS sentirão os efeitos nefastos, sem exceção.