Quase futebol
O ano da graça de 2008 foi premiado com uma das melhores, quiçá a melhor, decisão do campeonato mundial de Fórmula 1. O campeonato, desde o início, já mostrava que este ano a competitividade voltaria a níveis decentes e a imprevisibilidade retornava, melhorando o espetáculo.
Depois de muito tempo, voltamos a ver motores explodindo nas últimas voltas, disputas internas nas equipes, novos vencedores (3 este ano), e até uma nova equipe vencedora. Nas 18 etapas, foram 7 pilotos diferentes a cruzar em primeiro a linha de chegada e 4 diferentes equipes a vencer uma etapa. Comparação, nos “anos Schumacher” a média era 4 pilotos e 3 equipes diferentes alternando-se na vitória.
O campeonato mostrou-se aberto desde a sua metade, onde viu-se que Ferrari não teria uma vantagem tão grande e que outras equipes poderiam, a partir de estratégia ou braço de piloto, reduzir a diferença em relação a Ferrari e McLaren. E as etapas finais mostraram que o campeão seria definido nos detalhes. Quando digo detalhes, leia-se acerto na escolha de pneus, no ajuste do carro, na estratégia de corrida.
Mas o final do campeonato parece que, ou inspirou-se no futebol (que é uma eterna caixa de surpresas) ou algum roteirista de suspense resolveu ditar os rumos da prova. E o resultado é que tivemos “dois campeões” num espaço de 20 segundos. Impressionante.
1117 voltas e a decisão ficou para a última volta; 28h38´41 segundos de corrida, e passados 20 segundos do final da última etapa e ainda não tínhamos certeza de quem seria o campeão. O campeonato foi decidido ao apagar das luzes, em apenas 0,02% do tempo de disputa. Nos últimos 0,02%!
Não foi a mangueira pendurada na etapa de Singapura; talvez o motor explodido na Hungria. Quem sabe os desastrados GPs da Inglaterra e da Malasia que tiraram o campeonato de Felipe Massa. Não tiraram porque ele chegou a ser campeão, por 20 segundos ele foi campeão. Pena que só por 20 sagundos.
Ficaram confusos